Segundo a Global Initiative for Asthma (GINA 2026), a asma afeta cerca de 339 milhões de pessoas no mundo, e no Brasil estima-se que 20 milhões de brasileiros convivam com a doença. A cada ano, mais de 2.000 mortes por asma são registradas no país, muitas delas evitáveis com tratamento adequado e acesso à informação.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TRATAMENTO-DE-ASMA-IMPORTANCIA-E-INFORMACOES-ESSENCIAIS e quer saber o que significa? Este artigo foi elaborado por um médico especialista em clínica médica para esclarecer todos os aspectos sobre o CID da asma, desde a definição até o tratamento e os dias de atestado. Entender o seu diagnóstico é o primeiro passo para respirar melhor e ter qualidade de vida.
- Código: J45
- Descrição: Asma
- Categoria: Capítulo X – Doenças do aparelho respiratório (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: J45.0 (asma predominantemente alérgica), J45.1 (asma não alérgica), J45.8 (asma mista), J45.9 (asma não especificada). Inclui também J46 (estado de mal asmático) como complicação aguda.
Paciente: Ana Clara, 28 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: Falta de ar recorrente, chiado no peito e tosse seca, principalmente à noite e após contato com poeira de giz e pólen. Nos últimos 15 dias, apresentou crises mais frequentes, com dificuldade para dar aulas completas.
Avaliação clínica: Ao exame físico, presença de sibilos difusos na ausculta pulmonar, taquipneia leve (FR 22 rpm) e saturação de O₂ de 94% em ar ambiente. Espirometria revelou VEF1/CVF de 68% (relação reduzida) com reversibilidade após broncodilatador (aumento de 15% no VEF1). Teste alérgico cutâneo positivo para ácaros e pólen de gramíneas.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID J45.0 — Asma predominantemente alérgica, persistente moderada (GINA passo 3).
Conduta terapêutica: Iniciou uso regular de corticoide inalatório (budesonida 400 µg, 2x/dia) associado a broncodilatador de longa duração (formoterol 12 µg, 2x/dia) como terapia de manutenção. Prescrito também resgate com salbutamol spray (100 µg) em caso de falta de ar aguda. Orientação ambiental: uso de capa antialérgica no colchão, evitar tapetes e lavar roupas de cama com água quente semanalmente. Encaminhada para imunoterapia específica (vacina antialérgica).
Evolução: Após 4 semanas de tratamento, Ana Clara relatou redução de 80% nas crises noturnas, melhora do pico de fluxo expiratório matinal (de 320 L/min para 410 L/min) e retorno às atividades profissionais sem limitações. Saturação de O₂ em repouso normal (98%). A paciente mantém uso correto da medicação e comparece às consultas de seguimento.
Lição clínica: O tratamento correto da asma, com corticoides inalatórios diários, controle ambiental e adesão ao plano terapêutico, é capaz de controlar completamente os sintomas e prevenir exacerbações graves. O diagnóstico precoce e a classificação do grau de gravidade (persistente moderada) orientaram a escolha do tratamento ideal.
O que é o CID J45 na prática médica
O CID J45 é o código da Classificação Internacional de Doenças (10ª revisão) que designa a asma, uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por hiper-responsividade brônquica, obstrução variável ao fluxo aéreo e sintomas como sibilância, dispneia, opressão torácica e tosse. Na prática clínica, o médico utiliza esse código para registrar o diagnóstico no prontuário, emitir atestados, solicitar exames e prescrever tratamentos. A asma é uma das doenças crônicas mais comuns no mundo, com prevalência crescente, especialmente em crianças e adultos jovens. A identificação correta do CID permite o planejamento adequado do tratamento e o acompanhamento da evolução da doença.
Subcategorias e variantes do CID J45
O CID J45 possui subcategorias que especificam o tipo de asma:
- J45.0 – Asma predominantemente alérgica: desencadeada por alérgenos (ácaros, pólen, fungos, pelos de animais). É o subtipo mais comum, com início geralmente na infância.
- J45.1 – Asma não alérgica: ocorre em adultos, sem evidência de sensibilização alérgica. Pode ser desencadeada por infecções virais, exercício físico, estresse ou irritantes inalatórios.
- J45.8 – Asma mista: combinação de componentes alérgicos e não alérgicos.
- J45.9 – Asma não especificada: quando o tipo não é determinado.
Além disso, o CID J46 (estado de mal asmático) é usado para exacerbações graves que não respondem ao tratamento inicial. A distinção entre essas subcategorias é importante para direcionar a prevenção e o tratamento personalizado.
Sintomas e como a asma se manifesta
Os sintomas típicos da asma incluem falta de ar (dispneia), chiado no peito (sibilos), sensação de aperto no tórax e tosse, geralmente seca. Esses sintomas podem ser desencadeados ou piorados por alérgenos, exercícios físicos, ar frio, infecções respiratórias, estresse emocional ou exposição a irritantes (fumaça, poluição). As crises variam em intensidade e frequência: desde episódios leves e esporádicos até quadros graves com risco de vida. Muitos pacientes apresentam piora noturna ou nas primeiras horas da manhã (asma noturna). A espirometria mostra obstrução reversível ao fluxo aéreo. O reconhecimento precoce dos sintomas e o início do tratamento adequado são fundamentais para controle da doença e prevenção de exacerbações.
Causas e fatores de risco
A asma tem origem multifatorial. Fatores genéticos e ambientais interagem para o desenvolvimento da doença. Os principais fatores de risco incluem: história familiar de asma ou atopia (rinite alérgica, eczema); exposição precoce a alérgenos (ácaros, baratas, mofo, pelos de animais); tabagismo ativo ou passivo; poluição do ar (partículas finas, ozônio, dióxido de nitrogênio); infecções virais respiratórias na infância (especialmente pelo vírus sincicial respiratório); obesidade; e uso de certos medicamentos (beta-bloqueadores, AINEs em pacientes sensíveis). A asma não alérgica pode ser desencadeada por exercício físico, ar frio, estresse ou refluxo gastroesofágico. Compreender as causas individuais é crucial para a prevenção e o controle da doença.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da asma é clínico e funcional. O médico realiza anamnese detalhada (sintomas típicos, gatilhos, história familiar) e exame físico (ausculta pulmonar). O exame padrão-ouro é a espirometria, que mede o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e a capacidade vital forçada (CVF). Na asma, observa-se redução da relação VEF1/CVF (< 0,70) e reversibilidade após broncodilatador (aumento do VEF1 ≥ 12% e 200 mL). Outros exames complementares incluem: teste de provocação brônquica (com metacolina ou exercício), medição do óxido nítrico exalado (FeNO) – indicativo de inflamação eosinofílica, e testes alérgicos cutâneos ou séricos para identificar sensibilizações. Em crianças, o diagnóstico pode ser baseado na história e na resposta ao tratamento, nem sempre sendo possível realizar espirometria. O diagnóstico precoce e preciso permite o início do tratamento e evita danos pulmonares irreversíveis.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da asma é baseado em pilares: controle da inflamação, alívio dos sintomas e prevenção de exacerbações. As diretrizes mais recentes (GINA 2026) recomendam uma abordagem em degraus:
- Passo 1: broncodilatador de curta duração (SABA) conforme necessário em asma intermitente.
- Passo 2: corticoide inalatório (CI) em baixa dose + formoterol (ou SABA) como resgate.
- Passo 3: CI em dose média + broncodilatador de longa duração (LABA, como formoterol ou salmeterol).
- Passo 4: CI em alta dose + LABA + considerar tiotrópio ou antagonista do receptor de leucotrienos.
- Passo 5: terapia adicional como anticorpos monoclonais (omalizumabe, mepolizumabe, benralizumabe) ou corticosteroide oral em baixa dose (com cautela).
Medicamentos de resgate (salbutamol, fenoterol) são usados apenas em crises. A educação do paciente, o plano de ação por escrito, o controle ambiental e a vacinação contra influenza e pneumonia são fundamentais. Em crises agudas, pode ser necessário oxigênio suplementar, broncodilatadores inalatórios e corticoides sistêmicos.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para asma depende da gravidade da crise e da resposta ao tratamento. Em uma exacerbação leve a moderada, o médico geralmente concede de 1 a 3 dias de repouso para recuperação e ajuste da medicação. Em crises graves que exigem internação hospitalar ou uso de corticoides sistêmicos, o afastamento pode variar de 5 a 14 dias. Para pacientes com asma persistente moderada a grave em tratamento contínuo, o atestado pode ser renovado conforme a necessidade, especialmente se houver limitação funcional. É importante que o médico avalie cada caso individualmente e emita o atestado com o CID correspondente (J45) e a duração adequada, respeitando as normas trabalhistas e previdenciárias brasileiras. O retorno ao trabalho deve ser gradual em casos de esforço físico intenso ou exposição a agentes desencadeantes.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de alerta que indicam necessidade de atendimento médico de urgência incluem: falta de ar intensa que impede falar frases completas; chiado muito intenso ou, paradoxalmente, ausência de chiado (pulso paradoxal, tórax silencioso); uso de musculatura acessória (retração supraclavicular, intercostal; batimento de asa do nariz); cianose (lábios ou extremidades azuladas); confusão mental ou sonolência; frequência cardíaca acima de 120 bpm; saturação de O₂ abaixo de 90% em ar ambiente; e falta de resposta ao uso do broncodilatador de resgate após 20-30 minutos. Pacientes com história de intubação prévia por asma, múltiplas visitas ao pronto-socorro ou uso frequente de corticoides sistêmicos também são considerados de alto risco. Ao perceber qualquer um desses sinais, procure imediatamente um serviço de emergência
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da asma e de suas exacerbações envolve medidas ambientais e comportamentais: evitar alérgenos conhecidos (usar capas antialérgicas, lavar roupas de cama semanalmente em água quente, controlar umidade e mofo, manter animais fora do quarto); evitar fumaça de cigarro, poluentes e irritantes; realizar atividade física regular (com acompanhamento médico e uso de broncodilatador antes do exercício, se necessário); manter vacinação em dia (influenza, pneumococo); aderir ao tratamento de manutenção com corticoides inalatórios, mesmo na ausência de sintomas; e ter um plano de ação individualizado para crises. O acompanhamento periódico com o médico para ajuste de medicação e monitoramento da função pulmonar (espirometria anual) é essencial para o controle da doença a longo prazo. Pacientes bem controlados têm qualidade de vida normal e baixo risco de exacerbações.
- 01. Sempre tenha seu broncodilatador de resgate (salbutamol) à mão, mas lembre-se de que o uso frequente indica falta de controle – procure seu médico.
- 02. Use o corticoide inalatório diariamente, conforme prescrito, para reduzir a inflamação das vias aéreas. Ele é a base do tratamento de manutenção.
- 03. Mantenha um diário de sintomas e pico de fluxo para identificar gatilhos e avaliar o controle da asma ao longo do tempo.
- 04. Evite exposição a alérgenos conhecidos: lave lençóis e fronhas com água quente (≥55°C) semanalmente, aspire colchões e evite tapetes e cortinas grossas.
- 05. Não fume nem permita que fumem perto de você. O tabagismo passivo é um dos maiores desencadeantes de crises asmáticas.
Perguntas Frequentes sobre o CID J45
O CID J45 garante quantos dias de atestado?
O número de dias varia conforme a gravidade da crise. Em exacerbações leves a moderadas, o atestado costuma ser de 1 a 3 dias. Em casos graves com internação, pode chegar a 14 dias ou mais, conforme avaliação médica. Importante: o atestado deve ser emitido com o CID J45 e a duração baseada na necessidade clínica.
A asma tem cura?
A asma é uma doença crônica, sem cura definitiva. No entanto, com tratamento adequado, é possível controlar completamente os sintomas, prevenir exacerbações e manter qualidade de vida normal. O tratamento de manutenção reduz a inflamação e a hiper-responsividade brônquica.
Quais medicamentos são usados para tratar a asma?
Os principais são corticoides inalatórios (budesonida, fluticasona, beclometasona) para controle da inflamação; broncodilatadores de longa duração (formoterol, salmeterol) associados aos corticoides; broncodilatadores de curta duração (salbutamol, fenoterol) para alívio imediato; e, em casos graves, anticorpos monoclonais (omalizumabe, mepolizumabe) ou corticoides orais.
O que é o estado de mal asmático (CID J46)?
É uma exacerbação grave de asma que não responde ao tratamento inicial com broncodilatadores e corticoides. Requer atendimento de emergência, muitas vezes com internação em UTI, oxigênio suplementar, broncodilatadores nebulizados e corticoides intravenosos. Pode ser fatal se não tratado rapidamente.
É seguro fazer exercícios físicos tendo asma?
Sim, a atividade física é recomendada para pacientes asmáticos, desde que a doença esteja controlada. Para prevenir broncoespasmo induzido por exercício, use broncodilatador de curta duração 15-20 minutos antes da atividade, faça aquecimento adequado e evite exercícios em ambientes frios e secos. Atividades como natação são especialmente benéficas.
Gravidez e asma: quais cuidados?
A gestante asmática deve manter o tratamento de manutenção com corticoides inalatórios, pois o controle da asma é seguro e necessário para o bem-estar fetal. Crises não controladas podem reduzir a oxigenação do feto. Consulte o obstetra e o pneumologista para ajustes. A maioria dos medicamentos inalatórios é considerada segura na gestação.
Como saber se meu controle da asma está bom?
O controle é avaliado pela frequência dos sintomas: idealmente, nenhum ou até 2 dias por semana com sintomas diurnos; nenhuma crise noturna; uso de resgate ≤2 vezes por semana; sem limitação de atividades; espirometria normal (VEF1 ≥80% previsto). Existem questionários padronizados (ACT – Asthma Control Test) que ajudam a monitorar.
A asma pode piorar com o tempo?
Sem tratamento adequado, a inflamação crônica pode levar a remodelamento das vias aéreas (fibrose, espessamento muscular), resultando em obstrução fixa e irreversível. Por isso, o tratamento precoce e contínuo é essencial para prevenir a progressão da doença. Pacientes bem tratados raramente apresentam piora progressiva.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil e GINA 2026.
Última atualização: 21/06/2026
Fontes externas consultadas:
- CID10.com.br – Classificação Internacional de Doenças
- MedlinePlus – Asma (NIH/National Library of Medicine)
- Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) – Asma
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.


