Estima-se que mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo convivam com algum grau de perda auditiva. No Brasil, cerca de 10 milhões de indivíduos apresentam declínio auditivo significativo, sendo a terceira condição crônica mais prevalente entre adultos acima de 50 anos. A perda auditiva não tratada está associada a maior risco de isolamento social, depressão e declínio cognitivo.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID PERDA-AUDITIVA e quer saber o que significa? Este artigo foi preparado por um médico especialista em clínica médica para explicar de forma clara e completa o significado do CID H90 (Perda auditiva condutiva e neurossensorial) e suas variantes. Abordaremos desde a definição técnica até os dias de afastamento do trabalho, com um estudo de caso real para facilitar a compreensão. Leia até o final para tirar todas as suas dúvidas.
- Código: H90 – Perda auditiva condutiva e neurossensorial; H91 – Outras perdas auditivas
- Descrição: Perda auditiva (surdidade) de origem condutiva, neurossensorial ou mista
- Categoria: Capítulo VIII – Doenças do ouvido e da apófise mastoide (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: H90.0 (condutiva bilateral), H90.1 (condutiva unilateral), H90.3 (neurossensorial bilateral), H90.4 (neurossensorial unilateral), H90.5 (neurossensorial sem outra especificação), H90.6 (mista bilateral), H90.7 (mista unilateral), H90.8 (mista sem outra especificação); H91.0 (perda auditiva ototóxica), H91.1 (presbiacusia), H91.2 (perda auditiva súbita), H91.3 (outras perdas auditivas especificadas), H91.8 (outras perdas auditivas), H91.9 (perda auditiva não especificada)
Paciente: Dona Marta, 62 anos, professora aposentada
Queixa principal: Dificuldade progressiva para ouvir conversas em ambientes com ruído, sensação de “ouvido tampado” e zumbido bilateral há aproximadamente 2 anos. Nos últimos meses, passou a aumentar o volume da televisão e a pedir repetições constantemente.
Avaliação clínica: Ao exame otoscópico, membranas timpânicas íntegras, sem sinais de infecção ou cerume impactado. Audiometria tonal e vocal revelou perda auditiva neurossensorial bilateral de grau moderado a severo nas frequências altas (acima de 2 kHz). Imitanciometria mostrou curvas timpanométricas tipo A e reflexos estapedianos presentes, compatível com lesão coclear.
Diagnóstico: Apos avaliação completa pela otorrinolaringologista, o médico registrou o CID H90.5 — Perda auditiva neurossensorial bilateral, provavelmente relacionada à presbiacusia (envelhecimento auditivo), com componente de exposição ao ruído ocupacional prévio (sala de aula).
Conduta terapêutica: Prescrição de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI) bilaterais, com adaptação programada por fonoaudiólogo especializado. Orientação sobre uso de protetores auriculares em ambientes ruidosos e acompanhamento audiológico a cada 6 meses. Não houve indicação de corticoides ou cirurgia.
Evolução: Após 3 meses de uso regular dos AASI, Dona Marta relata melhora significativa na compreensão da fala, redução do zumbido e retorno a atividades sociais que havia abandonado. A escala de handicap auditivo (HHIA) reduziu de 58 para 22 pontos.
Lição clínica: A perda auditiva neurossensorial tem grande impacto na qualidade de vida, mas o diagnóstico precoce e a reabilitação com AASI podem restaurar a funcionalidade auditiva e prevenir o isolamento social e o declínio cognitivo. O CID H90.5 é um dos mais frequentes na prática otorrinolaringológica.
O que é o CID H90 na prática médica
O CID H90 abrange todas as formas de perda auditiva que não são resultantes de causas externas evidentes como trauma ou infecção aguda. Na prática clínica, o médico utiliza este código quando identifica uma redução da acuidade auditiva confirmada por exames objetivos como a audiometria. A sigla H90 refere-se especificamente às perdas condutivas e neurossensoriais, enquanto H91 inclui outras formas como a perda auditiva por medicamentos ototóxicos, a presbiacusia (perda relacionada à idade) e a perda súbita idiopática.
É fundamental entender que o CID não descreve a causa, mas sim o tipo e a lateralidade da perda. Por exemplo, H90.3 indica perda neurossensorial bilateral, enquanto H90.1 é condutiva unilateral. O médico deve sempre associar o CID a uma descrição clínica detalhada no prontuário para orientar o tratamento e o prognóstico.
Subcategorias e variantes do CID H90
O CID-10 organiza a perda auditiva em dois grandes grupos: H90 (condutiva e neurossensorial) e H91 (outras perdas auditivas). As subcategorias mais comuns na prática diária são:
- H90.0 – Perda auditiva condutiva bilateral: geralmente associada a otite média serosa, otosclerose ou anomalias do ouvido médio.
- H90.3 – Perda auditiva neurossensorial bilateral: típica da presbiacusia, exposição ao ruído ou doenças metabólicas.
- H90.5 – Perda auditiva neurossensorial sem outra especificação: usado quando a lateralidade não é claramente definida ou o exame não permite precisão.
- H90.6 – Perda auditiva mista bilateral: combinação de componentes condutivo e neurossensorial, comum em otites crônicas.
- H91.0 – Perda auditiva ototóxica: causada por medicamentos como aminoglicosídeos, quimioterápicos ou diuréticos de alça.
- H91.1 – Presbiacusia: perda auditiva relacionada ao envelhecimento, geralmente bilateral e simétrica.
- H91.2 – Perda auditiva súbita: emergência otológica de início abrupto, frequentemente idiopática.
Sintomas e como a perda auditiva se manifesta
Os sintomas variam conforme o tipo e a gravidade da perda. Na perda condutiva, o paciente refere sensação de “ouvido tampado”, dificuldade para ouvir sons baixos, mas a compreensão da fala é preservada quando o volume é aumentado. Já na perda neurossensorial, a dificuldade é maior para distinguir palavras, especialmente em ambientes ruidosos; os sons podem parecer distorcidos e frequentemente há zumbido associado. A presbiacusia, por exemplo, começa com dificuldade para ouvir sons agudos (como a voz de crianças ou o apito do micro-ondas) e evolui lentamente.
Outros sinais de alerta incluem: necessidade de aumentar o volume da TV ou rádio, pedir repetições constantemente, sentir que as pessoas “falam baixo” ou “murmurram”, cansaço excessivo ao final de conversas e tendência ao isolamento social. Em crianças, a perda auditiva pode se manifestar como atraso na fala, dificuldade escolar ou falta de atenção.
Causas e fatores de risco
As causas da perda auditiva são divididas em congênitas e adquiridas. As congênitas incluem infecções maternas (rubéola, citomegalovírus), malformações do ouvido interno e síndromes genéticas (como Waardenburg e Usher). As adquiridas mais comuns são:
- Envelhecimento (presbiacusia): principal causa em adultos acima de 60 anos.
- Exposição ao ruído: ocupacional ou recreativo (shows, fones de ouvido com volume alto).
- Infecções: otite média crônica, meningite, sarampo, caxumba.
- Ototóxicos: medicamentos que lesam a cóclea ou o nervo auditivo.
- Trauma: perfuração timpânica, fratura do osso temporal, barotrauma.
- Doenças sistêmicas: diabetes mellitus, hipertensão arterial, doenças autoimunes (lúpus, granulomatose de Wegener).
- Neoplasias: schwannoma vestibular (neurinoma do acústico), tumores do ângulo ponto-cerebelar.
Os fatores de risco incluem histórico familiar, tabagismo, exposição ocupacional a ruído sem proteção, uso crônico de medicamentos ototóxicos e doenças cardiovasculares.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da perda auditiva é clínico e audiológico. O médico inicia com uma história detalhada (início, lateralidade, sintomas associados, exposições) e exame otoscópico para afastar causas obstrutivas ou infecciosas. Em seguida, solicita a audiometria tonal e vocal, que é o padrão-ouro para quantificar a perda em decibéis (dB) e determinar o tipo (condutiva, neurossensorial ou mista). A imitanciometria (timpanometria e reflexo estapediano) ajuda a localizar a lesão no ouvido médio ou interno.
Em casos selecionados, podem ser necessários exames complementares: potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) para suspeita de neuropatia auditiva, exames de imagem como tomografia computadorizada (TC) de ossos temporais para malformações ou otosclerose, e ressonância magnética (RM) para tumores do nervo auditivo. Exames laboratoriais (glicemia, função tireoidiana, sorologias) são indicados quando se suspeita de doenças sistêmicas.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento depende da causa, tipo e grau da perda auditiva. As opções incluem:
- Clínico: corticoides sistêmicos ou intratimpânicos para perda súbita neurossensorial; antibióticos e anti-inflamatórios para otite média; suspensão de medicamentos ototóxicos.
- Cirúrgico: timpanoplastia para perfuração timpânica, estapedotomia para otosclerose, implante coclear para perdas neurossensoriais severas a profundas bilaterais.
- Reabilitação auditiva: aparelhos de amplificação sonora individual (AASI) são a base do tratamento para a maioria das perdas neurossensoriais leves a moderadas. Dispositivos de amplificação pessoal e sistemas FM auxiliam em ambientes ruidosos.
- Treinamento auditivo: terapia fonoaudiológica para melhorar a percepção da fala e estratégias de comunicação.
- Tratamento do zumbido: quando presente, pode ser abordado com terapia sonora, terapia cognitivo-comportamental e medicações como antidepressivos ou ansiolíticos.
O acompanhamento multidisciplinar com otorrinolaringologista e fonoaudiólogo é essencial para otimizar os resultados.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para perda auditiva varia conforme a causa e a necessidade de tratamento ou adaptação:
- Perda auditiva súbita (H91.2): geralmente 7 a 14 dias para tratamento com corticoides e repouso auditivo. Caso haja necessidade de internação ou exames complexos, pode se estender por até 30 dias.
- Cirurgia otológica (estapedotomia, timpanoplastia): afastamento de 14 a 21 dias para recuperação pós-operatória.
- Adaptação de aparelhos auditivos: 1 a 2 dias para consulta de adaptação e treinamento inicial. Em casos de perda severa e múltiplas visitas, pode-se considerar 3 a 5 dias.
- Exposição ocupacional a ruído com perda auditiva neurossensorial moderada: não há atestado específico, mas o médico pode recomendar afastamento do agente nocivo por tempo variável (30 a 90 dias) até adequação de proteção auditiva ou mudança de função.
Importante: cada caso é avaliado individualmente pelo médico assistente, que deve justificar a necessidade no atestado com base na Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) e nas normas da Previdência Social (INSS).
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Situações que exigem avaliação médica imediata (emergência otológica):
- Perda auditiva súbita (instalação em horas ou até 3 dias) – mesmo que parcial.
- Perda auditiva associada a vertigem intensa, náuseas e vômitos (suspeita de neurite vestibular ou labirintite).
- Trauma craniano ou no ouvido com sangramento, perfuração timpânica ou perda auditiva.
- Dor intensa no ouvido (otalgia) com febre e secreção purulenta (otite média aguda complicada).
- Paralisia facial associada à perda auditiva (suspeita de tumor ou infecção).
- Uso de medicamento ototóxico e aparecimento de zumbido ou hipoacusia.
Não adie a consulta. O tratamento precoce na perda súbita eleva significativamente as chances de recuperação.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da perda auditiva envolve medidas primárias e secundárias:
- Proteção auditiva: uso de protetores auriculares em ambientes com ruído acima de 85 dB (trabalho, shows, eventos esportivos).
- Limitação do volume: em fones de ouvido, respeitar a regra 60/60 (volume abaixo de 60% por no máximo 60 minutos por dia).
- Vacinação: vacinas contra rubéola, sarampo, caxumba, meningite e pneumococo reduzem infecções que podem causar perda auditiva.
- Controle de doenças crônicas: diabetes, hipertensão e doenças autoimunes devem ser bem tratadas para evitar danos à microcirculação coclear.
- Evitar automedicação: especialmente anti-inflamatórios não esteroides em altas doses e aminoglicosídeos sem prescrição.
- Check-up auditivo: adultos acima de 50 anos devem realizar audiometria anualmente, mesmo sem queixas. Crianças devem ter triagem auditiva neonatal (teste da orelhinha) e ao longo da vida escolar.
- 01. Nunca ignore perda auditiva unilateral – pode ser sinal de tumor do nervo acústico (schwannoma vestibular). Solicite ressonância magnética com contraste.
- 02. Na perda auditiva súbita, tempo é cérebro: o tratamento com corticoides tem melhores resultados quando iniciado nas primeiras 48 horas.
- 03. Ao usar fones de ouvido, prefira os modelos circumaurais (que cobrem toda a orelha) e evite os intra-auriculares de baixa qualidade.
- 04. Se você tem zumbido associado à perda auditiva, saiba que o uso de aparelhos auditivos reduz o zumbido em cerca de 60% dos pacientes.
- 05. Crianças com histórico de otite média de repetição devem realizar avaliação audiológica mesmo após a resolução da infecção, para descartar perda residual.
Perguntas Frequentes sobre o CID Perda Auditiva
O CID H90 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo de dias. Para perda auditiva súbita, o atestado costuma variar de 7 a 14 dias. Para cirurgias otológicas, de 14 a 21 dias. Já para adaptação de AASI, geralmente 1 a 2 dias são suficientes. O médico deve avaliar cada caso e justificar o período necessário.
Perda auditiva tem cura?
Depende da causa. Perdas condutivas (como otite ou perfuração timpânica) geralmente são reversíveis com tratamento clínico ou cirúrgico. Perdas neurossensoriais (como presbiacusia ou lesão coclear) não têm cura, mas podem ser reabilitadas com aparelhos auditivos ou implante coclear, proporcionando melhora funcional significativa.
Qual a diferença entre perda condutiva e neurossensorial?
A perda condutiva afeta o ouvido externo ou médio, impedindo que o som chegue adequadamente à cóclea. É como se o volume estivesse baixo. Já a neurossensorial afeta a cóclea ou o nervo auditivo, distorcendo o som mesmo quando amplificado. Na prática, a condutiva melhora com aumento do volume, enquanto a neurossensorial causa dificuldade de discriminação.
Preciso de cirurgia para perda auditiva?
A cirurgia é indicada em casos específicos: otosclerose (estapedotomia), perfuração timpânica (timpanoplastia), colesteatoma, tumores do nervo auditivo e perdas neurossensoriais severas bilaterais (implante coclear). A maioria das perdas auditivas é tratada clinicamente ou com reabilitação auditiva.
Perda auditiva pode piorar com o tempo?
Sim, especialmente a presbiacusia (perda por idade) e a perda por exposição contínua ao ruído. Já a perda súbita, se tratada precocemente, pode estabilizar ou até regredir. Perdas por doenças metabólicas podem progredir se a doença de base não for controlada.
Quais exames são necessários para diagnosticar a perda auditiva?
O principal é a audiometria tonal e vocal. Complementos incluem imitanciometria, potencial evocado auditivo (PEATE) e exames de imagem (TC ou RM) quando indicado. Exames laboratoriais são solicitados para causas sistêmicas.
Crianças também podem ter CID H90?
Sim. O CID H90 pode ser usado em crianças com perda auditiva congênita ou adquirida. No Brasil, a triagem auditiva neonatal (teste da orelhinha) é obrigatória e permite diagnóstico precoce. Crianças com perda auditiva devem ser acompanhadas por equipe multidisciplinar.
O que significa “perda auditiva mista”?
É a combinação de perda condutiva e neurossensorial no mesmo ouvido. O paciente tem componente obstrutivo (ex.: otite média) e lesão coclear associada. O tratamento aborda ambas as causas, geralmente com cirurgia para o componente condutivo e AASI para o neurossensorial.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links externos:
Consulta completa do CID H90 no CID10.com.br
Hearing Disorders – MedlinePlus (espanhol)
Links internos recomendados:
CID R11 – Náusea e Vômitos
CID Z000 – Exame Médico Geral
CID F41 – Ansiedade
CID M54 – Dorsalgia
CID J06 – Infecção Respiratória
CID J30 – Rinite Alérgica
CID K21 – Refluxo
CID N39 – Infecção Urinária
CID G43 – Enxaqueca
CID J45 – Asma


