Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS 2025), mais de 220 milhões de pessoas necessitam de tratamento preventivo contra esquistossomose no mundo, sendo que a forma urinária (Schistosoma haematobium) é responsável por cerca de 70% dos casos de hematúria (sangue na urina) em regiões endêmicas da África e do Oriente Médio. No Brasil, a doença está em declínio, mas ainda há focos ativos em comunidades ribeirinhas do Nordeste e Sudeste.
Você já sentiu uma ardência ao urinar que não passava, ou notou sangue na urina e ficou sem saber o que poderia ser? Esses sintomas podem estar relacionados a uma infecção parasitária chamada esquistossomose urinária, causada pelo verme Schistosoma haematobium. Conhecida popularmente como “barriga d’água” quando afeta o fígado, a forma urinária é menos falada, mas igualmente grave. Este artigo foi preparado por especialistas para explicar de forma clara e completa o que é a esquistossomose devida ao Schistosoma haematobium, como ela afeta o corpo, quais os sintomas, tratamentos e, principalmente, como se proteger.
- O que é: Infecção parasitária causada pelo verme Schistosoma haematobium, que atinge principalmente o sistema urinário (bexiga, ureteres e rins).
- Quando ocorre: Após contato com água doce contaminada por caramujos que liberam larvas do parasita; comum em áreas rurais sem saneamento básico.
- Quem trata: Infectologista, urologista ou clínico geral, com apoio de laboratório para diagnóstico.
- Urgência: Moderada a alta se houver hematúria macroscópica (sangue visível) ou dor intensa; complicações podem levar a câncer de bexiga.
- Tratamento: Medicamento oral (praziquantel) em dose única, associado ao controle de complicações e medidas de prevenção.
Maria, 42 anos, moradora de uma comunidade rural no interior de Pernambuco, notou por várias semanas que sua urina estava com uma coloração avermelhada – principalmente no final da micção. Ela também sentia uma leve dor na região lombar e cansaço. Ao procurar o posto de saúde, o médico perguntou se ela costumava entrar em rios ou açudes para lavar roupas ou tomar banho. Maria confirmou que sim, e que sabia da existência de caramujos no local. O exame de urina revelou ovos com espículo terminal, característicos do Schistosoma haematobium. Maria fez tratamento com praziquantel e orientações para evitar novos contatos, melhorando completamente em poucas semanas.
O que é esquistossomose devida ao Schistosoma haematobium?
A esquistossomose devida ao Schistosoma haematobium, também conhecida como esquistossomose urinária ou bilharziose urinária, é uma doença parasitária causada por um verme do filo Platyhelminthes (verme chato). Diferente de outras espécies de Schistosoma que afetam o intestino e o fígado (como S. mansoni, comum no Brasil), o S. haematobium tem preferência pelos vasos sanguíneos da bexiga e do trato urinário. O ciclo de vida envolve caramujos de água doce (gênero Bulinus) como hospedeiros intermediários, e o ser humano como hospedeiro definitivo. A infecção ocorre quando a pele entra em contato com água contaminada por larvas (cercárias) liberadas pelos caramujos. As larvas penetram a pele, migram para o fígado, amadurecem e os vermes adultos acasalam, migrando para as veias da bexiga e ureteres, onde depositam ovos. Esses ovos provocam inflamação crônica, sangramento e fibrose. A doença é endêmica em mais de 50 países, especialmente na África subsaariana, Oriente Médio e algumas regiões da América do Sul. No Brasil, a esquistossomose urinária é menos comum que a mansônica, mas há registros de casos importados e focos isolados, principalmente em áreas de fronteira ou com migração. O código CID-10 correspondente é B65.0, e o CID-11 utiliza numeração similar. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações irreversíveis, como insuficiência renal e câncer de bexiga. O tratamento com praziquantel é eficaz e seguro, eliminando os vermes adultos e interrompendo o ciclo de transmissão.
Como funciona e qual sua importância no organismo
Para entender a esquistossomose urinária, é preciso conhecer o ciclo de vida do parasita. Tudo começa quando ovos do S. haematobium são eliminados na urina de pessoas infectadas. Se a urina entra em contato com água doce, os ovos eclodem e liberam larvas chamadas miracídios, que nadam até encontrar um caramujo do gênero Bulinus. Dentro do caramujo, os miracídios se multiplicam e se transformam em cercárias, que são liberadas na água. As cercárias são capazes de penetrar a pele humana em segundos – muitas vezes sem que a pessoa perceba. Uma vez dentro do corpo, as cercárias perdem a cauda e se tornam esquistossômulos, que migram pela corrente sanguínea até os pulmões e depois para o fígado, onde amadurecem em vermes adultos macho e fêmea. Os vermes adultos medem cerca de 1 a 2 cm e vivem acasalados dentro de vasos sanguíneos da parede da bexiga e dos ureteres. A fêmea produz centenas de ovos por dia, muitos dos quais atravessam a parede da bexiga e são eliminados na urina. No entanto, uma parte dos ovos fica retida nos tecidos, causando uma reação inflamatória intensa, com formação de granulomas, fibrose e cicatrizes. Com o tempo, isso leva ao espessamento da parede da bexiga, estreitamento dos ureteres e comprometimento da função renal. A importância clínica reside justamente nessa agressão crônica: a esquistossomose urinária é uma das principais causas de hematúria (sangue na urina) em regiões endêmicas, e está fortemente associada ao desenvolvimento de câncer de bexiga, principalmente do tipo carcinoma de células escamosas. Estudos indicam que a inflamação crônica induzida pelos ovos favorece mutações celulares. Além disso, a obstrução urinária pode levar a infecções repetidas, cálculos renais e, em casos avançados, insuficiência renal. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoces são essenciais não apenas para aliviar os sintomas, mas para prevenir sequelas permanentes.
Tipos e variações da esquistossomose
A esquistossomose não é uma doença única, mas um grupo de infecções causadas por diferentes espécies do gênero Schistosoma. As principais formas são:
- Esquistossomose intestinal (S. mansoni): comum no Brasil, afeta o fígado e o intestino, causando diarreia, dor abdominal e, em casos graves, hipertensão portal (barriga d’água).
- Esquistossomose urinária (S. haematobium): foco deste artigo, atinge a bexiga e o trato urinário.
- Esquistossomose intestinal e hepática asiática (S. japonicum): ocorre na Ásia (China, Filipinas, Indonésia), com sintomas semelhantes aos da mansônica, mas geralmente mais grave.
- Outras espécies: S. intercalatum (África Central), S. mekongi (Sudeste Asiático), entre outras, têm distribuição restrita.
É importante destacar que a esquistossomose urinária pode apresentar variações clínicas conforme a intensidade da infecção, o estado imunológico do paciente e a ocorrência de coinfecções (como malária ou HIV). Em crianças, a infecção costuma ser mais branda, mas o dano crônico pode se acumular ao longo dos anos. Além disso, a esquistossomose urinária pode se manifestar de forma aguda (síndrome de Katayama) cerca de 2 a 6 semanas após o contato, com febre, calafrios, tosse e erupções cutâneas – embora isso seja mais comum na esquistossomose intestinal. Na forma crônica, os sintomas urinários predominam. A classificação por gravidade (leve, moderada, grave) baseia-se na carga parasitária (quantidade de ovos na urina) e nas alterações estruturais observadas em exames de imagem, como ultrassonografia.
Causas e fatores de risco
A causa direta da esquistossomose urinária é a penetração de cercárias do Schistosoma haematobium na pele durante contato com água doce contaminada. No entanto, para que o ciclo se mantenha, são necessários fatores ambientais, sociais e comportamentais. Os principais fatores de risco incluem:
- Contato com águas contaminadas: banhos, lavagem de roupas, pesca, agricultura irrigada e recreação em rios, lagos ou açudes onde há caramujos Bulinus infectados.
- Falta de saneamento básico: ausência de banheiros e tratamento de esgoto faz com que a urina contaminada chegue aos corpos d’água, perpetuando o ciclo.
- Condições socioeconômicas: comunidades pobres com acesso limitado a água tratada e educação em saúde têm maior risco.
- Ocupação: agricultores, lavadeiras, pescadores e crianças que brincam em rios estão mais expostos.
- Idade: crianças e adolescentes são particularmente vulneráveis devido ao maior contato com água e ao sistema imunológico ainda em desenvolvimento.
- Migração e viagens: pessoas que viajam para áreas endêmicas sem proteção adequada podem se infectar.
O Brasil, embora não seja endêmico para S. haematobium, registra casos importados de africanos ou viajantes. Contudo, a presença de caramujos do gênero Bulinus em algumas regiões do Nordeste representa um potencial risco de estabelecimento do ciclo, caso haja introdução do parasita. Medidas de vigilância epidemiológica são fundamentais.
Sintomas e manifestações clínicas
Os sintomas da esquistossomose urinária variam conforme a fase da infecção. Na fase aguda (primeiras semanas), pode ocorrer uma reação alérgica à penetração das cercárias, com coceira e vermelhidão na pele (dermatite cercariana), que desaparece em dias. A síndrome de Katayama (febre, calafrios, dor de cabeça, tosse e dor abdominal) é mais comum na esquistossomose intestinal, mas também pode ocorrer na urinária, especialmente em não imunes. Já na fase crônica, que se desenvolve após meses ou anos, os sintomas urinários se tornam evidentes:
- Hematúria (sangue na urina): o sintoma mais característico. Pode ser microscópica (detectada apenas em exames) ou macroscópica (urina avermelhada). Geralmente ocorre no final da micção (hematúria terminal).
- Disúria (dor ou ardor ao urinar): sensação de queimação ou desconforto.
- Aumento da frequência urinária: vontade de urinar mais vezes, inclusive à noite.
- Dor lombar ou pélvica: geralmente leve a moderada, mas pode ser intensa se houver obstrução.
- Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.
- Infecções urinárias recorrentes: a inflamação crônica favorece a colonização bacteriana.
- Complicações tardias: fibrose da bexiga (diminuição da capacidade), hidronefrose (dilatação renal), insuficiência renal, e aumento do risco de câncer de bexiga, que pode se manifestar com hematúria persistente, perda de peso e dor óssea (metástases).
Em crianças, a infecção crônica pode causar anemia, atraso no crescimento e desenvolvimento cognitivo prejudicado. Mulheres grávidas com esquistossomose urinária têm maior risco de anemia e complicações obstétricas. É fundamental que qualquer pessoa com histórico de exposição a águas suspeitas e sintomas urinários procure avaliação médica.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da esquistossomose urinária baseia-se na combinação de história clínica, exames laboratoriais e de imagem. As principais etapas são:
- Anamnese: o médico pergunta sobre contato com água doce em áreas endêmicas, prática de banhos em rios, e sintomas urinários, especialmente hematúria.
- Exame de urina (EAS): a presença de ovos de S. haematobium na urina é o padrão-ouro. Os ovos têm um formato característico com espículo terminal. A coleta deve ser feita no período da manhã (maior concentração). O exame quantitativo (filtração ou sedimentação) permite estimar a carga parasitária.
- Exame de sangue: pode mostrar eosinofilia (aumento de eosinófilos) na fase aguda. Testes sorológicos (ELISA, imunofluorescência) detectam anticorpos, mas não diferenciam infecção atual de passada, sendo mais úteis em inquéritos epidemiológicos.
- Ultrassonografia do trato urinário: recomendada para avaliar lesões crônicas como espessamento da parede da bexiga, pólipos, cálculos, dilatação ureteral ou hidronefrose. É um exame não invasivo e muito informativo.
- Cistoscopia: realizada em casos suspeitos de câncer ou quando a ultrassonografia mostra lesões sugestivas. Permite visualizar a mucosa da bexiga e biopsiar áreas anormais.
- Exames moleculares (PCR): disponíveis em centros de pesquisa, podem detectar DNA do parasita na urina ou fezes, com alta sensibilidade e especificidade.
No Brasil, o diagnóstico é confirmado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e laboratórios de referência. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece exames gratuitos para casos suspeitos, especialmente em áreas endêmicas para S. mansoni, mas a suspeita de S. haematobium deve ser comunicada às autoridades sanitárias.
Tratamentos e abordagens terapêuticas
O tratamento da esquistossomose urinária é simples, eficaz e bem tolerado. A medicação de escolha é o praziquantel, um antiparasitário que paralisa e mata os vermes adultos. A dose usual é de 40 a 60 mg/kg, administrada em dose única oral. O medicamento age rapidamente, e a maioria dos pacientes apresenta melhora dos sintomas em dias. Efeitos colaterais são geralmente leves: dor abdominal, náuseas, tontura, urticária (devido à liberação de antígenos dos vermes mortos). Em infecções maciças, pode ser necessário repetir a dose após algumas semanas. O praziquantel está disponível na rede pública brasileira para tratamento da esquistossomose mansônica, e pode ser utilizado também para a urinária, conforme orientação médica. Além do praziquantel, outras abordagens incluem:
- Tratamento de complicações: se já houver hidronefrose ou infecção urinária associada, podem ser necessários antibióticos, drenagem urinária (cateter) ou cirurgia para desobstrução.
- Acompanhamento urológico: pacientes com lesões crônicas (fibrose, cálculos) devem ser monitorados periodicamente com ultrassonografia e exames de urina.
- Vacinação: não existe vacina disponível contra esquistossomose, mas pesquisas avançam. A prevenção ainda depende de medidas sanitárias e educação.
- Tratamento em massa: em áreas endêmicas, a OMS recomenda a administração periódica de praziquantel a populações de risco (quimioprofilaxia), mesmo sem diagnóstico individual, para reduzir a carga parasitária e a transmissão.
O prognóstico é excelente quando o tratamento é feito precocemente. Lesões avançadas podem não regredir completamente, mas a progressão é interrompida. O acompanhamento médico é essencial para prevenir recidivas (reinfecção) e complicações tardias.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da esquistossomose urinária envolve medidas individuais e coletivas. Para quem vive ou viaja para áreas endêmicas, as recomendações incluem:
- Evitar contato com água doce em rios, lagos ou açudes onde há caramujos e possível contaminação. Prefira água tratada ou fervida para banho e consumo.
- Usar roupas de proteção (botas, luvas) durante atividades ocupacionais em contato com água, como agricultura irrigada ou pesca.
- Aplicar repelentes à base de N,N-dietil-meta-toluamida (DEET) na pele exposta, que podem oferecer alguma proteção contra cercárias, embora a eficácia não seja total.
- Secar a pele vigorosamente com toalha após exposição acidental – as cercárias levam alguns segundos para penetrar, e a remoção mecânica pode reduzir o risco.
- Tratar a água para eliminar caramujos: medidas de saneamento como drenagem de criadouros, uso de moluscicidas (com cautela ambiental) e construção de banheiros com fossa séptica são ações coletivas importantes.
- Educação em saúde: comunidades devem ser informadas sobre o ciclo da doença, a importância de não urinar em águas naturais e de procurar tratamento ao primeiro sinal de sangue na urina.
- Vigilância epidemiológica: notificação de casos suspeitos às autoridades de saúde para investigação e medidas de controle focal.
No Brasil, a esquistossomose urinária é de notificação compulsória (Portaria de Consolidação nº 4/2017). O Ministério da Saúde mantém programas de controle para S. mansoni, que também podem ser acionados para focos de S. haematobium, com busca ativa de casos e tratamento dos infectados.
Quando procurar ajuda médica
Você deve procurar um médico se apresentar qualquer um dos seguintes sinais ou sintomas, especialmente se tiver histórico de viagem ou residência em áreas endêmicas:
- Presença de sangue na urina (hematúria), mesmo que apenas uma vez.
- Dor ou ardor ao urinar persistente.
- Aumento da frequência urinária ou urgência sem causa aparente.
- Dor na região lombar ou baixo ventre.
- Febre ou calafrios após contato com água doce em regiões suspeitas.
- Sensação de que algo não está bem no trato urinário.
- Infecções urinárias de repetição sem melhora com antibióticos convencionais.
O atendimento pode ser feito em unidades básicas de saúde (UBS), clínicas particulares ou serviços de infectologia. Na Clínica Popular Fortaleza, você encontra profissionais capacitados para realizar a avaliação inicial, solicitar os exames necessários e indicar o tratamento adequado. Não espere os sintomas piorarem: quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de cura sem sequelas.
- 01. Ao viajar para áreas rurais ou países africanos, evite nadar em rios, lagos ou açudes de água doce. Prefira piscinas tratadas ou banhos com água fervida/filtrada.
- 02. Se notar sangue na urina após retornar de uma viagem, informe o médico sobre o destino e a possibilidade de exposição a águas naturais – isso acelera o diagnóstico.
- 03. Mantenha sua caixa d’água sempre tampada e evite acúmulo de água parada onde caramujos possam se reproduzir (em áreas endêmicas).
- 04. Em atividades de pesca ou agricultura irrigada, use botas de borracha e luvas impermeáveis para reduzir o contato da pele com a água.
- 05. Ensine crianças a não urinar em rios ou lagos – a urina de pessoas infectadas contamina o ambiente e mantém o ciclo do parasita.
- 06. Após contato acidental com água suspeita, seque a pele com uma toalha limpa e aplique álcool 70% nas áreas expostas (pode ajudar a matar cercárias antes da penetração).
Perguntas Frequentes sobre esquistossomose devida ao Schistosoma haematobium (esquistossomose urinária)
O que exatamente é esquistossomose urinária?
É uma infecção parasitária causada pelo verme Schistosoma haematobium, que vive nas veias da bexiga e ureteres. Os ovos liberados pelo verme causam inflamação crônica, levando a sintomas como sangue na urina, dor e risco de câncer de bexiga. A transmissão ocorre pelo contato com água doce contaminada por caramujos infectados.
Como posso saber se estou com esquistossomose urinária?
O principal sintoma é sangue na urina (hematúria), que pode ser visível ou detectado apenas em exames. Outros sintomas incluem ardor ao urinar, aumento da frequência urinária e dor lombar. O diagnóstico é confirmado pelo exame de urina que identifica ovos do parasita. Se você tem esses sintomas e esteve em área de risco, procure um médico.
A esquistossomose urinária tem cura?
Sim, tem cura. O tratamento com praziquantel (comprimido em dose única) elimina os vermes adultos e interrompe a progressão da doença. Lesões crônicas avançadas podem não reverter totalmente, mas o tratamento evita complicações futuras. A reinfecção é possível se a pessoa voltar a ter contato com água contaminada.
Quanto tempo leva para os sintomas aparecerem após a infecção?
Os sintomas agudos (dermatite cercariana) podem surgir horas após o contato. A síndrome de Katayama (febre, tosse) ocorre entre 2 a 6 semanas. Já os sintomas urinários crônicos aparecem após meses ou anos, dependendo da carga parasitária e da resposta imunológica. Muitas pessoas ficam assintomáticas por longos períodos.
Posso pegar esquistossomose urinária no Brasil?
O Brasil é endêmico para Schistosoma mansoni (esquistossomose intestinal), mas S. haematobium não é nativo. No entanto, casos importados são diagnosticados em viajantes ou imigrantes. Há risco potencial de introdução do parasita em áreas onde existem caramujos do gênero Bulinus, principalmente no Nordeste. A vigilância sanitária monitora essa possibilidade.
A esquistossomose urinária é contagiosa entre pessoas?
Não, a doença não é transmitida diretamente de pessoa para pessoa. O ciclo exige que ovos eliminados na urina contaminem água doce e infectem caramujos, que depois liberam larvas que penetram a pele de outras pessoas. O contato casual, como aperto de mão ou compartilhar talheres, não transmite a doença.
Grávidas podem tomar praziquantel?
O praziquantel é contraindicado no primeiro trimestre de gravidez, a menos que o benefício supere os riscos. Em gestantes com esquistossomose urinária sintomática, o tratamento pode ser adiado para o segundo ou terceiro trimestre, sob supervisão médica. Sempre consulte o obstetra antes de qualquer medicação durante a gravidez.
Qual a diferença entre esquistossomose urinária e infecção urinária comum?
A infecção urinária comum é causada por bactérias (como Escherichia coli) e geralmente responde a antibióticos. A esquistossomose urinária é causada por um verme e não melhora com antibióticos. Os sintomas podem ser semelhantes, mas a presença de sangue na urina sem dor intensa e a história de contato com água doce levantam suspeita de esquistossomose. Exames de urina e cultura bacteriana ajudam a diferenciar.
Existe vacina contra esquistossomose?
Não, atualmente não há vacina licenciada para esquistossomose humana. Pesquisas estão em andamento, com alguns candidatos vacinais em fase de testes clínicos. A prevenção ainda depende de medidas sanitárias, evitar contato com água contaminada e tratamento precoce dos infectados.
O que fazer se eu suspeitar que meus filhos estão com esquistossomose?
Leve-os imediatamente a um pediatra ou infectologista. Crianças podem apresentar anemia, atraso no crescimento e dificuldades escolares devido à infecção crônica. O diagnóstico é simples e o tratamento seguro. Além disso, oriente as crianças a não brincar em rios ou açudes suspeitos e a usar calçados ao ar livre.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.
Leia mais em fontes confiáveis:
MedlinePlus – Esquistossomose (inglês/espanhol) |
BVS Saúde – Biblioteca Virtual em Saúde (português) |
MSD Manual – Esquistossomose
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