O que é Colostomia?
Colostomia é um procedimento cirúrgico que cria uma abertura no abdômen, chamada de estoma, conectando o intestino grosso (cólon) ao exterior. Através dessa abertura, as fezes são eliminadas em uma bolsa coletora especial, por onde o paciente faz suas necessidades. Na prática clínica do SUS e de clínicas populares, a colostomia é frequentemente realizada em situações onde o trânsito intestinal normal não pode ser mantido – como em casos de câncer colorretal avançado, perfuração intestinal, trauma abdominal grave, ou complicações de doenças inflamatórias como a doença de Crohn. Estima-se que, só pelo SUS, mais de 40 mil pessoas vivem com algum tipo de estomia no Brasil, sendo a colostomia a mais comum entre elas.
No Brasil, a colostomia é amparada por políticas públicas específicas. O Ministério da Saúde, por meio da Portaria nº 400/2001, garante o fornecimento gratuito de bolsas coletoras, placas e outros acessórios essenciais para os pacientes cadastrados no SUS. Além disso, a ANVISA regula a qualidade dos dispositivos, e o CFM estabelece as diretrizes técnicas para a realização da cirurgia, sempre priorizando a segurança do paciente. Dados do INCA mostram que o câncer colorretal é o terceiro tipo mais comum no Brasil, com cerca de 45 mil novos casos por ano, e muitos deles necessitam de colostomia temporária ou definitiva durante o tratamento. Em clínicas populares, onde o acesso a cirurgias de alta complexidade é limitado, o paciente chega muitas vezes já com a indicação feita por um hospital de referência do SUS, e o papel do médico de família é dar suporte no pós-operatório, nos cuidados com o estoma e na orientação sobre o uso dos materiais.
O termo colostomia também aparece no cotidiano das consultas quando o paciente traz dúvidas sobre o impacto na qualidade de vida: “Doutor, vou dar a volta por cima?”, “Meus familiares vão conseguir cuidar de mim?”, “Posso voltar a trabalhar?”. É um procedimento que, embora transforme a vida, não a impede. Com acompanhamento adequado, muitos pacientes retornam às atividades normais, praticam esportes e viajam. A chave está no entendimento clínico e emocional – algo que, como médico do SUS, aprendemos na marra: a colostomia é uma cirurgia que salva vidas, mas exige um cuidado multidisciplinar contínuo.
Como funciona / Características
Na prática, uma colostomia funciona como uma “boca” artificial na barriga. Durante a cirurgia, o cirurgião isola uma parte do cólon, trazendo-a para fora da pele e fixando-a com pontos. Esse orifício – o estoma – não tem terminações nervosas, portanto não dói quando tocado, mas precisa ser mantido úmido e limpo para evitar infecções. As fezes são eliminadas involuntariamente, e o paciente usa uma bolsa coletora descartável que adere à pele ao redor do estoma. A bolsa deve ser trocada a cada 1 a 3 dias, dependendo do volume de fezes e do tipo de dispositivo.
O paciente adapta-se a uma nova rotina de higiene: lavar a região com água morna e sabão neutro, secar bem, aplicar uma placa base (que protege a pele) e encaixar a bolsa. No SUS, kits padronizados são distribuídos mensalmente, mas em clínicas populares muitos pacientes queixam-se de atrasos ou de dificuldade para conseguir os materiais adequados – principalmente quando há alergia a adesivos ou dermatites periestoma. Nesses casos, a orientação médica inclui o uso de cremes barreira e, se necessário, o encaminhamento para um estomaterapeuta (enfermeiro especializado).
Outra característica importante é que a colostomia pode ser temporária ou definitiva. A temporária é comum em situações onde se espera uma recuperação do intestino, como após uma cirurgia de diverticulite complicada ou um trauma. Já a definitiva acontece quando não há mais possibilidade de reconstrução intestinal, como em câncer de reto muito baixo. No dia a dia do SUS, vemos pacientes que carregam a colostomia por anos, com plena capacidade de se cuidar sozinhos após o treinamento adequado. A bolsa pode ser esvaziada no vaso sanitário e, com filtros de carvão, o odor é controlado – um ponto que gera muita ansiedade, mas que é perfeitamente manejável.
Tipos e Classificações
As colostomias são classificadas principalmente pela localização no cólon, o que influencia a consistência das fezes e a frequência da eliminação. Os principais tipos, usados na prática clínica brasileira, são:
- Colostomia ascendente: feita no cólon ascendente (lado direito). As fezes são mais líquidas e ácidas, exigindo bolsas com maior capacidade e cuidado com a pele.
- Colostomia transversal: localizada no meio do abdômen, geralmente temporária. As fezes são pastosas, e o estoma costuma ser maior, exigindo placas de maior diâmetro.
- Colostomia descendente ou sigmoide: posicionada no lado esquerdo. As fezes são mais sólidas, próximas ao normal, e a eliminação pode ser controlada em alguns pacientes com irrigação intestinal – técnica ensinada no SUS para melhorar a autoestima.
Outra classificação importante é quanto ao tempo: temporária vs. definitiva. A temporária é comum em cirurgias de urgência (por exemplo, trauma ou obstrução intestinal), e a reconstrução costuma ser programada 6 a 12 semanas depois. Já a definitiva ocorre quando o segmento distal do intestino é removido (como em cirurgias para câncer de reto ou ânus). As equipes do SUS e de clínicas populares seguem os protocolos da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, que recomendam o registro da classificação no prontuário para planejamento do cuidado e da reabilitação.
Quando procurar um médico
O paciente com colostomia deve estar atento a sinais de complicações. Em clínicas populares, as queixas mais comuns que levam a uma consulta de urgência são:
- Vermelhidão, coceira ou feridas na pele ao redor do estoma (dermatite periestoma) – pode indicar alergia ao adesivo ou contato prolongado com as fezes. É importante higienizar corretamente e usar cremes barreira prescritos.
- Sangramento pelo estoma – se pequeno, pode ser devido à fricção da bolsa; se volumoso ou persistente, requer avaliação imediata.
- Alteração no volume ou consistência das fezes – diarreia intensa ou ausência de eliminação por mais de 24 horas pode indicar obstrução intestinal ou desidratação.
- Dor abdominal forte, náuseas ou vômitos – sinais de obstrução ou isquemia do estoma.
- Febre ou calafrios – podem ser sintomas de infecção intra-abdominal.
- Mau cheiro excessivo ou mudança na cor da pele ao redor do estoma – pode sugerir infecção fúngica ou bacteriana.
Oriento sempre aos pacientes: “Se você notar qualquer um desses sinais, não espere. Procure a UBS mais próxima, ou, se estiver fora do horário comercial, vá a um pronto-socorro. A maioria das complicações tem tratamento simples, mas quanto mais cedo, melhor.” Além disso, é fundamental manter a carteira de cadastro no SUS atualizada para receber os materiais regularmente. Caso haja dificuldade no acesso, o médico da atenção primária pode intervir para garantir o fornecimento contínuo.
Termos Relacionados
- Estoma: abertura cirúrgica no abdômen que permite a eliminação de fezes ou urina. Na colostomia, o estoma é feito com o cólon.
- Ileostomia: semelhante à colostomia, mas a abertura é feita no íleo (intestino delgado). As fezes são mais líquidas e a perda de sais e água é maior.
- Urostomia: abertura para eliminar urina, geralmente após cirurgia para câncer de bexiga.
- Bolsa coletora: dispositivo descartável que se fixa ao estoma para recolher as fezes. Existem modelos de uma peça (integrados) e de duas peças (placa separada da bolsa).
- Placa base: adesivo cutâneo que se adapta ao redor do estoma, protegendo a pele e garantindo a vedação.
- Estomaterapeuta: enfermeiro especializado no cuidado de pessoas com estomia. No SUS, é o profissional que treina o paciente e avalia complicações.
- Nutrição enteral: alimentação por sonda, que pode ser necessária temporariamente em pacientes com colostomia de alto débito.
- Câncer colorretal: principal causa de colostomia no Brasil. O rastreamento com colonoscopia pode evitar a necessidade da cirurgia em casos avançados.
Perguntas Frequentes sobre Colostomia
A colostomia é reversível?
Sim, depende do tipo. A colostomia temporária pode ser revertida em uma cirurgia programada, geralmente após 3 a 6 meses, quando o intestino distal está saudável. Já a colostomia definitiva não tem reversão, mas o paciente pode se adaptar perfeitamente. No SUS, a cirurgia de reversão é oferecida dentro dos protocolos de cada estado, e o tempo de espera varia.
Posso tomar banho com a colostomia?
Sim, sem problemas. Você pode tomar banho com a bolsa ou removê-la se preferir. A água não danifica o estoma. Use sabão neutro e seque a região delicadamente. A bolsa comum é impermeável, então você pode mantê-la durante o banho. Se usar uma bolsa especial (tipo “para banho”), pode removê-la e lavar a área.
Qual dieta é recomendada para quem tem colostomia?
Não há uma dieta única, mas algumas orientações ajudam a evitar gases e diarreia. Evite feijão, repolho, cebola crua, refrigerantes e alimentos muito gordurosos. Coma mastigando bem, em pequenas porções. Inclua fibras solúveis (banana, maçã sem casca, aveia) para firmar as fezes. Beba bastante água. No SUS, o nutricionista da equipe de estomia dá um plano alimentar personalizado.
Como conseguir os materiais pelo SUS?
O fornecimento é garantido pela Portaria MS nº 400/2001. Você precisa ser cadastrado na Secretaria Municipal de Saúde como pessoa com estomia. O cadastro é feito no hospital onde foi realizada a cirurgia ou na UBS. A partir daí, você recebe mensalmente bolsas, placas, pasta protetora e outros itens. Em caso de atraso, procure o Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) da sua cidade ou o Ministério Público para garantir o direito.
A colostomia tem cheiro?
Com os cuidados adequ


