No Brasil, estima-se que aproximadamente 20 milhões de pessoas vivam com asma em 2026, representando cerca de 8% da população. Destas, cerca de 6% apresentam asma grave, com impacto significativo na qualidade de vida e elevado número de hospitalizações evitáveis com tratamento adequado e acesso a medicamentos controladores.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TRATAMENTO-DE-ASMA-ENTENDA-A-CLASSIFICACAO-E-IMPORTANCIA e quer saber o que significa? O CID J45 é a classificação internacional para asma, uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que provoca episódios recorrentes de falta de ar, chiado no peito e tosse. Entender esse código no seu laudo é o primeiro passo para compreender a gravidade do quadro, as opções de tratamento e quando é necessário buscar ajuda urgente. Neste artigo, você encontrará um guia completo e um estudo de caso real para esclarecer todas as dúvidas.
- Código: J45
- Descrição: Asma
- Categoria: Capítulo X – Doenças do aparelho respiratório (J00-J99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: J45.0 – Asma predominantemente alérgica ; J45.1 – Asma não alérgica ; J45.8 – Asma mista ; J45.9 – Asma não especificada
Paciente: Ana Lúcia, 32 anos, professora do ensino fundamental.
Queixa principal: Há três meses apresenta episódios recorrentes de falta de ar, chiado no peito e tosse seca, principalmente à noite e nas primeiras horas da manhã. Relata que os sintomas pioram após contato com poeira de giz e durante mudanças bruscas de temperatura.
Avaliação clínica: Ao exame físico, presença de sibilos bilaterais à ausculta pulmonar. Frequência respiratória normal, saturação de O₂ 96% em ar ambiente. Espirometria revelou VEF1/CVF < 70% com reversibilidade após broncodilatador (aumento de 15% no VEF1). Testes alérgicos cutâneos positivos para ácaros e pólen de gramíneas.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID J45.0 — Asma predominantemente alérgica, com classificação de gravidade leve a moderada (step 2 da GINA).
Conduta terapêutica: Foi prescrito corticosteroide inalatório (budesonida 200 mcg, duas vezes ao dia) como terapia controladora, e broncodilatador de ação curta (salbutamol spray 100 mcg) para alívio imediato dos sintomas, até seis vezes ao dia se necessário. Além disso, orientações de controle ambiental: uso de capa antiácaro no colchão, evitar tapetes e cortinas pesadas, e lavagem nasal com soro fisiológico ao chegar em casa.
Evolução: Após quatro semanas de tratamento, Ana Lúcia relatou redução significativa dos episódios de chiado e falta de ar, com melhora da qualidade do sono e retorno às atividades docentes sem limitações. A espirometria de controle mostrou VEF1 normalizado. Ela foi orientada a manter a medicação de manutenção diariamente e a portar sempre o broncodilatador de resgate.
Lição clínica: O diagnóstico precoce com o CID J45 correto permitiu o início de tratamento baseado em evidências, prevenindo exacerbações e melhorando a qualidade de vida. A adesão à terapia e o controle ambiental são pilares fundamentais para o sucesso terapêutico na asma.
O que é o CID J45 na prática médica?
O CID J45 é o código da Classificação Internacional de Doenças (10ª edição) que designa a asma como doença respiratória crônica. Na prática médica, ele é utilizado em prontuários, atestados, laudos de exames e guias de autorização de medicamentos para padronizar o diagnóstico. A asma é caracterizada por inflamação das vias aéreas, hiper-reatividade brônquica e obstrução reversível ao fluxo aéreo, resultando em episódios de sibilância, dispneia, opressão torácica e tosse, que variam em frequência e intensidade ao longo do tempo.
O registro do CID J45 no seu laudo indica que o médico identificou critérios clínicos e funcionais compatíveis com asma. Ele é essencial para o planejamento terapêutico, a concessão de benefícios trabalhistas (como atestado médico), a prescrição de medicamentos controlados (corticoides inalatórios) e o acompanhamento da evolução da doença. A subclassificação (J45.0, J45.1, J45.8 ou J45.9) reflete o perfil do paciente e orienta a escolha do tratamento mais adequado.
Subcategorias e variantes do CID J45
O CID J45 é dividido em quatro subcategorias principais, que ajudam a definir o tipo de asma e os fatores desencadeantes:
- J45.0 – Asma predominantemente alérgica: Iniciada frequentemente na infância, associada a atopia (alergias a ácaros, pólen, pelos de animais, fungos). Responde bem a corticoides inalatórios e medidas de controle ambiental.
- J45.1 – Asma não alérgica: Mais comum em adultos, desencadeada por infecções virais, exercício físico, estresse, clima frio ou irritantes inaláveis (fumaça, produtos químicos). Pode ser mais difícil de controlar.
- J45.8 – Asma mista: Combina elementos alérgicos e não alérgicos. O paciente apresenta sensibilização a alérgenos e também reage a gatilhos inespecíficos.
- J45.9 – Asma não especificada: Quando não é possível determinar a predominância alérgica ou não alérgica, ou o diagnóstico é feito com base apenas em critérios clínicos sem testes complementares.
Há ainda as formas especiais, como a asma de esforço (que pode ser classificada dentro de J45.1) e a asma induzida por aspirina (geralmente J45.1). A classificação correta é crucial para a abordagem terapêutica e a previsão de prognóstico.
Sintomas e como a asma se manifesta
A asma se manifesta por episódios recorrentes e reversíveis de obstrução das vias aéreas. Os sintomas mais comuns incluem:
- Chiado no peito (sibilos) – som agudo ao respirar, especialmente na expiração.
- Falta de ar (dispneia) – sensação de aperto no peito e dificuldade para inspirar profundamente.
- Tosse seca ou produtiva – frequentemente pior à noite, ao acordar ou durante exercícios.
- Opressão torácica – sensação de peso ou pressão no peito.
- Despertares noturnos devido aos sintomas respiratórios.
Os sintomas variam em intensidade e frequência. Em períodos de estabilidade, o paciente pode estar assintomático. Nas exacerbações, ocorre piora progressiva, podendo levar a insuficiência respiratória se não tratada. A identificação precoce dos sinais permite o uso rápido da medicação de alívio e evita crises graves.
Causas e fatores de risco
A asma é uma doença multifatorial. Os principais fatores envolvidos são:
- Genética: Histórico familiar de asma ou alergias (rinite, eczema) aumenta o risco.
- Atopia: Produção exacerbada de IgE em resposta a alérgenos ambientais.
- Alérgenos: Ácaros da poeira doméstica, pólen, pelos de animais, fungos (mofo), baratas.
- Infecções virais: Vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e influenza podem desencadear crises e favorecer o desenvolvimento da doença em crianças.
- Irritantes inalatórios: Fumaça de cigarro, poluição atmosférica, produtos químicos, perfumes fortes, ar frio.
- Exercício físico: Atividade extenuante em ambiente seco e frio pode provocar broncoconstrição transitória.
- Obesidade: Associada a maior inflamação sistêmica e pior controle da asma.
- Estresse emocional: Ansiedade e estresse podem exacerbar os sintomas.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico de asma combina história clínica, exame físico e testes de função pulmonar. A espirometria é o padrão-ouro: demonstra obstrução ao fluxo aéreo (VEF1/CVF < 70%) e reversibilidade significativa (aumento de ≥12% e 200 mL no VEF1 após broncodilatador).
Outros exames complementares incluem:
- Teste de broncoprovocação (com metacolina ou exercício) – usado quando a espirometria basal é normal, mas há suspeita clínica.
- Peak flow (pico de fluxo expiratório) – monitoramento diário domiciliar da variabilidade do fluxo.
- Testes alérgicos (cutâneos ou sangue específico IgE) – para identificar sensibilizantes.
- Radiografia de tórax – para excluir outras causas.
O diagnóstico diferencial inclui DPOC, bronquiolite, disfunção de cordas vocais, refluxo gastroesofágico com aspiração, entre outros. Por isso, o acompanhamento com especialista é fundamental.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da asma visa controlar a inflamação, prevenir exacerbações e manter a função pulmonar normal. As principais classes de medicamentos são:
- Corticosteroides inalatórios (CI): Base do tratamento controlador. Reduzem a inflamação das vias aéreas. Exemplos: budesonida, beclometasona, fluticasona. Uso diário contínuo.
- Beta2-agonistas de ação curta (SABA): Broncodilatadores de resgate para alívio imediato dos sintomas. Exemplos: salbutamol, fenoterol. Não devem ser usados como monoterapia de manutenção.
- Combinações fixas (CI + LABA): CI associado a broncodilatador de longa ação (formoterol, salmeterol), usados como terapia controladora e também como medicação de resgate (estratégia MART/SMART).
- Antagonistas de receptores de leucotrienos (montelucaste): Opção oral para asma leve persistente ou como adjuvante.
- Imunobiológicos (omalizumabe, mepolizumabe, benralizumabe): Para asma grave não controlada, com fenótipo eosinofílico ou alérgico.
Além da farmacoterapia, as medidas não medicamentosas incluem: plano de ação por escrito, controle de gatilhos ambientais, vacinação contra influenza e pneumococo, reabilitação pulmonar em casos graves, e acompanhamento regular com médico.
Quantos dias de atestado médico?
O tempo de afastamento do trabalho ou escola por causa da asma depende da gravidade da crise e da resposta ao tratamento. Para uma exacerbação leve a moderada, o atestado costuma ser de 1 a 3 dias. Em crises mais intensas que necessitam de oxigenoterapia, corticoides sistêmicos ou hospitalização, o afastamento pode se estender de 5 a 14 dias.
Para pacientes com asma persistente grave que precisam de ajuste de medicação ou acompanhamento ambulatorial frequente, o médico pode conceder atestados de dias alternados ou períodos mais longos, conforme a avaliação clínica. É importante lembrar que o atestado é um direito do trabalhador e deve ser emitido com o CID para fins de justificativa e registro.
No caso de crianças, a escola exige atestado para faltas por doença, e os dias são contados da mesma forma. Sempre consulte o médico para orientação individualizada.
Quando procurar médico urgente? Sinais de alerta
Uma crise de asma pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória. Procure atendimento de emergência imediato se o paciente apresentar:
- Falta de ar intensa e progressiva, com dificuldade para falar frases completas.
- Uso de musculatura acessória (retrações intercostais, respiração com lábios franzidos).
- Chiado muito intenso ou, paradoxalmente, ausência de chiado (pulmão silencioso) – sinal de obstrução crítica.
- Batimento de asa do nariz em crianças.
- Cianose (lábios ou pontas dos dedos azulados).
- Agitação, confusão mental ou sonolência.
- Não melhora após uso de broncodilatador de resgate (salbutamol) dentro de 20 minutos.
Além disso, pacientes que precisam usar o broncodilatador de resgate mais de três vezes por semana ou que acordam à noite com sintomas devem procurar o médico para reavaliar o plano de tratamento.
Prevenção e cuidados contínuos
A asma não tem cura, mas pode ser controlada com medidas preventivas:
- Controle ambiental: Reduza a exposição a ácaros (capas antiácaro, lavar roupas de cama a 60°C), evite animais de pelo se houver alergia, elimine mofo e mantenha a casa ventilada.
- Evite fumaça: Não fume e evite locais com fumo passivo. Use máscara em ambientes poluídos.
- Vacinação: Mantenha vacinas contra gripe (anual) e pneumonia (a cada 5 ou 10 anos) em dia.
- Monitoramento: Use o medidor de pico de fluxo (peak flow) diariamente para detectar quedas precoces na função pulmonar.
- Adesão ao tratamento: Tome os medicamentos controladores conforme prescrito, mesmo sem sintomas. Não interrompa sem orientação médica.
- Plano de ação: Tenha um plano por escrito com as doses de resgate e quando procurar emergência.
- Exercício físico orientado: Pratique atividades moderadas, com aquecimento adequado; se necessário, use broncodilatador antes do exercício.
- 01. Mantenha sempre um broncodilatador de resgate (salbutamol) à mão, especialmente em viagens e atividades físicas.
- 02. Identifique seus gatilhos pessoais: anote em um diário os episódios e possíveis causas (poeira, animais, estresse, clima).
- 03. Realize a lavagem nasal com soro fisiológico diariamente – reduz a carga de alérgenos e melhora a respiração.
- 04. Nunca use corticoides orais (prednisona) sem prescrição médica; eles têm efeitos colaterais significativos quando usados repetidamente.
- 05. Consulte o pneumologista a cada 3-6 meses, mesmo se estiver bem, para ajustar o tratamento preventivo conforme a sazonalidade.
Perguntas Frequentes sobre o CID J45
O CID J45 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo, pois depende da gravidade da crise e da resposta ao tratamento. Em geral, para uma exacerbação aguda, o atestado pode variar de 1 a 7 dias. Casos com internação hospitalar podem exigir até 14 dias ou mais. O médico avaliará cada caso individualmente.
A asma tem cura?
Não, a asma é uma doença crônica sem cura definitiva. Porém, com tratamento adequado, a maioria dos pacientes consegue controle total dos sintomas e vida normal. O objetivo do tratamento é manter a doença controlada, prevenir exacerbações e evitar danos pulmonares progressivos.
Posso usar apenas o broncodilatador de resgate (salbutamol) sem corticóide inalatório?
Não é recomendado. O salbutamol alivia os sintomas rapidamente, mas não trata a inflamação subjacente. O uso isolado do broncodilatador de curta ação está associado a pior controle da asma, maior risco de exacerbações e aumento da mortalidade. O corticosteroide inalatório é a base do tratamento controlador.
Crianças podem ter asma? O diagnóstico é o mesmo?
Sim, a asma é uma das doenças crônicas mais comuns na infância. O diagnóstico em crianças segue os mesmos princípios: história clínica, exame físico e espirometria (quando possível a partir dos 5-6 anos). Em crianças menores, o diagnóstico é clínico, baseado em sintomas recorrentes e resposta ao tratamento.
A asma é contagiosa?
Não, a asma não é contagiosa. É uma doença inflamatória crônica de origem multifatorial (genética e ambiental). Crises podem ser desencadeadas por infecções virais (como resfriados), mas a doença em si não se transmite de pessoa para pessoa.
Qual a diferença entre J45.0 e J45.1?
J45.0 (asma predominantemente alérgica) está associada a alergias comprovadas a alérgenos inaláveis, tem início mais precoce e responde melhor a corticoides inalatórios e medidas de controle ambiental. J45.1 (asma não alérgica) tem gatilhos como exercício, infecções, estresse e não apresenta sensibilização alérgica evidente; costuma ser mais persistente e pode exigir doses mais altas de medicação.
O CID J45 pode ser usado para DPOC?
Não. A DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) tem código J44 (DPOC) no CID-10. Embora compartilhem características de obstrução ao fluxo aéreo, as causas, mecanismos e tratamentos são diferentes. A asma geralmente é reversível e tem início mais precoce, enquanto a DPOC é progressiva e está fortemente associada ao tabagismo.
Preciso de atestado se tiver crise de asma e faltar ao trabalho?
Sim. A falta ao trabalho por motivo de saúde deve ser justificada por atestado médico com o CID correspondente (J45). O empregador tem direito de exigir o documento para abono da falta. O atestado deve ser emitido pelo médico que atendeu o paciente, seja no pronto-socorro ou no consultório.
Como saber se minha asma está controlada?
O controle é avaliado por critérios como: sintomas diurnos ≤ 2 dias por semana, uso de medicação de resgate ≤ 2 vezes por semana, sem despertares noturnos, sem limitação de atividades e função pulmonar normal ou próxima do normal. Ferramentas como o Asthma Control Test (ACT) podem auxiliar na autoavaliação.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil – diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e do Global Initiative for Asthma (GINA 2025).
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição. Em caso de emergência, procure o serviço de saúde mais próximo.
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