O que é Células vermelhas do sangue?
As células vermelhas do sangue, também chamadas de hemácias ou eritrócitos, são as células mais numerosas do nosso sangue. Elas são produzidas na medula óssea e têm a função essencial de transportar oxigênio dos pulmões para todos os tecidos do corpo e, de volta, levar gás carbônico para ser eliminado. Na prática de quem atende no SUS e em clínicas populares, esse termo aparece todos os dias no pedido de hemograma – exame que mede a quantidade e a qualidade dessas células.
No Brasil, a deficiência de células vermelhas (conhecida como anemia) é um problema de saúde pública. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 30% das crianças menores de cinco anos em regiões Norte e Nordeste apresentam anemia ferropriva – a mais comum entre nós. Na rotina de uma clínica popular, é frequente atender pacientes com queixa de cansaço, tontura e palpitação, que ao fazer o hemograma revelam hemoglobina baixa. O SUS disponibiliza o exame em todas as unidades básicas de saúde, e o diagnóstico precoce evita complicações como insuficiência cardíaca e atraso no desenvolvimento infantil.
Entender o que são as células vermelhas do sangue ajuda o paciente a reconhecer sinais de alerta e a buscar atendimento adequado. Este verbete foi pensado para esclarecer dúvidas comuns no dia a dia dos consultórios e postos de saúde brasileiros.
Como funciona / Características
Imagine as células vermelhas como pequenas bolinhas flexíveis, em formato de disco (bicôncavo), que carregam uma proteína chamada hemoglobina. É a hemoglobina que dá a cor vermelha e que “prende” o oxigênio para transportá-lo. Cada hemácia vive cerca de 120 dias e depois é destruída no baço. A medula óssea produz novas células continuamente, mas quando essa produção cai ou as células são destruídas precocemente, surge a anemia.
Na prática clínica brasileira, uso um exemplo simples com meus pacientes: “A hemácia é como um caminhãozinho que leva oxigênio para todo o corpo. Se faltam caminhões, o corpo fica ‘sem gasolina’ – cansaço, falta de ar e palidez.” No dia a dia da clínica popular, percebo que muitos pacientes associam esses sintomas a problemas cardíacos ou estresse, mas o hemograma revela a causa. O exame mede três coisas principais: a contagem de hemácias (quantidade), a hemoglobina (concentração) e o hematócrito (volume ocupado pelas células no sangue). Valores alterados indicam anemia ou outras condições, como a policitemia (excesso de células).
Uma característica importante é que as células vermelhas são anucleadas (não têm núcleo) – por isso não se reproduzem – e precisam de nutrientes como ferro, vitamina B12 e ácido fólico para serem formadas. No Brasil, a deficiência de ferro é a principal causa de anemia em crianças e gestantes, e o SUS oferece suplementação de ferro para grupos de risco nas unidades básicas de saúde e pré-natal.
Tipos e Classificações
Na medicina brasileira, classificamos as células vermelhas do sangue principalmente pelo tamanho e pela quantidade de hemoglobina, usando índices do hemograma: VCM (Volume Corpuscular Médio), HCM (Hemoglobina Corpuscular Média) e CHCM (Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média). Esses parâmetros ajudam a diagnosticar o tipo de anemia e orientar o tratamento. Veja as principais categorias:
- Microcítica e hipocrômica: hemácias pequenas e pálidas – típica da anemia ferropriva (falta de ferro), muito comum em crianças e gestantes no Brasil.
- Normocítica e normocrômica: tamanho e cor normais – pode ocorrer em anemias por doenças crônicas (infecções, inflamações, doenças renais) ou carência de eritropoietina.
- Macrocítica: hemácias grandes – associada à deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico, comum em alcoólatras e vegetarianos não suplementados.
- Hemácias falciformes: deformadas em foice – característica da doença falciforme, hereditária e mais prevalente na população negra brasileira. O SUS tem programa de triagem neonatal (teste do pezinho) para essa doença.
Na prática, quando recebo um resultado de hemograma, olho primeiro a hemoglobina e depois o VCM. Por exemplo: “Dona Maria, sua hemoglobina está 9,5 (normal acima de 12) e o VCM está baixo, indicando anemia por falta de ferro. Vamos investigar a causa e iniciar o sulfato ferroso, que é distribuído gratuitamente no posto.” Essa abordagem simples faz diferença no cuidado.
Quando procurar um médico
Você deve procurar um médico (clínico geral ou hematologista) se apresentar um ou mais dos seguintes sinais, que podem indicar alterações nas células vermelhas do sangue:
- Cansaço excessivo (fadiga) que não melhora com repouso
- Palidez na pele, nas mucosas (parte interna da boca) e nas unhas
- Falta de ar aos pequenos esforços, como subir escadas
- Tontura, dor de cabeça frequente ou sensação de desmaio
- Coração acelerado (palpitação) mesmo em repouso
- Unhas quebradiças ou em forma de colher (coiloníquia)
- Dificuldade de concentração e baixo rendimento no trabalho ou escola
Nas clínicas populares, é comum pacientes chegarem com queixas vagas de “cansaço” e “fraqueza”. Muitas vezes, atribuem isso ao estresse ou à idade. Mas um simples hemograma, disponível no SUS, pode diagnosticar anemia precocemente. Não ignore esses sinais, principalmente se você está em grupo de risco: crianças, gestantes, mulheres em idade fértil, idosos, pessoas com doenças crônicas (rins, intestino) ou usuários de medicamentos que afetam a medula óssea.
Além disso, em caso de icterícia (pele amarelada) ou urina escura, pode haver destruição excessiva de hemácias (hemólise) – situação que exige avaliação médica urgente. No SUS, o encaminhamento para o hematologista pode ser feito pela unidade básica de saúde.
Termos Relacionados
- Hemoglobina: proteína dentro das hemácias que transporta oxigênio. Seu valor baixo define anemia.
- Hematócrito: porcentagem do volume de sangue ocupado pelas células vermelhas. Ajuda a avaliar a gravidade da anemia.
- Anemia: condição de redução da quantidade de células vermelhas ou hemoglobina, com sintomas variados.
- Hemograma: exame de sangue que conta as células vermelhas, brancas e plaquetas. É o principal teste para avaliar as hemácias.
- Eritropoietina: hormônio produzido pelos rins que estimula a medula óssea a produzir novas hemácias. Usado no tratamento de anemias renais.
- Doença falciforme: doença genética em que as hemácias assumem forma de foice, causando crises de dor e anemia crônica. Mais comum em negros.
- Sulfato ferroso: suplemento de ferro usado no tratamento da anemia ferropriva, distribuído gratuitamente no SUS.
- VCM (Volume Corpuscular Médio): índice que mede o tamanho médio das hemácias, ajudando a classificar a anemia.
Perguntas Frequentes sobre O que é Células vermelhas do sangue
O que causa a diminuição das células vermelhas?
As causas mais comuns são: deficiência de ferro (alimentação pobre, sangramento como menstruação intensa ou verminose), deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico (dieta inadequada, alcoolismo, doenças intestinais), doenças crônicas (insuficiência renal, artrite reumatoide, câncer), doenças hereditárias (talassemia, anemia falciforme) e perda sanguínea (hemorragias). No Brasil, a anemia ferropriva é a principal causa, especialmente em crianças e gestantes.
Como saber se tenho anemia?
O diagnóstico é feito por exame de sangue chamado hemograma. Ele mostra a quantidade de células vermelhas, os níveis de hemoglobina e o hematócrito. Mulheres adultas têm hemoglobina normal acima de 12 g/dL; homens acima de 13 g/dL. Crianças e gestantes têm valores de referência diferentes. O exame é simples, de baixo custo e está disponível no SUS.
Quais alimentos ajudam a aumentar as células vermelhas?
Alimentos ricos em ferro (carnes vermelhas, feijão, lentilha, folhas verde-escuras como couve e espinafre), vitamina C (laranja, limão, acerola) que aumenta a absorção de ferro, e vitamina B12 (carne, ovos, leite) ou ácido fólico (vegetais verdes, fígado). Uma alimentação equilibrada, com acompanhamento de nutricionista, é fundamental. Mas só a dieta pode não ser suficiente nos casos de anemia moderada a grave – medicamentos como


