O que é Angioplastia transluminal coronária percutânea?
Angioplastia transluminal coronária percutânea – ou simplesmente angioplastia cardíaca – é um procedimento minimamente invasivo que serve para desobstruir as artérias do coração (artérias coronárias) quando elas estão entupidas por placas de gordura (aterosclerose). Na prática, é como se fosse um “desentupimento” feito por dentro dos vasos, sem precisar abrir o tórax.
No dia a dia de uma clínica popular brasileira, esse termo aparece com frequência quando um paciente chega com angina (dor no peito) ou após um infarto agudo do miocárdio, e o médico explica que precisa encaminhá-lo para um hospital de referência ou para o sistema de regulação do SUS. Infelizmente, a fila para angioplastia eletiva no Brasil pode demorar meses, enquanto as urgências (como infarto com supradesnível do segmento ST) são atendidas em até 90 minutos – o que chamamos de “porta‑balão”.
Dados do Ministério da Saúde mostram que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, sendo responsáveis por cerca de 300 mil óbitos por ano. Em 2022, foram realizadas aproximadamente 130 mil angioplastias coronárias no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o DATASUS. A taxa de sucesso do procedimento é superior a 95% nos hospitais de referência, mas o acesso ainda é desigual entre regiões Norte e Sudeste.
Como funciona / Características
A angioplastia transluminal coronária percutânea é feita em um ambiente hospitalar, geralmente sob anestesia local e sedação leve. O paciente fica acordado, mas relaxado. O médico insere um cateter fino (um tubo flexível) por uma artéria da virilha (femoral) ou do punho (radial) e o guia até as artérias coronárias com o auxílio de raios‑X em tempo real (fluoroscopia). Um contraste iodado é injetado para visualizar os pontos de obstrução.
Para abrir o vaso, o cardiologista infla um pequeno balão na ponta do cateter, comprimindo a placa de gordura contra a parede da artéria. Na maioria dos casos, coloca-se também um stent – uma pequena tela metálica que mantém o vaso aberto permanentemente. No SUS, os stents farmacológicos (revestidos com remédio que evita novo entupimento) são usados com frequência, conforme protocolo do Ministério da Saúde.
Exemplo do cotidiano: Seu João, 58 anos, pedreiro, fumante há 30 anos, deu entrada na UPA com dor forte no peito. O eletrocardiograma mostrou infarto agudo. Ele foi transferido para o hospital de referência, onde fez a angioplastia primária (de urgência) e recebeu um stent. Em 48 horas, já estava sem dor e com alta prevista para o terceiro dia. Voltar ao trabalho só depois de 30 dias, com orientação para parar de fumar e controlar a pressão.
Tipos e Classificações
No Brasil, as angioplastias coronárias são classificadas de três maneiras principais, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e o Conselho Federal de Medicina (CFM):
- Quanto ao stent: angioplastia com balão simples (raro hoje), angioplastia com stent não farmacológico (bare‑metal) ou com stent farmacológico (drug‑eluting).
- Quanto ao momento: angioplastia primária (no infarto agudo, dentro de 12 horas do início dos sintomas), de resgate (após trombolítico sem sucesso), ou eletiva (em pacientes estáveis com angina ou isquemia documentada).
- Quanto à via de acesso: femoral (virilha) ou radial (punho). A via radial é preferida pelo menor risco de sangramento e maior conforto, mas exige maior experiência do operador.
No SUS, a classificação mais usada para regulação é a gravidade clínica (urgência, emergência, eletivo). As portarias do Ministério da Saúde também definem os critérios para uso de stents farmacológicos (diabetes, vasos finos, reestenose prévia).
Quando procurar um médico
Você deve buscar atendimento médico imediatamente se apresentar um ou mais destes sinais de alerta:
- Dor no peito em aperto, queimação ou peso, especialmente se irradiar para braço esquerdo, pescoço, costas ou estômago.
- Falta de ar repentina mesmo em repouso.
- Suor frio, náuseas ou tontura acompanhando a dor no peito.
- Palpitações ou sensação de desmaio (pré‑síncope).
Orientação prática: Em caso de suspeita de infarto, ligue para o SAMU (192) ou vá para a emergência mais próxima. Não dirija você mesmo. Na Clínica Popular Fortaleza, orientamos todos os pacientes com fatores de risco (hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade) a fazerem consulta de rotina pelo menos uma vez por ano. O preventivo é sempre o melhor remédio.
Termos Relacionados
- Cateterismo cardíaco – exame que antecede a angioplastia; serve para mapear as obstruções das artérias coronárias.
- Stent – pequeno tubo de metal (ou polímero) colocado dentro da artéria para mantê‑la aberta.
- Aterosclerose – acúmulo de placas de gordura, cálcio e outras substâncias na parede das artérias, causando endurecimento e estreitamento.
- Infarto agudo do miocárdio (IAM) – morte de uma parte do músculo cardíaco por falta de fluxo sanguíneo.
- Angina pectoris – dor ou desconforto no peito que surge quando o coração não recebe oxigênio suficiente (isquemia).
- Revascularização miocárdica – termo geral que inclui tanto a angioplastia quanto a cirurgia de ponte de safena.
- Contraste iodado – substância injetada durante o procedimento para visualizar as artérias nos raios‑X.
- ICP (Intervenção Coronária Percutânea) – sinônimo técnico de angioplastia coronária.
Perguntas Frequentes sobre O que é Angioplastia transluminal coronária percutânea
A angioplastia é considerada uma cirurgia?
Não é uma cirurgia aberta. É um procedimento minimamente invasivo (também chamado de intervenção percutânea). O médico não precisa abrir o tórax nem parar o coração. O paciente geralmente fica internado de 1 a 3 dias, dependendo da complexidade.
Quanto tempo dura o efeito do stent? Preciso trocar depois?
Os stents são permanentes. Eles ficam definitivamente no lugar. No entanto, o vaso pode voltar a entupir (reestenose) em até 6‑12 meses, especialmente se o paciente não controlar os fatores de risco. Com stents farmacológicos e acompanhamento adequado, a chance de reestenose é menor que 10% no primeiro ano.
Precisa de anestesia geral?
Não. A maioria das angioplastias é feita com anestesia local (no local da punção) e sedação leve. Você fica acordado, mas sonolento, e não sente dor significativa. Anestesia geral raramente é necessária.
Quando posso voltar ao trabalho depois da angioplastia?
Depende do seu tipo de atividade. Se o trabalho for sedentário (escritório, por exemplo), a maioria retorna em 7 a 14 dias. Para atividades físicas pesadas (pedreiro, motorista, agricultor), o recomendado é de 30 a 60 dias. O médico vai orientar individualmente após exames de esforço.
O SUS faz esse procedimento de graça? Como conseguir?
Sim, o SUS realiza centenas de milhares de angioplastias por ano, tanto em caráter de urgência quanto eletivo. Para uma angioplastia eletiva, é necessário ser encaminhado pela Unidade Básica de Saúde (UBS) ou por um cardiologista. A regulação estadual organiza as filas. Em casos de infarto (urgência), qualquer hospital público com habilitação em cardiologia deve atender. Você pode consultar a lista de estabelecimentos no site do DATASUS.
Quais são os riscos da angioplastia?
Como qualquer procedimento, existem riscos, mas são baixos (menos de 2% de eventos graves). Os principais são: sangramento no local da punção, reação alérgica ao contraste, infecção, lesão ou dissecção da artéria, infarto durante o procedimento, necessidade de cirurgia de urgência (raro). Equipes experientes e hospitais que seguem os protocolos da ANVISA reduzem ainda mais esses riscos.
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