sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Astenia

O que é O que é Astenia?

Astenia é um termo médico que descreve uma sensação intensa e persistente de cansaço, fraqueza física e falta de energia, que não melhora com o repouso ou sono. No meu dia a dia no SUS e em clínicas populares de Fortaleza, ouço pacientes dizerem: “Doutor, não tenho ânimo para nada”, “me sinto como se tivesse carregado um peso o dia inteiro” ou “só de pensar em levantar da cama já fico exausto”. Diferente do cansaço normal após um dia corrido, a astenia é um sintoma que dura semanas ou meses e interfere diretamente na capacidade de trabalhar, estudar, cuidar da casa e até mesmo de realizar atividades prazerosas.

Na prática clínica brasileira, a astenia é uma queixa extremamente comum — estima-se que cerca de 10% a 25% dos pacientes que procuram as Unidades Básicas de Saúde (UBS) relatam cansaço excessivo como motivo principal da consulta. Embora não existam números oficiais precisos do Ministério da Saúde para todos os casos, dados do DATASUS mostram que a fadiga (CID-10 R53) está entre os sintomas mais frequentemente registrados em atendimentos ambulatoriais no Brasil. A astenia não é uma doença em si, mas um sinal de alerta do corpo de que algo não vai bem — pode ser desde uma carência nutricional simples até condições mais sérias como anemia, hipotireoidismo, depressão, diabetes descompensada ou mesmo uma infecção silenciosa.

O que muitas pessoas não sabem é que a astenia tem causas orgânicas, emocionais e sociais. No Brasil, a alta prevalência de anemia ferropriva — afetando especialmente mulheres em idade fértil e crianças — e de transtornos mentais comuns, como depressão e ansiedade (que atingem cerca de 15% da população, segundo a OMS), são grandes responsáveis pelos quadros de astenia que atendo todos os dias. O contexto do SUS é fundamental: muitas vezes o paciente chega com exames básicos vencidos, sem diagnóstico de condições tratáveis. Meu papel, como clínico, é investigar a fundo, ouvir a história, solicitar exames simples (hemograma, TSH, glicemia, vitamina B12, ferritina) e, quando necessário, encaminhar para especialistas como endocrinologista, psiquiatra ou nutricionista.

Como funciona / Características

A astenia funciona como um sinal de que o metabolismo do corpo está em desequilíbrio. Imagine que cada célula do seu corpo precisa de energia para funcionar — essa energia vem dos nutrientes que você ingere, do oxigênio que você respira e de uma complexa maquinaria hormonal. Quando algo falha nesse processo (por exemplo, falta de ferro para produzir hemoglobina, ou baixa produção de hormônios da tireoide que regulam a velocidade do metabolismo), a sensação de astenia aparece. É como se o corpo estivesse pedindo “socorro” porque não consegue gerar energia suficiente para as tarefas do dia.

No cotidiano, vejo dois grandes grupos de pacientes com astenia:

  • Astenia orgânica: causada por doenças físicas como anemia, hipotireoidismo, diabetes, doenças renais ou hepáticas, infecções crônicas (como tuberculose, HIV, hepatites), doenças inflamatórias (artrite reumatoide, lúpus) ou efeitos colaterais de medicamentos (como anti-histamínicos, betabloqueadores, quimioterápicos).
  • Astenia psicogênica: relacionada a transtornos mentais, principalmente depressão, ansiedade generalizada, transtorno de estresse pós-traumático e a famosa Síndrome de Burnout — cada vez mais comum em profissionais brasileiros, especialmente na área da saúde e educação.

Uma característica importante: a astenia pode ser acompanhada de outros sintomas, como falta de apetite, perda de peso, dores no corpo, dificuldade de concentração, alterações de humor, insônia ou sono excessivo. Muitas vezes, o paciente só percebe que estava com astenia depois que trata a causa e sente a energia voltar. “Eu achava que era preguiça”, é uma frase que escuto sempre no consultório. Mas a astenia não melhora com “força de vontade” — ela melhora com tratamento adequado.

Tipos e Classificações

Na medicina, a astenia é classificada principalmente de acordo com a causa subjacente. Não existe uma classificação formal brasileira única, mas utilizamos a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) para registrar o sintoma. O código mais usado é R53 (“Mal-estar, fadiga”), e subcódigos como R53.1 (Fraqueza generalizada) e R53.8 (Outras formas de mal-estar e fadiga). Veja a tabela completa no site do DATASUS: CID-10 – Sintomas gerais.

Na prática clínica, costumamos diferenciar:

  • Astenia aguda: surge de repente, dura dias, geralmente associada a infecções virais (gripe, COVID-19, dengue), intoxicações ou estresse intenso. Exemplo: o paciente que teve dengue e ficou “duas semanas de cama” com fraqueza.
  • Astenia crônica: persiste por mais de um mês, muitas vezes progressiva, indicando doenças crônicas como anemia, diabetes, doenças autoimunes, depressão ou Síndrome da Fadiga Crônica (uma condição ainda pouco diagnosticada no Brasil).
  • Astenia relacionada a tratamentos: comum em pacientes oncológicos em quimioterapia, em portadores de HIV em uso de antirretrovirais, ou em pessoas que usam medicamentos para pressão ou alergia que causam sonolência.

O Ministério da Saúde, por meio da ANVISA, regula a bula de medicamentos que podem causar astenia como reação adversa. É importante que o paciente saiba que, se começou um remédio novo e sente cansaço extremo, deve relatar ao médico para possível ajuste. O CFM (Conselho Federal de Medicina) também orienta que a investigação de astenia siga uma abordagem sistematizada, evitando diagnósticos apressados de “estresse” ou “falta de vitamina”.

Quando procurar um médico

Se você está sentindo um cansaço que não passa, mesmo descansando, é hora de procurar atendimento. Não normalize essa sensação achando que é “normal” depois dos 40 anos ou que é “preguiça”. Na minha experiência, muitos pacientes esperam meses ou anos até descobrir que tinham anemia grave ou hipotireoidismo que poderia ter sido tratado rapidamente. Procure um clínico geral na UBS mais próxima ou em uma clínica popular se:

  • O cansaço persiste por mais de duas semanas sem melhora.
  • Você acorda cansado, mesmo dormindo 7 a 8 horas.
  • Aparecem outros sintomas como palidez, falta de ar, tontura, perda de peso, febre, suores noturnos, dores no corpo ou tristeza persistente.
  • A astenia está atrapalhando sua rotina de trabalho, estudos ou convívio familiar.
  • Você está em tratamento de alguma doença crônica (diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, depressão) e percebe piora do cansaço.
  • Você notou que sua astenia começou ou piorou após iniciar um novo medicamento.

Na consulta, o médico fará uma anamnese detalhada (perguntará sobre seu sono, alimentação, estresse, histórico de doenças, uso de medicamentos) e solicitará exames básicos. É fundamental levar exames antigos, se tiver. O SUS oferece, de forma gratuita, hemograma, glicemia, TSH, ureia, creatinina, ferro, ferritina e outros, além de encaminhamento para psicólogo ou psiquiatra se necessário. Não deixe de ir — quanto mais cedo a causa for identificada, mais rápido você recupera sua energia.

Termos Relacionados

  • Fadiga — sinônimo mais comum para astenia, usado tanto na linguagem médica quanto popular. A fadiga pode ser física (fraqueza muscular) ou mental (falta de concentração).
  • Fraqueza generalizada — sensação de que os músculos não têm força para movimentos básicos, como levantar um copo ou andar. Muitas vezes acompanha a astenia.
  • Síndrome da Fadiga Crônica (SFC) — condição complexa caracterizada por fadiga intensa por mais de 6 meses, sem explicação médica clara, com piora após esforço. No Brasil, ainda subdiagnosticada.
  • Anemia — redução dos glóbulos vermelhos ou da hemoglobina, causa muito comum de astenia no Brasil, especialmente anemia ferropriva (falta de ferro) e anemia por deficiência de B12.
  • Hipotireoidismo — produção insuficiente de hormônios da tireoide, que leva a metabolismo lento e astenia intensa, associada a ganho de peso, pele seca e sensibilidade ao frio.
  • Depressão — transtorno do humor que tem como um dos sintomas centrais a fadiga persistente, perda de energia e interesse. Muitas vezes a astenia é o primeiro sinal.
  • Burnout — esgotamento profissional causado por estresse crônico no trabalho, muito comum no Brasil em profissões como professores, médicos, enfermeiros e policiais.
  • Adinamia — termo técnico para ausência de movimento ou extrema dificuldade de iniciar movimentos, geralmente presente em casos graves de astenia psicogênica.

Perguntas Frequentes sobre O que é Astenia

Astenia é normal? Todo mundo sente cansaço, como saber se é preocupante?

O cansaço normal melhora com uma boa noite de sono ou um fim de semana de descanso. A astenia não melhora — ela persiste por dias, semanas ou meses, mesmo com repouso