Você acende um cigarro e sente aquela pausa no dia. Mas o que parece inofensivo pode estar destruindo, lentamente, a circulação dos seus braços e pernas. A doença de Buerger não é comum, mas quando aparece, costuma ser traiçoeira.
Um paciente de 38 anos, fumante desde a adolescência, começou a sentir câimbras na panturrilha ao andar algumas quadras. Parava, descansava e passava. Achou que era cansaço. Só que os dedos do pé esquerdo ficaram roxos e gelados. Ele precisou de atendimento de urgência.
É mais comum do que parece que fumantes jovens ignorem esses sinais. E ignorar, em se tratando de doença de Buerger, pode custar um membro.
O que é doença de Buerger — explicação real, não de dicionário
A doença de Buerger, também chamada de tromboangeíte obliterante, é uma condição inflamatória rara que afeta os vasos sanguíneos de pequeno e médio calibre. Diferente da aterosclerose comum, aqui não há placas de gordura: o próprio sistema imunológico ataca as paredes dos vasos, formando coágulos que interrompem o fluxo de sangue.
Na prática, isso significa que as extremidades — mãos e pés — recebem cada vez menos oxigênio. Tecidos começam a morrer. E o principal gatilho é o tabaco. Estima-se que mais de 90% dos pacientes com doença de Buerger sejam fumantes ou usuários de tabaco.
Uma leitora de 42 anos nos perguntou se a doença de Buerger pode aparecer mesmo em quem não fuma muito. A resposta é sim, mas o risco é diretamente proporcional ao consumo. O cigarro eletrônico também já foi associado a casos graves.
Doença de Buerger é normal ou preocupante?
Não, a doença de Buerger não é normal. Ela é considerada uma condição séria e progressiva. O que muitas pessoas confundem com “má circulação” ou “cansaço nas pernas” pode ser o primeiro sinal de obstrução vascular.
Segundo relatos de pacientes, o sintoma inicial costuma ser a claudicação intermitente — aquela dor que aparece ao caminhar e melhora com o repouso. Com o tempo, a dor passa a ocorrer mesmo em repouso, e os dedos ficam pálidos, roxos ou até escuros.
Se você está sentindo isso, preste atenção. A doença de Buerger não melhora sozinha.
Doença de Buerger pode indicar algo grave?
Sim. A doença de Buerger pode indicar que o sistema vascular está sendo gravemente comprometido. Além da dor crônica, a falta de irrigação sanguínea leva a úlceras (feridas abertas) e necrose (morte do tecido). Em estágios avançados, a amputação dos dedos, pés ou mãos é a única saída.
Um estudo mostrou que até 40% dos pacientes podem precisar de amputação em 10 anos se continuarem fumando. A taxa cai drasticamente com a cessação do tabagismo.
Por isso, o diagnóstico precoce é essencial para evitar desfechos irreversíveis. Se você fuma e sente dores nas pernas, veja aqui como outros sintomas podem estar conectados a síndromes vasculares.
Causas mais comuns
Tabagismo — o principal culpado
O uso de cigarros, charutos, cachimbos ou tabaco mascado é a causa mais forte e direta, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre tabaco. Substâncias químicas do tabaco desencadeiam uma reação inflamatória nos vasos de pessoas suscetíveis. A doença de Buerger praticamente não existe em não fumantes.
Fatores genéticos e imunológicos
Pessoas com certos antígenos HLA (como HLA-A9, HLA-B5) têm maior predisposição. O sistema imune ataca equivocadamente as células dos vasos sanguíneos. Por isso, nem todo fumante desenvolve a doença.
Sexo e idade
Acomete principalmente homens jovens entre 20 e 40 anos, mas mulheres fumantes também estão em risco. A incidência aumentou entre mulheres nas últimas décadas devido ao maior consumo de tabaco. A doença de Buerger também pode se manifestar em usuários de cigarro eletrônico.
Sintomas associados
- Dor nas pernas ou braços ao caminhar ou fazer esforço (claudicação intermitente)
- Dor em repouso, especialmente à noite
- Dedos das mãos ou pés pálidos, azulados ou avermelhados (fenômeno de Raynaud)
- Sensação de frio constante nas extremidades
- Formigamento ou dormência
- Feridas que não cicatrizam nos dedos
- Manchas escuras sob as unhas (pequenos coágulos)
Importante: os sintomas geralmente começam nas extremidades inferiores, depois progridem para as superiores. Quanto mais cedo você reconhecer, melhor. Se você já tem sintomas de trombose venosa profunda, pode estar enfrentando um quadro vascular que exige investigação.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da doença de Buerger é clínico e por exclusão. O médico vascular ou angiologista fará uma anamnese detalhada — histórico de tabagismo é crucial — e exames físicos como palpação de pulsos e teste de Allen.
Exames complementares incluem:
- Ultrassom Doppler vascular para avaliar fluxo sanguíneo
- Angiografia (com contraste) para visualizar obstruções
- Ressonância magnética em casos selecionados
- Exames de sangue para descartar doenças autoimunes
O diagnóstico diferencial é importante para excluir complicações vasculares do diabetes e outras condições.
Tratamentos disponíveis
O tratamento da doença de Buerger tem um pilar absoluto: parar de fumar. Sem isso, qualquer intervenção é paliativa.
- Cessação completa do tabaco (incluindo cigarros eletrônicos e narguilés)
- Medicamentos vasodilatadores (prostaglandinas, iloprost) para melhorar o fluxo
- Analgésicos para controle da dor
- Cuidados com feridas e curativos especializados
- Fisioterapia para manter mobilidade
- Em casos avançados, cirurgia de revascularização ou amputação
A adesão ao tratamento e a parada do tabagismo podem estabilizar a doença e evitar progressão. Veja mais sobre condições idiopáticas e tratamentos que também exigem mudanças de hábito.
O que NÃO fazer
- Continuar fumando ou usando qualquer forma de tabaco
- Ignorar dores persistentes nas pernas
- Acreditar que a doença vai passar sozinha
- Usar aquecedores ou bolsas de água quente nos pés (o calor pode piorar a inflamação)
- Aplicar pomadas sem orientação médica em feridas
Se os sintomas persistem ou estão piorando, você pode estar ignorando um problema mais sério. Uma avaliação médica rápida pode evitar complicações.
Perguntas frequentes sobre doença de Buerger
Doença de Buerger tem cura?
Não existe cura definitiva, mas a doença pode ser controlada com a interrupção total do tabagismo. Muitos pacientes estabilizam o quadro e evitam amputações.
Quem está em maior risco?
Fumantes jovens (20-40 anos), principalmente homens, mas mulheres que fumam também têm risco elevado. Usuários de cigarro eletrônico também podem desenvolver a doença.
O cigarro eletrônico pode causar doença de Buerger?
Sim. Há relatos de casos de doença de Buerger associados ao uso de cigarros eletrônicos, pois a nicotina e outras substâncias inflamam os vasos.
A doença de Buerger é hereditária?
Há predisposição genética (certos antígenos HLA), mas não é uma doença hereditária direta. O fator ambiental (tabaco) é determinante.
Qual médico trata a doença de Buerger?
O angiologista ou cirurgião vascular é o especialista indicado. Em alguns casos, o reumatologista pode auxiliar no diagnóstico diferencial.
Posso fazer atividade física com doença de Buerger?
Sim, exercícios leves supervisionados podem melhorar a circulação, mas evite esforços que provoquem dor. Consulte seu médico antes de iniciar.
Existe relação entre doença de Buerger e diabetes?
Não, são doenças diferentes. O diabetes causa neuropatia e má circulação por aterosclerose, enquanto a doença de Buerger é inflamatória e ligada ao tabaco. No entanto, ambas podem coexistir. Veja também informações sobre diabetes para entender melhor.
Doença de Buerger pode afetar os braços?
Sim. Embora comece mais frequentemente nas pernas, pode progredir para as mãos e braços, causando sintomas semelhantes.
O tratamento com prostaglandinas é eficaz?
As prostaglandinas (como iloprost) ajudam a dilatar os vasos e reduzir a dor, principalmente em estágios iniciais. Não substituem a parada do tabagismo.
Quanto tempo leva para a doença piorar?
Varia de pessoa para pessoa. Se o tabagismo continuar, a progressão pode se
r rápida, levando a úlceras e necrose em meses. Parar de fumar interrompe a progressão na maioria dos casos.
Revisão médica: Conteúdo revisado por profissional de saúde (CRM ativo).
Última atualização: Abril de 2026
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
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