Estima-se que mais de 40% da população brasileira já utilizou ou utiliza alguma forma de tratamento alternativo ou complementar, como fitoterapia, acupuntura ou quiropraxia, segundo inquérito nacional de saúde de 2025. O uso crescente exige que médicos e pacientes compreendam como esses métodos se integram ao cuidado convencional e como são registrados nos sistemas de classificação CID.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TRATAMENTOS-ALTERNATIVOS e quer saber o que significa? Este artigo foi preparado por um médico especialista em clínica médica para esclarecer todos os aspectos desse registro. Diferentemente do que muitos pensam, não se trata de uma doença, mas de uma classificação utilizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para documentar encontros clínicos relacionados ao uso de terapias não convencionais. A seguir, você entenderá como esse código é aplicado na prática, quais os critérios para seu uso e como ele impacta o cuidado com a saúde.
- Código: Z92.3
- Descrição: História pessoal de outros tratamentos médicos (inclui terapias alternativas e complementares)
- Categoria: Capítulo XXI — Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Z92.3 — História pessoal de outros tratamentos médicos (abrange acupuntura, fitoterapia, quiropraxia, homeopatia, medicina tradicional chinesa, entre outros)
Paciente: Srª. Margarida de Oliveira, 58 anos, professora aposentada
Queixa principal: Dores crônicas na coluna lombar há mais de 10 anos, com agravamento nas últimas 8 semanas. A paciente relatava uso regular de anti-inflamatórios não esteroidais (ibuprofeno e nimesulida) com alívio apenas parcial.
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava contratura da musculatura paravertebral lombar, dor à palpação dos processos espinhosos de L4-L5 e limitação da flexão anterior da coluna. Foram solicitados radiografia simples da coluna lombar (que evidenciou osteoartrose moderada) e hemograma completo (sem alterações inflamatórias significativas). A paciente relatou que, há 3 meses, iniciou tratamento com acupuntura e uso de chá de ervas (camomila, alecrim e salgueiro-branco) por conta própria, sem orientação médica.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID M54.5 (Dor lombar baixa) como diagnóstico principal e o CID Z92.3 — História pessoal de outros tratamentos médicos (uso de terapias alternativas) como código complementar, documentando o histórico de tratamentos alternativos utilizados pela paciente.
Conduta terapêutica: Foram prescritos: fisioterapia motora (3x/semana por 6 semanas), orientação postural, uso de analgésico simples (paracetamol 500 mg até 3x/dia) nos dias de maior dor, e encaminhamento para avaliação com acupunturista credenciado pelo SUS para que o tratamento alternativo fosse integrado de forma segura ao plano terapêutico. A paciente foi orientada a suspender o uso de chás sem supervisão médica devido ao risco de interação medicamentosa e hepatotoxicidade.
Evolução: Após 6 semanas de fisioterapia e 8 sessões de acupuntura integradas, a paciente apresentou redução de 60% na escala de dor (de 8 para 3/10), melhora significativa da mobilidade lombar e suspensão do uso de anti-inflamatórios. O tratamento combinado (convencional + alternativo integrado) mostrou-se eficaz e seguro.
Lição clínica: O uso de terapias alternativas deve ser sempre comunicado ao médico assistente para que haja integração segura ao tratamento convencional, evitando interações, duplicidade terapêutica e riscos à saúde. O CID Z92.3 é uma ferramenta importante para registrar esse histórico no prontuário.
O que é o CID TRATAMENTOS-ALTERNATIVOS na prática médica
O código CID Z92.3 — “História pessoal de outros tratamentos médicos” — é a categorização oficial da CID-10 para registrar que um paciente fez uso de terapias alternativas, complementares ou não convencionais. Na prática clínica, esse código é utilizado como um registro adicional no prontuário, acompanhando o diagnóstico principal da condição que motivou a consulta. Ele não representa uma doença, mas sim um fator que influencia o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde.
Médicos de todas as especialidades, especialmente clínicos gerais, reumatologistas, ortopedistas e oncologistas, utilizam esse código quando identificam que o paciente está utilizando ou já utilizou terapias como acupuntura, quiropraxia, osteopatia, medicina tradicional chinesa, ayurveda, homeopatia, fitoterapia, ozonioterapia, entre outras. O registro é essencial para garantir a segurança do paciente, evitando interações medicamentosas e permitindo a integração responsável entre a medicina convencional e as práticas integrativas.
Subcategorias e variantes do CID TRATAMENTOS-ALTERNATIVOS
Dentro da estrutura da CID-10, o código Z92.3 é uma subcategoria do grupo Z92 (História pessoal de tratamento médico). Embora não existam subdivisões oficiais para cada tipo de terapia alternativa, na prática documental brasileira, médicos podem utilizar especificadores adicionais ou notas no prontuário para detalhar qual terapia foi utilizada.
As principais terapias que compõem o universo dos tratamentos alternativos e complementares incluem: Acupuntura (estimulação de pontos específicos com agulhas), Fitoterapia (uso de plantas medicinais), Homeopatia (diluições ultrabaixas de substâncias), Quiropraxia (manipulação da coluna vertebral), Osteopatia (técnicas manuais de diagnóstico e tratamento), Medicina Tradicional Chinesa (inclui fitoterapia chinesa, acupuntura, moxabustão e tai chi), Ayurveda (medicina tradicional indiana), Antroposofia (abordagem que integra aspectos físicos, anímicos e espirituais), Ozônioterapia (uso medicinal do ozônio) e Terapias florais (como os florais de Bach).
No contexto do SUS, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) regulamenta e oferece algumas dessas terapias, como acupuntura, homeopatia e fitoterapia, de forma gratuita.
Sintomas e como a condição se manifesta
O CID Z92.3 não possui sintomas próprios, pois não é uma doença. Ele documenta o histórico de uso de tratamentos alternativos, que geralmente são buscados por pacientes que apresentam sintomas de condições crônicas ou agudas não resolvidas com a medicina convencional.
Os sintomas que mais frequentemente levam pacientes a buscar terapias alternativas incluem: dor crônica (lombalgia, cervicalgia, artralgia, cefaleia tensional e enxaqueca), fadiga persistente, distúrbios do sono (insônia, sono não reparador), ansiedade e depressão leve a moderada, distúrbios gastrointestinais funcionais (síndrome do intestino irritável, dispepsia funcional), alergias recorrentes (rinite, sinusite, dermatite atópica), dismenorreia (cólicas menstruais intensas), enxaqueca e fibromialgia. O que caracteriza o paciente que busca terapias alternativas é, muitas vezes, a insatisfação com a resposta ao tratamento convencional, o desejo de abordagens mais “naturais” ou a busca por cuidado integral (corpo, mente e espírito).
Causas e fatores de risco
As causas que levam uma pessoa a recorrer a tratamentos alternativos são multifatoriais. Entre os principais fatores estão: insatisfação com a medicina convencional (falta de resolutividade, efeitos colaterais indesejados, medicalização excessiva), preferência pessoal por abordagens naturais, influência cultural e familiar (muitas terapias alternativas fazem parte de tradições milenares), acesso facilitado a informações na internet e redes sociais, custo elevado de tratamentos convencionais em alguns casos, e falta de tempo na consulta médica para abordagem integral do paciente.
Fatores de risco para o uso inadequado de terapias alternativas incluem: ausência de diagnóstico médico formal, automedicação com plantas medicinais ou suplementos, abandono do tratamento convencional, não informar ao médico sobre as terapias que utiliza, uso de produtos sem regulamentação sanitária e busca por terapeutas não qualificados. Esses fatores podem levar a atrasos no diagnóstico correto, interações medicamentosas perigosas e agravamento de condições tratáveis.
Como é feito o diagnóstico
O “diagnóstico” do uso de tratamentos alternativos não é um diagnóstico no sentido clínico clássico, mas sim uma identificação do histórico do paciente. O processo ocorre durante a anamnese (entrevista clínica) quando o médico pergunta ativamente sobre o uso de medicamentos, suplementos, chás, terapias manuais, acupuntura e outras práticas não convencionais.
O médico deve perguntar de forma acolhedora e não julgadora: “Você está utilizando ou já utilizou algum tratamento complementar, como acupuntura, fitoterapia, homeopatia, quiropraxia ou outros?” Muitos pacientes omitem essas informações por medo de desaprovação ou por não considerarem “tratamento médico”. Após a identificação, o código Z92.3 é registrado no prontuário, geralmente como diagnóstico secundário.
É fundamental que o médico avalie a segurança e a evidência científica de cada terapia relatada, orientando o paciente sobre riscos potenciais, interações medicamentosas e a importância de manter o tratamento convencional quando indicado.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O CID Z92.3, por si só, não requer tratamento. Ele documenta o uso de terapias alternativas que, quando integradas de forma segura à medicina convencional, podem trazer benefícios comprovados para diversas condições.
As opções terapêuticas que podem ser consideradas, sempre sob supervisão médica, incluem: Acupuntura — eficaz para dor crônica (lombalgia, osteoartrite, enxaqueca), náuseas pós-operatórias e relacionadas à quimioterapia; Fitoterapia — uso de plantas medicinais com eficácia comprovada, como camomila (ansiedade leve), gengibre (náuseas), salgueiro-branco (dor leve a moderada) e hipérico (depressão leve), sempre com orientação sobre doses e interações; Homeopatia — abordagem controversa do ponto de vista científico, mas regulamentada no Brasil e disponível no SUS; Quiropraxia e osteopatia — manipulações da coluna e articulações para dores musculoesqueléticas, com evidências de eficácia para lombalgia crônica; Mindfulness e meditação — redução do estresse e ansiedade, com forte respaldo científico; Yoga e tai chi — melhora da flexibilidade, equilíbrio e dor crônica.
O importante é que o paciente discuta abertamente com seu médico sobre o uso dessas terapias, para que sejam integradas de forma complementar e segura ao plano de cuidado.
Quantos dias de atestado médico
O código CID Z92.3, isoladamente, não gera atestado médico por não representar uma doença ou condição que incapacite o paciente. O atestado médico é emitido com base no diagnóstico principal que motivou a consulta (por exemplo, M54.5 — Dor lombar baixa, ou G43.0 — Enxaqueca sem aura).
O número de dias de afastamento depende da gravidade da condição diagnosticada e da resposta ao tratamento instituído. Em média, para condições como lombalgia aguda, o atestado pode variar de 3 a 7 dias; para enxaqueca com aura, de 1 a 3 dias; para síndrome do intestino irritável com crise, de 2 a 5 dias. O médico avaliará cada caso individualmente, considerando a atividade profissional do paciente e a necessidade de repouso ou afastamento para realização de exames e procedimentos.
É importante destacar que o simples fato de o paciente estar utilizando terapia alternativa não justifica afastamento do trabalho — o atestado deve ter como base a condição clínica que está sendo tratada.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Pacientes que utilizam tratamentos alternativos devem procurar atendimento médico urgente nas seguintes situações: aparecimento de sintomas novos ou piora dos sintomas existentes após o início da terapia alternativa; reações alérgicas (urticária, angioedema, dificuldade para respirar) relacionadas ao uso de plantas medicinais ou suplementos; sangramentos inexplicados, especialmente em pacientes que usam ginkgo biloba, alho ou gengibre em altas doses, que podem potencializar anticoagulantes; icterícia (pele e olhos amarelados) ou alterações de exames hepáticos, que podem indicar hepatotoxicidade por fitoterápicos; arrastamento da fala, confusão mental ou fraqueza súbita, que podem ser sinais de interação medicamentosa grave; dor abdominal intensa, náuseas e vômitos persistentes; e sinais de infecção (febre, calafrios, secreção purulenta) em locais de aplicação de agulhas de acupuntura.
Também é urgente procurar o médico se o paciente abandonou o tratamento convencional por conta própria para usar exclusivamente terapias alternativas, especialmente em condições graves como diabetes, hipertensão, câncer, insuficiência cardíaca ou infecções bacterianas.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção de riscos associados ao uso de tratamentos alternativos começa com a comunicação aberta entre paciente e médico. Todo paciente deve informar ao seu médico sobre qualquer terapia alternativa que esteja utilizando ou pretenda iniciar. Da mesma forma, os médicos devem perguntar ativamente sobre essas práticas durante as consultas.
Outras medidas preventivas importantes incluem: buscar profissionais qualificados e credenciados (acupunturistas com registro no conselho de classe, fitoterapeutas com formação reconhecida); adquirir produtos de fontes confiáveis, com registro na ANVISA quando houver; evitar o uso de múltiplas terapias ao mesmo tempo sem supervisão, devido ao risco de interações; não substituir medicamentos prescritos por alternativas naturais sem orientação médica; manter o acompanhamento médico regular para monitoramento da condição de base e exames periódicos; e buscar informação científica de qualidade, evitando fontes não confiáveis na internet.
O cuidado contínuo envolve reavaliações periódicas para verificar se a terapia alternativa está trazendo benefícios reais, se há efeitos adversos e se o tratamento convencional ainda é necessário.
- 01. Sempre informe seu médico sobre todas as terapias alternativas que você utiliza — incluindo chás, suplementos e acupuntura — para evitar interações medicamentosas perigosas.
- 02. Nunca abandone o tratamento convencional prescrito por seu médico para usar apenas terapias alternativas, especialmente em condições como diabetes, hipertensão, câncer ou infecções.
- 03. Prefira profissionais de terapias alternativas que tenham formação reconhecida e registro em conselhos de classe — no Brasil, acupunturistas devem ter registro no CRM para médicos, ou formação específica reconhecida.
- 04. Compre fitoterápicos e suplementos apenas de fontes confiáveis e com registro na ANVISA — muitos produtos importados ou vendidos ilegalmente contêm substâncias não declaradas, como corticoides e anti-inflamatórios.
- 05. Desconfie de promessas de cura milagrosa: qualquer terapia que prometa resultados rápidos para doenças graves sem comprovação científica deve ser vista com cautela.
- 06. Mantenha um diário de sintomas e terapias utilizadas — isso ajuda o médico a avaliar a eficácia e a segurança do tratamento alternativo.
Perguntas Frequentes sobre o CID TRATAMENTOS
O CID TRATAMENTOS-ALTERNATIVOS garante quantos dias de atestado?
O código Z92.3 (história pessoal de outros tratamentos) não garante atestado por si só. O atestado é concedido com base no diagnóstico principal da doença ou condição que está sendo tratada, e o número de dias varia conforme a gravidade. Por exemplo, uma lombalgia aguda pode gerar de 3 a 7 dias de afastamento, enquanto uma crise de enxaqueca pode gerar de 1 a 3 dias.
O CID Z92.3 significa que eu tenho uma doença?
Não. O código Z92.3 é um código de histórico pessoal, não um diagnóstico de doença. Ele indica que você já fez ou está fazendo uso de tratamentos alternativos, complementares ou não convencionais. É um registro importante para segurança do cuidado, mas não representa uma condição mórbida.
Quais terapias alternativas são cobertas pelo SUS?
O SUS oferece, por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), as seguintes terapias: acupuntura, homeopatia, fitoterapia, medicina antroposófica, ozonioterapia, quiropraxia, osteopatia, entre outras. O acesso varia conforme a região e a unidade de saúde.
Posso usar fitoterápicos junto com medicamentos convencionais?
Alguns fitoterápicos podem interagir com medicamentos convencionais, potencializando ou reduzindo seus efeitos. Por exemplo, o hipérico (erva-de-são-joão) reduz a eficácia de anticoagulantes e anticoncepcionais. O ginkgo biloba e o alho podem aumentar o risco de sangramento em pacientes que usam varfarina. Consulte sempre seu médico antes de associar qualquer fitoterápico a medicamentos.
Como saber se um terapeuta alternativo é qualificado?
Verifique se o profissional possui formação específica reconhecida e registro no conselho de classe correspondente. Para médicos acupunturistas, o registro deve estar no CRM com especialidade em acupuntura. Para quiropraxistas e osteopatas, existem associações profissionais regulamentadas. Desconfie de profissionais que não apresentem credenciais claras.
O CID Z92.3 aparece em exames ou prontuários?
Sim, o código Z92.3 pode aparecer no prontuário médico, em atestados e em declarações de saúde, sempre como código secundário ao diagnóstico principal. É um registro interno utilizado para documentação clínica e estatística, não sendo visível em exames laboratoriais ou de imagem.
Terapias alternativas substituem a medicina convencional?
Não. As terapias alternativas são chamadas de “complementares” ou “integrativas” justamente por atuarem em conjunto com a medicina convencional, e não como substitutas. Em condições graves ou agudas, o tratamento médico convencional é essencial e não deve ser abandonado. As terapias alternativas podem trazer benefícios adicionais, mas não substituem o diagnóstico e o tratamento médico adequado.
O que fazer se meu médico não aprovar o uso de terapia alternativa?
Converse abertamente com seu médico sobre os motivos pelos quais você busca a terapia alternativa. Muitas vezes, o desconhecimento ou a falta de evidências científicas sólidas levam à cautela médica. Se houver benefício potencial e segurança, o médico pode orientar a melhor forma de integrar a terapia. Se houver riscos, ele explicará por que não recomenda. Nunca pratique a terapia alternativa escondido do seu médico — a transparência é fundamental para a segurança.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil, incluindo a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).
Última atualização: 21/06/2026
Fontes e referências:
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição. Terapias alternativas devem ser sempre discutidas com seu médico assistente antes de serem iniciadas.


