Estima‑se que cerca de 10% a 24% das mulheres em idade reprodutiva apresentem pólipos endometriais (corpo do útero), sendo a maioria benigna. Em 2025, a Sociedade Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior destacou que o diagnóstico precoce reduz em até 40% a necessidade de procedimentos invasivos futuros.
Você sente um sangramento irregular ou cólicas fora do comum e não sabe o que pode ser?
Muitas mulheres passam por alterações no ciclo menstrual e logo imaginam o pior. Mas condições como o pólipo do corpo do útero (CID N84.0) são frequentes e, na maioria das vezes, benignas. Este artigo explica de forma clara e objetiva o que é um pólipo uterino, por que ele surge, quais sintomas provoca e como é feito o tratamento. O objetivo é ajudar você a entender o diagnóstico e saber quando procurar ajuda médica. Tudo com linguagem acessível, baseada em evidências científicas atuais.
- O que é: Crescimento anormal, geralmente benigno, do endométrio (revestimento interno do útero).
- Quando ocorre: Mais comum em mulheres entre 40 e 50 anos, mas pode surgir em qualquer idade fértil.
- Quem trata: Ginecologista; em casos complexos, cirurgião ginecológico.
- Urgência: Baixa na maioria dos casos; moderada se houver sangramento intenso ou dor aguda.
- Tratamento: Remoção por histeroscopia cirúrgica (polipectomia) ou acompanhamento clínico.
Maria, 45 anos, secretária, notou há três meses sangramentos irregulares entre as menstruações e um fluxo mais intenso durante o período menstrual. Ela também sentia cólicas leves na parte inferior do abdômen. Preocupada, agendou uma consulta com a ginecologista. Após ultrassom transvaginal e histerossonografia, foi identificado um pólipo de 1,5 cm no corpo do útero. A médica explicou que o pólipo era benigno e recomendou a retirada por histeroscopia ambulatorial. Maria realizou o procedimento em menos de 30 minutos, com anestesia local, e retornou ao trabalho no dia seguinte. O sangramento irregular desapareceu completamente, e o exame anatomopatológico confirmou pólipo endometrial benigno. Maria hoje faz acompanhamento anual e não teve recorrência.
O que é N84.0 – Pólipo do corpo do útero e como se manifesta
O código N84.0 pertence à Classificação Internacional de Doenças (CID‑11) e designa especificamente o pólipo do corpo do útero, também chamado de pólipo endometrial. Trata‑se de uma projeção localizada do tecido que reveste internamente o útero (endométrio), podendo ter tamanho variável – desde poucos milímetros até vários centímetros. Embora a maioria seja benigna, é essencial o diagnóstico correto para descartar malignidade.
Os pólipos podem ser únicos ou múltiplos. Na prática clínica, muitos são assintomáticos e descobertos incidentalmente em exames de imagem ou durante investigação de infertilidade. Quando causam sintomas, o mais comum é o sangramento uterino anormal: menstruação prolongada, fluxo aumentado, sangramento entre ciclos ou após a menopausa. Cólicas e dor pélvica também podem ocorrer, especialmente quando o pólipo é maior ou sofre torção. Em alguns casos, há relação com infertilidade, pois o pólipo pode interferir na implantação do embrião. A manifestação clínica depende diretamente do tamanho, localização e quantidade de pólipos. Por isso, qualquer alteração no padrão menstrual merece avaliação ginecológica.
Causas mais comuns
As causas exatas dos pólipos endometriais ainda não são completamente compreendidas, mas existem fatores bem estabelecidos que aumentam o risco. O principal deles é o desequilíbrio hormonal, especialmente o excesso de estrogênio em relação à progesterona. Esse estímulo estrogênico prolongado leva ao crescimento excessivo do endométrio, formando projeções localizadas.
Outros fatores associados:
- Idade: mais frequente entre os 40 e 50 anos, mas pode aparecer em mulheres mais jovens, principalmente naquelas com síndrome dos ovários policísticos (SOP) ou obesidade.
- Obesidade: o tecido adiposo converte androgênios em estrogênios, elevando o nível hormonal.
- Uso de tamoxifeno: medicamento usado no tratamento de câncer de mama pode estimular o crescimento endometrial.
- Terapia de reposição hormonal (TRH) com estrogênio isolado.
- Hipertensão arterial – estudos mostram correlação, embora o mecanismo não esteja totalmente claro.
- Inflamação crônica do endométrio (endometrite crônica) também pode predispor à formação de pólipos.
Na maioria dos casos, não há uma causa única identificável; acredita‑se que a combinação de suscetibilidade genética e exposição hormonal seja a base do desenvolvimento.
Causas graves que exigem atenção imediata
Embora a imensa maioria dos pólipos do corpo do útero seja benigna, existe um pequeno risco (cerca de 1% a 3%) de transformação maligna, especialmente em mulheres na pós‑menopausa, com pólipos maiores que 1,5 cm, ou com sangramento pós‑menopausa. A hiperplasia endometrial atípica – lesão pré‑cancerosa – pode se assemelhar a um pólipo. Por isso, todo material retirado deve ser analisado por patologista.
Sinais de alerta que exigem investigação urgente:
- Sangramento vaginal após a menopausa.
- Sangramento muito intenso que molha absorvente a cada hora.
- Dor pélvica aguda e persistente, especialmente se acompanhada de febre.
- Crescimento rápido do pólipo em exames sequenciais.
- Aspecto irregular ou vascularização anormal ao ultrassom com Doppler.
Nesses cenários, o médico solicitará biópsia ou remoção cirúrgica para análise anatomopatológica. O câncer de endométrio, principal diagnóstico diferencial, tem tratamento eficaz quando detectado precocemente.
Como o médico faz o diagnóstico
O diagnóstico do pólipo do corpo do útero segue uma sequência racional, começando pela história clínica e exame físico. O ginecologista pergunta sobre o padrão menstrual, sangramentos anormais, dores e fatores de risco. Em seguida, o exame especular e toque vaginal podem identificar alterações, mas a confirmação depende de imagem.
O exame mais utilizado é aultrassonografia transvaginal, que permite visualizar o endométrio e identificar formações hiperecogênicas (mais claras) dentro da cavidade uterina. Ahisterossonografia (infusão de soro fisiológico no útero durante o ultrassom) aumenta a acurácia, distinguindo pólipos de miomas ou espessamento difuso.
O padrão‑ouro é ahisteroscopia diagnóstica, que introduz uma microcâmera no útero e permite visualizar diretamente o pólipo, sua base e vascularização. Durante o mesmo procedimento, é possível realizar a biópsia ou a retirada total (polipectomia). A análise do tecido removido (anatomopatológico) é indispensável para confirmar a natureza benigna ou detectar atipias.
Em mulheres na pós‑menopausa com sangramento, abiópsia de endométrio (por curetagem ou Pipelle) é frequentemente associada. Exames como ressonância magnética são reservados para casos suspeitos de invasão miometrial.
Tratamentos disponíveis
A conduta depende de vários fatores: tamanho e número de pólipos, sintomas, idade, desejo de engravidar e resultados da biópsia. As opções incluem:
- Conduta expectante: pólipos pequenos (≤1 cm), assintomáticos e em mulheres sem fatores de risco podem ser apenas acompanhados com ultrassom a cada 6‑12 meses, pois até 25% regridem espontaneamente.
- Polipectomia histeroscópica: procedimento minimamente invasivo, realizado ambulatorialmente ou em centro cirúrgico, com anestesia local ou sedação. A taxa de sucesso é superior a 95%, e a recuperação é rápida.
- Curetagem uterina: menos utilizada atualmente por ser cega e poder deixar fragmentos; reservada para casos de múltiplos pólipos ou quando a histeroscopia não está disponível.
- Tratamento hormonal: progestágenos ou DIU com levonorgestrel (Mirena) podem reduzir o tamanho de pequenos pólipos e controlar sangramento, mas não são curativos. Usados em casos selecionados ou como ponte para cirurgia.
- Histerectomia: indicada apenas quando há malignidade, pólipos recorrentes, atipias ou quando a paciente não deseja mais engravidar e os sintomas são incapacitantes.
O tratamento é sempre personalizado. Após a remoção, o material é enviado para análise anatomopatológica para excluir malignidade.
Cuidados em casa e alívio dos sintomas
Enquanto aguarda a consulta ou o tratamento, é possível adotar medidas para aliviar os sintomas e melhorar o bem-estar. Para cólicas leves, analgésicos comuns como dipirona ou ibuprofeno (sempre sob orientação) podem ser usados. Compressas mornas na região inferior do abdômen ajudam a relaxar a musculatura.
Evite duchas vaginais, uso de absorventes internos por longos períodos e relações sexuais durante sangramento ativo para reduzir risco de infecção. Mantenha uma alimentação anti‑inflamatória (rica em frutas, vegetais, ômega‑3) e controle o peso, pois a obesidade piora o desequilíbrio hormonal. Atividade física moderada também ajuda a regular o ciclo.
É fundamental registrar em um diário menstrual os dias de sangramento, intensidade e sintomas associados. Essas informações são valiosas para o ginecologista definir a conduta. Nunca use medicamentos hormonais por conta própria – eles podem mascarar sintomas e alterar exames.
Quando ir ao pronto‑socorro
A maioria dos casos de pólipo uterino não é emergencial. Contudo, há situações que exigem atendimento imediato:
- Sangramento vaginal muito intenso (encharcar 1 absorvente por hora por mais de 2 horas).
- Dor pélvica súbita e forte, principalmente se acompanhada de tontura, desmaio ou febre.
- Secreção vaginal com pus ou odor fétido.
- Suspeita de gravidez com sangramento.
- Sangramento após relação sexual que não cessa.
No pronto‑socorro, a equipe fará avaliação clínica, exames laboratoriais (hemograma, beta‑hCG) e ultrassom para descartar complicações como torção do pólipo, necrose ou hemorragia aguda. A conduta pode incluir medicação para controle do sangramento e, se necessário, internação para cirurgia de urgência.
Como prevenir
Não existe forma 100% eficaz de prevenir pólipos endometriais, pois muitos fatores não são modificáveis (idade, genética). No entanto, algumas medidas reduzem o risco:
- Manter peso corporal adequado (IMC entre 18,5 e 24,9).
- Controlar a pressão arterial.
- Evitar uso prolongado de estrogênio sem oposição de progesterona (em TRH).
- Praticar atividade física regular (≥150 minutos/semana).
- Alimentação equilibrada, com baixo teor de gorduras saturadas e açúcares refinados.
- Realizar consultas ginecológicas periódicas com ultrassom transvaginal, principalmente após os 40 anos.
- Se estiver em uso de tamoxifeno, realizar acompanhamento ginecológico semestral com histeroscopia.
O diagnóstico precoce é a melhor “prevenção” de complicações. Mulheres com histórico familiar de câncer de endométrio devem ser monitoradas mais de perto.
Diferença entre pólipo do corpo do útero e condições semelhantes
Várias condições podem mimetizar pólipos uterinos. As principais são:
- Mioma submucoso: tumor benigno de músculo liso que cresce para dentro da cavidade uterina. No ultrassom, aparece como lesão hipoecoica (escura) e causa sangramento semelhante. A histeroscopia diferencia claramente: mioma é esférico, de superfície lisa e consistência firme; pólipo é mais alongado e mole.
- Hiperplasia endometrial: espessamento difuso do endométrio, sem projeção focal. Pode ser simples ou atípica. A biópsia é indispensável.
- Câncer de endométrio: lesão irregular, com vascularização anormal ao Doppler, crescimento rápido e sangramento pós‑menopausa. Exige biópsia imediata.
- Pólipo cervical: origem no canal cervical, não no corpo uterino. Geralmente visível ao exame especular, mas pode se estender para cavidade.
- Restos ovulares ou gravidez ectópica: em mulheres em idade fértil, sangramento pode ser confundido; dosagem de beta‑hCG e ultrassom esclarecem.
O diagnóstico diferencial é feito principalmente por imagem e, quando necessário, por análise histopatológica.
- 01. Mantenha um diário menstrual: anote datas, intensidade do fluxo, presença de coágulos e cólicas. Leve para a consulta.
- 02. Nunca ignore sangramento pós‑menopausa, mesmo que pequeno – procure o ginecologista rapidamente.
- 03. Se tiver pólipo pequeno e assintomático, o médico pode optar por acompanhamento. Não deixe de fazer os exames de controle.
- 04. Ao usar absorvente interno, troque com frequência para evitar infecções associadas ao sangramento prolongado.
- 05. Antes de uma histeroscopia, pergunte se o procedimento pode ser feito ambulatorialmente – a recuperação é muito mais rápida.
- 06. Após a polipectomia, evite relações sexuais, absorventes internos e duchas por pelo menos 7 dias, conforme orientação médica.
- 07. Controle o peso: a cada 5 kg perdidos, o risco de novos pólipos diminui significativamente.
- 08. Se você usa tamoxifeno, faça histeroscopia diagnóstica anualmente.
Perguntas Frequentes sobre N84.0 – Pólipo do corpo do útero
1. Pólipo no útero pode virar câncer?
A maioria é benigna. O risco de malignidade é baixo (cerca de 1‑3%), maior em mulheres pós‑menopáusicas e com pólipos maiores que 1,5 cm. Por isso, todo pólipo retirado deve ser analisado pelo patologista.
2. Pólipo uterino engorda?
Não. O pólipo em si não causa ganho de peso. No entanto, a obesidade é um fator de risco para seu desenvolvimento, pois aumenta os níveis de estrogênio.
3. É possível engravidar com pólipo no útero?
Sim, mas o pólipo pode dificultar a implantação do embrião e aumentar o risco de abortamento. A recomendação geral é remover pólipos que estejam causando infertilidade ou sangramento.
4. Qual exame detecta pólipo uterino?
O ultrassom transvaginal é o primeiro exame; a histerossonografia e a histeroscopia diagnóstica são mais precisas. O padrão‑ouro é a histeroscopia com visualização direta.
5. Pólipo no útero dói?
Geralmente não dói, mas pode causar cólicas leves, principalmente durante a menstruação. Dor intensa é rara e pode indicar torção ou necrose.
6. Precisa de cirurgia para retirar pólipo uterino?
Nem sempre. Pólipos pequenos e assintomáticos podem ser apenas acompanhados. A cirurgia (histeroscopia cirúrgica) é indicada quando há sintomas, infertilidade, dúvida diagnóstica ou risco de malignidade.
7. Quanto tempo demora a recuperação da polipectomia?
O procedimento dura de 20 a 40 minutos. A recuperação é rápida: a maioria das mulheres retorna ao trabalho no dia seguinte. Recomenda‑se repouso relativo e evitar relações sexuais por 7 dias.
8. Pólipo pode voltar depois da retirada?
Após a remoção completa, a recorrência é baixa (cerca de 5‑10%). Se houver fatores hormonais persistentes (obesidade, reposição hormonal sem progesterona), o risco aumenta.
9. Pólipo endometrial tem cura?
Sim. A remoção cirúrgica (polipectomia) é curativa na maioria dos casos. O acompanhamento ginecológico regular previne complicações.
10. O que é melhor: curetagem ou histeroscopia?
A histeroscopia é superior por permitir visualização direta, remoção precisa e menor risco de deixar fragmentos. A curetagem é um procedimento “cego” e menos utilizado atualmente.
11. Pólipo no útero causa corrimento?
Geralmente não. Se houver corrimento com odor ou pus, pode indicar infecção associada. Nesse caso, procure atendimento.
12. Sangramento por pólipo pode ser confundido com menstruação?
Sim, muitas mulheres confundem. A diferença é que o sangramento por pólipo costuma ser mais irregular, pode ocorrer entre os ciclos e não segue o padrão normal da paciente.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
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