sexta-feira, maio 29, 2026

O que é Cateterismo

O que é O que é Cateterismo?

O cateterismo é um procedimento médico minimamente invasivo que utiliza um tubo longo, fino e flexível chamado cateter, inserido geralmente na virilha (artéria femoral) ou no punho (artéria radial), para diagnosticar ou tratar doenças do coração e dos vasos sanguíneos. Na prática do dia a dia de um clínico geral no SUS e em clínicas populares, esse termo surge principalmente quando um paciente chega com dor no peito, falta de ar ou exames alterados, como um eletrocardiograma ou teste ergométrico sugestivos de obstrução coronariana. Eu sempre explico que o cateterismo é uma espécie de “câmera” que vê por dentro das artérias do coração, ajudando a descobrir se há placas de gordura entupindo o fluxo de sangue — condição que, se não tratada, pode levar ao infarto.

No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte, responsáveis por cerca de 30% dos óbitos no país, segundo dados do Ministério da Saúde. O cateterismo cardíaco é o padrão-ouro para diagnóstico de doença arterial coronariana e, graças ao SUS, milhões de brasileiros têm acesso a esse procedimento todos os anos. Em 2023, por exemplo, o Sistema Único de Saúde realizou mais de 200 mil cateterismos diagnósticos e intervencionistas, com cobertura em todas as regiões. É um exame que gera ansiedade no paciente — muitos acham que é uma cirurgia de peito aberto —, mas, na verdade, é um procedimento com anestesia local, sedação leve e recuperação rápida, geralmente em 24 horas.

É importante destacar que o cateterismo não é indicado para todos os pacientes com suspeita de doença cardíaca; a decisão é baseada em critérios clínicos rigorosos, como escore de risco, sintomas típicos e exames não invasivos. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) estabelecem diretrizes claras para sua realização, garantindo segurança e necessidade. No contexto das clínicas populares, muitas vezes o clínico é o primeiro a suspeitar da necessidade e encaminha o paciente para uma unidade de hemodinâmica — seja no SUS ou por convênio/particular — sempre com orientação sobre os riscos e benefícios.

Como funciona / Características

O procedimento começa com a higienização e anestesia local no local de punção (virilha ou punho). Em seguida, o cardiologista intervencionista insere o cateter através da artéria e, guiado por raios-X em tempo real, avança até a origem das artérias coronárias — aquelas que irrigam o músculo do coração. Uma vez posicionado, injeta um contraste iodado e faz radiografias sequenciais (cineangiocoronariografia), revelando se há estreitamentos ou obstruções. O paciente fica acordado, mas sedado, podendo sentir uma leve sensação de calor quando o contraste é injetado — isso é normal.

No cotidiano de um clínico no SUS, explico ao paciente que o cateterismo dura entre 30 e 60 minutos, dependendo da complexidade. Se for apenas diagnóstico, termina ali. Se houver obstrução que precise de tratamento, o médico pode realizar uma angioplastia na mesma hora, colocando um stent (molde metálico) para desobstruir a artéria. Depois do exame, o paciente fica em repouso por algumas horas (geralmente 4 a 6 horas no leito) para evitar sangramento no local da punção, e recebe alta no dia seguinte, com orientações para não pegar peso nem dirigir por uns dias. Vale lembrar que pessoas com alergia a contraste ou com insuficiência renal precisam de cuidados especiais — sempre pergunto sobre isso antes de solicitar.

Uma característica prática que observo em clínicas populares: muitos pacientes chegam com medo de sentir dor durante o cateterismo. Costumo tranquilizá-los dizendo que a anestesia local é eficaz e a sedação deixa a pessoa relaxada. A dor principal é a da injeção anestésica no início, que é rápida. Também menciono que, após o procedimento, algumas pessoas podem apresentar pequenos hematomas ou desconforto local, que desaparecem em dias. A taxa de complicações graves (como infarto, AVC ou perfuração) é muito baixa — inferior a 1% em estudos brasileiros.

Tipos e Classificações

Na prática médica brasileira, o cateterismo é classificado principalmente em dois grandes grupos: cateterismo cardíaco (que avalia o coração e as coronárias) e cateterismo vascular periférico (que estuda artérias das pernas, carótidas, rins etc.). Dentro do cateterismo cardíaco, dividimos em:

  • Cateterismo diagnóstico (cineangiocoronariografia): apenas para visualizar as artérias e medir pressões dentro do coração; não trata lesões.
  • Cateterismo intervencionista: quando associado a angioplastia, implante de stent, ou outras terapias (como valvoplastia para estenose aórtica).

Há também classificações mais técnicas usadas nos laudos do SUS e da ANS, como o Escore SYNTAX para determinar a complexidade das lesões coronarianas, e a classificação de TIMI para fluxo sanguíneo pós-tratamento. No dia a dia, o clínico popular não precisa decorar essas escalas, mas é útil saber que o cardiologista usa esses parâmetros para decidir entre stent ou cirurgia de ponte de safena (revascularização miocárdica). No Brasil, o CFM regulamenta que apenas médicos com título de especialista em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (reconhecido pela SBC) podem realizar o procedimento, garantindo qualidade e segurança.

Quando procurar um médico

Os sinais de alerta que podem indicar a necessidade de um cateterismo incluem:

  • Dor no peito (angina) que aperta, queima ou pesa, especialmente aos esforços e que melhora com repouso.
  • Falta de ar inexplicável ou cansaço exagerado durante atividades rotineiras.
  • Palpitações ou arritmias associadas a alterações em exames cardíacos.
  • Resultado de exames alterados (eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico ou cintilografia miocárdica) sugestivos de isquemia.
  • Infarto agudo do miocárdio recente — nesse caso, o cateterismo de emergência é prioridade total no SUS.

Se você tem fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade ou histórico familiar de doença cardíaca, procure um clínico geral ou cardiologista para avaliação. Não espere a dor no peito se tornar incapacitante. O Sistema Único de Saúde oferece todo o fluxo: da UPA ao ambulatório de especialidades, até o agendamento do cateterismo, que pode levar algumas semanas nos casos eletivos, mas é urgente nas emergências. Lembre-se: infarto não avisa com meses de antecedência — a prevenção é o melhor remédio.

Termos Relacionados

  • Angioplastia — procedimento realizado durante o cateterismo para desobstruir uma artéria, geralmente com balão e stent.
  • Stent — pequeno tubo metálico ou de material especial que é colocado na artéria para mantê-la aberta; pode ser farmacológico (liberando remédio) ou convencional.
  • Cineangiocoronariografia — o nome técnico do exame de raios-X em movimento que filma as artérias coronárias com contraste.
  • Aterosclerose — acúmulo de placas de gordura, colesterol e cálcio nas paredes das artérias, principal causa das obstruções detectadas pelo cateterismo.
  • Infarto do Miocárdio — morte de uma parte do músculo cardíaco por obstrução total de uma artéria; o cateterismo de urgência salva vidas.
  • Angina — dor no peito temporária por falta de oxigênio no coração, sinal de alerta para necessidade de avaliação.
  • Ecocardiograma — ultrassom do coração que ajuda a avaliar a função cardíaca e anteceder o cateterismo.
  • Revascularização miocárdica — termo que engloba a angioplastia com stent e a cirurgia de ponte de safena; opções de tratamento baseadas no resultado do cateterismo.

Perguntas Frequentes sobre O que é Cateterismo

O cateterismo dói?

Durante o procedimento, você recebe anestesia local no local da punção (virilha ou punho) e sedação leve, então a dor é mínima. A maioria dos pacientes relata apenas um desconforto no início da injeção do anestésico e uma sensação de calor passageira quando o contraste é injetado. Após o exame, pode haver um pequeno hematoma ou dor leve no local, que melhora com analgésicos comuns. No geral, é bem tolerado.

Quanto tempo dura o cateterismo?

O procedimento em si leva de 30 a 60 minutos. Porém, você precisará ficar em observação no hospital por algumas horas (em geral 4 a 6 horas de repouso absoluto) e, na maioria dos casos, recebe alta no dia seguinte. Se for realizado um tratamento como angioplastia, o tempo pode se estender um pouco, mas raramente passa de 90 minutos.

Quais são os riscos do cateterismo?

Embora seja um procedimento seguro, existem riscos como sangramento no local da punção, reação alérgica ao contraste, lesão vascular, arritmias ou, muito raramente, infarto ou AVC. No Brasil, a taxa de complicações maiores é inferior a 1% em hospitais com equipe experiente. O médico sempre avalia se os benefícios superam os riscos — por exemplo, em um infarto, o risco de não fazer o cateterismo é muito maior.

Precisa ficar internado?

Sim, geralmente é necessário um período de internação de 12 a 24 horas para repouso e observação. Em casos de cateterismo de emergência (infarto), a internação pode ser mais longa, dependendo da necessidade de cuidados intensivos. No SUS, todo o processo é coberto, incluindo medicação e acompan


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