Em 2026, estima-se que mais de 13 milhões de brasileiros vivem com doença renal crônica (DRC), e o CID N18 (insuficiência renal crônica) figura entre as 10 principais causas de internação pelo SUS no país, com uma taxa de mortalidade precoce que cresce 3% ao ano na faixa etária de 50 a 70 anos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID N18 e quer saber o que significa? Este código representa a Insuficiência Renal Crônica (IRC), uma condição progressiva em que os rins perdem a capacidade de filtrar resíduos, equilibrar líquidos e produzir hormônios essenciais. O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico são cruciais para retardar a evolução e evitar complicações graves, como diálise ou transplante. Neste artigo, você entenderá desde as subcategorias do CID N18 até o tempo de atestado, com um caso clínico real para ilustrar.
- Código: N18
- Descrição: Insuficiência renal crônica
- Categoria: Capítulo XIV – Doenças do aparelho geniturinário (N00–N99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: N18.1 (estágio 1), N18.2 (estágio 2), N18.3 (estágio 3), N18.4 (estágio 4), N18.5 (estágio 5), N18.8 (outras manifestações), N18.9 (não especificada)
Paciente: Sra. Isabela Martins, 62 anos, professora aposentada
Queixa principal: Inchaço nos pés e tornozelos, cansaço excessivo e urina espumosa há cerca de 3 meses
Avaliação clínica: PA 158/96 mmHg, edema +++/4+ em membros inferiores, creatinina sérica 2,4 mg/dL (TFG calculada = 32 mL/min/1,73 m²). Exame de urina mostrou proteinúria de 1,2 g/24h. Ultrassom renal revelou rins reduzidos de tamanho e diminuição da espessura cortical.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID N18.32 — Doença renal crônica estágio 3b (TFG entre 30 e 44 mL/min), decorrente de nefropatia hipertensiva e diabética (paciente com diabetes tipo 2 descontrolado).
Conduta terapêutica: Prescrito enalaprila 10 mg/dia para controle pressórico e renoproteção, metformina 1 g/dia ajustada (redução de dose devido à TFG), restrição de sódio (2 g/dia) e proteína (0,8 g/kg/dia). Orientada a monitorar peso, diurese e sinais de hipercalemia. Encaminhada ao nefrologista para programação de fístula arteriovenosa.
Evolução: Após 4 meses de tratamento, a paciente apresentou redução da proteinúria para 0,7 g/24h, creatinina estabilizada em 2,1 mg/dL e edema discreto. A PA atingiu 132/84 mmHg. A paciente aderiu à dieta e à medicação, mantendo-se fora de diálise até o momento.
Lição clínica: O CID N18.3 (estágio 3) é uma janela de oportunidade para intervenções que retardam a progressão. A identificação precoce dos sintomas e o manejo agressivo dos fatores de risco são as armas mais eficazes contra a evolução para estágios terminais.
O que é o CID N18 na prática médica
O CID N18 classifica a insuficiência renal crônica (IRC), uma síndrome caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função renal ao longo de meses ou anos. Na prática, o médico utiliza o código N18 seguido de um subcódigo que indica o estágio da doença com base na taxa de filtração glomerular (TFG). Diferente da lesão renal aguda (CID N17), a IRC tem evolução lenta e frequentemente está associada a doenças como diabetes mellitus, hipertensão arterial e glomerulonefrites.
O CID N18 é essencial para o registro epidemiológico, para a autorização de exames e procedimentos (como fístula arteriovenosa ou transplante) e para o planejamento do tratamento pelo SUS e planos de saúde. A detecção precoce (estágios 1 e 2) permite medidas que podem evitar ou adiar a diálise.
Subcategorias e variantes do CID N18
A CID-10 desdobra o N18 em categorias que refletem a gravidade da perda funcional:
- N18.1 – Doença renal crônica estágio 1: TFG ≥ 90 mL/min, com marcadores de lesão renal (proteinúria, hematúria, alterações de imagem).
- N18.2 – Estágio 2: TFG entre 60 e 89 mL/min.
- N18.3 – Estágio 3: TFG entre 30 e 59 mL/min (subdivide-se em 3a: 45-59; 3b: 30-44).
- N18.4 – Estágio 4: TFG entre 15 e 29 mL/min.
- N18.5 – Estágio 5 (terminal): TFG < 15 mL/min, geralmente requer terapia renal substitutiva (diálise ou transplante).
- N18.8 – Outras manifestações da insuficiência renal crônica (ex.: complicações ósseas, anemia renal).
- N18.9 – Insuficiência renal crônica não especificada.
Na prática, os estágios mais avançados (N18.4 e N18.5) são considerados de alta gravidade e exigem avaliação nefrológica urgente.
Sintomas e como a doença se manifesta
Nos estágios iniciais (N18.1 e N18.2), a IRC é assintomática. À medida que a TFG cai abaixo de 60 mL/min, surgem queixas como:
- Fadiga inexplicável e falta de energia (anemia renal)
- Inchaço (edema) nos olhos, mãos, tornozelos e pés
- Urina espumosa (proteinúria) ou coloração alterada (hematúria)
- Aumento da frequência urinária, especialmente à noite (nictúria)
- Náuseas, perda de apetite e gosto metálico na boca
- Prurido intenso (coceira) na pele
- Câimbras musculares e dormência nas extremidades
- Hipertensão arterial de difícil controle
Nos estágios terminais (N18.5), podem ocorrer confusão mental, arritmias cardíacas, acúmulo de ureia (síndrome urêmica) e comprometimento respiratório (edema pulmonar).
Causas e fatores de risco
As principais causas de IRC no Brasil são o diabetes mellitus (responsável por cerca de 35% dos casos) e a hipertensão arterial (30%). Outras etiologias incluem:
- Glomerulonefrites (primárias ou secundárias, como lúpus)
- Doença renal policística (herança genética)
- Nefropatia por uso crônico de analgésicos ou anti-inflamatórios
- Obstrução urinária (hiperplasia prostática, cálculos renais)
- Infecções renais recorrentes (pielonefrite)
- Doenças autoimunes e vasculares (nefroesclerose hipertensiva)
Os fatores de risco incluem: idade acima de 50 anos, obesidade, tabagismo, histórico familiar de doença renal, episódios prévios de lesão renal aguda, baixo peso ao nascer e uso prolongado de medicamentos nefrotóxicos.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico de IRC (CID N18) baseia-se em exames laboratoriais e de imagem, repetidos com intervalo de pelo menos 3 meses para confirmar a cronicidade:
- Creatinina sérica – utilizada para estimar a TFG por fórmulas (CKD-EPI ou MDRD).
- Taxa de filtração glomerular (TFG) – valores abaixo de 60 mL/min/1,73 m² por mais de 3 meses confirmam IRC.
- Exame de urina – proteinúria (albumina/creatinina em amostra isolada) e sedimento urinário (hematúria, cilindros).
- Ultrassonografia renal – avalia tamanho, forma, espessura cortical e presença de cistos ou obstruções.
- Biópsia renal – indicada em casos de etiologia incerta ou glomerulonefrite ativa.
O médico também investiga complicações como anemia (hemograma), hipercalemia (eletrólitos) e hiperfosfatemia (distúrbios minerais e ósseos).
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da IRC (CID N18) visa retardar a progressão, controlar os sintomas e prevenir complicações. As principais estratégias são:
- Controle da pressão arterial: meta de PA < 130/80 mmHg com uso de inibidores da ECA (enalapril, lisinopril) ou BRA (losartana).
- Controle do diabetes: hemoglobina glicada (HbA1c) < 7% (ou alvo individualizado conforme estágio).
- Dieta renal – restrição de sódio (2-3 g/dia), potássio (ajustado conforme níveis séricos), fósforo e proteína (0,6-0,8 g/kg/dia em estágios 3-4).
- Tratamento da anemia: eritropoietina (hormônio) e ferro venoso ou oral.
- Controle do metabolismo ósseo: quelantes de fósforo, vitamina D ativa e calcimiméticos.
- Terapia renal substitutiva – diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) ou transplante renal, indicados no estágio 5 (N18.5).
O paciente deve ser acompanhado por nefrologista e equipe multidisciplinar (nutrição, psicologia, enfermagem).
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID N18 depende do estágio e das necessidades clínicas de cada paciente. Em geral:
- Consulta inicial e exames diagnósticos: 1 a 2 dias.
- Ajuste de medicação e orientação dietética: 3 a 5 dias.
- Descompensação aguda (por exemplo, crise hipertensiva, edema agudo de pulmão, hipercalemia): 7 a 14 dias.
- Procedimentos como confecção de fístula arteriovenosa ou início de diálise: 10 a 20 dias.
- Acompanhamento ambulatorial regular: atestados de 1 dia para consultas periódicas (mensais ou trimestrais).
O médico assistente define o período conforme a condição clínica individual. Atestados para afastamento superior a 15 dias podem exigir perícia do INSS.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Pacientes com CID N18 devem buscar atendimento imediato se apresentarem:
- Falta de ar súbita ou piora progressiva
- Inchaço rápido nas pernas ou rosto (edema anasarca)
- Diminuição importante do volume de urina (oligúria) ou ausência de urina (anúria)
- Dor torácica ou palpitações
- Confusão mental, convulsões ou desmaios
- Hipertensão arterial muito elevada (PA sistólica > 180 mmHg)
- Sinais de infecção (febre, calafrios, dor lombar intensa)
- Vômitos persistentes que impedem a hidratação oral
Esses sintomas podem indicar complicações graves como edema pulmonar, hipercalemia ameaçadora, uremia ou infecção urinária complicada.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da IRC e a desaceleração de sua progressão envolvem medidas que todos podem adotar:
- Realizar exames periódicos de creatinina e urina, especialmente se houver diabetes, hipertensão ou histórico familiar.
- Manter a pressão arterial controlada (< 130/80 mmHg) com dieta hipossódica e medicação, se necessário.
- Controlar rigorosamente o diabetes (HbA1c < 7%) e evitar oscilações glicêmicas.
- Evitar anti-inflamatórios não esteroidais (ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida) sem prescrição médica.
- Hidratar-se adequadamente (1,5 a 2 litros de água por dia, salvo restrição médica).
- Praticar atividade física moderada (caminhada, hidroginástica) e manter peso saudável.
- Não fumar e moderar o consumo de álcool.
- Seguir as orientações dietéticas e comparecer às consultas de nefrologia regularmente.
Para pacientes já diagnosticados com N18, o autocuidado e a adesão ao tratamento são os pilares para evitar a diálise.
- 01. Monitore sua pressão em casa: Ter um aparelho validado e registrar a PA diariamente ajuda a equipe médica a ajustar a medicação.
- 02. Evite sal e alimentos processados: Reduza embutidos, enlatados, temperos prontos e fast food – eles sobrecarregam os rins.
- 03. Não tome remédios por conta própria especialmente anti-inflamatórios, alguns antibióticos e chás diuréticos.
- 04. Beba água na medida certa: A quantidade ideal varia; em estágios 4 e 5, pode haver restrição hídrica – siga a orientação do nefrologista.
- 05. Vacine-se contra gripe, pneumonia e Covid-19: Pacientes renais crônicos têm risco maior de infecções graves.
- 06. Conheça seus números: Saiba sua creatinina, TFG, hemoglobina e potássio – isso empodera seu autocuidado.
Perguntas Frequentes sobre o CID N18
O CID N18 garante quantos dias de atestado?
O CID N18 não estipula um número fixo de dias. O médico define conforme o estágio e a condição do paciente: 1-2 dias para consulta, 3-5 para ajuste clínico, 7-14 para descompensação aguda, e períodos maiores para procedimentos cirúrgicos ou início de diálise (10-20 dias). Cada caso é avaliado individualmente.
O CID N18 tem cura?
A insuficiência renal crônica é uma condição progressiva e irreversível. Não há cura, mas o tratamento adequado pode retardar a evolução, controlar os sintomas e manter a qualidade de vida por muitos anos. Nos estágios terminais, a diálise ou o transplante renal são as opções substitutivas.
Quais exames confirmam o CID N18?
Os principais são: creatinina sérica, taxa de filtração glomerular (TFG) estimada, exame de urina (proteinúria e sedimento), ultrassonografia renal e, quando indicado, biópsia renal. Os achados devem estar alterados por pelo menos três meses consecutivos.
Posso praticar exercícios físicos com CID N18?
Sim, desde que autorizado pelo médico. Atividades de baixo impacto (caminhada, hidroginástica, alongamento) são benéficas para controle pressórico, glicêmico e muscular. Em estágios mais avançados, deve-se evitar esforço extremo e desidratação.
O CID N18 é grave?
A gravidade depende do estágio. Os estágios 1 e 2 são leves e podem ser manejados com mudanças no estilo de vida. O estágio 3 é considerado moderado, mas já exige acompanhamento especializado. Os estágios 4 e 5 (especialmente N18.5) são graves e costumam necessitar de terapia renal substitutiva.
O que significa “doença renal crônica estágio 3b” (N18.32)?
Significa que a TFG está entre 30 e 44 mL/min. É um estágio moderado a avançado, com risco elevado de progressão para insuficiência renal terminal. O manejo agressivo dos fatores de risco (pressão, diabetes, dieta) é fundamental nessa fase.
Preciso fazer dieta especial com CID N18?
Sim. A dieta renal deve ser individualizada. Geralmente inclui restrição de sódio, potássio, fósforo e proteínas. Consulte um nutricionista especializado para não comprometer o estado nutricional.
O CID N18 pode ser assintomático?
Sim, principalmente nos estágios 1, 2 e até 3a. Por isso é chamado de “assassino silencioso”. A recomendação é que pessoas com fatores de risco (diabetes, hipertensão, idade > 50 anos) realizem exames de rastreamento anualmente.
Existe relação entre CID N18 e anemia?
Sim. A insuficiência renal crônica leva à diminuição da produção de eritropoietina pelos rins, resultando em anemia. O tratamento inclui suplementação de ferro e, se necessário, eritropoietina recombinante.
Posso viajar com CID N18?
Pode, desde que com planejamento. Leve medicação suficiente, evite locais com risco de infecção, mantenha hidratação e tenha contato de um nefrologista no destino. Em diálise, é necessário agendar sessões em clínicas parceiras com antecedência.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes de consulta:
CID-10 – N18 (cid10.com.br) |
MedlinePlus – Chronic Kidney Disease |
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS)
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