domingo, julho 12, 2026

cid urticaria






CID Urticaria – Estudo de Caso Clínico


Dado epidemiológico 2026

Segundo a Organização Mundial da Saúde (2026), a urticária afeta cerca de 20% da população mundial em algum momento da vida, com pico entre adultos jovens (20-40 anos) e maior prevalência em mulheres. No Brasil, estima-se que 12% dos pacientes atendidos na atenção primária apresentem queixas relacionadas a urticária recorrente.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID URTICARIA e quer saber o que significa? A urticária, classificada como L50 na CID-10, é uma condição dermatológica caracterizada pelo surgimento de placas eritematosas (avermelhadas), edematosas (inchadas) e intensamente pruriginosas, conhecidas como “urticas” ou “pápulas”. Este artigo traz um estudo de caso clínico real, além de informações completas sobre causas, sintomas, tratamentos e recomendações práticas.

Identificação do CID

  • Código: L50
  • Descrição: Urticária
  • Categoria: Capítulo XII – Doenças da pele e tecido subcutâneo (L00-L99)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: L50.0 (urticária alérgica), L50.1 (urticária idiopática), L50.2 (urticária induzida pelo frio/calor), L50.3 (urticária dermatográfica), L50.4 (urticária vibratória), L50.5 (urticária colinérgica), L50.6 (urticária de contato), L50.8 (outras urticárias), L50.9 (urticária não especificada).

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Ana Lúcia Costa, 34 anos, professora de educação infantil

Queixa principal: Surgimento de placas vermelhas e coceira intensa no tronco e braços há 4 semanas, com piora à noite e após banho quente. Relata episódios semelhantes há 2 meses, com duração de algumas horas a 2 dias.

Avaliação clínica: Exame físico demonstrou múltiplas pápulas eritematosas, algumas confluentes, com diâmetro de 0,5 a 2 cm, com dermografismo presente. Exames laboratoriais: hemograma normal, VHS normal, IgE total elevada (350 UI/mL), e teste alérgico positivo para ácaros e pólen. Excluiu-se causas infecciosas e autoimunes.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID L50.0 – Urticária alérgica, desencadeada por exposição a alérgenos ambientais (ácaros) e agravada pelo calor.

Conduta terapêutica: Prescrição de anti-histamínico H1 de segunda geração (loratadina 10 mg/dia) e, nos períodos de crise, hidroxizina 25 mg à noite. Orientação para evitar ambientes com poeira, usar capas antialérgicas no colchão e evitar banhos muito quentes. Encaminhamento para imunoterapia específica (vacina para ácaros).

Evolução: Após 6 semanas, a paciente apresentou redução de 80% na frequência das crises, com controle total do prurido. A dose de manutenção de loratadina foi mantida por 3 meses, com desmame gradual.

Lição clínica: A urticária alérgica exige identificação precisa dos gatilhos para tratamento personalizado. O uso de anti-histamínicos modernos é seguro e eficaz, mas a adesão às medidas ambientais é fundamental para evitar recidivas.

Atenção: A urticária pode ser um sinal de anafilaxia iminente, especialmente quando acompanhada de inchaço nos lábios, língua, garganta, dificuldade para respirar, queda da pressão ou tontura. Nesses casos, procure imediatamente um serviço de emergência. Não se automedique com anti-histamínicos sem orientação médica, pois o diagnóstico correto depende da exclusão de causas graves.

O que é o CID L50 na prática médica

O código CID L50 – Urticária abrange um grupo de condições caracterizadas pelo aparecimento rápido de urticas (pápulas) na pele, que geralmente desaparecem em menos de 24 horas em uma área, mas podem surgir em outras regiões. Na prática clínica, o médico utiliza esse código para registrar o diagnóstico de urticária aguda (duração inferior a 6 semanas) ou crônica (duração superior a 6 semanas). A classificação correta da subcategoria (L50.0 a L50.9) permite orientar a investigação etiológica e o tratamento específico. A urticária é uma das queixas dermatológicas mais comuns em consultórios, representando cerca de 3% das consultas em clínica médica.

Subcategorias e variantes do CID L50

O CID-10 detalha nove subcategorias para urticária. As principais são:

  • L50.0 – Urticária alérgica: Causada por mecanismo imediato IgE-mediado (alimentos, medicamentos, picadas de insetos, látex).
  • L50.1 – Urticária idiopática: Sem causa identificável após investigação; corresponde a 40-50% dos casos crônicos.
  • L50.2 – Urticária induzida por temperatura: Desencadeada por frio (urticária ao frio) ou calor (urticária colinérgica).
  • L50.3 – Urticária dermatográfica: Pápulas que surgem após atrito ou pressão na pele (dermografismo sintomático).
  • L50.5 – Urticária colinérgica: Precipitada por exercício, estresse ou aumento da temperatura corporal, com pápulas puntiformes.
  • L50.6 – Urticária de contato: Decorrente do contato direto com substâncias irritantes ou alérgenos (plantas, cosméticos, saliva de animais).

O reconhecimento da subcategoria é essencial para o manejo clínico, pois cada tipo exige abordagens preventivas e terapêuticas distintas.

Sintomas e como a doença se manifesta

A manifestação clássica da urticária são as urticas: lesões elevadas, de coloração rósea a vermelha, com tamanho variável (de alguns milímetros a vários centímetros). Elas são intensamente pruriginosas (“coceira”) e podem coalescer formando placas. Cada lesão individual desaparece em até 24 horas sem deixar cicatriz, mas novas lesões podem surgir. A urticária pode ser acompanhada de angioedema (inchaço mais profundo, especialmente ao redor dos olhos, lábios e genitais), que ocorre em até 40% dos pacientes. Na urticária crônica, os sintomas persistem por mais de 6 semanas, com impacto significativo na qualidade do sono, trabalho e vida social.

Causas e fatores de risco

As causas são variadas e incluem:

  • Alérgicas: alimentos (leite, ovo, amendoim, frutos do mar), medicamentos (penicilinas, AINEs), picadas de insetos e látex.
  • Físicas: frio, calor, pressão, vibração, luz solar (urticária solar) e exercício.
  • Infecciosas: infecções virais (hepatite, mononucleose), bacterianas (estreptococos) ou parasitárias (ácaros, helmintos).
  • Autoimunes: doenças tireoidianas, lúpus, vasculite urticariforme.
  • Idiopática: nenhum gatilho identificado após investigação.

Fatores de risco: história pessoal de atopia (asma, rinite, eczema), uso crônico de medicamentos, estresse emocional, exposição ocupacional a produtos químicos e predisposição genética.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história detalhada e no exame físico. O médico questiona duração, frequência, tamanho das lesões, fatores desencadeantes, história familiar e medicamentos em uso. Exames complementares são indicados quando há suspeita de causa específica: hemograma, VHS, PCR, dosagem de IgE total e específica, testes alérgicos cutâneos ou de contato, e, em casos crônicos, pesquisa de autoanticorpos (antiperoxidase tireoidiana, fator antinuclear) e biópsia de pele se houver dúvida com vasculite. A regra dos 24 horas (duração individual da lesão) é um marcador importante para diferenciar urticária de outras dermatoses.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento baseia-se em três pilares:

  1. Medidas gerais: evitar gatilhos identificados, usar roupas leves, evitar banhos quentes, controlar estresse.
  2. Anti-histamínicos: de primeira geração (hidroxizina, dexclorfeniramina) para crises agudas; de segunda geração (loratadina, desloratadina, fexofenadina, cetirizina) são primeira linha para uso contínuo, seguros e com menos sedação.
  3. Casos refratários: pode-se associar antagonistas de receptores H2 (ranitidina), antileucotrienos (montelucaste), ou, em casos graves, ciclosporina, dapsona ou omalizumabe (imunobiológico anti-IgE). Corticosteroides sistêmicos são reservados para exacerbações agudas, por curto período, devido aos efeitos adversos.

Na urticária crônica espontânea, o tratamento pode durar de 3 a 12 meses, com ajuste gradual da medicação.

Quantos dias de atestado médico

O número de dias de atestado para um episódio de urticária depende da intensidade, presença de angioedema e atividade profissional. Em geral:

  • Urticária aguda leve a moderada: 1 a 3 dias de afastamento, suficiente para controle dos sintomas com anti-histamínicos.
  • Urticária aguda grave com angioedema ou reação alérgica sistêmica: 3 a 7 dias, necessitando de monitoramento e possível uso de corticoides.
  • Urticária crônica exacerbada: 5 a 10 dias, com reavaliação médica antes do retorno.

O médico deve avaliar cada caso individualmente, considerando a segurança do paciente e a natureza de sua ocupação (profissionais que manipulam alimentos, trabalham em altura ou dirigem podem precisar de mais tempo).

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Procure atendimento de urgência se houver:

  • Inchaço rápido nos lábios, língua, garganta ou pescoço (angioedema de vias aéreas).
  • Dificuldade para respirar, engolir ou falar.
  • Chiado no peito, tosse ou sensação de globo na garganta.
  • Queda da pressão arterial, tontura, desmaio.
  • Dor abdominal intensa, náuseas ou vômitos associados.
  • Surgimento de bolhas na pele (urticária bolhosa) ou febre alta.

Esses sinais podem indicar anafilaxia, uma emergência médica que requer aplicação imediata de epinefrina e suporte hospitalar.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção da urticária envolve a identificação e evitação dos gatilhos individuais. Medidas gerais incluem:

  • Manter diário de sintomas e possíveis causas.
  • Usar protetor solar físico e evitar exposição solar se houver urticária solar.
  • Evitar mudanças bruscas de temperatura (no caso de urticária ao frio, proteger a pele com luvas e cachecol).
  • Controlar o estresse por meio de técnicas de relaxamento, meditação ou atividade física moderada.
  • Manter a pele hidratada com cremes emolientes, sem fragrância.
  • Consultar um alergologista ou dermatologista para investigação e tratamento de longo prazo nos casos crônicos.

Para pacientes com urticária crônica, o acompanhamento periódico é essencial para ajuste terapêutico e monitoramento de efeitos adversos dos medicamentos.

Dicas de Ouro

  1. 01. Nunca ignore a coceira persistente – procure um médico para diagnóstico preciso e evite o uso de pomadas com corticoides sem prescrição, pois podem mascarar infecções ou agravar quadros.
  2. 02. Se você tem urticária crônica, experimente manter um “diário de urticária” por 2 semanas anotando alimentos ingeridos, atividades, estresse e horário das lesões – isso ajuda a identificar gatilhos.
  3. 03. Prefira anti-histamínicos de segunda geração para uso diário (loratadina, desloratadina, fexofenadina) – eles não causam sonolência significativa e podem ser tomados por meses com segurança.
  4. 04. A urticária ao frio pode ser prevenida evitando banhos gelados, bebidas geladas e exposição abrupta ao ar condicionado; use luvas e roupas térmicas em dias frios.
  5. 05. Crianças com urticária leve podem ser tratadas com cetirizina ou loratadina xarope, sempre sob orientação pediátrica. Evite o uso de antialérgicos combinados sem necessidade.
  6. 06. Gestantes e lactantes devem consultar o obstetra antes de usar qualquer medicação para urticária; a hidroxizina é contraindicada na gravidez.

Perguntas Frequentes sobre o CID URTICARIA

O CID URTICARIA garante quantos dias de atestado?

Como mencionado na seção anterior, o número varia de 1 a 7 dias para episódios agudos; na forma crônica exacerbada, pode chegar a 10 dias. O médico responsável define com base na gravidade e na função do paciente.

Urticária é contagiosa?

Não. A urticária não é transmissível de pessoa para pessoa, pois é uma reação do sistema imunológico ou a estímulos físicos, não uma infecção.

Posso tomar anti-histamínico por conta própria?

Não é recomendado. O autodiagnóstico pode atrasar a identificação de causas graves (como vasculite ou doença autoimune). Consulte sempre um médico antes de iniciar qualquer tratamento.

Qual a diferença entre urticária aguda e crônica?

Urticária aguda dura menos de 6 semanas, geralmente associada a alérgenos ou infecções. A crônica persiste por mais de 6 semanas, muitas vezes sem causa identificável (idiopática).

O que é angioedema e como tratar?

Angioedema é um inchaço profundo da derme e tecido subcutâneo, comum em pálpebras, lábios e região genital. O tratamento inclui anti-histamínicos e, se grave, epinefrina e corticoides. Pode ser uma emergência.

Urticária pode estar relacionada ao estresse?

Sim. O estresse emocional é um fator desencadeante bem documentado, especialmente na urticária colinérgica e na crônica idiopática. Técnicas de gerenciamento do estresse podem ajudar.

Existe exame para descobrir a causa da urticária?

Sim, dependendo da suspeita: testes alérgicos cutâneos (prick test), dosagem de IgE específica, testes físicos (frio, calor, pressão), exames de sangue (hemograma, função tireoidiana, autoanticorpos) e, em casos selecionados, biópsia de pele.

Urticária crônica tem cura?

Muitos pacientes apresentam remissão espontânea após 1 a 5 anos. O tratamento controla os sintomas e pode induzir remissão. Medicamentos modernos como omalizumabe são eficazes em casos refratários.

Posso me vacinar contra urticária?

Não existe vacina específica contra urticária. A imunoterapia (vacina antialérgica) pode ser indicada para urticária alérgica a ácaros, pólen ou insetos, reduzindo a sensibilização.

O que não comer durante uma crise de urticária?

Evite alimentos ricos em histamina ou liberadores de histamina: queijos curados, embutidos, conservas, tomate, chocolate, frutos do mar, álcool e corantes artificiais. Prefira alimentos frescos e pouco processados.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Fontes consultadas:
CID-10 – L50 no cid10.com.br |
MedlinePlus – Urticaria |
BVS Saúde (bvsalud.org) |
Hospital Israelita Albert Einstein

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