Em 2026, estima-se que mais de 500 mil trabalhadores brasileiros estejam expostos a agentes ocupacionais que podem causar doenças respiratórias crônicas, sendo a silicose uma das mais prevalentes. O número de afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho cresceu 14% nos últimos dois anos, segundo dados do Ministério da Previdência Social.
CID Saúde no Trabalho – O que você precisa saber
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID relacionado à saúde no trabalho (como Z57) e quer saber o que significa? Esse código faz parte da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e é usado para registrar condições de saúde que têm origem ou relação com a exposição a riscos ocupacionais. Entender esse código é essencial para reconhecer seus direitos trabalhistas, planejar o tratamento e adotar medidas preventivas.
- Código: Z57
- Descrição: Exposição a fatores de risco ocupacionais
- Categoria: Capítulo XXI – Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde (Z00-Z99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Z57.0 (Exposição a poeiras inorgânicas), Z57.1 (Exposição a radiação), Z57.2 (Exposição a outros agentes físicos), Z57.3 (Exposição a solventes), Z57.4 (Exposição a agrotóxicos), Z57.5 (Exposição a outros produtos químicos), Z57.6 (Exposição a poeiras orgânicas), Z57.7 (Exposição a agentes biológicos), Z57.8 (Exposição a outros fatores de risco), Z57.9 (Exposição não especificada)
Paciente: João Silva, 45 anos, trabalhador em mineração (operador de britagem) há 18 anos
Queixa principal: Falta de ar progressiva há 2 anos, tosse seca persistente e cansaço aos pequenos esforços
Avaliação clínica: Exame físico mostrou murmúrio vesicular diminuído em bases pulmonares, sem creptações. Espirometria revelou padrão restritivo moderado. Radiografia de tórax evidenciou opacidades nodulares difusas sugestivas de silicose. Tomografia computadorizada confirmou nódulos centrolobulares e fibrose.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID Z57.0 (Exposição a poeiras inorgânicas) associado à pneumoconiose do trabalhador (silicose) – uma doença pulmonar irreversível causada pela inalação de sílica cristalina.
Conduta terapêutica: Afastamento imediato da exposição, tratamento broncodilatador (salbutamol), corticoterapia inalatória (budesonida), fisioterapia respiratória e reabilitação pulmonar. Encaminhamento ao pneumologista ocupacional e ao INSS para benefício por incapacidade.
Evolução: Após 6 meses de tratamento, houve melhora parcial dos sintomas, mas a capacidade pulmonar permaneceu reduzida em 30%. João não pôde retornar à mesma função e foi realocado para atividade administrativa fora da área de exposição.
Lição clínica: A exposição ocupacional a poeiras minerais pode levar a doenças graves e progressivas. O diagnóstico precoce e o afastamento da fonte são cruciais para evitar danos irreversíveis.
O que é o CID Z57 na prática médica
O CID Z57 é um código diagnóstico da CID-10 utilizado para registrar situações em que um indivíduo foi exposto a fatores de risco ocupacionais. Na prática médica, ele é frequentemente associado a doenças profissionais como silicose, asbestose, intoxicações por metais pesados, dermatites de contato ocupacionais, perda auditiva induzida por ruído, entre outras. O código serve como alerta para que o médico avalie a relação entre a condição clínica e o ambiente de trabalho, orientando condutas terapêuticas e medidas de prevenção.
É importante destacar que o Z57 não é uma doença em si, mas um fator que influencia o estado de saúde. Ele deve ser usado em conjunto com o código da doença específica (por exemplo, J62.8 para silicose). Médicos do trabalho, pneumologistas e clínicos gerais são os profissionais que mais frequentemente utilizam esse código em atestados, laudos e comunicações de acidente de trabalho (CAT).
Subcategorias e variantes do CID Z57
O CID Z57 possui dez subcategorias que detalham o tipo de exposição ocupacional. Conhecer cada uma ajuda a direcionar a investigação e o tratamento:
- Z57.0 – Exposição a poeiras inorgânicas: sílica, amianto, carvão, ferro, chumbo, entre outros. Relacionado a pneumoconioses.
- Z57.1 – Exposição a radiação: radiação ionizante (raios X, gama) ou não ionizante (UV, micro-ondas). Pode causar câncer ocupacional.
- Z57.2 – Exposição a outros agentes físicos: ruído excessivo, vibração, temperaturas extremas, pressão anormal.
- Z57.3 – Exposição a solventes: tolueno, xileno, percloroetileno. Afetam sistema nervoso, fígado e rins.
- Z57.4 – Exposição a agrotóxicos: organofosforados, carbamatos. Causam intoxicações agudas e crônicas.
- Z57.5 – Exposição a outros produtos químicos: ácidos, bases, metais pesados (mercúrio, cádmio).
- Z57.6 – Exposição a poeiras orgânicas: grãos, farinha, madeira, penas. Relacionado a asma ocupacional e alveolite alérgica.
- Z57.7 – Exposição a agentes biológicos: vírus, bactérias, fungos em laboratórios, hospitais, agricultura.
- Z57.8 – Exposição a outros fatores de risco: estresse ergonômico, trabalho em altura, turnos noturnos.
- Z57.9 – Exposição não especificada: usado quando o agente não é identificado.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas dependem do agente de exposição e do órgão-alvo. Nas doenças respiratórias ocupacionais (silicose, asbestose), os sinais mais comuns são:
- Tosse seca persistente que pode evoluir para produtiva com secreção escura;
- Falta de ar progressiva (dispneia) inicialmente aos grandes esforços, depois em repouso;
- Chiado no peito ou aperto torácico;
- Fadiga inexplicável e perda de peso;
- Infecções respiratórias recorrentes.
Nas intoxicações por metais pesados, podem ocorrer náuseas, vômitos, dores abdominais, neuropatia periférica, tremor e alterações renais. A exposição a solventes pode causar tontura, dor de cabeça, sonolência e, cronicamente, danos ao sistema nervoso central.
Já a perda auditiva por ruído manifesta-se inicialmente como dificuldade para ouvir sons agudos e zumbido, progredindo para surdez parcial ou total.
Causas e fatores de risco
As causas principais são ocupacionais, envolvendo a inalação, contato ou ingestão de agentes nocivos no ambiente de trabalho. Os fatores de risco incluem:
- Setores de atividade: mineração, construção civil, metalurgia, agricultura, indústria química, saúde, laboratórios;
- Tempo de exposição: quanto maior o tempo e a intensidade, maior o risco;
- Uso inadequado de EPIs: ausência ou mau uso de máscaras, protetores auriculares, luvas;
- Falta de ventilação e sistemas de exaustão;
- Condições pré-existentes: asma, DPOC, diabetes, imunossupressão;
- Hábitos: tabagismo potencializa os efeitos de poeiras e químicos.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da condição relacionada ao trabalho envolve uma abordagem multidisciplinar:
- Anamnese ocupacional detalhada: o médico pergunta sobre a função, setor, tempo de serviço, EPIs utilizados, histórico de exposições e sintomas;
- Exame físico completo com ênfase no sistema respiratório, auditivo, neurológico e dermatológico;
- Exames complementares: espirometria (função pulmonar), radiografia de tórax, tomografia computadorizada, audiometria, exames de sangue (hemograma, função hepática/renal, dosagem de metais), urina (mercúrio, chumbo);
- Lavado broncoalveolar e biópsia pulmonar em casos selecionados;
- Provas de função pulmonar (difusão de CO) para avaliar trocas gasosas;
- Correlação com laudos ambientais da empresa (PPRA, LTCAT) para confirmar a exposição.
O diagnóstico diferencial inclui doenças não ocupacionais como asma, DPOC, fibrose pulmonar idiopática e câncer de pulmão.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento depende da doença específica, mas as diretrizes gerais incluem:
- Afastamento da exposição: medida mais importante. Pode ser temporário ou definitivo, com readaptação profissional;
- Medicamentos: broncodilatadores (salbutamol, ipratrópio), corticoides inalatórios (budesonida, fluticasona), antitérmicos, analgésicos. Em intoxicações, antídotos específicos (ex. quelantes para metais pesados);
- Fisioterapia respiratória: técnicas de reexpansão pulmonar, drenagem postural, exercícios de fortalecimento muscular;
- Oxigenioterapia domiciliar para hipoxemia crônica;
- Reabilitação pulmonar com equipe multiprofissional;
- Vacinação contra influenza, pneumococo e COVID-19 para prevenir infecções;
- Cirurgia em casos selecionados (ex. ressecção de tumores ocupacionais).
Condições como silicose não têm cura, mas o tratamento visa retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento varia conforme a gravidade da doença, a resposta ao tratamento e a necessidade de readaptação profissional. Em geral:
- Exposição aguda com sintomas leves: 7 a 15 dias;
- Doença ocupacional moderada (ex. asma ocupacional): 30 a 60 dias;
- Pneumoconiose confirmada (silicose, asbestose): 90 a 180 dias ou mais, podendo ser permanente em casos graves;
- Intoxicação grave: 30 a 90 dias, dependendo do agente e da recuperação;
- Perda auditiva ocupacional: 15 a 30 dias se houver zumbido intenso ou vertigem; após estabilização, não há mais necessidade de afastamento, mas sim de uso contínuo de protetores.
O médico deve basear o atestado na avaliação clínica e nos exames complementares, podendo prorrogar o prazo conforme a evolução. O atestado deve conter o CID Z57 e o código da doença associada.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais que exigem avaliação médica imediata:
- Falta de ar súbita ou que piora rapidamente;
- Dor torácica intensa ou opressiva;
- Tosse com sangue (hemoptise);
- Febre alta associada a calafrios e prostração;
- Confusão mental, desmaio ou convulsões (suspeita de intoxicação aguda);
- Palidez intensa, sudorese fria, extremidades arroxeadas;
- Redução abrupta da urina ou urina escura (lesão renal);
- Zumbido súbito com perda auditiva rápida;
- Sinais de anafilaxia (urticária, inchaço na garganta, chiado) após exposição a químicos.
Em todas essas situações, vá ao pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192). Não espere a consulta ambulatorial.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção é a principal estratégia contra doenças ocupacionais. Medidas essenciais:
- Uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): máscaras PFF2/N95, protetores auriculares, luvas, óculos, aventais;
- Implementação de medidas de engenharia: ventilação exaustora, enclausuramento de processos, umectação de poeiras;
- Programas de monitoramento ambiental (PPRA, PCMAT) e biológico (exames periódicos);
- Treinamentos regulares sobre riscos e uso de EPIs;
- Exames admissionais, periódicos e demissionais conforme NR-7;
- Controle médico ocupacional com espirometria, audiometria e exames de imagem;
- Vacinação (influenza, hepatite B, tétano) para trabalhadores expostos a agentes biológicos;
- Alimentação saudável, hidratação e pausas regulares;
- Não fumar – o tabagismo multiplica o risco de doenças respiratórias e câncer.
Aspectos legais e previdenciários
Quando uma doença está relacionada ao trabalho, o trabalhador tem direitos garantidos pela legislação brasileira. O médico deve emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) – mesmo que não haja acidente propriamente dito, a doença ocupacional é equiparada a acidente de trabalho. A CAT pode ser emitida pelo médico, pelo empregador, pelo sindicato ou pelo próprio trabalhador.
Com a CAT, o trabalhador pode solicitar ao INSS:
- Auxílio-doença acidentário (B91) – afastamento superior a 15 dias;
- Aposentadoria por invalidez se incapacidade permanente;
- Estabilidade no emprego por 12 meses após o retorno ao trabalho;
- Adicional de insalubridade ou periculosidade se comprovada exposição a agentes nocivos;
- Indenizações em caso de negligência da empresa.
É fundamental que o médico registre corretamente o CID Z57 e o código da doença no atestado e na CAT para garantir a proteção legal do paciente.
Reabilitação profissional e retorno ao trabalho
Após o tratamento, muitos trabalhadores precisam de readaptação profissional. O INSS oferece o Programa de Reabilitação Profissional, que inclui:
- Avaliação da capacidade residual – o que o trabalhador ainda pode fazer;
- Treinamento para nova função compatível com as limitações;
- Intermediação com o empregador para realocação interna;
- Benefício financeiro durante a reabilitação (auxílio-doença).
O médico assistente deve orientar sobre as limitações e fornecer relatórios periódicos para acompanhamento. Em casos de incapacidade total e permanente, a aposentadoria por invalidez pode ser concedida.
- 01. Sempre que receber um diagnóstico com CID Z57, solicite ao médico a emissão da CAT – isso garante seus direitos trabalhistas e previdenciários.
- 02. Mantenha um registro detalhado do seu histórico ocupacional: empresas, funções, tempo de exposição e EPIs utilizados. Isso auxilia no diagnóstico e na perícia do INSS.
- 03. Faça os exames periódicos da empresa mesmo que se sinta bem – muitas doenças ocupacionais são silenciosas no início.
- 04. Não negligencie o uso de EPIs: uma máscara adequada pode evitar a silicose; um protetor auricular pode preservar sua audição.
- 05. Consulte um médico do trabalho ou pneumologista ocupacional se apresentar sintomas respiratórios, auditivos ou neurológicos persistentes – quanto mais cedo o diagnóstico, melhores as chances de controle.
- 06. Informe-se sobre os riscos específicos da sua profissão e participe dos treinamentos oferecidos pela empresa.
- 07. Em caso de dúvida sobre o atestado ou sobre os dias de afastamento, busque uma segunda opinião na Clínica Popular Fortaleza.
Perguntas Frequentes sobre o CID Saúde no Trabalho
O CID Z57 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo de dias associado ao CID Z57, pois ele indica apenas o fator de exposição. O atestado é calculado com base na doença específica (ex. silicose, perda auditiva). Em média, doenças ocupacionais respiratórias moderadas geram de 30 a 90 dias de afastamento.
Qual a diferença entre CID Z57 e CID Y96?
O CID Y96 é “Fator relacionado ao trabalho que afeta o estado de saúde”, usado quando o trabalho contribui para a doença, mas não necessariamente por exposição direta (ex. estresse). Já o Z57 é específico para exposição a agentes nocivos. Ambos podem ser usados em conjunto.
Preciso emitir CAT para qualquer diagnóstico com CID Z57?
Sim, sempre que a exposição ocupacional for a causa ou concausa da doença, a CAT deve ser emitida. Isso vale também para doenças crônicas como silicose, mesmo que o trabalhador já não esteja mais exposto.
Posso continuar trabalhando enquanto aguardo o tratamento?
Depende da avaliação médica. Se a exposição continuar e houver risco de agravamento, o afastamento é necessário. Em casos leves, com EPIs adequados e controle ambiental, o trabalho pode ser mantido com restrições.
Quais especialistas médicos tratam de doenças ocupacionais?
O médico do trabalho é o especialista em prevenção e diagnóstico. Pneumologistas tratam doenças respiratórias; otorrinos, perda auditiva; dermatologistas, dermatites; neurologistas, neuropatias. O clínico geral ou médico da família pode iniciar a investigação.
Existe cura para a silicose?
Não há cura, pois a fibrose pulmonar é irreversível. O tratamento visa controlar os sintomas, prevenir infecções e retardar a progressão. O transplante pulmonar é uma opção em casos avançados.
O CID Z57 pode ser usado em atestado para afastamento do trabalho?
Sim, desde que acompanhado do código da doença específica. O atestado deve conter o diagnóstico principal (ex. J62.8 – Pneumoconiose devida a poeira de sílica) e o fator associado (Z57.0).
Como saber se minha doença foi causada pelo trabalho?
O médico fará uma anamnese ocupacional detalhada e correlacionará com exames e laudos ambientais. O Nexo Técnico Epidemiológico (NTEP) também é usado pelo INSS para estabelecer a relação.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clínica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes confiáveis:
CID Z57 no CID10.com.br |
BVS Saúde – Doenças Ocupacionais |
Ministério do Trabalho e Previdência
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