O que é Câncer de células escamosas da pele?
O câncer de células escamosas da pele (também chamado de carcinoma espinocelular) é o segundo tipo mais comum de câncer de pele no Brasil e no mundo. Ele se origina nos queratinócitos, células que formam a camada mais superficial da epiderme (a parte de cima da pele). No meu consultório, na rotina do SUS e em clínicas populares, esse é um diagnóstico que aparece com frequência entre trabalhadores rurais, motoristas, pedreiros e qualquer pessoa que tenha se exposto ao sol por muitos anos sem proteção adequada. Diferente do carcinoma basocelular (que raramente dá metástase), o câncer de células escamosas da pele pode se espalhar para linfonodos e outros órgãos se não for tratado precocemente.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele não melanoma (que inclui o carcinoma espinocelular e o basocelular) é o mais incidente no Brasil, com cerca de 180 mil novos casos por ano. Desses, estima-se que o câncer de células escamosas da pele corresponda a aproximadamente 20-30% dos casos. A região Nordeste, onde atendo, tem alta incidência devido à forte exposição solar durante o trabalho e lazer. O Ministério da Saúde, por meio da Política Nacional de Atenção Oncológica, garante acesso ao diagnóstico e tratamento pelo SUS, incluindo cirurgias ambulatoriais e procedimentos de dermatologia nas unidades básicas e hospitais de referência.
Na prática clínica, vejo que muitos pacientes demoram a procurar ajuda porque a lesão inicial parece uma casca, verruga ou ferida que não cicatriza. É fundamental que o cidadão brasileiro saiba que qualquer lesão na pele que persista por mais de quatro semanas deve ser avaliada por um médico – de preferência um dermatologista ou clínico da atenção primária. A ANVISA regula os protetores solares e estabelece critérios de eficácia (FPS) para garantir proteção contra os raios UVB e UVA, mas a prevenção vai além: evitar exposição excessiva entre 10h e 16h e usar chapéu, camisa de manga longa e óculos escuros.
Como funciona / Características
O câncer de células escamosas da pele surge quando o DNA das células escamosas sofre mutações causadas principalmente pela radiação ultravioleta (UV) do sol, mas também por outras agressões crônicas (cicatrizes antigas, queimaduras, radioterapia prévia, exposição a arsênio ou ao HPV). Na prática, o que vejo no consultório: um paciente, geralmente acima dos 50 anos, chega com uma lesão na face, orelha, couro cabeludo, lábio ou dorso das mãos – áreas mais expostas. A lesão pode ter aspecto de uma crosta grossa (hiperceratose), uma ferida que sangra facilmente, uma úlcera com bordas elevadas ou um nódulo endurecido.
No dia a dia, faço a dermatoscopia (exame com um aparelho de aumento) na unidade básica e, se houver suspeita, encaminho para biópsia. O diagnóstico é histopatológico: o patologista vê atipias celulares, mitoses e queratinização anormal. Uma vez confirmado, a conduta depende do estadiamento. Quando o tumor é pequeno (menos de 2 cm), superficial e sem metástase, uma simples exérese cirúrgica (retirada local) com margens de segurança resolve – e isso é feito em ambulatório no SUS, com anestesia local. Casos mais avançados (tumores grandes, recidivantes ou em locais como lábio e orelha) exigem cirurgia mais ampla, radioterapia ou, em situações específicas, medicação tópica (imiquimode) ou terapia fotodinâmica.
Uma característica marcante que oriento meus pacientes: o câncer de células escamosas da pele pode se desenvolver sobre lesões pré‑cancerosas chamadas ceratoses actínicas. Aquelas manchas ásperas e escamosas que aparecem na testa, braços e couro cabeludo de quem trabalha no sol são um sinal de alerta. Se não tratadas (com crioterapia, por exemplo), algumas progridem para carcinoma espinocelular. O CFM (Conselho Federal de Medicina) recomenda que toda a lesão suspeita seja biopsiada, e o SUS oferece esse procedimento gratuitamente.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, classificamos o câncer de células escamosas da pele de acordo com o grau de diferenciação celular (bem diferenciado, moderadamente diferenciado, pouco diferenciado) e o estágio clínico (TNM: tamanho do tumor, comprometimento de linfonodos e metástase). Tumores bem diferenciados crescem lentamente e têm melhor prognóstico; os pouco diferenciados são mais agressivos.
Subtipos histológicos relevantes:
- Carcinoma espinocelular in situ (doença de Bowen): lesão intraepidérmica, ainda não invasiva. Aparece como placa bem delimitada, avermelhada, escamosa. Se não tratado, pode evoluir para carcinoma invasivo.
- Carcinoma de células escamosas invasivo: quando as células malignas ultrapassam a membrana basal da epiderme.
- Carcinoma verrucoso: variante de crescimento lento, com aspecto papilomatoso (parecido com verruga). É mais comum em mucosa oral e genital, mas também na pele.
- Carcinoma de células escamosas associado a cicatrizes: surge em áreas de queimaduras crônicas, úlceras de perna ou fístulas – clássico em pacientes com queimaduras antigas não cuidadas.
No Brasil, o sistema de estadiamento mais usado é o TNM (Tumor, Nódulo, Metástase) da American Joint Committee on Cancer (AJCC), adotado pelo Ministério da Saúde e pela Rede de Atenção Oncológica do SUS. Isso padroniza a conduta: tumores T1 (≤2 cm) sem fatores de risco podem ser retirados com margem de 4‑6 mm; já T2 (>2 cm) ou tumores com invasão perineural requerem margens maiores e radioterapia adjuvante.
Quando procurar um médico
Você deve procurar um clínico geral na UBS ou um dermatologista se notar qualquer um destes sinais de alerta para câncer de células escamosas da pele:
- Uma ferida que não cicatriza em 4 semanas – especialmente em áreas expostas ao sol (rosto, orelha, lábio, dorso das mãos).
- Uma lesão que sangra com facilidade, forma crosta recorrente e não fecha.
- Uma mancha áspera, escamosa ou um nódulo endurecido que cresce progressivamente.
- Uma úlcera com bordas elevadas e avermelhadas (a famosa “borda perolada” é mais típica do basocelular; no espinocelular as bordas são mais irregulares e endurecidas).
- Aparecimento de um “caroço” no pescoço, axila ou virilha (pode ser linfonodo aumentado por metástase).
- Alterações em cicatrizes antigas, especialmente queimaduras – se uma cicatriz começar a ulcerar ou crescer, investigue.
- Lesão no lábio que não melhora, principalmente em fumantes e quem trabalha exposto ao sol (ex: pescadores, agricultores).
Não espere dor: no início, o câncer de células escamosas geralmente é indolor. O que chama atenção é a persistência. No SUS, você pode marcar a consulta na UBS, e o médico fará a avaliação. Se houver suspeita, solicitará biópsia (exame retirado do local com anestesia local) e encaminhará para o serviço de dermatologia ou oncologia do município. O diagnóstico precoce salva vidas e evita tratamentos mais agressivos.
Termos Relacionados
- Ceratose actínica: lesão pré‑cancerosa causada pelo sol, áspera e escamosa. Pode evoluir para câncer de células escamosas da pele. Tratamento com crioterapia ou medicamentos tópicos.
- Carcinoma basocelular: tipo mais comum de câncer de pele, menos agressivo, raramente dá metástase. Aparece como nódulo perolado ou ferida que não cicatriza. O tratamento também é cirúrgico.
- Dermatoscopia: exame com dermatoscópio (lupa com luz) para avaliar lesões de pele. Ajuda a diferenciar lesões benignas de malignas sem precisar de biópsia imediata.
- Exérese cirúrgica radical: retirada completa do tumor com margem de pele sadia ao redor (geralmente 4‑6 mm para tumores de baixo risco). No SUS, é realizada em ambulatório com anestesia local.
- Metástase: disseminação das células cancerosas para linfonodos ou outros órgãos. No câncer de células escamosas da pele, ocorre em cerca de 2‑5% dos casos, principalmente em tumores grandes, pouco diferenciados ou em imunossuprimidos.
- Protetor solar (filtro solar): produto regulado pela ANVISA. Deve ter FPS ≥30 e proteção contra UVA (indicada por PA+++ ou círculo com “UVA” dentro). Use diariamente, mesmo em dias nublados.
- Radioterapia adjuvante: tratamento com radiação após a cirurgia para eliminar células cancerosas remanescentes. Indicada para tumores de alto risco (invasão perineural, margens positivas, metástase linfonodal).
- Queratinócito: célula da epiderme que produz queratina. É a célula de origem do câncer de células escamosas da pele.
Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de células escamosas da pele
O câncer de células escamosas da pele tem cura?
Sim, quando diagnosticado e tratado precocemente, as chances de cura são superiores a 90%. A remoção cirúrgica completa do tumor é o tratamento padrão. Nos casos mais avançados, a combinação de cirurgia, radioterapia e, eventualmente, quimioterapia ou imunoterapia (como os inibidores de checkpoint) pode controlar a doença. O SUS oferece todo o tratamento oncológico de forma integral e gratuita, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde.
O que causa o câncer de células escamosas da pele?
A principal causa é a exposição crônica à radiação ultravioleta (UV) do sol. Outros fatores incluem: pele clara, olhos claros, idade avançada, imunossupressão (pacientes transplantados, HIV, uso prolongado de corticoides), exposição a produtos químicos (arsênio), radiação ionizante (radioterapia prévia), infecção por HPV (principalmente em região genital) e lesões crônicas cutâneas (cicatrizes de queimaduras, úlceras de perna). No Brasil, a exposição solar ocupacional é o principal fator evitável.
Como é o tratamento no SUS?
No Sistema Único de Saúde, o tratamento é gratuito em todas as etapas: consulta na UBS, biópsia, cirurgia ambulatorial (exérese) ou internação hospitalar, radioterapia e quimioterapia se necessário. O acesso é feito via regulação municipal – a UBS solicita a vaga para o serviço de dermatologia ou oncologia. Em clínicas populares, muitas vezes eu mesmo realizo a biópsia e encaminho para a central de vagas. O tempo de espera varia conforme a cidade, mas tumores suspeitos de alto risco têm prioridade.
Qual a diferença entre carcinoma espinocelular e carcinoma basocelular?
O carcinoma basocelular (CBC) é mais frequente (cerca de 70% dos cânceres de pele não melanoma), cresce lentamente, raramente dá metástase e as lesões costumam ter bordas peroladas com telangiectasias. Já o câncer de células escamosas da pele (CEC) é mais agressivo, pode metastatizar, e as lesões são mais ásperas, escamosas ou ulceradas com bordas endurecidas. Ambos são tratados com cirurgia, mas o CEC requer maior margem de segurança e seguimento mais rigoroso.
Como prevenir o câncer de células escamosas da pele?
A prevenção inclui: evitar exposição solar entre 10h e 16h; usar protetor solar FPS ≥30 (repetir a cada 2 horas e após suor ou mergulho); usar chapéu de aba larga, camisa de manga longa e óculos escuros; observar a pele regularmente e consultar um médico se notar lesões suspeitas; tratar as ceratoses actínicas (pré‑cancerosas) com crioterapia ou medicamentos tópicos; evitar bronzeamento artificial (proibido para menores de 18 anos no Brasil por resolução da ANVISA).
Meu câncer de células escamosas da pele vai voltar depois do tratamento?
Existe o risco de recidiva local (5‑10% nos primeiros 2 anos) e de desenvolvimento de um novo tumor em outra área da pele (campo


