quinta-feira, maio 28, 2026

O que é Displasia da anca

O que é Displasia da anca?

A displasia da anca (também chamada de displasia do desenvolvimento do quadril ou DDQ) é uma condição em que o encaixe entre a cabeça do fêmur (osso da coxa) e o acetábulo (a cavidade da bacia) não se forma adequadamente. Imagine uma tampa mal encaixada em um pote: o osso da coxa fica frouxo dentro da articulação do quadril, podendo se deslocar parcial ou totalmente. Nas clínicas populares e no SUS, esse é um diagnóstico que aparece com mais frequência nos primeiros meses de vida, durante a triagem neonatal realizada pelo pediatra ou ortopedista.

No Brasil, estima-se que 1 a 2 em cada 1.000 bebês nascidos vivos apresentem algum grau de displasia da anca, segundo dados do Ministério da Saúde. A condição é mais comum em meninas, em bebês que nasceram de parto pélvico (sentado) e em casos com histórico familiar. A importância do diagnóstico precoce é enorme, pois quando identificada nos primeiros 6 meses, o tratamento é simples e tem sucesso em mais de 95% dos casos – evitando sequelas como dor, claudicação (manqueira) e artrose precoce na vida adulta.

No dia a dia da clínica popular, muitas gestantes chegam com dúvidas sobre o teste do quadril, que faz parte do Teste do Pezinho ampliado em alguns municípios. O ortopedista do SUS realiza manobras específicas (como a de Ortolani e Barlow) para detectar a frouxidão. Infelizmente, ainda há subdiagnóstico em regiões com menos acesso a especialistas, por isso o exame de ultrassom do quadril (recomendado entre 4 e 6 semanas de vida) está sendo gradualmente incorporado na rede pública.

Como funciona / Características

A displasia da anca acontece porque o acetábulo (a parte da bacia que recebe a cabeça do fêmur) não se desenvolve com a profundidade ideal. Em um quadril normal, a cabeça do fêmur fica bem centralizada dentro da cavidade, permitindo movimentos suaves e estáveis. Quando há displasia, essa cabeça tende a escorregar para fora – é o que chamamos de luxação (quando sai completamente) ou subluxação (quando sai parcialmente, mas volta).

Na prática clínica, percebemos que o problema pode ser leve (apenas uma imaturidade da articulação) ou grave (luxação total). Muitas vezes a mãe nota que uma perninha do bebê parece mais curta, que as dobras das coxas são assimétricas ou que o bebê tem dificuldade para abrir as pernas durante a troca de fraldas. Esses sinais são os “alertas” que a equipe de saúde da família ensina os pais a observar. Em crianças maiores e adultos, a displasia não diagnosticada pode se manifestar como dor na virilha, cansaço ao andar e desgaste precoce da cartilagem – o que chamamos de coxa plana ou artrose do quadril.

Um exemplo comum no consultório: uma mãe de primeira viagem chega preocupada porque a avó disse que o bebê “tem um barulhinho no quadril” ao trocar a fralda. Esse “clique” ou “estalo” pode ser inofensivo (ligamentos normais do bebê), mas também pode ser um sinal de instabilidade. Aí entramos com a avaliação clínica e, se necessário, encaminhamos para ultrassom – procedimento coberto pelo SUS em centros de referência.

Tipos e Classificações

No Brasil, a classificação mais usada na prática clínica e nos protocolos do SUS é baseada nos achados do exame físico e de imagem. Existem três tipos principais:

  • Displasia leve (imaturidade acetabular): O acetábulo é mais raso que o normal, mas a cabeça do fêmur ainda está dentro da cavidade. Geralmente detectada por ultrassom. O tratamento pode ser apenas observação e fisioterapia, ou uso de órtese leve.
  • Subluxação: A cabeça do fêmur sai parcialmente da cavidade, mas não se desloca completamente. O bebê pode ter mobilidade normal, mas o quadril fica instável. Exige tratamento com órtese (como o suspensório de Pavlik).
  • Luxação total: A cabeça do fêmur está completamente fora do acetábulo. A perna afetada fica mais curta e a criança manca ao andar. O tratamento geralmente começa com órtese e, se não houver correção, pode necessitar de cirurgia após os 6 meses.

Além disso, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) recomenda o uso da classificação de Graf (por ultrassom) para padronizar o diagnóstico: tipos I (normal), II (imaturo), III (deslocamento parcial) e IV (luxação total). Essa classificação é adotada nos serviços de referência do SUS para definir a necessidade de tratamento e o tipo de órtese.

Quando procurar um médico

Você deve procurar um pediatra ou ortopedista pediátrico se o seu bebê apresentar qualquer um dos sinais abaixo, especialmente nos primeiros 6 meses de vida:

  • Assimetria das dobras da coxa (uma perna tem mais dobras que a outra)
  • Uma perna parece mais curta que a outra
  • Dificuldade para abrir as pernas do bebê (mobilidade reduzida)
  • Clique ou estalo audível ao movimentar o quadril
  • Bebê que nasceu de parto pélvico (sentado)
  • Histórico familiar de displasia da anca (pais, irmãos, tios)
  • Bebê que ficou com as pernas esticadas por muito tempo (ex: uso inadequado de cadeirinhas, andadores ou bebê conforto mal posicionado)

Se a criança já anda e apresenta manqueira (claudicação), dor na virilha ou no joelho (sem causa aparente), ou cansaço ao caminhar, também deve ser avaliada. O diagnóstico precoce é a chave para evitar intervenções mais complexas. Nunca espere que “passe sozinho” – o quadril imaturo pode piorar com o crescimento.

Termos Relacionados

  • Teste do quadril (Manobra de Ortolani e Barlow): Exame físico feito pelo pediatra ou ortopedista para detectar instabilidade do quadril em recém-nascidos. É rápido, indolor e parte do check-up neonatal.
  • Órtese de Pavlik: Equipamento ortopédico usado em bebês com displasia leve a moderada. Mantém as pernas do bebê em posição de “abdução” (abertas) para que a cabeça do fêmur se encaixe corretamente.
  • Ultrassom do quadril: Exame de imagem sem contraindicação, indicado entre 4 e 6 semanas de vida para confirmar ou descartar displasia em bebês com fatores de risco.
  • Luxação congênita do quadril: Termo antigo para a forma mais grave de displasia, em que o quadril já nasce deslocado. Hoje prefere-se o termo “displasia do desenvolvimento do quadril”.
  • Artrose do quadril (coxartrose): Desgaste da cartilagem da articulação do quadril, que pode ser consequência de displasia não tratada. É uma das principais causas de cirurgia de prótese de quadril no SUS.
  • Claudicação (mancada): Alteração na marcha, geralmente com inclinação do tronco para um lado, comum em crianças com luxação de quadril não diagnosticada.
  • Fisioterapia pediátrica: Abordagem complementar ao tratamento, com exercícios para fortalecer a musculatura e estimular o desenvolvimento motor adequado.
  • Triagem neonatal (Teste do Pezinho): Programa do SUS que inclui, em alguns estados, a triagem para displasia da anca por meio do exame físico do quadril – mas não é universal.

Perguntas Frequentes sobre O que é Displasia da anca

Displasia da anca tem cura?

Sim, a displasia da anca tem cura quando diagnosticada e tratada precocemente. Em bebês, o tratamento com órtese de Pavlik tem sucesso superior a 90% nos primeiros 6 meses. Se o diagnóstico for tardio (após 1 ano), a correção pode exigir cirurgia, mas ainda assim é possível reverter o quadro na maioria dos casos. O importante é não atrasar a procura por um especialista.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com o exame físico, que inclui as manobras de Ortolani e Barlow. Se houver suspeita, o médico pede um ultrassom do quadril (para bebês até 6 meses) ou raio-X (para crianças maiores e adultos). No SUS, o ultrassom está disponível em centros de referência, mas a oferta ainda é limitada em algumas regiões. Por isso, a suspeita clínica é fundamental.

Quais são os sintomas em bebês?

Os pais podem notar assimetria das dobras das coxas, uma perna aparentemente mais curta, dificuldade para abrir as pernas durante a troca de fraldas ou um “clique” ao movimentar o quadril. Bebês com luxação podem ter mobilidade normal nos primeiros meses, mas quando começam a engatinhar ou andar, a manqueira aparece.

O tratamento dói?

O tratamento inicial com órtese de Pavlik não dói – a criança se adapta rapidamente e continua se movimentando normalmente. É importante que a órtese seja ajustada por um profissional e que os pais sigam as orientações de uso (geralmente 23 horas por dia nos primeiros meses). Em casos de cirurgia (raro), há dor pós-operatória controlada com medicamentos e fisioterapia.

Pode voltar depois de tratado?

Após o tratamento bem-sucedido, o quadril costuma se desenvolver normalmente e não há recorrência. No entanto, é importante fazer acompanhamento ortopédico durante a infância para garantir que o crescimento ósseo esteja adequado. Em adultos, a displasia residual leve pode ser assintomática ou evoluir para artrose ao longo dos anos.

Adultos podem ter displasia da anca?

Sim, adultos podem ter displasia da anca não diagnosticada na infância. Muitas vezes, a pessoa tem dores na virilha, cansaço ao andar e limitação de movimentos. O diagnóstico é feito por raio-X e ressonância magnética. O tratamento pode incluir fisioterapia, medicamentos e, em casos graves, cirurgia de realinhamento ósseo (osteotomia) ou até prótese de quadril.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.

Saiba mais: Ministério da Saúde – Desenvolvimento Infantil | Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia


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