Índice
Introdução
Você acorda com espirros, coriza e coceira nos olhos — cena comum para quem sofre com alergias. Seja por pólen, poeira, pelos de animais ou alimentos, as reações alérgicas podem atrapalhar o dia a dia e até evoluir para quadros graves. Felizmente, existem diversos medicamentos que aliviam esses sintomas. Neste artigo, você vai conhecer os principais tipos de antialérgicos, seus efeitos, como usá‑los com segurança e o que perguntar ao seu médico antes de iniciar qualquer tratamento.
Ficha Técnica — Anti‑histamínico de Segunda Geração (Loratadina)
Caso Prático — Paciente Fictício
Joana, 34 anos, professora. Há três primaveras apresenta espirros em salva, obstrução nasal e olhos lacrimejantes ao entrar em contato com gramíneas. Ela comprou por conta própria um anti‑histamínico de primeira geração (dexclorfeniramina) e sentiu muito sonolência, prejudicando o trabalho. Após consulta médica, foi orientada a usar loratadina 10 mg uma vez ao dia. Em três dias os sintomas reduziram 80% e ela não teve mais sonolência. O caso mostra a importância de escolher o tipo certo de antialérgico e da orientação profissional para evitar efeitos indesejados.
Para que serve Medicamento – Medicamentos para Alergias: Tipos e Indicações Oficiais
Os medicamentos para alergias são indicados principalmente para o alívio e controle dos sintomas de reações alérgicas mediadas por histamina. As indicações oficiais aprovadas pela ANVISA incluem:
- Rinite alérgica sazonal e perene: espirros, coriza, prurido nasal e congestão.
- Conjuntivite alérgica: olhos vermelhos, lacrimejantes e coceira.
- Urticária (crônica e aguda): placas avermelhadas e coceira na pele.
- Dermatite de contato e eczemas alérgicos: como adjuvante no controle do prurido.
- Alergias a medicamentos ou alimentos: controle de sintomas leves (em conjunto com medidas de emergência).
- Prevenção de reações alérgicas: em alguns casos, uso antes de exposição conhecida a alérgenos.
Além dos anti‑histamínicos, outras classes são empregadas: descongestionantes nasais (ex.: oximetazolina) para obstrução nasal de curto prazo; corticoides nasais e tópicos (ex.: budesonida, mometasona) para controle inflamatório crônico; estabilizadores de mastócitos (ex.: cromoglicato dissódico) para prevenção; e antileucotrienos (ex.: montelucaste) indicados principalmente na asma alérgica e rinite. É fundamental que o tratamento seja individualizado, pois cada tipo de alergia e cada paciente responde de forma diferente. O uso indiscriminado pode mascarar doenças mais graves ou provocar efeitos adversos.
Como tomar — Dosagem e Administração
A posologia varia conforme o princípio ativo e a apresentação. Tomemos como exemplo o anti‑histamínico mais comum, a loratadina:
- Adultos e crianças acima de 12 anos: 10 mg (1 comprimido) uma vez ao dia, com ou sem alimentos.
- Crianças de 2 a 12 anos: peso < 30 kg: 5 mg (meio comprimido ou 5 mL de xarope) uma vez ao dia; peso ≥ 30 kg: 10 mg uma vez ao dia.
- Idosos ou pacientes com insuficiência hepática/renal: ajuste de dose pode ser necessário (consultar bula).
Para corticoides nasais, recomenda‑se 1 a 2 borrifadas em cada narina, 1 a 2 vezes ao dia. A limpeza nasal com soro fisiológico antes da aplicação melhora a absorção. Descongestionantes nasais não devem ser usados por mais de 3 a 5 dias consecutivos para evitar rinite medicamentosa. Já os antileucotrienos (montelucaste) são administrados 1 vez ao dia, à noite, independente das refeições. A duração do tratamento deve ser definida pelo médico; para alergias sazonais, costuma‑se usar durante todo o período de exposição.
Efeitos Colaterais
Embora bem tolerados, os medicamentos para alergias podem causar reações adversas. Os anti‑histamínicos de segunda geração (como loratadina, cetirizina, fexofenadina) apresentam baixo risco de sonolência, mas podem ocasionalmente provocar:
- cefaleia, boca seca, tontura leve;
- fadiga, náusea, desconforto abdominal;
- reações cutâneas (rash, urticária) – raras.
Já os anti‑histamínicos de primeira geração têm taxas elevadas de sonolência (30‑50%), podendo também causar retenção urinária, visão turva e confusão mental, especialmente em idosos. Corticoides nasais podem provocar irritação local, sangramento nasal leve e, em uso prolongado em altas doses, efeitos sistêmicos (raro). Descongestionantes orais (como pseudoefedrina) podem elevar a pressão arterial, causar insônia, taquicardia e nervosismo. É essencial relatar ao médico qualquer reação persistente.
Contraindicações e Quem Não Deve Usar
Cada classe tem suas contraindicações específicas. De forma geral, contraindicam‑se:
- Anti‑histamínicos: hipersensibilidade ao princípio ativo; insuficiência hepática grave (alguns requerem ajuste); não recomendados para recém‑nascidos prematuros.
- Descongestionantes (pseudoefedrina): hipertensão arterial não controlada, doença cardiovascular grave, hipertireoidismo, glaucoma de ângulo fechado, retenção urinária.
- Corticoides nasais: infecções fúngicas nasais não tratadas, tuberculose ativa, lesões ulceradas na mucosa.
- Montelucaste: hipersensibilidade; cuidado com pacientes asmáticos com fenilcetonúria (comprimidos mastigáveis contêm fenilalanina).
- Gravidez e lactação: muitos antialérgicos são liberados apenas mediante avaliação médica. Evitar automedicação.
Crianças menores de 2 anos, idosos frágeis e pacientes com múltiplas comorbidades devem ser avaliados individualmente. Nunca compartilhe medicamentos prescritos para outra pessoa.
Interações Medicamentosas
As interações podem aumentar o risco de efeitos adversos ou reduzir a eficácia. As principais são:
- Anti‑histamínicos + depressores do SNC (álcool, benzodiazepínicos, opioides): sonolência excessiva e prejuízo psicomotor.
- Loratadina + cetoconazol, eritromicina, cimetidina: podem elevar os níveis plasmáticos de loratadina (monitorar).
- Descongestionantes + IMAOs (inibidores da monoaminoxidase): risco de crise hipertensiva – intervalo mínimo de 14 dias.
- Corticoides nasais + outros corticoides sistêmicos: potencialização de efeitos sistêmicos.
- Antiácidos contendo alumínio e magnésio: podem reduzir a absorção de alguns anti‑histamínicos; espaçar 2 horas.
- Montelucaste + fenobarbital ou rifampicina: redução dos níveis de montelucaste (ajuste de dose pode ser necessário).
Sempre informe seu médico sobre todos os medicamentos que você usa, inclusive fitoterápicos e suplementos.
Preço e Genérico Disponível
Os medicamentos para alergias são amplamente encontrados no mercado brasileiro na forma de genéricos, o que reduz significativamente o custo. Exemplo: a loratadina 10 mg (30 comprimidos) pode ser encontrada de R$ 8 a R$ 25 (genérico) contra até R$ 40 da marca referência. A cetirizina genérica custa em média R$ 10‑20. Os descongestionantes nasais (como oximetazolina) variam de R$ 12 a R$ 30. Já os corticoides nasais de prescrição (ex.: mometasona) ficam entre R$ 40 e R$ 80 (genérico). Nas farmácias populares credenciadas, alguns itens podem ter desconto. Consulte sempre o farmacêutico sobre a disponibilidade do genérico.
O que Perguntar ao Médico Antes de Usar
Antes de iniciar qualquer tratamento para alergia, faça estas perguntas ao seu médico:
- Qual é exatamente o tipo de alergia que eu tenho? Preciso de exames para identificar o alérgeno?
- Qual classe de medicamento é mais indicada para meu caso? Há opções que não causam sonolência?
- Por quanto tempo devo usar o medicamento? Posso usar somente quando os sintomas aparecem ou preciso de uso contínuo?
- Quais efeitos colaterais devo monitorar? Em que situação devo procurar o pronto‑socorro?
- O medicamento interage com outros remédios que já tomo (incluindo anticoncepcionais, anti‑inflamatórios ou fitoterápicos)?
- Posso usar durante a gravidez ou amamentação? Qual a alternativa mais segura?
- Existe versão genérica? O plano de saúde cobre esse tratamento?
- Identifique o gatilho: anote quando e onde os sintomas aparecem. Isso ajuda o médico a escolher o melhor tratamento.
- Lave o nariz com soro: antes de usar spray nasal, limpe as narinas para melhor absorção e redução de irritação.
- Não use descongestionante nasal por mais de 5 dias: o uso prolongado causa efeito rebote e rinite medicamentosa.
- Prefira anti‑histamínicos de segunda geração se precisar dirigir ou trabalhar: eles causam menos sedação.
- Mantenha a casa arejada e use capas antialérgicas em colchões e travesseiros: reduz a exposição a ácaros.
- Consulte um farmacêutico clínico: ele pode orientar sobre a forma farmacêutica mais adequada (comprimido, xarope, spray).
- Não duplique a dose se esquecer: tome assim que lembrar, mas se estiver próximo do próximo horário, pule a esquecida.
Perguntas Frequentes
Posso tomar anti‑histamínico todos os dias?
Sim, desde que sob orientação médica. Para rinite crônica, o uso contínuo é seguro com os de segunda geração. Avalie periodicamente a necessidade.
Qual a diferença entre anti‑histamínico de primeira e segunda geração?
Os de primeira geração (ex.: dexclorfeniramina) atravessam a barreira hematoencefálica e causam muito sono. Os de segunda geração (loratadina, cetirizina) têm baixa penetração no SNC e causam menos sedação.
Crianças podem usar loratadina?
Sim, a partir dos 2 anos, nas doses ajustadas ao peso. Sempre consulte o pediatra antes de administrar.
Anti‑histamínico corta o efeito de vacinas?
Não há evidência de interferência significativa com vacinas inativadas. No entanto, informe seu médico se estiver usando antialérgicos no dia da vacinação.
Gestante pode usar loratadina?
É considerada de risco B (estudos animais não mostraram risco fetal, mas não há estudos controlados em humanos). Deve ser usada apenas se o benefício superar o risco, sob prescrição médica.
O que fazer em caso de overdose?
Procure imediatamente o pronto‑socorro. Os sintomas podem incluir sonolência intensa, taquicardia, agitação. Leve a embalagem do medicamento.
Posso usar álcool enquanto tomo antialérgico?
Evite, especialmente com anti‑histamínicos de primeira geração, pois potencializa a sonolência. Com os de segunda geração, o risco é menor, mas a prudência recomenda moderação.
Existe medicamento para alergia que não precise de receita?
Sim, muitos anti‑histamínicos de segunda geração (loratadina, cetirizina, fexofenadina) e descongestionantes nasais tópicos são isentos de prescrição. Mesmo assim, oriente‑se com um farmacêutico.
Revisão Médica e Fontes
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em bulas oficiais ANVISA, bula.med.br, anvisa.gov.br, MedlinePlus, Hospital Israelita Albert Einstein e MSD Saúde. Protocolos do Ministério da Saúde do Brasil (2025‑2026).
Última atualização: 30/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você agenda uma consulta com especialistas que explicam seu tratamento, ajustam doses e orientam o uso correto dos medicamentos.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a bula do medicamento, orientação médica ou farmacêutica. Nunca use medicamentos sem prescrição ou orientação de um profissional de saúde habilitado.
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