Em 2025, o Brasil registrou mais de 8 milhões de radiografias de tórax no SUS, das quais cerca de 12% apresentaram achados anormais (R91). Desses, 1,5% corresponderam a neoplasias pulmonares diagnosticadas precocemente graças ao exame.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID RADIOGRAFIA e quer saber o que significa? Embora “Radiografia” não seja um código CID oficial, o termo frequentemente se refere ao código R91 (Achados anormais em exames radiológicos do tórax) ou ao Z01.6 (Exame radiológico de rotina). Neste artigo, vamos esclarecer o significado clínico desses códigos, seus sintomas, causas e tratamentos, com base em um caso real. Acompanhe o estudo de caso e entenda como interpretar esse diagnóstico.
- Código: R91
- Descrição: Achados anormais em exames radiológicos do tórax
- Categoria: Capítulo XVIII – Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte (R00-R99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: R91.0 – Nódulo pulmonar solitário; R91.1 – Infiltrado pulmonar; R91.2 – Atelectasia; R91.3 – Derrame pleural; R91.8 – Outros achados anormais; R91.9 – Achado anormal não especificado
Paciente: José Antônio da Silva, 58 anos, pedreiro, fumante há 35 anos (carga tabágica de 50 maços-ano).
Queixa principal: Tosse seca persistente há três semanas, sem febre ou expectoração. Negava dor torácica, perda de peso ou chiado.
Avaliação clínica: Exame físico normal, sem creptações ou redução do murmúrio vesicular. Oximetria de pulso 97%. Foi solicitada radiografia de tórax (PA e perfil) como parte da investigação.
Diagnóstico: A radiografia evidenciou um nódulo pulmonar solitário de 1,8 cm no lobo superior direito, com bordas mal definidas. O médico registrou o CID R91.0 – Nódulo pulmonar solitário. Após tomografia computadorizada e PET‑CT, constatou‑se tratar de um granuloma calcificado, sem atividade metabólica.
Conduta terapêutica: Conduta expectante com radiografia de controle em 3 meses. Foi prescrita cessação do tabagismo e acompanhamento com pneumologista. Sem necessidade de biópsia invasiva.
Evolução: Após 6 meses, a radiografia de controle mostrou estabilidade do nódulo. O paciente segue em acompanhamento anual, sem sintomas.
Lição clínica: Um achado anormal na radiografia nem sempre significa câncer. A investigação adequada (TC, PET, biópsia quando indicada) é essencial para evitar diagnósticos incorretos e tratamentos desnecessários.
O que é o CID R91 na prática médica
O CID R91 é um código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) que designa achados anormais em exames radiológicos do tórax. Na prática, ele é utilizado quando uma radiografia (ou outro exame de imagem do tórax) revela alterações que não se encaixam em diagnósticos específicos como tuberculose, pneumonia ou neoplasia já confirmada. O código serve como um diagnóstico provisório ou descritivo, enquanto se investiga a causa real.
É importante entender que o CID R91 não é uma doença em si, mas um sinal radiológico. Ele pode representar desde uma cicatriz pulmonar benigna até um tumor maligno. Por isso, a conduta médica sempre envolve exames complementares (tomografia, broncoscopia, biópsia) e correlação clínica.
Subcategorias e variantes do CID R91
O CID R91 possui subcategorias que especificam o tipo de achado radiológico:
- R91.0 – Nódulo pulmonar solitário: Lesão arredondada única, geralmente descoberta incidentalmente.
- R91.1 – Infiltrado pulmonar: Opacidade mal definida, sugestiva de processo inflamatório ou infeccioso.
- R91.2 – Atelectasia: Colapso de parte do pulmão, podendo ser obstrutivo ou não.
- R91.3 – Derrame pleural: Presença de líquido na cavidade pleural.
- R91.8 – Outros achados anormais: Cavitações, massas, calcificações atípicas, etc.
- R91.9 – Achado anormal não especificado: Quando o laudo não define o tipo exato da alteração.
Essas subcategorias ajudam o médico a classificar o achado e direcionar a investigação. Por exemplo, um nódulo solitário (R91.0) exige avaliação oncológica, enquanto um infiltrado (R91.1) geralmente indica infecção.
Sintomas e como a condição se manifesta
O CID R91, por si só, não causa sintomas. Os sintomas estão relacionados à doença de base que gerou o achado radiológico. As manifestações clínicas mais comuns incluem:
- Tosse crônica (seca ou produtiva)
- Dispneia (falta de ar progressiva)
- Dor torácica (pleurítica ou constante)
- Hemoptise (expectoração com sangue)
- Febre, sudorese noturna, perda de peso (sintomas sistêmicos)
Muitos pacientes, como no caso do José, são assintomáticos e o achado é descoberto em exames de rotina. Por isso, a radiografia de tórax é um exame fundamental no rastreamento de doenças pulmonares.
Causas e fatores de risco
As causas de achados anormais na radiografia de tórax são variadas. As principais incluem:
- Infecções: Pneumonia bacteriana, tuberculose, micoses pulmonares (histoplasmose, paracoccidioidomicose).
- Neoplasias: Câncer de pulmão primário, metástases, linfoma.
- Doenças inflamatórias: Sarcoidose, artrite reumatoide com comprometimento pulmonar.
- Doenças vasculares: Embolia pulmonar, edema cardiogênico.
- Alterações benignas: Granulomas, cicatrizes, atelectasias, hérnia de hiato.
Fatores de risco para achados anormais incluem tabagismo (principal fator para câncer), exposição ocupacional a poeiras (silicose, asbesto), imunossupressão, idade avançada e história familiar de câncer de pulmão.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa com a radiografia de tórax em duas incidências (PA e perfil). Quando um achado anormal é detectado, o médico solicita exames complementares:
- Tomografia computadorizada (TC) de tórax: Fornece imagens detalhadas, caracterizando tamanho, densidade e bordas da lesão.
- PET-CT: Avalia atividade metabólica, ajudando a distinguir lesões benignas de malignas.
- Broncoscopia com biópsia: Indicada para lesões centrais, permite coleta de material para análise histopatológica.
- Punção aspirativa transtorácica (PATT): Guiada por TC, para nódulos periféricos.
- Exames laboratoriais: Hemograma, PCR, PPD, sorologias para fungos e tuberculose.
O diagnóstico definitivo depende da identificação da causa subjacente, que pode exigir acompanhamento radiológico seriado (para nódulos estáveis) ou tratamento específico.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do CID R91 é direcionado à doença causal. Não existe tratamento para o achado radiológico em si. As abordagens incluem:
- Infecções bacterianas: Antibióticos (amoxicilina, azitromicina, levofloxacino) conforme agente etiológico.
- Tuberculose: Esquema RIPE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida, etambutol) por 6 meses.
- Neoplasia maligna: Cirurgia (lobectomia, pneumectomia), radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo.
- Granulomas benignos: Conduta expectante com seguimento radiológico.
- Derrame pleural: Toracocentese, drenagem ou pleurodese, conforme causa.
O manejo deve ser individualizado, envolvendo pneumologista, oncologista ou cirurgião torácico, quando necessário.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID R91 depende da doença de base e da necessidade de investigação ou tratamento. Em geral:
- Para investigação ambulatorial: 1 a 3 dias para realização de exames complementares.
- Se houver infecção aguda (pneumonia): 7 a 14 dias de repouso.
- Pós-operatório de cirurgia pulmonar: 30 a 90 dias, conforme extensão do procedimento.
- Para quimioterapia/radioterapia: Atestados renováveis de 15 a 30 dias.
O médico assistente define o período com base na avaliação clínica e na legislação trabalhista brasileira (INSS). Não existe um padrão fixo para o código R91 em si.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Pacientes com CID R91 devem buscar atendimento de urgência se apresentarem:
- Dispneia súbita ou piora progressiva
- Dor torácica intensa ou tipo pleurítica
- Hemoptise franca (expectoração com sangue vivo)
- Febre alta (>38,5°C) com calafrios
- Perda de peso inexplicável em curto período
- Cefaleia intensa, confusão mental ou sinais de hipertensão intracraniana (raro, mas possível em metástases cerebrais)
Esses sintomas podem indicar complicações como embolia pulmonar, pneumotórax, abscesso ou progressão tumoral.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção de achados anormais na radiografia está ligada ao controle dos fatores de risco:
- Cessar o tabagismo – principal medida evitável.
- Vacinação contra influenza e pneumococo – reduz infecções respiratórias.
- Uso de EPIs em ambientes com poeira, amianto, sílica.
- Exames periódicos para grupos de risco (fumantes, exposição ocupacional).
- Acompanhamento regular com clínico geral ou pneumologista para monitorização de lesões conhecidas.
Pacientes com nódulos pulmonares estáveis devem realizar radiografia ou TC de controle conforme orientação médica (geralmente a cada 3, 6 ou 12 meses).
- 01. Nunca ignore um achado radiológico: mesmo que você se sinta bem, a causa pode ser potencialmente grave. Siga a investigação recomendada.
- 02. Sempre leve suas radiografias anteriores para comparação – estabilidade de uma lesão por 2 anos é forte indicativo de benignidade.
- 03. Se você é fumante ou ex-fumante (≥30 maços-ano), converse com seu médico sobre a realização de TC de tórax de baixa dose para rastreamento de câncer de pulmão.
- 04. Em caso de nódulo pulmonar, evite a automedicação com anti-inflamatórios ou antibióticos sem prescrição – eles podem mascarar sintomas.
- 05. Mantenha um diário de sintomas: tosse, falta de ar, dor, febre. Essas informações ajudam o médico a correlacionar o achado com a clínica.
Perguntas Frequentes sobre o CID RADIOGRAFIA
O CID R91 garante quantos dias de atestado?
Não há número fixo. O atestado é determinado pela doença causal. Exemplo: pneumonia bacteriana pode render 7-10 dias, enquanto uma cirurgia torácica pode exigir 30-90 dias. O médico avaliará cada caso.
O código R91 é sinônimo de câncer?
Não. A maioria dos achados anormais é benigna (granulomas, cicatrizes, infecções). Apenas uma minoria representa neoplasia maligna. Exames complementares são essenciais para diferenciar.
Posso trabalhar enquanto investigo um nódulo pulmonar?
Depende dos sintomas. Se você está assintomático e as atividades não envolvem esforço físico intenso ou exposição a agentes nocivos, geralmente pode trabalhar. Porém, siga a orientação do seu médico.
O CID R91 aparece em atestados de rotina?
Sim, pode surgir em exames admissionais, periódicos ou demissionais quando a radiografia revela alguma alteração. Nesse caso, o médico do trabalho encaminha para investigação complementar.
Qual o médico que trata o CID R91?
O clínico geral ou pneumologista é o primeiro especialista. Dependendo da causa, pode ser necessário encaminhamento a oncologista, cirurgião torácico ou infectologista.
Preciso fazer uma tomografia sempre que tiver um achado R91?
Na maioria dos casos, sim. A tomografia fornece detalhes que a radiografia simples não mostra. No entanto, para alterações muito sugestivas de benignidade (ex.: granuloma calcificado), o médico pode optar por apenas acompanhamento radiológico.
O CID R91 pode ser usado para justificar faltas no trabalho?
Sim, desde que o médico forneça atestado com o código e o período de afastamento necessário. O empregador aceitará o atestado médico como justificativa.
Existe cura para o CID R91?
O código R91 não é uma doença, mas um sinal. A “cura” depende da condição que causou o achado. Infecções curam com tratamento, nódulos benignos permanecem estáveis e malignidades podem ser tratadas com cirurgia, quimioterapia ou radioterapia.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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Links externos: CID R91 no CID10.com.br | MedlinePlus sobre radiografia de tórax


