sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Adenoma pleomórfico

O que é Adenoma pleomórfico?

O adenoma pleomórfico é um tumor benigno que surge nas glândulas salivares, principalmente na parótida (a maior glândula, localizada na frente da orelha). Ele é chamado de “pleomórfico” porque, ao microscópio, suas células apresentam formatos variados – uma mistura de células epiteliais e tecido conjuntivo. Na prática clínica do SUS e das clínicas populares brasileiras, esse é o tipo mais comum de tumor de glândula salivar, correspondendo a cerca de 60% a 70% de todos os casos. A maioria das pessoas que recebe esse diagnóstico são mulheres entre 30 e 50 anos, mas homens e outras faixas etárias também podem ser afetados.

No dia a dia do consultório, o paciente chega com uma queixa simples: “doutor, tenho um caroço na bochecha que não dói”. Ao exame, sente-se um nódulo firme, móvel e indolor na região da parótida. O crescimento é lento – muitos pacientes só procuram ajuda depois de meses ou anos. Apesar de ser benigno, esse tumor precisa ser levado a sério porque, se não for removido completamente, há risco de recidiva (voltar a crescer) e, em raríssimos casos, pode sofrer transformação maligna. Por isso, a conduta no SUS inclui cirurgia de parotidectomia, realizada por cirurgiões de cabeça e pescoço em hospitais de referência.

No Brasil, o INCA (Instituto Nacional de Câncer) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço orientam o diagnóstico precoce e o encaminhamento adequado. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) – um exame simples e barato, disponível em muitos ambulatórios do SUS – costuma confirmar o diagnóstico antes da cirurgia. Em clínicas populares, o médico generalista pode suspeitar do adenoma pleomórfico e já solicitar ultrassom de partes moles ou a PAAF, evitando atrasos no tratamento.

Como funciona / Características

O adenoma pleomórfico cresce a partir do tecido glandular, mais especificamente das células mioepiteliais e ductais. Ele é encapsulado, ou seja, tem uma fina cápsula ao redor. O problema é que essa cápsula pode ser incompleta ou ter pequenas “projeções” que invadem o tecido vizinho – por isso, a cirurgia exige a retirada de uma margem de segurança ao redor do tumor para evitar que reste algum fragmento.

No consultório, o médico orienta o paciente sobre as características típicas:

  • Tamanho: varia de 1 a 5 cm, podendo chegar a mais de 10 cm se negligenciado.
  • Consistência: firme, elástica, às vezes com áreas mais moles (quando há degeneração cística).
  • Localização: 80% na parótida (porção superficial, fácil de sentir); 10% na glândula submandibular; 5% em glândulas salivares menores (lábios, palato, mucosa oral).
  • Sintomas associados: na maioria das vezes é assintomático, mas tumores grandes podem causar desconforto estético ou, raramente, dor leve devido à compressão de nervos.

Um exemplo comum: uma paciente de 42 anos, costureira, nota um caroço na bochecha esquerda há 2 anos. O nódulo cresceu lentamente, nunca doeu. O ultrassom mostrou uma imagem sugestiva de adenoma pleomórfico, e a PAAF confirmou. Ela foi encaminhada para a cirurgia no hospital regional do SUS. No pré-operatório, o clínico geral explicou que o tumor é benigno, mas que a cirurgia é necessária porque ele não vai sumir sozinho e pode voltar a crescer ou, em casos muito raros (<5%), virar um câncer. A paciente fez a parotidectomia superficial, teve alta em 24 horas e está em acompanhamento.

Tipos e Classificações

Na prática da patologia brasileira, a classificação do adenoma pleomórfico segue a Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora existam subtipos histológicos – como o predominantemente mixoide, o celular e o com estroma hialino –, para o clínico generalista a distinção mais importante é entre:

  • Típico (benigno): com crescimento lento, encapsulado, sem sinais de atipia celular preocupante.
  • Com transformação maligna: quando há áreas de carcinoma no interior do adenoma (carcinoma ex-adenoma pleomórfico). Isso é raro (cerca de 1-2% dos casos) e geralmente associado a tumores antigos (>10 anos) ou recorrentes.

No Brasil, o laudo anatomopatológico padrão emitido pelos laboratórios do SUS e conveniados descreve o subtipo, a presença de cápsula íntegra ou não, e se há margens comprometidas. O médico deve ficar atento ao termo “carcinoma ex-adenoma pleomórfico” – nesse caso, o paciente precisa ser referenciado com urgência para oncologia.

Para fins de acompanhamento, não existe estadiamento (como para câncer), mas o tamanho e a localização são registrados. A Sociedade Brasileira de Patologia recomenda o uso da classificação da OMS de 2022, que inclui variantes como o adenoma pleomórfico oncocítico e o com células claras – embora essas sejam mais acadêmicas.

Quando procurar um médico

O adenoma pleomórfico geralmente não dói e nem causa sintomas precoces. Porém, alguns sinais devem levar o paciente a buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), clínica popular ou consultório particular:

  • Caroço na face ou pescoço que não desaparece em 2 semanas, mesmo sem dor.
  • Crescimento visível do nódulo ao longo de semanas ou meses.
  • Assimetria facial ou sensação de “algo estranho” ao mastigar ou engolir.
  • Dormência ou fraqueza na face (muito raro, mas pode indicar compressão do nervo facial ou transformação maligna).
  • Ferida na boca ou sangramento quando o tumor está em glândulas salivares menores (lábio, palato).
  • História de tumor de glândula salivar em familiar de primeiro grau (embora não seja hereditário, há maior suspeição clínica).

O médico de família ou clínico geral fará a palpação, solicitará ultrassom de partes moles e, se necessário, encaminhará para o cirurgião de cabeça e pescoço. A cirurgia (parotidectomia) é o padrão ouro e está disponível na rede SUS, com indicação de enfermaria e centro cirúrgico. O tempo de espera varia conforme a região, mas o Ministério da Saúde prioriza tumores com potencial de malignidade – por isso, é importante que o laudo da PAAF seja claro.

Termos Relacionados

  • Parótida: maior glândula salivar, localizada na frente da orelha; é o local mais frequente do adenoma pleomórfico.
  • Glândula submandibular: glândula salivar abaixo do maxilar inferior; segunda localização mais comum.
  • Parotidectomia: cirurgia de remoção parcial ou total da parótida, geralmente necessária para tratar o adenoma pleomórfico.
  • PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina): exame minimamente invasivo que coleta células do tumor para análise; essencial no diagnóstico pré-operatório.
  • Recidiva: retorno do tumor após a cirurgia; ocorre em 2-5% dos casos se a cápsula não for totalmente retirada.
  • Carcinoma ex-adenoma pleomórfico: transformação maligna rara do adenoma, com comportamento agressivo; exige tratamento oncológico urgente.
  • Ultrassom de partes moles: exame de imagem que mostra o tamanho, a localização e a ecogenicidade do tumor; disponível na maioria das unidades do SUS.
  • Ressecção com margem de segurança: técnica cirúrgica que remove um pequeno anel de tecido normal ao redor do tumor para evitar deixar fragmentos.

Perguntas Frequentes sobre Adenoma Pleomórfico

1. Adenoma pleomórfico é câncer?

Não. O adenoma pleomórfico é um tumor benigno, ou seja, não tem capacidade de invadir outros órgãos nem de se espalhar pelo corpo. Ele cresce localmente, normalmente de forma lenta. Contudo, se não for tratado, em casos muito raros (menos de 2%) pode se transformar em um câncer. Por isso, a orientação médica é remover o tumor cirurgicamente e fazer acompanhamento.

2. Quais são os sintomas do adenoma pleomórfico?

A maioria das pessoas nota apenas um caroço indolor na bochecha ou abaixo da mandíbula. O tumor não costuma causar dor, dormência ou dificuldade para mastigar. Em tumores grandes (acima de 5 cm), pode haver assimetria facial visível ou, raramente, dor leve por compressão de nervos. Se aparecer dor intensa, paralisia facial ou perda de peso, procure imediatamente um médico – isso pode indicar transformação maligna.

3. Qual é o tratamento para adenoma pleomórfico?

O tratamento padrão é a cirurgia (parotidectomia ou submandibulectomia, dependendo da localização). A remoção deve ser completa, com margem de segurança, para evitar recidiva. Não existem medicamentos que façam o tumor regredir. A cirurgia é feita com anestesia geral e o paciente costuma ficar internado de 1 a 2 dias. No SUS, o acesso ao procedimento é feito por encaminhamento da UBS para o cirurgião de cabeça e pescoço.

4. O adenoma pleomórfico pode voltar depois da cirurgia?

Sim, há risco de recidiva em cerca de 2 a 5% dos casos, principalmente se o tumor não foi retirado por completo ou se a cápsula se rompeu durante a cirurgia. Isso é mais comum quando a cirurgia é feita de forma inadequada (ex.: enucleação simples, sem margem). Por isso, sempre que possível, deve-se optar por um cirurgião experiente em parótida. Se houver recidiva, uma nova cirurgia é necessária.

5. Preciso fazer exames antes da cirurgia?

Sim. O diagnóstico é confirmado por PAAF (punção com agulha fina) e/ou biópsia de congelação durante a cirurgia. Ultrassom ou ressonância magnética ajudam a planejar a abordagem. Também são feitos exames pré-operatórios de rotina (hemograma, coagulação, função renal) para garantir a segurança cirúrgica. O SUS disponibiliza todos esses exames dentro do fluxo de referência.

6. Posso esperar para operar ou preciso fazer logo?