Estima‑se que aproximadamente 15% dos adultos brasileiros apresentem algum grau de hérnia umbilical ao longo da vida, sendo a quarta causa mais comum de cirurgia abdominal eletiva no país. Em crianças, a prevalência atinge até 30% nos primeiros anos de vida, com resolução espontânea na maioria dos casos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID K42 e quer saber o que significa? Este código identifica a hérnia umbilical, uma condição na qual parte do intestino ou tecido adiposo abdominal protrui através de um ponto fraco na parede muscular próximo ao umbigo. Conhecer seus sintomas, causas e opções de tratamento é essencial para tomar decisões informadas sobre sua saúde.
- Código: K42
- Descrição: Hérnia umbilical
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00‑K93)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K42.0 (hérnia umbilical com obstrução, sem gangrena), K42.1 (hérnia umbilical com gangrena), K42.9 (hérnia umbilical sem obstrução ou gangrena)
Paciente: Sr. Antônio, 52 anos, pedreiro
Queixa principal: “Apareceu um caroço no umbigo que dói quando carrego peso e está crescendo há três meses.”
Avaliação clínica: Ao exame físico, observou‑se tumoração redutível de aproximadamente 4 cm na cicatriz umbilical, com aumento à manobra de Valsalva. Ultrassonografia de parede abdominal confirmou hérnia umbilical com conteúdo omental, sem sinais de encarceramento.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID K42.9 (hérnia umbilical sem obstrução ou gangrena) — condição que exige tratamento cirúrgico eletivo devido ao risco de complicações.
Conduta terapêutica: Indicada herniorrafia umbilical com tela de polipropileno (técnica de Lichtenstein), realizada em regime ambulatorial. Prescrito analgésico (dipirona 500 mg a cada 6 horas) e restrição de esforço físico por 30 dias. Atestado médico: 14 dias corridos, com possibilidade de prorrogação.
Evolução: Paciente evoluiu sem intercorrências, retornou ao trabalho após 45 dias com liberação gradual. Em consulta de retorno com 60 dias, não apresentava recidiva e referia melhora completa da dor.
Lição clínica: Hérnias umbilicais sintomáticas em adultos raramente regridem e devem ser tratadas cirurgicamente para evitar encarceramento ou estrangulamento, situações que podem levar a emergências cirúrgicas.
O que é o CID K42 na prática médica
O código CID K42 classifica todas as formas de hérnia umbilical, ou seja, a passagem de conteúdo abdominal (geralmente gordura omental ou alça intestinal) através do anel umbilical, uma área naturalmente mais frágil da parede abdominal. Difere das hérnias epigástricas (CID K43) e incisionais (CID K43.0‑K43.9) por sua localização exata no umbigo. Na prática clínica, é essencial distinguir a hérnia redutível (conteúdo retorna espontaneamente ou com pressão manual) da encarcerada (não redutível) ou estrangulada (com isquemia). O CID K42 abrange adultos e crianças – em neonatos, é frequente o fechamento espontâneo nos primeiros 2‑3 anos.
Subcategorias e variantes do CID K42
O CID‑10 detalha três subcategorias para K42:
- K42.0 – Hérnia umbilical com obstrução, sem gangrena: o conteúdo herniário fica preso no saco, impedindo seu retorno, mas o suprimento sanguíneo ainda está preservado. Requer cirurgia de urgência.
- K42.1 – Hérnia umbilical com gangrena: complicação grave com necrose do tecido herniado. Emergência cirúrgica absoluta, com risco de peritonite e sepse.
- K42.9 – Hérnia umbilical sem obstrução ou gangrena: a forma mais comum, geralmente redutível e assintomática ou oligossintomática. Tratamento eletivo.
Variantes anatômicas incluem hérnias umbilicais congênitas (persistência do anel umbilical fetal) e adquiridas (secundárias a aumento da pressão intra‑abdominal). Em casos associados a tosse crônica, obesidade ou ascite, a recidiva é mais frequente.
Sintomas e como a doença se manifesta
O sintoma cardinal é uma protuberância na região umbilical, que pode ser indolor ou causar desconforto leve. As características variam:
- Hérnia redutível: surge ao esforço (tossir, levantar peso, evacuar) e desaparece ao deitar ou com pressão manual.
- Dor: geralmente em cólica ou sensação de “puxão”, pior ao final do dia.
- Sintomas digestivos: náuseas, constipação ou sensação de plenitude – mais comuns quando há encarceramento.
- Sinais de complicação: protuberância endurecida, dolorosa, com hiperemia local, febre, taquicardia; indicam estrangulamento e necessidade de intervenção imediata.
Em lactentes, a hérnia geralmente é assintomática e notada pelos pais como um “caroço” que aparece ao chorar.
Causas e fatores de risco
A hérnia umbilical resulta de um ponto fraco na fáscia muscular combinado com aumento da pressão intra‑abdominal. Os principais fatores de risco são:
- Obesidade: eleva a pressão abdominal e enfraquece a parede.
- Gravidez: estiramento da musculatura e aumento da pressão.
- Esforço físico repetitivo: levantar pesos, tosse crônica (DPOC, asma), constipação intestinal.
- Cirurgias abdominais prévias: incisões próximas ao umbigo podem enfraquecer o anel umbilical.
- Doenças que aumentam o volume abdominal: ascite (cirrose, insuficiência cardíaca), tumores.
- Tabagismo: prejudica a cicatrização e a qualidade do colágeno.
- Predisposição congênita: em crianças, o não fechamento completo do anel umbilical após o nascimento.
Estudos de 2025 mostram que a incidência é 2‑3 vezes maior em homens com mais de 40 anos do que em mulheres da mesma faixa etária, exceto durante o período gestacional.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico. O médico palpa a região umbilical com o paciente em pé e deitado, pedindo que “faça força” (manobra de Valsalva). Em casos duvidosos ou para planejamento cirúrgico, exames complementares ajudam:
- Ultrassonografia de parede abdominal: confirma o defeito, mede o diâmetro do anel e identifica o conteúdo (gordura, alça intestinal). É o padrão‑ouro antes da cirurgia eletiva.
- Tomografia computadorizada (TC): reservada para hérnias complexas, suspeita de complicações ou quando a USG é inconclusiva.
- Radiografia simples de abdome: útil se houver suspeita de obstrução intestinal (níveis hidroaéreos).
O CID K42 é registrado após exclusão de outras causas de tumoração umbilical, como hérnia epigástrica ou diástase dos retos abdominais.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento depende da idade, tamanho, sintomas e risco de complicações:
Conduta expectante (crianças e adultos assintomáticos)
Em crianças com menos de 2‑3 anos, a maioria das hérnias umbilicais fecha espontaneamente. Observa‑se sem intervenção, orientando os pais a não tentar redução forçada. Em adultos com hérnia pequena (<1 cm) e assintomática, pode‑se optar por acompanhamento clínico, embora o risco de encarceramento ao longo da vida seja de 15‑30%.
Tratamento cirúrgico (indicado na maioria dos adultos e crianças sintomáticas)
- Herniorrafia simples: sutura do defeito sem tela, indicada em hérnias pequenas (<2 cm) em pacientes magros. Menor custo, mas maior taxa de recidiva (10‑15%).
- Hernioplastia com tela: reforço do defeito com prótese de polipropileno. Reduz recidiva para <2%. Técnica preferida na maioria dos serviços.
- Videolaparoscopia: opção para hérnias bilaterais ou recidivadas, com menor dor pós‑operatória e retorno mais rápido, porém maior custo.
O procedimento é ambulatorial (paciente recebe alta no mesmo dia ou após 12‑24h). O pós‑operatório envolve repouso relativo, uso de cinta abdominal elástica por 30 dias, analgésicos (dipirona, ibuprofeno) e laxantes para evitar esforço evacuatório. Antibióticos profiláticos são usados na presença de tela.
Quantos dias de atestado médico (CID K42)
O tempo de afastamento varia conforme a atividade e a técnica cirúrgica:
- Cirurgia eletiva com tela (via aberta): 7 a 14 dias para trabalho leve (escritório) e 21 a 30 dias para trabalho pesado (carga, esforço).
- Videolaparoscopia: 5 a 10 dias para trabalho leve; 14 a 21 dias para pesado.
- Hérnia complicada (K42.0 ou K42.1): o atestado pode se estender por 30 a 60 dias, dependendo da gravidade e da necessidade de internação.
No caso do Sr. Antônio (estudo de caso), foram concedidos 14 dias iniciais, com possibilidade de prorrogação por mais 15 dias. O retorno ao trabalho de alto esforço exigiu 45 dias de pós‑operatório. Importante: o atestado deve especificar o CID K42.9 e as restrições funcionais.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência se apresentar:
- Protuberância que fica dura, dolorosa e não pode ser reduzida (encarceramento).
- Dor abdominal intensa e contínua, com náuseas e vômitos (sinais de obstrução intestinal).
- Alteração da cor da pele sobre a hérnia (avermelhada, arroxeada ou escurecida).
- Febre, calafrios, mal‑estar geral (sugerem gangrena e peritonite).
- Distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes.
Nestes casos, não tente reduzir a hérnia em casa; jejum e avaliação cirúrgica imediata são cruciais. A demora pode levar a necrose intestinal, ressecção e complicações graves.
Prevenção e cuidados contínuos
Embora nem toda hérnia umbilical seja prevenível, algumas medidas reduzem o risco e evitam complicações:
- Controle de peso: obesidade é o principal fator modificável.
- Evitar esforço abdominal excessivo: técnica correta ao levantar peso, usar cintas em atividades de risco.
- Tratar tosse crônica e constipação: use broncodilatadores, mucolíticos e laxantes quando necessário.
- Fortalecimento muscular: exercícios para o core (abdome e lombar) melhoram a sustentação da parede.
- Pós‑cirúrgico: seguir recomendações de repouso e evitar esforço por 30‑60 dias; usar cinta elástica.
- Acompanhamento periódico: mesmo após cirurgia, consultas anuais para detectar recidiva precoce.
Para crianças, orienta‑se não usar “moedas” ou “faixas” pois não têm eficácia comprovada e podem causar irritação na pele.
- 01. Se você tem uma hérnia umbilical pequena e indolor, informe seu médico mesmo assim – o risco de encarceramento justifica a avaliação.
- 02. Nunca tente empurrar a hérnia com força: você pode lesionar o intestino ou agravar uma estrangulação.
- 03. Após a cirurgia, evite levantar mais de 5 kg nas primeiras 4 semanas para garantir a cicatrização da tela.
- 04. Use cinta abdominal elástica durante o dia nos primeiros 30 dias – ela auxilia na contenção e reduz a dor.
- 05. Mantenha um diário alimentar com fibras e hidratação para evitar constipação e esforço evacuatório no pós‑operatório.
- 06. Em caso de dúvida sobre o atestado, consulte o CID Z000 – Exame Médico Geral para orientações complementares.
Perguntas Frequentes sobre o CID K42
O CID K42 garante quantos dias de atestado?
O atestado padrão para hérnia umbilical não complicada tratada cirurgicamente varia de 7 a 30 dias. Para trabalho braçal, recomenda‑se 21 a 30 dias; para trabalho administrativo, 7 a 14 dias. O médico avaliará caso a caso, registrando o CID K42.9 no documento.
Hérnia umbilical pode sumir sozinha?
Em crianças com até 2‑3 anos, sim – cerca de 80% fecham espontaneamente. Em adultos, a regressão espontânea é rara; a maioria permanece estável ou aumenta de tamanho, exigindo cirurgia.
Qual a diferença entre hérnia umbilical e hérnia epigástrica?
A hérnia umbilical localiza‑se exatamente no umbigo (anel umbilical). A epigástrica (CID K43) ocorre na linha média do abdome, entre o umbigo e o tórax, geralmente por diástase dos músculos retos. Ambas são classificadas separadamente para fins de tratamento e prognóstico.
É possível viver com hérnia umbilical sem cirurgia?
Sim, se for pequena, redutível e assintomática. Contudo, o risco de encarceramento ao longo da vida é significativo (15‑30%). A maioria dos cirurgiões recomenda correção eletiva para evitar emergências futuras.
O que fazer se a hérnia umbilical ficar dolorida e endurecida?
Isso indica possível encarceramento ou estrangulamento. Dirija‑se imediatamente a um pronto‑socorro. Não ingira nada, não tente reduzir a hérnia em casa. É uma urgência cirúrgica.
Hérnia umbilical pode causar problemas intestinais?
Sim, principalmente se houver encarceramento de alça intestinal, levando a obstrução com náuseas, vômitos e parada de eliminação de gases. A condição exige correção cirúrgica de urgência.
Qual o custo de uma cirurgia de hérnia umbilical?
No Sistema Único de Saúde (SUS) o procedimento é gratuito. Na rede particular, custa em média R$ 3.000 a R$ 8.000 (incluindo honorários, hospital e tela). Planos de saúde cobrem o procedimento, desde que haja indicação clínica.
Grávida com hérnia umbilical precisa de cuidados especiais?
Durante a gestação, a hérnia pode aumentar devido à pressão abdominal. O tratamento geralmente é conservador (cinta de suporte), e a cirurgia é postergada para após o parto, exceto se houver complicações. Consulte seu obstetra e um cirurgião geral.
O CID K42 pode ser usado para crianças?
Sim, o mesmo código é aplicado a hérnias umbilicais em qualquer faixa etária. Em crianças, a subcategoria K42.9 é a mais frequente, pois raramente há obstrução ou gangrena.
Como diferenciar hérnia umbilical de diástase dos retos?
Na diástase, há abaulamento na linha média, mas não há anel herniário palpável; o defeito é mais amplo e difuso. O ultrassom de parede abdominal diferencia com precisão.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
CID-10 (CID10.com.br) – K42 |
MedlinePlus – Umbilical hernia
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