Estima-se que 5% das crianças e 2,5% dos adultos no mundo apresentam Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas convivem com o diagnóstico, e a procura por tratamento aumentou 40% nos últimos cinco anos, impulsionada por maior conscientização e acesso a serviços de saúde mental.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TRATAMENTO-TDAH e quer saber o que significa? Embora não exista um código específico para “tratamento de TDAH”, a classificação correta para o transtorno é CID F90.0 – Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. Este artigo explica em detalhes o significado desse código, como é feito o diagnóstico, quais as opções de tratamento, e o que você precisa saber sobre acompanhamento clínico e direitos relacionados ao atestado médico.
- Código: F90.0
- Descrição: Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)
- Categoria: Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (F00-F99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: F90.0 (Distúrbio da atividade e da atenção), F90.1 (Transtorno hipercinético associado a transtorno de conduta), F90.2 (Transtorno hipercinético associado a transtorno de conduta e emoções mistos), F90.8 (Outros transtornos hipercinéticos), F90.9 (Transtorno hipercinético não especificado)
Paciente: Lucas Martins, 28 anos, analista de sistemas
Queixa principal: Dificuldade persistente em manter o foco no trabalho, esquecimento frequente de prazos, inquietação motora e sensação de sobrecarga mental desde a infância, agravada nos últimos meses.
Avaliação clínica: Entrevista semiestruturada (MINI-Plus) e aplicação das escalas ASRS-18 e SNAP-IV. Exames laboratoriais (hemograma, tireoide, vitamina B12, ferro) e neuroimagem (ressonância magnética funcional) foram normais, descartando causas orgânicas. O paciente preencheu todos os critérios do DSM-5 para TDAH do tipo combinado.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID F90.0 – Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, que indica a presença de sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade em intensidade clinicamente significativa, com início antes dos 12 anos e prejuízo em múltiplos contextos (trabalho, vida social e acadêmica).
Conduta terapêutica: Foi iniciado metilfenidato (Ritalina LA) 20 mg pela manhã, com ajuste gradual até 40 mg/dia, associado a terapia cognitivo-comportamental (TCC) focada em organização, planejamento e controle de impulsos. Orientação psicossocial para ajuste de rotina e uso de aplicativos de gerenciamento de tarefas.
Evolução: Após 8 semanas, o paciente relatou melhora de 60% na capacidade de concentração, redução da inquietação e maior cumprimento de prazos. A escala ASRS-18 caiu de 52 para 32 pontos. Não houve efeitos colaterais cardiovasculares ou perda de peso significativa. Continua em acompanhamento mensal com psiquiatra e psicólogo.
Lição clínica: O TDAH em adultos é subdiagnosticado, mas responde bem ao tratamento combinado (medicamentoso + psicoterápico). O registro correto do CID F90.0 assegura o direito ao tratamento contínuo e ao atestado médico para acompanhamento terapêutico.
O que é o CID F90.0 na prática médica
O CID F90.0 – Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade é um código da Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição, utilizado para padronizar o diagnóstico de TDAH em todo o mundo. Na prática clínica, esse código é aplicado quando o paciente apresenta um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere diretamente no funcionamento social, acadêmico ou profissional. O médico especialista (psiquiatra, neurologista ou pediatra) realiza uma avaliação criteriosa que inclui anamnese detalhada, entrevistas com familiares, escalas padronizadas e exclusão de outras condições que possam simular os sintomas, como ansiedade, depressão, distúrbios do sono ou uso de substâncias. O CID F90.0 é o código mais específico para o TDAH “puro”, enquanto as subcategorias (F90.1, F90.2 etc.) são usadas quando há comorbidades associadas.
Subcategorias e variantes do CID F90
O capítulo V do CID-10 agrupa os transtornos hipercinéticos sob o código F90, que se desdobra em cinco subcategorias principais:
- F90.0 – Distúrbio da atividade e da atenção: Corresponde ao TDAH clássico, com sintomas de desatenção e hiperatividade sem transtorno de conduta significativo. É o subtipo mais comum e o foco deste artigo.
- F90.1 – Transtorno hipercinético associado a transtorno de conduta: Quando o TDAH coexiste com comportamentos antissociais repetitivos, como agressividade, roubo ou violação de regras.
- F90.2 – Transtorno hipercinético associado a transtorno de conduta e emoções mistos: Combinação de TDAH, transtorno de conduta e sintomas emocionais significativos (ansiedade, depressão).
- F90.8 – Outros transtornos hipercinéticos: Usado para apresentações atípicas que não se encaixam nas categorias anteriores, mas ainda atendem aos critérios gerais de hipercinesia.
- F90.9 – Transtorno hipercinético não especificado: Quando há evidência de transtorno hipercinético, mas os subtipos não podem ser diferenciados com segurança.
Essa classificação ajuda o médico a planejar o tratamento mais adequado, pois as comorbidades exigem abordagens específicas.
Sintomas e como o TDAH se manifesta
O TDAH se manifesta por uma tríade de sintomas: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Os sinais variam conforme a idade e o subtipo. Em crianças, é comum observar dificuldade em permanecer sentado, agitação motora excessiva, interrupções frequentes e perda de objetos. Em adolescentes e adultos, a hiperatividade física pode dar lugar a uma sensação interna de inquietação, enquanto a desatenção se expressa por procrastinação, erros por descuido e dificuldade em organizar tarefas. A impulsividade leva a decisões precipitadas, mudanças frequentes de emprego e relacionamentos instáveis. Para o diagnóstico, os sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos, ocorrer em pelo menos dois ambientes (casa, escola, trabalho) e causar prejuízo funcional. As escalas ASRS-18 (adultos) e SNAP-IV (crianças) são instrumentos validados que auxiliam na triagem e monitoramento.
Causas e fatores de risco
A etiologia do TDAH é multifatorial. Estudos de gêmeos e famílias indicam herdabilidade de cerca de 75%, com envolvimento de genes relacionados aos sistemas dopaminérgico (DRD4, DAT1) e noradrenérgico. Fatores ambientais também contribuem: prematuridade, baixo peso ao nascer, exposição pré-natal ao álcool e tabaco, estresse materno severo e complicações obstétricas. Lesões cerebrais adquiridas (traumatismo cranioencefálico, meningite) e exposição a toxinas (chumbo) podem aumentar o risco. É fundamental entender que o TDAH não é causado por má criação, excesso de açúcar ou uso excessivo de telas, embora esses fatores possam agravar os sintomas.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico e baseado nos critérios do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). O médico realiza uma entrevista completa com o paciente e, se possível, com familiares ou parceiros. São solicitadas escalas de sintomas, avaliação neuropsicológica (testes de atenção, função executiva) e exames complementares para excluir causas orgânicas (hemograma, TSH, T4 livre, vitamina B12, ácido fólico, ferro, eletroencefalograma, neuroimagem). O diagnóstico diferencial inclui transtornos de ansiedade, depressão, transtorno bipolar, TOC, transtorno de aprendizagem e distúrbios do sono. O registro do CID F90.0 é feito apenas quando todos os critérios são preenchidos e as condições miméticas são afastadas.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do TDAH é multimodal e deve ser individualizado. As principais intervenções incluem:
- Tratamento farmacológico: Estimulantes (metilfenidato, lisdexanfetamina) e não estimulantes (atomoxetina, guanfacina, clonidina). O metilfenidato é a primeira linha em crianças e adultos, com eficácia comprovada em 70-80% dos casos. A dose é titulada individualmente, e o acompanhamento cardiológico (ECG, pressão arterial) é essencial.
- Psicoterapia: Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a abordagem mais estudada, focada em treino de habilidades organizacionais, manejo de tempo, controle de impulsos e regulação emocional. Para crianças, a orientação parental e o treinamento de professores são cruciais.
- Intervenções psicossociais: Coaching executivo, terapia ocupacional, grupos de apoio e adaptações escolares ou laborais (redução de estímulos, prazos flexíveis, uso de listas e lembretes).
- Neurofeedback e neuromodulação: Embora alguns estudos mostrem benefícios, ainda não são considerados tratamentos de primeira linha.
O tratamento é de longo prazo; muitos pacientes necessitam de medicação contínua, especialmente durante períodos de alta demanda.
Quantos dias de atestado médico
Não há um número fixo de dias de atestado para o CID F90.0, pois o TDAH é uma condição crônica. O atestado pode ser emitido para:
- Avaliação diagnóstica inicial: Geralmente 1-2 dias para consultas e exames.
- Ajuste de medicação: 1-3 dias, quando há necessidade de observação após início de fármaco.
- Crise aguda de comorbidade: Se houver depressão ou ansiedade associadas, o atestado pode variar de 5 a 15 dias, conforme a gravidade.
- Tratamento intensivo (internação ou hospital-dia): De 15 a 30 dias, em casos de descompensação grave.
Na prática, o paciente com TDAH compensado não precisa de atestado rotineiro, mas pode solicitar atestado para comparecer a consultas médicas regulares (meio período). O tempo de afastamento é definido pelo médico assistente, baseado na funcionalidade e no plano terapêutico.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata incluem:
- Efeitos adversos graves da medicação: Dor torácica, palpitações, síncope, convulsões, alteração súbita de comportamento (agitação psicomotora, agressividade, ideação suicida).
- Piora abrupta dos sintomas: Incapacidade de realizar atividades básicas, abandono do trabalho ou da escola, isolamento social extremo.
- Sintomas neuropsiquiátricos novos: Alucinações, delírios, mania, confusão mental.
- Comorbidades descompensadas: Ansiedade severa, ataques de pânico, depressão com ideação suicida.
- Sinais de intoxicação por estimulantes: Taquicardia em repouso (>120 bpm), hipertensão grave (>160/100 mmHg), febre, tremores finos.
Em crianças, atenção especial para perda de peso acentuada, insônia grave ou tiques motores que não existiam antes.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção do TDAH não é possível em sentido primário, devido à forte base genética. No entanto, cuidados contínuos podem reduzir o impacto dos sintomas e prevenir complicações:
- Adesão ao tratamento: Tomar a medicação conforme prescrito e manter a psicoterapia regularmente.
- Estilo de vida saudável: Sono adequado (7-9 horas/dia), dieta balanceada, atividade física moderada (pelo menos 150 minutos/semana), evitar álcool e drogas ilícitas.
- Gerenciamento de estresse: Técnicas de mindfulness, meditação e estabelecimento de rotinas previsíveis.
- Acompanhamento multiprofissional: Psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional e, quando necessário, nutricionista e fonoaudiólogo.
- Redes de apoio: Participar de grupos de pacientes com TDAH (como a ABDA – Associação Brasileira do Déficit de Atenção) e educar familiares e colegas de trabalho sobre a condição.
Dicas de Ouro
- 01. Guarde todos os relatórios médicos, escalas e receitas. Eles são fundamentais para justificar o CID F90.0 em processos de licença saúde, adaptações no trabalho ou no ENEM e concursos públicos.
- 02. Prefira horários de consulta pela manhã para avaliar o efeito da medicação no pico de ação. Evite dirigir imediatamente após o início do tratamento com estimulantes.
- 03. Use aplicativos de lembrete (Medisafe, Alarmy) para não esquecer de tomar a medicação. O esquecimento é um dos maiores desafios no TDAH.
- 04. Não interrompa a medicação abruptamente. A suspensão deve ser gradual e supervisionada pelo médico, para evitar recaídas ou sintomas de abstinência.
- 05. Comunique claramente ao empregador ou à instituição de ensino que você tem TDAH e necessita de adaptações (prazos estendidos, ambiente silencioso, uso de fones de ouvido). O conhecimento do CID facilita a negociação.
Perguntas Frequentes sobre o CID TRATAMENTO
O CID F90.0 garante quantos dias de atestado?
Não há dias pré-definidos. O médico pode emitir atestado de 1 dia para consulta de ajuste, até 30 dias em casos de internação ou crise comórbida. A média para consultas regulares é de 1 dia a cada 2-3 meses.
Posso dirigir se tomo metilfenidato?
Sim, desde que a medicação esteja em dose estável e você não apresente tontura, sonolência ou alteração visual. Evite dirigir nas primeiras semanas de tratamento ou após aumento de dose. Em alguns casos, o médico pode recomendar abstinência temporária.
O TDAH é considerado deficiência para fins legais?
Sim, o TDAH pode ser enquadrado como deficiência psicossocial (Lei Brasileira de Inclusão – 13.146/2015) se houver impedimento de longo prazo que obstrua a participação plena na sociedade. É necessário laudo médico detalhado com CID e avaliação funcional.
Crianças com TDAH podem usar medicação?
Sim, a partir dos 6 anos, o metilfenidato é aprovado pela ANVISA. O tratamento deve ser supervisionado por pediatra ou psiquiatra infantil, com monitoramento de crescimento, peso e funções cardíacas.
O CID F90.0 pode ser usado para justificar faltas no trabalho?
Sim, mediante atestado médico que especifique a necessidade de afastamento (consulta, tratamento ou crises). O atestado deve conter o CID e o período recomendado.
Qual a diferença entre F90.0 e F90.1?
F90.0 é o TDAH sem transtorno de conduta significativo. F90.1 inclui comportamentos antissociais repetitivos (agressão, vandalismo). O tratamento do F90.1 exige abordagem multidisciplinar mais intensa.
Existe cura para o TDAH?
Não há cura, mas o tratamento controla os sintomas em cerca de 80% dos casos. Muitos adultos aprendem a compensar as dificuldades com estratégias adaptativas e mantêm uma vida produtiva.
Posso parar de tomar a medicação se estou bem?
Não sem orientação médica. A melhora se deve ao efeito contínuo do fármaco. A suspensão abrupta pode levar à recaída dos sintomas, muitas vezes mais intensos. O médico pode planejar redução gradual se houver indicação.
O TDAH é mais comum em meninos ou meninas?
Na infância, o diagnóstico é 2 a 3 vezes mais frequente em meninos. Na idade adulta, a proporção se iguala, pois meninas com TDAH têm sintomas predominantemente desatentos, que são subdiagnosticados.
Exercícios físicos melhoram os sintomas do TDAH?
Sim, a atividade física aeróbica (corrida, natação, ciclismo) libera dopamina e noradrenalina, reduzindo a desatenção e a hiperatividade. Recomenda-se pelo menos 30 minutos diários, 5 vezes por semana.
O CID F90.0 pode ser usado para solicitar aposentadoria?
Sim, se o TDAH causar incapacidade total e permanente para o trabalho, comprovada por perícia médica do INSS. É raro, pois a maioria dos pacientes consegue trabalhar com tratamento e adaptações.
O que significa “TDAH do tipo combinado”?
É o subtipo mais comum, que preenche critérios tanto para desatenção quanto para hiperatividade/impulsividade. O CID correspondente é F90.0, desde que não haja transtorno de conduta significativo.
Dicas de Ouro (continuação)
- 06. Mantenha uma “caixa de ferramentas” mental: alarmes, planejamento semanal, listas de tarefas visíveis e um “lugar de descanso” para descomprimir quando a ansiedade aumentar.
- 07. Em viagens aéreas, leve a receita médica e o laudo com CID para evitar problemas com a Anvisa ou segurança. Medicações controladas precisam de receita azul.
- 08. Informe-se sobre o “Programa de Atenção Integral ao TDAH” do SUS. Em muitas cidades, há ambulatórios especializados que oferecem psicoterapia e medicação gratuita.
- 09. Evite consumir cafeína ou energéticos após as 14h, pois podem piorar a insônia, efeito colateral comum dos estimulantes.
- 10. Se você é estudante, solicite ao médico um laudo detalhado para pedir tempo extra no Enem, vestibulares ou concursos. O CID e a descrição das limitações são essenciais.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links Externos Recomendados
- CID-10 F90 – Descrição completa
- MedlinePlus: Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (espanhol)


