sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Adenocarcinoma uterino

O que é O que é Adenocarcinoma uterino?

O adenocarcinoma uterino é o tipo mais comum de câncer que se origina no corpo do útero, mais precisamente na camada interna que reveste o órgão, chamada endométrio. Por isso, muitas vezes ele também é chamado de câncer de endométrio. Trata-se de um tumor maligno que começa nas células glandulares do endométrio e, se não for diagnosticado precocemente, pode invadir outras partes do útero e até órgãos vizinhos. Na prática clínica do SUS e em clínicas populares, é uma condição que aparece com frequência em mulheres na pós-menopausa, geralmente acima dos 50 anos, e o principal sinal de alerta é o sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a menopausa.

No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do corpo do útero (incluindo o adenocarcinoma) é o quarto tumor mais comum entre as mulheres, com cerca de 6.000 novos casos estimados por ano. A incidência vem crescendo nas últimas décadas, em parte pelo aumento da obesidade – um dos principais fatores de risco – e pelo envelhecimento da população. Nas clínicas populares e unidades básicas de saúde (UBS), muitas mulheres chegam com queixas de sangramentos irregulares e são encaminhadas para exames como a ultrassonografia transvaginal e a biópsia do endométrio. O SUS oferece todo o acompanhamento, desde o diagnóstico inicial até o tratamento, que pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia, conforme a complexidade de cada caso.

É importante destacar que o adenocarcinoma uterino tem alta chance de cura quando descoberto no início, especialmente nos estágios em que o tumor ainda está restrito ao endométrio ou ao útero. Por isso, a conscientização sobre os sinais de alerta e o acesso rápido ao diagnóstico são fundamentais. O CFM (Conselho Federal de Medicina) e o Ministério da Saúde orientam que qualquer sangramento vaginal anormal, principalmente após a menopausa, deve ser investigado imediatamente. A ANVISA regula os medicamentos usados na hormonioterapia e nos tratamentos adjuvantes, garantindo a qualidade dos insumos distribuídos na rede pública.

Como funciona / Características

Do ponto de vista celular, o adenocarcinoma uterino se desenvolve quando as células glandulares do endométrio sofrem mutações e passam a se multiplicar de forma desordenada e descontrolada. No cotidiano do consultório, a paciente geralmente relata um sangramento que parece “escape” ou “manchas” na calcinha, que pode ser confundido com uma menstruação atrasada ou com problemas hormonais. Muitas mulheres, especialmente as mais idosas, tendem a minimizar o sintoma, achando que é “normal” após a menopausa. Por isso, costumo explicar com clareza: **todo sangramento após a menopausa é anormal e precisa ser investigado**.

Na prática, o diagnóstico começa com uma consulta na UBS ou no ambulatório de ginecologia. O médico faz a anamnese e solicita uma ultrassonografia transvaginal para medir a espessura do endométrio. Valores acima de 4-5 mm em mulheres na pós-menopausa são considerados suspeitos. Se houver alteração, o próximo passo é a biópsia endometrial, que pode ser feita por aspiração manual (como a cureta de Novak) ou por histeroscopia com biópsia guiada. Esse material é enviado para a patologia, e o laudo confirma a presença de células glandulares malignas – o adenocarcinoma.

Uma característica importante é que ele pode ser classificado em dois grandes grupos: o tipo endometrioide (mais comum, associado a fatores hormonais) e os tipos não endometrioides (como o seroso e o de células claras), que são mais agressivos. Na clínica popular, vejo muitos casos de adenocarcinoma endometrioide em estágio inicial, especialmente em pacientes com obesidade, diabetes e hipertensão – a chamada “síndrome metabólica”. O tratamento padrão no SUS é a histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral (retirada do útero, trompas e ovários), seguida de radioterapia ou quimioterapia conforme o estadiamento.

Tipos e Classificações

A classificação do adenocarcinoma uterino é fundamental para definir o prognóstico e a conduta terapêutica. No Brasil, seguimos a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o sistema de estadiamento da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO). Os principais tipos são:

– **Adenocarcinoma endometrioide**: corresponde a cerca de 80% dos casos. É o tipo mais relacionado ao excesso de estrogênio (endógeno ou exógeno) e geralmente tem melhor prognóstico. Pode ser bem diferenciado (grau 1), moderadamente diferenciado (grau 2) ou pouco diferenciado (grau 3).
– **Adenocarcinoma seroso**: mais agressivo, tende a se espalhar para a cavidade abdominal e tem pior prognóstico. É mais comum em mulheres mais velhas.
– **Adenocarcinoma de células claras**: raro, mas também agressivo.
– **Adenocarcinoma mucinoso**: menos frequente, com comportamento semelhante ao endometrioide.

Além da classificação histológica, o estadiamento (FIGO) leva em conta a profundidade da invasão no miométrio, o comprometimento de linfonodos e a disseminação para outros órgãos. No SUS, o estadiamento é feito com exames de imagem como ressonância magnética e tomografia, e muitas vezes complementado pela avaliação cirúrgica. O CFM recomenda que todo caso seja discutido em reunião de equipe multidisciplinar (oncologista, ginecologista, radioterapeuta) para definir a melhor estratégia.

Quando procurar um médico

Procure um médico imediatamente se você apresentar algum dos seguintes sinais:

– Sangramento vaginal após a menopausa (mesmo que seja pouco, em forma de “borra” ou manchinhas)
– Sangramento menstrual muito intenso ou irregular, especialmente em mulheres com mais de 40 anos
– Dor pélvica ou sensação de peso na região inferior do abdômen
– Corrimento vaginal anormal, com mal cheiro ou com sangue
– Perda de peso inexplicada
– Dor durante a relação sexual (dispareunia)

Nas clínicas populares, muitas pacientes chegam já com sangramento há meses, por vergonha ou por acharem que é passageiro. Por isso, reforço a mensagem: **não espere o sangramento ficar forte**. Qualquer escape após a menopausa merece uma consulta ginecológica. O SUS garante o acesso a exames básicos (ultrassom e biópsia) pela UBS e, quando necessário, encaminhamento para serviços de oncologia de referência. Em muitas cidades, há mutirões de prevenção do câncer do colo do útero, mas o rastreamento do câncer de endométrio ainda é baseado nos sintomas, não em exames de rotina. Portanto, a atenção aos sinais é a principal forma de diagnóstico precoce.

Termos Relacionados

  • Endométrio: camada interna do útero, que se descama durante a menstruação e é o local de origem do adenocarcinoma uterino.
  • Miométrio: camada muscular do útero, que pode ser invadida pelo tumor em estágios mais avançados.
  • Histerectomia: cirurgia de retirada do útero, principal tratamento para o adenocarcinoma localizado.
  • Biopia endometrial: procedimento para coleta de amostra do endométrio, essencial para o diagnóstico definitivo.
  • Estadiamento FIGO: sistema usado para classificar a extensão do câncer, orientando o tratamento no SUS.
  • Radioterapia: tratamento com radiação, indicado após a cirurgia em casos de alto risco de recidiva, disponível em centros de referência do SUS.
  • Hormonioterapia: uso de medicamentos como progesterona para inibir o crescimento tumoral, especialmente em mulheres que não podem fazer cirurgia.
  • Pólipo endometrial: lesão benigna que também pode causar sangramento, mas precisa ser diferenciada do adenocarcinoma por exame histopatológico.

Perguntas Frequentes sobre O que é Adenocarcinoma uterino

O adenocarcinoma uterino tem cura?

Sim, quando diagnosticado precocemente, as chances de cura são muito altas (superiores a 90% nos estágios iniciais). O tratamento principal é cirúrgico e, se necessário, complementado com radioterapia ou quimioterapia. No SUS, as taxas de sobrevida melhoram com o acesso rápido ao diagnóstico e ao tratamento integral.

Quais os principais fatores de risco?

Os mais comuns são: obesidade (o tecido adiposo produz estrogênio), diabetes, hipertensão, uso de tamoxifeno (medicação para câncer de mama), síndrome dos ovários policísticos, nunca ter engravidado, menarca precoce ou menopausa tardia, e histórico familiar de câncer de endométrio ou de cólon (síndrome de Lynch).

O câncer de endométrio pode ser prevenido?

Não há uma prevenção absoluta, mas manter o peso corporal adequado, controlar a pressão e o diabetes, e usar anticoncepcionais orais combinados (que reduzem o risco) são medidas protetoras. O uso de DIU hormonal também pode diminuir o risco. O rastreamento com ultrassom não é indicado para todas as mulheres, apenas para aquelas com fatores de risco importantes.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com a suspeita clínica (sangramento anormal), seguido de ultrassonografia transvaginal. Se a espessura endometrial for aumentada, faz-se a biópsia endometrial (por aspiração ou histeroscopia) e o exame anatomopatológico confirma o adenocarcinoma. No SUS, esse processo pode ser feito na rede básica e nos ambulatórios de ginecologia.

O tratamento afeta a fertilidade?

O tratamento padrão é a histerectomia, que retira o útero e impossibilita a gestação. Porém, em mulheres jovens com tumores iniciais e que desejam engravidar, pode-se tentar uma abordagem conservadora com hormonioterapia (progesterona em altas doses) e seguimento rigoroso. Essa opção deve ser discutida em centros especializados e não é indicada para todos os casos.

O SUS oferece tratamento completo para adenocarcinoma uterino?

Sim. O Sistema Único de Saúde (SUS) cobre desde os exames diagnósticos (ultrassom, biópsia) até o tratamento cirúrgico, radioterápico e quimioterápico, conforme a complexidade. O acesso é feito através da UBS, que encaminha para serviços de referência em oncologia. Medicamentos como o paclitaxel e a carboplatina são padronizados pela ANVISA e distribuídos nos hospitais credenciados.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


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