De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a gastroplastia endoscópica tem crescido mais de 40% ao ano desde 2023, e estima‑se que em 2026 mais de 15 mil procedimentos sejam realizados no Brasil, consolidando‑se como a técnica menos invasiva para perda de peso em pacientes com índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 40 kg/m².
Introdução
Você já se perguntou se existe uma forma eficaz de perder peso sem passar por uma cirurgia invasiva? A gastroplastia endoscópica surge como uma resposta moderna a essa dúvida. Milhares de brasileiros convivem com a obesidade e tentam dietas, medicamentos e exercícios, mas nem sempre conseguem resultados duradouros. Esse procedimento minimamente invasivo reduz o tamanho do estômago por via oral, sem cortes na pele. Neste artigo, você entenderá como funciona, quem pode se beneficiar, quais os cuidados necessários e o que esperar após a realização. Tudo explicado de forma clara e acessível para que você tome decisões informadas com sua equipe médica.
- O que é: Técnica endoscópica que reduz o volume do estômago promovendo saciedade precoce
- Quando ocorre: Indicada para obesidade grau I (IMC 30-34,9) e grau II (35-39,9) sem comorbidades graves ou como ponte para cirurgia
- Quem trata: Gastroenterologista ou cirurgião bariátrico com treinamento específico em endoscopia intervencionista
- Urgência: Baixa; o procedimento não é emergencial, mas deve ser realizado com planejamento multidisciplinar
- Tratamento: Redução gástrica via endoscopia com sutura ou plicatura, seguida de acompanhamento nutricional e psicológico
Marcos, 42 anos, professor, sempre lutou contra o excesso de peso. Com 1,72 m e 98 kg (IMC 33,2), ele já tentou dietas da moda, jejuns e até medicamentos fitoterápicos, mas recuperava tudo em poucos meses. Preocupado com a saúde, procurou um gastroenterologista que sugeriu a gastroplastia endoscópica após descartar causas hormonais. Marcos realizou o procedimento em regime ambulatorial, com sedação leve, e em 45 minutos o estômago foi remodelado por suturas internas. Na primeira semana, sentiu saciedade com porções menores; em seis meses perdeu 22 kg, mantendo o peso com reeducação alimentar e apoio psicológico. Hoje ele caminha 30 minutos diários e relata mais disposição e autoestima.
O que é gastroplastia endoscópica e quando é indicada?
A gastroplastia endoscópica é um procedimento minimamente invasivo que reduz o volume do estômago utilizando um endoscópio flexível introduzido pela boca. Diferente da cirurgia bariátrica convencional (como o sleeve gástrico ou bypass), não há cortes na pele, pontos externos nem cicatrizes. Por meio de suturas internas ou plicatura, o médico cria uma “manga” ou compartimento menor no estômago, limitando a quantidade de alimento que a pessoa consegue ingerir e promovendo saciedade mais rápida.
A indicação principal é para adultos com obesidade grau I (IMC entre 30 e 34,9 kg/m²) ou grau II (IMC 35-39,9 kg/m²) que não obtiveram sucesso com tratamento clínico convencional (dieta, atividade física e medicamentos) por pelo menos um ano. Também pode ser usada como estratégia “ponte” para pacientes com obesidade grave que precisam perder peso antes de uma cirurgia bariátrica de maior porte, reduzindo riscos anestésicos e cirúrgicos. Estudos recentes mostram que a perda de peso média em 12 meses varia de 15% a 25% do peso total, com baixa taxa de complicações graves.
É fundamental que o paciente esteja motivado a mudar hábitos alimentares e seja acompanhado por equipe multidisciplinar: médico, nutricionista e psicólogo. A gastroplastia endoscópica não substitui uma alimentação equilibrada nem a prática regular de exercícios; ela é uma ferramenta que potencializa os resultados quando combinada com estilo de vida saudável.
Como o procedimento é realizado
O procedimento é realizado em ambiente hospitalar ou clínica especializada, sob sedação profunda ou anestesia geral, sempre com monitorização cardíaca e respiratória. O paciente permanece deitado de lado esquerdo (decúbito lateral esquerdo) para facilitar a passagem do endoscópio. O médico insere o aparelho pela boca, atravessa o esôfago e chega ao estômago. Utilizando uma câmera de alta definição, ele visualiza a parede gástrica em detalhes.
Existem duas técnicas principais: a sutura endoscópica (com dispositivos como Apollo OverStitch ou similares) e a plicatura (dobragem da parede do estômago com grampos ou suturas). Na sutura, pontos internos são dados na curvatura maior do estômago, reduzindo seu diâmetro e criando um canal estreito semelhante a um “sleeve”. Na plicatura, o tecido é dobrado e fixado, também diminuindo o volume. O tempo médio é de 40 a 60 minutos.
Durante todo o procedimento, o paciente não sente dor devido à sedação. Ao final, o endoscópio é retirado e o paciente é encaminhado para a sala de recuperação. Não há cicatrizes externas. A alta ocorre no mesmo dia ou no dia seguinte, dependendo da avaliação médica.
Preparo e cuidados antes do procedimento
O preparo começa com consulta médica detalhada e exames pré‑operatórios: hemograma, coagulograma, eletrocardiograma, exames de função hepática e renal, além de endoscopia digestiva alta para avaliar anatomicamente o estômago e descartar lesões. O candidato deve suspender anticoagulantes e antiagregantes plaquetários (como aspirina, clopidogrel, varfarina) com orientação médica, geralmente 5 a 7 dias antes.
Dieta líquida ou pastosa é recomendada nos 2‑3 dias que antecedem o procedimento para esvaziar o estômago e reduzir secreções. Jejum absoluto de 8‑10 horas no dia anterior. É proibido fumar por pelo menos 24 horas, pois o tabaco dificulta a cicatrização e aumenta riscos respiratórios. O paciente deve organizar um acompanhante para levá‑lo de volta, já que não poderá dirigir após a sedação.
Também é essencial alinhar expectativas: discutir com o médico a real perda de peso esperada, possíveis efeitos colaterais e a necessidade de mudanças comportamentais. O preparo psicológico é tão importante quanto o físico; muitos serviços incluem consulta com psicólogo para trabalhar a relação com a comida antes do procedimento.
O que esperar durante o procedimento
Assim que a sedação faz efeito, o paciente adormece e não percebe o avanço do endoscópio. A equipe médica monitora continuamente os batimentos cardíacos, a pressão arterial e a saturação de oxigênio. A sensação de ter um corpo estranho na garganta é eliminada pelo sedativo. Pequenos movimentos de tosse ou engasgo podem ocorrer, mas são manejados pela equipe.
O cirurgião ou gastroenterologista injeta gás carbônico (CO₂) para insuflar o estômago e visualizar melhor o campo. Esse gás é rapidamente absorvido e eliminado, causando menos desconforto que o ar ambiente. As suturas são feitas com agulhas especiais que passam pelo canal do endoscópio. O paciente não sente qualquer dor.
Após a conclusão, o despertar é gradual na sala de recuperação. Algumas pessoas relatam dor de garganta leve, gases intestinais ou náusea, que melhoram em poucas horas. A maioria retorna para casa no mesmo dia, após avaliação de que não há sangramento ativo, sinais de perfuração ou reações adversas à sedação.
Recuperação e cuidados pós‑procedimento
Nas primeiras 24‑48 horas, a recomendação é repouso relativo e dieta líquida (água, chás, caldos coados, sucos sem polpa). Evite bebidas muito quentes ou geladas, pois podem irritar a mucosa gástrica. O uso de analgésicos comuns (paracetamol) é suficiente na maioria dos casos; anti‑inflamatórios não esteroidais são contraindicados por risco de sangramento.
Entre o 3º e 7º dia, a dieta evolui para pastosa (purês, iogurtes, mingaus, sopas batidas). As refeições devem ser fracionadas em 5‑6 porções pequenas ao dia. A mastigação lenta e consciente é fundamental. A partir da segunda semana, introduz‑se alimentos sólidos leves, sempre com proteínas magras (frango desfiado, peixe, ovos).
O acompanhamento ambulatorial com nutricionista é indispensável para evitar deficiências nutricionais, como de vitamina B12, ferro e cálcio. A suplementação pode ser necessária. O retorno ao trabalho (atividades sedentárias) ocorre em 3‑5 dias; atividades físicas leves (caminhada) podem ser retomadas após uma semana, sempre com liberação médica.
Resultados satisfatórios dependem da adesão às orientações. A maioria dos pacientes perde peso de forma progressiva nos primeiros 6‑12 meses. A recuperação completa da capacidade gástrica original é possível com o tempo, mas a reeducação alimentar ajuda a manter a perda.
Riscos e complicações possíveis
Embora seguro quando realizado por equipe experiente, o procedimento não é isento de riscos. As complicações mais comuns são dor abdominal transitória, náuseas e distensão abdominal por gases, que cedem espontaneamente. Sangramento leve no local da sutura ocorre em até 2% dos casos e geralmente para sem intervenção.
Complicações mais sérias, embora raras (menos de 1%), incluem perfuração gástrica (necessitando cirurgia corretiva), infecção intra‑abdominal, embolia gasosa ou reação adversa à sedação. A deiscência de suturas (rompimento dos pontos) pode levar à perda de eficácia e necessidade de repetição do procedimento.
Fatores que aumentam o risco: tabagismo, diabetes descontrolada, obesidade mórbida (IMC acima de 40), uso crônico de corticosteroides e má adesão às recomendações dietéticas. Por isso, a seleção criteriosa dos candidatos e o preparo adequado são cruciais. O paciente deve ser informado sobre todos os riscos antes de consentir.
Alternativas ao procedimento
Nem todos os pacientes são candidatos ideais à gastroplastia endoscópica. Existem opções que devem ser discutidas com o médico:
- Tratamento clínico intensivo: Dieta personalizada com nutricionista, acompanhamento psicológico e medicamentos aprovados (sibutramina, liraglutida, orlistate). Indicado para IMC entre 25 e 29,9 ou quando o paciente não deseja procedimentos.
- Balão intragástrico: Um balão endoscópico preenchido com soro fisiológico que ocupa volume no estômago por 6‑12 meses. Menos invasivo que a gastroplastia, porém a perda de peso é menor e pode haver refluxo, náuseas ou vômitos persistentes.
- Sleeve gástrico cirúrgico (gastrectomia vertical): Cirurgia laparoscópica que remove parte do estômago, resultando em perda de peso maior (30‑40% do peso total). Indicado para IMC acima de 40 ou 35 com comorbidades. Maior risco cirúrgico e irreversível.
- Bypass gástrico (Fobi‑Capella): Cirurgia que além de reduzir o estômago, desvia parte do intestino, promovendo perda de peso significativa e melhora de doenças metabólicas. Exige anestesia geral e internação de 2‑3 dias.
- Derivação biliopancreática: Técnica mais complexa, reservada para casos de obesidade mórbida refratária.
A escolha da melhor alternativa depende do perfil do paciente, comorbidades, expectativas e disponibilidade de serviços.
Resultado e o que ele indica
O resultado imediato é a redução funcional do estômago. Clinicamente, o paciente experimenta saciedade com refeições muito menores. A perda de peso média esperada é de 15% a 25% do peso corporal total em 12 meses, sendo mais acentuada nos primeiros 6 meses. Isso corresponde a uma redução de IMC de 3 a 6 pontos, suficiente para reclassificar o grau de obesidade.
Além da perda de peso, muitos pacientes relatam melhora em condições associadas: refluxo gastroesofágico, hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e apneia obstrutiva do sono. A qualidade de vida, autoestima e capacidade funcional aumentam significativamente.
O resultado duradouro depende diretamente da manutenção de hábitos saudáveis. Estima‑se que aproximadamente 20% dos pacientes possam ter recuperação de peso ao longo de 2‑3 anos, principalmente se abandonam a reeducação alimentar. O acompanhamento periódico (consultas trimestrais no primeiro ano, semestrais depois) ajuda a monitorar e corrigir desvios precocemente.
Quando é urgente procurar médico
Após a gastroplastia endoscópica, alguns sinais merecem atenção imediata:
- Dor abdominal intensa e persistente, que não melhora com analgésicos comuns
- Febre acima de 38°C, calafrios ou taquicardia
- Vômitos repetidos, especialmente com sangue (vermelho ou escuro) ou aspecto de borra de café
- Sangramento retal ou fezes escuras e pastosas (melena)
- Dificuldade para engolir líquidos (disfagia) que persiste por mais de 12 horas
- Inchaço abdominal progressivo, associado a gases excessivos e dor
- Falta de ar ou cansaço inexplicado
Qualquer um desses sintomas pode indicar perfuração, sangramento ativo ou infecção. Procure o serviço onde realizou o procedimento ou uma emergência hospitalar. Nunca espere para ver se melhora sozinho.
- 01. Mastigue muito bem os alimentos: A saciedade vem mais rápido quando o cérebro recebe o sinal de que você comeu. Cada garfada precisa ser mastigada de 20 a 30 vezes.
- 02. Use pratos menores: Troque o prato de jantar por um de sobremesa. Isso engana o cérebro e ajuda a controlar a quantidade sem sofrimento.
- 03. Beba água longe das refeições: Líquidos durante a refeição esticam o estômago e reduzem a sensação de plenitude. Deixe para beber 30 minutos antes ou 2 horas depois.
- 04. Registre tudo que come: Um diário alimentar (físico ou aplicativo) aumenta a consciência e evita beliscos inconscientes. Mostre ao nutricionista nas consultas.
- 05. Durma bem e gerencie o estresse: Noites mal dormidas alteram hormônios da fome (grelina e leptina). Pratique meditação ou técnicas de relaxamento para evitar comer por ansiedade.
- 06. Não pule refeições: Ficar longos períodos sem comer provoca hipoglicemia e compulsão na refeição seguinte. Mantenha 5-6 pequenas refeições diárias.
Perguntas Frequentes sobre gastroplastia endoscópica
1. A gastroplastia endoscópica é reversível?
Sim, ao contrário da cirurgia bariátrica convencional, a gastroplastia endoscópica é considerada reversível. Com o tempo, as suturas podem se desfazer naturalmente ou podem ser removidas por novo procedimento endoscópico, restaurando o formato original do estômago. No entanto, a reversão deve ser avaliada caso a caso e não é um processo trivial.
2. Quanto tempo dura o procedimento?
Em média, a gastroplastia endoscópica leva entre 40 e 60 minutos. Esse tempo pode variar conforme a técnica utilizada (sutura ou plicatura) e a complexidade anatômica de cada paciente. O período de recuperação na sala de observação é de aproximadamente 2 a 4 horas.
3. A gastroplastia endoscópica dói?
Durante o procedimento, o paciente está sob sedação e não sente dor. Após o término, pode haver desconforto leve na garganta (devido ao endoscópio) e sensação de distensão abdominal por gases. Esse desconforto geralmente desaparece em 24 horas e é facilmente controlado com analgésicos comuns.
4. Quem não pode fazer esse procedimento?
Pessoas com IMC acima de 50 kg/m² (obesidade mórbida extrema), gestantes, pacientes com doença inflamatória intestinal ativa, coagulopatia grave, insuficiência hepática, tumores gástricos, ou que fazem uso de anticoagulantes sem possibilidade de suspensão não são candidatas. Além disso, é necessário que o paciente tenha compromisso com mudanças de estilo de vida.
5. Qual a diferença entre gastroplastia endoscópica e balão intragástrico?
O balão intragástrico ocupa espaço no estômago por meio de um dispositivo inflado, enquanto a gastroplastia endoscópica reduz o próprio volume do estômago com suturas. O balão é retirado após 6‑12 meses e a perda de peso é geralmente menor. A gastroplastia tende a ser mais eficaz em médio prazo, mas ambos exigem acompanhamento multidisciplinar.
6. Preciso tomar suplementos vitamínicos após o procedimento?
Sim, muitos pacientes desenvolvem intolerância a certos alimentos e podem ter baixa ingestão de micronutrientes. É comum recomendar suplementação de vitamina B12, ferro, cálcio e vitamina D, especialmente nos primeiros meses. O nutricionista ajustará a necessidade individual.
7. A gastroplastia endoscópica é coberta pelos planos de saúde?
Depende do contrato e da cobertura. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) inclui a gastroplastia endoscópica no rol de procedimentos desde 2022, mas cada operadora pode exigir autorização prévia, cumprimento de carência e critérios específicos (como falha do tratamento clínico por 1 ano). Consulte seu plano antes de agendar.
8. Quantos quilos posso perder com esse método?
Os estudos indicam perda média de 15% a 25% do peso corporal total em 12 meses. Por exemplo, uma pessoa de 100 kg pode perder entre 15 e 25 kg. Os resultados variam conforme adesão à dieta, atividade física e metabolismo individual. Alguns atingem 30% ou mais.
9. É possível engordar novamente após a gastroplastia endoscópica?
Sim, se o paciente não mantiver hábitos alimentares saudáveis e atividade física, pode ocorrer recuperação do peso perdido. A técnica reduz o estômago, mas não impede que uma alimentação exagerada o estique novamente com o tempo. O acompanhamento por equipe multidisciplinar é essencial para sustentar o resultado.
10. Como escolher um médico ou clínica para realizar o procedimento?
Procure profissionais com certificação em endoscopia digestiva e treinamento específico em sutura endoscópica. Verifique se a clínica ou hospital possui estrutura para emergências, suporte anestésico e equipe multidisciplinar. Busque referências, leia avaliações e não hesite em pedir informações sobre a experiência do médico (número de procedimentos realizados e taxas de complicações).
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.
Leia mais em fontes confiáveis:
MedlinePlus – Bariatric surgery e
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).
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