quinta-feira, maio 28, 2026

Dacrioadenite: quando o inchaço no canto do olho pode ser grave?

O que é Dacrioadenite: quando o inchaço no canto do olho pode ser grave?

A dacrioadenite é a inflamação da glândula lacrimal, estrutura responsável pela produção da maior parte da lágrima que lubrifica e protege a superfície ocular. Essa glândula está localizada na porção superior externa da órbita ocular, ou seja, na região do canto externo do olho (próximo à têmpora). Quando ocorre a inflamação, o paciente percebe um inchaço localizado, doloroso ou não, que pode evoluir com vermelhidão, sensação de pressão e, em casos mais graves, alteração na visão.

Apesar de muitos inchaços na região dos olhos serem benignos e autolimitados — como um terçol ou uma simples alergia — a dacrioadenite merece atenção especial. Ela pode ser classificada como aguda (início súbito, com dor intensa e sinais infecciosos) ou crônica (instalação lenta, muitas vezes indolor e associada a doenças sistêmicas). O grande alerta é quando o inchaço no canto do olho vem acompanhado de febre, dor à movimentação ocular, visão dupla ou proptose (olho saltado), sinais que indicam possível complicação como abscesso ou extensão para a órbita.

Embora a maioria dos casos de dacrioadenite tenha boa resposta ao tratamento clínico com anti-inflamatórios ou antibióticos, a demora no diagnóstico pode levar a complicações sérias, como celulite orbitária, meningite ou perda visual. Por isso, qualquer inchaço persistente ou progressivo na região lateral da pálpebra superior deve ser avaliado por um oftalmologista.

Como funciona / Características

A glândula lacrimal é uma glândula exócrina do tipo tubuloacinar, localizada na fossa lacrimal do osso frontal. Ela é dividida em duas porções: a porção orbital (maior) e a porção palpebral (menor), separadas pelo tendão do músculo levantador da pálpebra superior. A inflamação pode acometer uma ou ambas as porções, resultando em um quadro clínico característico.

No caso da dacrioadenite aguda, o paciente geralmente apresenta:

  • Inchaço no terço externo da pálpebra superior, com formato de “S” invertido (edema em forma de gancho);
  • Dor à palpação da região e ao movimentar o olho para cima e para fora;
  • Vermelhidão e calor local;
  • Possível secreção purulenta pelo ducto lacrimal (ponto lacrimal superior);
  • Febre e mal-estar geral, em casos infecciosos.

Já na dacrioadenite crônica, o quadro é mais arrastado. O inchaço pode ser firme, indolor e de crescimento lento. Muitas vezes, está associado a doenças como sarcoidose, doença de Sjögren, lúpus eritematoso sistêmico ou tuberculose. Nesses casos, o diagnóstico diferencial com tumores da glândula lacrimal (como adenoma pleomórfico ou carcinoma) é fundamental.

Um exemplo prático: imagine uma paciente de 35 anos que chega ao pronto-socorro com olho direito inchado há 2 dias, dor intensa ao tocar a região lateral da pálpebra e febre de 38,5°C. Ao exame, observa-se edema em “S” e secreção amarelada saindo do ducto lacrimal. O diagnóstico é de dacrioadenite aguda bacteriana, provavelmente causada por Staphylococcus aureus. O tratamento com antibiótico oral e anti-inflamatório resolve o quadro em 7 a 10 dias. Se houver formação de abscesso, pode ser necessária drenagem cirúrgica.

Tipos e Classificações

A dacrioadenite pode ser classificada de acordo com a evolução temporal, a causa e a extensão do processo inflamatório:

1. Quanto à evolução:

  • Dacrioadenite aguda: instalação rápida (horas a dias), com sinais flogísticos evidentes. Geralmente de causa infecciosa (bacteriana ou viral).
  • Dacrioadenite crônica: desenvolvimento lento (semanas a meses), muitas vezes indolor. Pode ser de causa inflamatória não infecciosa (autoimune) ou neoplásica.

2. Quanto à causa:

  • Infecciosa: bactérias (Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae), vírus (caxumba, Epstein-Barr, herpes simples, HIV), fungos ou parasitas.
  • Inflamatória não infecciosa: sarcoidose, doença de Sjögren, lúpus, granulomatose de Wegener (granulomatose com poliangiite), doença de Crohn.
  • Neoplásica: tumores benignos (adenoma pleomórfico) ou malignos (carcinoma adenoide cístico, linfoma) que podem mimetizar uma dacrioadenite crônica.

3. Quanto à localização:

  • Dacrioadenite primária: inflamação restrita à glândula lacrimal.
  • Dacrioadenite secundária: extensão de processo inflamatório de estruturas adjacentes (órbita, seios paranasais, pálpebra).

Quando é usado / Aplicação prática

O termo dacrioadenite é utilizado principalmente no contexto clínico e cirúrgico da oftalmologia. O diagnóstico é feito por meio de:

  • Anamnese e exame físico: palpação da região, inspeção do edema em “S”, avaliação da motilidade ocular e presença de secreção.
  • Exames laboratoriais: hemograma, PCR, VHS, sorologias virais, testes autoimunes (FAN, anti-Ro/La).
  • Exames de imagem: ultrassonografia de órbita, tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) para avaliar o tamanho da glândula, presença de abscesso ou massa tumoral.
  • Biopisia: indicada em casos crônicos ou suspeita de neoplasia.

Na prática, o oftalmologista usa esse diagnóstico para diferenciar a dacrioadenite de outras condições que causam inchaço no canto do olho, como:

  • Terçol (hordéolo): infecção das glândulas de Zeiss ou Moll na borda palpebral;
  • Calázio: inflamação granulomatosa da glândula de Meibômio;
  • Celulite orbitária: infecção mais profunda, com proptose e limitação dos movimentos oculares;
  • Dacriocistite: inflamação do saco lacrimal, localizada no canto interno do olho (próximo ao nariz).

O tratamento varia conforme a causa: antibióticos sistêmicos para casos bacterianos, antivirais para infecções virais (como caxumba), anti-inflamatórios não esteroides ou corticoides para causas autoimunes, e cirurgia para abscessos ou tumores.

Termos Relacionados

  • Glândula lacrimal: estrutura responsável pela produção da lágrima, localizada na porção superior externa da órbita.
  • Dacriocistite: inflamação do saco lacrimal, geralmente no canto interno do olho.
  • Celulite orbitária: infecção grave dos tecidos da órbita, que pode ser complicação da dacrioadenite.
  • Proptose: deslocamento anterior do globo ocular (olho saltado), sinal de alerta em processos expansivos orbitários.
  • Edema em “S” invertido: sinal clínico clássico da dacrioadenite, caracterizado por inchaço na pálpebra superior com formato de gancho.
  • Sarcoidose: doença inflamatória sistêmica que pode causar dacrioadenite crônica.
  • Síndrome de Sjögren: doença autoimune que afeta glândulas exócrinas, incluindo a lacrimal.
  • Biopisia de glândula lacrimal: procedimento diagnóstico para diferenciar inflamação crônica de neoplasia.

Perguntas Frequentes sobre Dacrioadenite: quando o inchaço no canto do olho pode ser grave?

1. Qual a diferença entre dacrioadenite e terçol?

O terçol (hordéolo) é uma infecção aguda das glândulas sebáceas da borda palpebral (glândulas de Zeiss ou Moll), manifestando-se como um pequeno nódulo doloroso na margem da pálpebra. Já a dacrioadenite é a inflamação da glândula lacrimal, localizada mais profundamente, no canto externo superior do olho. Enquanto o terçol é superficial e geralmente autolimitado, a dacrioadenite pode ser mais grave, exigindo tratamento específico e acompanhamento oftalmológico.

2. Quando o inchaço no canto do olho é considerado grave?

O inchaço no canto do olho deve ser considerado grave quando: (a) surge de forma súbita e progressiva; (b) é acompanhado de dor intensa, febre ou mal-estar; (c) causa visão dupla, diminuição da visão ou proptose (olho saltado); (d) há secreção purulenta pelo ducto lacrimal; (e) o paciente apresenta doenças sistêmicas como diabetes, imunossupressão ou doenças autoimunes. Nesses casos, a suspeita de dacrioadenite aguda complicada ou celulite orbitária deve ser investigada com urgência.

3. Dacrioadenite pode ser contagiosa?

A dacrioadenite em si não é contagiosa, mas a causa infecciosa que a desencadeia pode ser transmissível. Por exemplo, a caxumba (parotidite infecciosa) é uma doença viral altamente contagiosa que pode causar dacrioadenite como complicação. Da mesma forma, infecções bacterianas como as causadas por Staphylococcus aureus podem ser transmitidas por contato direto com secreções. No entanto, a maioria dos casos de dacrioadenite não representa risco de transmissão direta para contatos próximos.

4. Como é feito o diagnóstico de dacrioadenite?

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico. O oftalmologista procura o edema em “S” invertido na pálpebra superior, dor à palpação da região lateral da órbita e sinais de secreção. Exames complementares incluem: ultrassonografia de órbita (para avaliar o tamanho e a ecogenicidade da glândula), tomografia computadorizada (para descartar abscesso ou extensão orbitária) e exames laboratoriais (hemograma, PCR, sorologias virais e autoimunes). Em casos crônicos ou suspeita de tumor, a biópsia da glândula lacrimal é indicada.

5. Qual o tratamento para dacrioadenite? Precisa de cirurgia?

O tratamento depende da causa. Na dacrioadenite aguda bacteriana, são prescritos antibióticos orais (como amoxicilina-clavulanato ou cefalosporina) por 7 a 14 dias, associados a anti-inflamatórios não esteroides e compressas mornas. Se houver formação de abscesso, pode ser necessária drenagem cirúrgica. Na dacrioadenite viral (como na caxumba), o tratamento é de suporte com analgésicos e repouso. Já nas formas crônicas autoimunes, utilizam-se corticoides ou imunossupressores. A cirurgia é reservada para casos de abscesso, tumores ou quando o tratamento clínico não é eficaz. O acompanhamento com oftalmologista é essencial para evitar complicações.