Cid Pedra na Vesícula
Estima-se que cerca de 10% da população adulta brasileira tenha cálculos biliares. Em 2025, houve um aumento de 5% nos diagnósticos de colelitíase sintomática, segundo dados do Ministério da Saúde, com maior incidência em mulheres entre 30 e 50 anos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID PEDRA-NA-VESICULA e quer saber o que significa? Trata-se do código K80 da Classificação Internacional de Doenças, utilizado para identificar a presença de cálculos na vesícula biliar (colelitíase). Esta condição é bastante comum e, na maioria dos casos, não causa sintomas, mas pode levar a complicações como colecistite aguda, coledocolitíase e pancreatite. Neste artigo, você entenderá o significado clínico, os sintomas, as opções de tratamento e quantos dias de atestado são recomendados.
- Código: K80
- Descrição: Colelitíase – cálculos (pedras) na vesícula biliar
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K80.0 (cálculos com colecistite aguda), K80.1 (cálculos com outra colecistite), K80.2 (cálculos sem colecistite), K80.3 (cálculos do ducto biliar com colangite), K80.4 (cálculos do ducto biliar com colecistite), K80.5 (cálculos do ducto biliar sem colangite ou colecistite), K80.8 (outras colelitíases)
Paciente: Cláudia Mendes, 42 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: Dor intensa no lado direito do abdômen, irradiando para as costas, após refeições gordurosas, acompanhada de náuseas e desconforto há três semanas.
Avaliação clínica: Ao exame físico, sinal de Murphy positivo (parada da inspiração à palpação do hipocôndrio direito). Ultrassonografia abdominal evidenciou múltiplos cálculos na vesícula, o maior com 1,2 cm, e espessamento parietal sugestivo de colecistite crônica.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K80.1 — colelitíase com colecistite crônica, indicando a presença de cálculos associados a inflamação da vesícula.
Conduta terapêutica: Prescrito analgesia (dipirona e escopolamina) para as crises agudas, orientação dietética com restrição de gorduras e agendamento de colecistectomia videolaparoscópica eletiva.
Evolução: Após a cirurgia, a paciente teve alta em 24 horas, retornou às atividades leves após 7 dias e, em 3 semanas, estava assintomática e com plena capacidade laboral.
Lição clínica: A investigação precoce de dores abdominais pós-prandiais é essencial. O diagnóstico correto e o tratamento cirúrgico eletivo evitam complicações graves como pancreatite aguda.
O que é o CID K80 na prática médica
O CID K80 é o código da Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição, para a condição popularmente conhecida como “pedra na vesícula” ou colelitíase. Ele abrange a presença de cálculos no interior da vesícula biliar, um órgão localizado abaixo do fígado responsável por armazenar a bile. Os cálculos são formados por colesterol, bilirrubina ou sais de cálcio e podem variar de tamanho (desde grãos de areia até pedras de vários centímetros). Na prática clínica, o uso desse CID é fundamental para padronizar diagnósticos, autorizar procedimentos cirúrgicos, justificar afastamentos do trabalho e registrar dados epidemiológicos. A colelitíase é uma das doenças digestivas mais prevalentes no mundo, afetando mais de 20 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Hepatologia. Muitos pacientes são assintomáticos (“portadores silenciosos”), mas cerca de 20% desenvolvem sintomas ao longo da vida, como cólicas biliares, que podem evoluir para complicações inflamatórias ou obstrutivas.
Subcategorias e variantes do CID K80
O CID K80 é dividido em subcategorias para refinar o diagnóstico: K80.0 (cálculos da vesícula com colecistite aguda), K80.1 (cálculos com outra colecistite, como crônica), K80.2 (cálculos sem colecistite), K80.3 (cálculos do ducto biliar com colangite), K80.4 (cálculos do ducto biliar com colecistite), K80.5 (cálculos do ducto biliar sem colangite ou colecistite) e K80.8 (outras formas). Essa gradação ajuda o médico a especificar a gravidade e a localização dos cálculos. Por exemplo, um código K80.0 indica um quadro agudo que pode exigir internação urgente, enquanto o K80.2 é usado em pacientes assintomáticos ou com sintomas leves, muitas vezes descobertos em exames de rotina. Essas subcategorias também influenciam o tempo de atestado e a conduta terapêutica.
Sintomas e como a doença se manifesta
A colelitíase pode permanecer totalmente assintomática por anos. Quando os sintomas aparecem, o mais típico é a cólica biliar: dor súbita e intensa no quadrante superior direito do abdômen, que pode irradiar para o ombro direito ou para as costas, geralmente desencadeada por refeições gordurosas. A dor pode durar de 30 minutos a várias horas, acompanhada de náuseas, vômitos, sudorese e desconforto. Se houver inflamação (colecistite), a dor torna-se contínua, surge febre, calafrios e hipersensibilidade local (sinal de Murphy). Em casos de obstrução do ducto biliar comum, ocorre icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura e fezes claras, além de risco de pancreatite aguda, uma emergência médica. É importante distinguir a dor da vesícula de outras causas abdominais, como úlcera péptica ou apendicite.
Causas e fatores de risco
Os cálculos biliares se formam quando há desequilíbrio na composição da bile: excesso de colesterol, diminuição de ácidos biliares ou estase (parada) da bile. Os principais fatores de risco incluem: sexo feminino (2 a 3 vezes mais comum), idade acima de 40 anos, obesidade, dieta rica em gorduras saturadas e pobre em fibras, diabetes mellitus, síndrome metabólica, rápida perda de peso (dietas radicais ou cirurgia bariátrica), uso de anticoncepcionais orais, gravidez múltipla, doença de Crohn, cirrose hepática e anemia hemolítica (cálculos de bilirrubina). A hereditariedade também tem papel importante: pessoas com histórico familiar de colelitíase apresentam maior risco. A prevenção baseia-se em manter peso saudável, fazer atividade física e priorizar uma alimentação equilibrada.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa com a história clínica e o exame físico, incluindo a manobra de Murphy. O exame padrão‑ouro é a ultrassonografia abdominal, que detecta cálculos com sensibilidade acima de 95%. Ela também avalia espessura da parede da vesícula, presença de lama biliar, dilatação das vias biliares e sinais de colecistite. Exames de sangue (hemograma, bilirrubinas, fosfatase alcalina, TGO/TGP, amilase) ajudam a identificar complicações inflamatórias ou obstrutivas. Em casos duvidosos, a tomografia computadorizada, a colangioressonância magnética ou a colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE) podem ser necessárias para avaliar a árvore biliar. O diagnóstico precoce é essencial, especialmente em pacientes com sintomas típicos, pois reduz o risco de complicações graves.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento depende da presença e da gravidade dos sintomas. Pacientes assintomáticos geralmente não necessitam de intervenção imediata, apenas acompanhamento e orientação dietética (baixo teor de gorduras). Para os sintomáticos, a conduta definitiva é a colecistectomia (remoção cirúrgica da vesícula). A técnica mais realizada é a videolaparoscópica, minimamente invasiva, com internação de 1 a 2 dias e recuperação rápida. Em casos de colecistite aguda, o tratamento começa com antibióticos, jejum e analgesia, seguido de cirurgia eletiva após 6 a 8 semanas. Nos pacientes com cálculos no ducto biliar (coledocolitíase), a CPRE pode ser realizada para remover os cálculos antes ou durante a cirurgia. Medicamentos orais para dissolver cálculos (ácido ursodesoxicólico) são reservados para casos selecionados (cálculos pequenos de colesterol e vesícula funcionante), com baixa eficácia e alta recorrência. A litotripsia extracorpórea por ondas de choque é raramente utilizada atualmente.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho depende da subcategoria do CID K80 e do tipo de tratamento realizado. Para pacientes submetidos a colecistectomia videolaparoscópica em regime eletivo, o atestado médico costuma variar de 7 a 14 dias para atividades leves, podendo se estender até 21 dias para atividades que exijam esforço físico intenso. Em casos de colecistite aguda (K80.0) com internação hospitalar, o afastamento pode chegar a 2 a 4 semanas. Já para pacientes assintomáticos (K80.2) que não realizam cirurgia, geralmente não há necessidade de atestado, exceto nos dias de realização de exames complementares. A decisão final é sempre do médico assistente, baseada na evolução clínica e na natureza da ocupação do paciente.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento médico de urgência se apresentar: dor abdominal intensa e persistente no lado direito ou na boca do estômago, febre acima de 38°C com calafrios, icterícia (pele ou olhos amarelados), urina escura (cor de Coca‑cola), fezes esbranquiçadas (acolia fecal), náuseas ou vômitos repetidos que impedem a alimentação, ou sinais de desidratação. Esses sintomas podem indicar colecistite aguda complicada, obstrução do ducto biliar, pancreatite ou perfuração da vesícula — condições que exigem intervenção imediata. Em pacientes com diagnóstico já conhecido de cálculos, o surgimento de dor que não cessa com analgésicos comuns ou que piora progressivamente também demanda reavaliação. Lembre-se: o tratamento precoce reduz a morbimortalidade.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da colelitíase baseia-se em hábitos saudáveis: manter peso adequado (IMC entre 18,5 e 24,9), evitar dietas excessivamente restritivas ou muito ricas em gorduras saturadas, praticar atividade física regular (pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana), consumir alimentos ricos em fibras (frutas, verduras, leguminosas, grãos integrais) e priorizar gorduras insaturadas (azeite, abacate, castanhas). Pacientes com diabetes ou síndrome metabólica devem manter bom controle glicêmico e lipídico. Para quem já tem cálculos assintomáticos, recomenda-se seguimento clínico periódico com ultrassom a cada 1-2 anos e orientação dietética. Após a colecistectomia, a maioria dos pacientes pode ter uma vida normal, embora alguns relatem diarreia leve ou intolerância a grandes quantidades de gordura, que melhora com adaptação alimentar.
- 01. Nunca ignore dores abdominais recorrentes após refeições – pode ser cólica biliar. Agende uma consulta médica para realizar ultrassom.
- 02. Se você tem diagnóstico de cálculos assintomáticos, mantenha acompanhamento regular com seu clínico ou gastroenterologista.
- 03. Prefira refeições fracionadas e com baixo teor de gordura para diminuir o risco de crises biliares.
- 04. Após a cirurgia de vesícula, evite grandes quantidades de frituras nas primeiras semanas; introduza alimentos gradualmente.
- 05. Não tome medicamentos para “dissolver pedras” por conta própria – ácido ursodesoxicólico só funciona em casos muito específicos e sob prescrição médica.
- 06. Mantenha um peso saudável e pratique atividades físicas regularmente para reduzir a formação de novos cálculos.
Perguntas Frequentes sobre o CID K80
O CID K80 garante quantos dias de atestado?
Em geral, para colecistectomia laparoscópica, o atestado varia de 7 a 14 dias. Em casos de colecistite aguda com complicações, pode chegar a 30 dias. O médico define baseado na evolução e na profissão do paciente.
Preciso operar se tiver pedra na vesícula assintomática?
Nem sempre. A conduta conservadora (observação) é aceita para pacientes assintomáticos. A cirurgia é indicada se surgirem sintomas, se os cálculos forem grandes (>3 cm), se houver vesícula em porcelana ou em pacientes com risco aumentado de complicações (diabéticos, transplantados, etc.).
O que acontece se não tratar a pedra na vesícula?
Pode haver complicações como colecistite aguda (inflamação), coledocolitíase (cálculo no ducto biliar), pancreatite aguda, colangite ou mesmo perfuração da vesícula. Todas são graves e exigem internação.
Quanto tempo demora a recuperação da cirurgia de vesícula?
A cirurgia laparoscópica permite alta em 24‑48 horas e retorno ao trabalho (atividades leves) entre 7 e 14 dias. Atividades físicas intensas só após 30 dias, com liberação médica.
É possível ter pedra na vesícula mesmo sem sentir dor?
Sim. Cerca de 80% dos pacientes com cálculos biliares são assintomáticos e descobrem o problema em exames de ultrassom de rotina. Esses são chamados de portadores “silenciosos”.
Alimentação pode piorar a crise de vesícula?
Sim. Alimentos ricos em gordura (frituras, carnes gordas, leite integral, queijos amarelos, ovos, chocolate) estimulam a contração da vesícula e podem desencadear cólicas. Prefira dietas leves e com baixo teor de gordura.
Qual a diferença entre CID K80.0 e K80.2?
K80.0 indica cálculos na vesícula com colecistite aguda (inflamação ativa, com febre e dor intensa), exigindo tratamento urgente. K80.2 indica cálculos sem inflamação (assintomáticos ou com cólica biliar simples), geralmente sem necessidade de cirurgia imediata.
Pedra na vesícula pode voltar depois da cirurgia?
A colecistectomia remove a vesícula, portanto os cálculos não voltam a se formar nela. Raramente podem surgir cálculos nos ductos biliares (coledocolitíase secundária), mas é menos comum.
O CID K80 é usado para afastamento do trabalho?
Sim. O código registrado no atestado justifica o afastamento e é reconhecido pelo INSS e pelas empresas para abono de faltas. O número de dias depende da subcategoria e do procedimento realizado.
Existe exame de sangue que detecta pedra na vesícula?
Não diretamente. Exames de sangue (bilirrubinas, enzimas hepáticas, amilase) auxiliam na identificação de complicações, mas o diagnóstico definitivo é feito por imagem (ultrassom).
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
CID K80 na CID-10 |
Gallstones (MedlinePlus)
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