O que é O que é Alopécia areata?
A Alopécia areata é uma doença de origem autoimune que provoca a queda de cabelo em áreas localizadas, geralmente em forma de placas arredondadas ou ovais, sem cicatrizes no couro cabeludo. No consultório de uma clínica popular ou no SUS, é uma queixa frequente: o paciente chega dizendo “doutor, apareceu uma ‘pelada’ no meu cabelo da noite para o dia” ou “meu filho perdeu um tufo de cabelo depois de um estresse na escola”. Embora possa acometer qualquer pessoa, é mais comum em adultos jovens e crianças, e não há predileção por gênero.
A condição é benigna, não contagiosa e, na maioria dos casos, reversível — o cabelo pode crescer novamente espontaneamente em semanas ou meses. Contudo, em cerca de 30% dos pacientes as lesões podem se tornar mais extensas ou persistentes. Dados epidemiológicos internacionais apontam uma prevalência de 1 a 2% da população; no Brasil, a estimativa é similar, mas não há um levantamento nacional específico. No contexto da atenção primária do SUS, a Alopécia areata é uma das principais causas de encaminhamento para a dermatologia, especialmente quando apresenta múltiplas placas ou evolução progressiva.
Na prática clínica brasileira, é comum associar o início ou a piora da doença a eventos estressores — perda de emprego, luto, separação, exames escolares. Essa relação não é causal direta, mas o estresse parece modular a resposta imunológica. A ANVISA não regulamenta tratamentos específicos para a Alopécia areata, mas os medicamentos usados (corticosteroides tópicos, minoxidil, imunoterapia tópica) são aprovados para outras indicações e empregados off-label, com respaldo de consensos da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e do Conselho Federal de Medicina (CFM). O acesso aos tratamentos no SUS varia conforme a região: corticosteroides tópicos e minoxidil 5% costumam estar disponíveis nas farmácias básicas, enquanto opções como a imunoterapia com difenciprona ou corticoides intralesionais são oferecidas em serviços de média complexidade.
Para mais informações oficiais, consulte a página do Ministério da Saúde sobre Alopécia Areata e o conteúdo da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Como funciona / Características
A Alopécia areata é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico do paciente ataca os folículos pilosos — as estruturas que produzem o cabelo. Esse ataque interrompe o ciclo normal de crescimento capilar, fazendo com que os fios caiam em áreas bem delimitadas. O folículo não é destruído permanentemente; ele entra em uma fase de repouso e pode retomar a produção de cabelo quando o processo inflamatório cessa.
No dia a dia do consultório, o quadro clínico é típico: o paciente ou a mãe de uma criança notam uma ou mais áreas de falha no couro cabeludo, lisas, sem descamação, vermelhidão ou feridas. Muitas vezes, a primeira placa é descoberta por um barbeiro ou cabeleireiro, ou pela própria pessoa ao pentear os cabelos. Um sinal clássico é o “ponto de exclamação” — fios quebrados e curtos na borda da placa, que lembram um ponto de exclamação visto ao microscópio. Na barba, sobrancelhas, cílios e outras áreas do corpo com pelos, também podem ocorrer placas.
O curso da doença é imprevisível. Em cerca de metade dos pacientes, o cabelo cresce novamente sem qualquer tratamento em até um ano. Porém, recaídas são comuns. Existem fatores que indicam maior gravidade: início na infância, história familiar positiva, associação com doenças autoimunes (como tireoidite de Hashimoto, vitiligo, diabetes tipo 1) e lesões extensas (mais de 50% da superfície do couro cabeludo). Na clínica popular, é importante investigar essas condições associadas, especialmente distúrbios da tireoide, que são frequentes na população brasileira.
Do ponto de vista do tratamento, o SUS oferece opções escalonadas. Casos leves (uma ou duas placas pequenas) podem ser manejados na Unidade Básica de Saúde com corticoides tópicos e acompanhamento. Casos extensos ou refratários são encaminhados ao dermatologista, que pode indicar corticoides intralesionais, imunoterapia tópica (difenilciclopropenona) ou, em situações selecionadas, imunossupressores sistêmicos como metotrexato ou corticoides orais. O minoxidil tópico 5% também é usado como coadjuvante, especialmente para estimular o crescimento.
Tipos e Classificações
A Alopécia areata pode ser classificada de acordo com a extensão e o padrão das lesões. No Brasil, os dermatologistas utilizam a seguinte classificação prática:
- Alopécia areata em placa única: uma ou duas áreas de falha, geralmente menores que 5 cm de diâmetro. É a forma mais comum, com bom prognóstico.
- Alopécia areata em múltiplas placas: várias áreas de queda, que podem coalescer. Indica maior atividade da doença.
- Alopécia areata total: perda de todo o cabelo do couro cabeludo. Acomete cerca de 5-10% dos pacientes com a doença.
- Alopécia areata universal: perda de todos os pelos do corpo (couro cabeludo, sobrancelhas, cílios, barba, pelos axilares, pubianos etc.). É a forma mais grave e de tratamento mais desafiador.
- Alopécia areata ofiásica: padrão em faixa, afetando a região occipital e temporal (nuca e laterais da cabeça), com progressão para a coroa.
- Alopécia areata reticular: padrão difuso e irregular, com áreas de falha intercaladas com cabelo normal.
Além dessa classificação clínica, existem escores de gravidade como o SALT (Severity of Alopecia Tool), usado em pesquisas e ensaios clínicos, mas na prática do SUS e das clínicas populares a avaliação é feita pela observação direta e pela história. O diagnóstico é essencialmente clínico, mas em casos duvidosos pode-se realizar uma dermatoscopia (exame com lente de aumento) ou, raramente, uma biópsia do couro cabeludo para descartar outras doenças (como lúpus eritematoso ou líquen plano pilar).
Quando procurar um médico
O paciente deve procurar atendimento médico sempre que notar o aparecimento de falhas no cabelo ou nos pelos do corpo, especialmente se forem arredondadas, lisas e de início súbito. Embora muitos casos sejam autolimitados, a avaliação precoce permite afastar outras causas de queda de cabelo (como infecções fúngicas, lúpus, eflúvio telógeno) e iniciar o tratamento mais adequado.
Sinais de alerta que merecem consulta prioritária:
- Perda rápida de grandes áreas de cabelo (mais de 30% do couro cabeludo) em poucas semanas.
- Queda associada a sintomas como coceira intensa, dor, vermelhidão ou descamação no local.
- Envolvimento de sobrancelhas, cílios ou pelos do corpo.
- Histórico familiar de alopecia areata ou de doenças autoimunes (vitiligo, tireoidite, diabetes tipo 1, artrite reumatoide).
- Pacientes crianças ou adolescentes — o impacto emocional é maior e o manejo precoce pode melhorar o prognóstico.
- Surgimento de novas placas mesmo durante tratamento.
No SUS, o primeiro contato deve ser com o médico da família ou clínico geral na Unidade Básica de Saúde. Ele poderá realizar o diagnóstico clínico, iniciar tratamentos simples (corticoides tópicos) e, se necessário, encaminhar ao dermatologista. Nas clínicas populares, o atendimento costuma ser mais ágil, e o dermatologista pode estar disponível diretamente. O importante é não demorar a buscar ajuda, pois o tratamento precoce aumenta as chances de repilação completa.
Vale lembrar que a Alopécia areata não é contagiosa e não afeta a saúde geral, mas pode causar grande sofrimento emocional — muitos pacientes relatam vergonha, ansiedade e dificuldades sociais. Por isso, o acolhimento e a orientação psicológica são parte essencial do cuidado.
Termos Relacionados
- Eflúvio telógeno: queda difusa de cabelo, geralmente temporária, desencadeada por estresse físico ou emocional, cirurgias, parto ou febre alta. Diferencia-se da alopecia areata por não formar placas bem delimitadas.
- Alopécia androgenética: calvície comum, hereditária, mais frequente em homens, que causa rarefação progressiva na região frontal e no topo do couro cabeludo. Não é autoimune.
- Folículo piloso: estrutura da pele responsável pela produção do cabelo. Na alopecia areata, o folículo é atacado pelo sistema imunológico, mas não é destruído.
- Imunoterapia tópica: tratamento que aplica substâncias (como difenciprona) no couro cabeludo para induzir uma reação alérgica controlada, redirecionando a resposta imune e permit


