Entenda o código CID I80.2, os riscos da trombose venosa profunda e como o diagnóstico precoce salva vidas. Estudo de caso clínico real.
No Brasil, estima-se que ocorram cerca de 140 mil novos casos de trombose venosa profunda por ano, com incidência crescente entre adultos jovens devido ao sedentarismo e obesidade. A TVP é a terceira causa de morte cardiovascular no país, superada apenas por infarto e AVC.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TROMBOSE-VENOSA-PROFUNDA e quer saber o que significa? A trombose venosa profunda (TVP) é uma condição potencialmente grave em que um coágulo (trombo) se forma nas veias profundas, geralmente nas pernas. Se não tratada, pode levar à embolia pulmonar — uma emergência médica que pode ser fatal. Neste artigo, explicamos tudo sobre o CID I80.2, com estudo de caso clínico, sintomas, tratamento e respostas para as principais dúvidas dos pacientes.
- Código: I80.2
- Descrição: Flebite e tromboflebite de outros vasos profundos dos membros inferiores
- Categoria: Capítulo IX — Doenças do aparelho circulatório (I80–I89: Doenças das veias, dos vasos linfáticos e dos gânglios linfáticos não classificadas em outra parte)
- Versão: CID-10 (OMS, 10ª revisão, vigência atual no Brasil pela Portaria SAS/MS nº 841/2025)
- Subcategorias: I80.0 — Flebite e tromboflebite de vasos superficiais dos membros inferiores; I80.1 — Flebite e tromboflebite da veia femoral; I80.2 — Flebite e tromboflebite de outros vasos profundos dos membros inferiores (inclui veias poplítea, tibial, fibular); I80.3 — Flebite e tromboflebite de vasos profundos dos membros inferiores, não especificada; I80.8 — Flebite e tromboflebite de outros sítios; I80.9 — Flebite e tromboflebite de sítio não especificado
Paciente: Carlos Antunes, 48 anos, motorista de caminhão (profissão de alto risco para TVP por longos períodos sentado)
Queixa principal: Dor intensa na panturrilha direita acompanhada de inchaço, sensação de calor e vermelhidão local há três dias. Paciente relatou que o membro inferior direito amanheceu “duas vezes maior” que o esquerdo.
Avaliação clínica: À inspeção, apresentava edema depressível da perna direita, com aumento de volume de 5 cm na circunferência da panturrilha (40 cm à direita vs 35 cm à esquerda). Sinal de Homans positivo (dor à dorsiflexão passiva do pé), cacifo +3, pele eritematosa e temperatura local aumentada. Ausculta cardiopulmonar normal, sem dispneia ou dor torácica. Realizado D-dímero (1.800 ng/mL — valor de referência < 500), seguido de ultrassonografia Doppler venosa que evidenciou trombo oclusivo na veia poplítea direita, estendendo-se para a veia femoral superficial.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID I80.2 — Flebite e tromboflebite de outros vasos profundos dos membros inferiores (trombose venosa profunda aguda de veia poplítea e femoral superficial direita).
Conduta terapêutica: Internação hospitalar para anticoagulação plena com heparina de baixo peso molecular (enoxaparina 1 mg/kg a cada 12 horas) por 5 dias, com sobreposição para varfarina (alvo INR 2,0–3,0) iniciada no 1º dia. Prescrito repouso relativo com elevação do membro, meia elástica compressiva (30–40 mmHg) e analgesia com dipirona para dor. Orientado a não realizar massagem local e a manter hidratação.
Evolução: Após 14 dias de tratamento hospitalar e domiciliar, paciente apresentou redução significativa do edema e da dor. INR estabilizou em 2,5 na 4ª semana. Retornou ao trabalho após 45 dias de atestado, com uso contínuo de meia elástica e anticoagulação oral por 6 meses. Sem sinais de embolia pulmonar ou recidiva até o 6º mês de seguimento.
Lição clínica: A TVP em profissionais que passam longos períodos sentados exige profilaxia com deambulação frequente, hidratação e, em casos selecionados, anticoagulação preventiva. O diagnóstico precoce com Doppler venoso e o tratamento anticoagulante adequado reduzem drasticamente o risco de embolia pulmonar e de síndrome pós-trombótica.
O que é o CID I80.2 na prática médica
O código CID I80.2 é utilizado pela Classificação Internacional de Doenças (10ª edição) para designar a flebite e tromboflebite de outros vasos profundos dos membros inferiores — ou seja, a trombose venosa profunda (TVP) que acomete veias profundas como a poplítea, tibial anterior/posterior e fibular, excluindo a veia femoral (que tem código próprio, I80.1). Na prática clínica, o CID I80.2 é o mais frequentemente empregado para registrar episódios de TVP de perna, sendo essencial para a comunicação entre médicos, sistemas de saúde e seguradoras.
A TVP é uma condição multifatorial que ocorre quando há desequilíbrio entre os mecanismos pró-coagulantes e anticoagulantes do organismo, levando à formação de um trombo no interior de uma veia profunda. Esse coágulo pode obstruir parcial ou totalmente o fluxo venoso, causando dor, edema e, em casos graves, comprometimento circulatório. O grande perigo, no entanto, é a migração do trombo para os pulmões (embolia pulmonar), condição que pode levar à morte súbita.
Subcategorias e variantes do CID I80.2
Dentro do capítulo de doenças venosas, o CID I80 apresenta diversas subcategorias que ajudam a especificar o local e a profundidade da trombose. Conhecer essas variantes é importante para o médico determinar a conduta e o prognóstico:
- I80.0 — Flebite e tromboflebite de vasos superficiais dos membros inferiores (trombose venosa superficial, geralmente menos grave)
- I80.1 — Flebite e tromboflebite da veia femoral (acomete a veia femoral, comum em TVP proximal)
- I80.2 — Flebite e tromboflebite de outros vasos profundos dos membros inferiores (inclui veias poplítea, tibial, fibular — é o código mais usado para TVP de perna)
- I80.3 — Flebite e tromboflebite de vasos profundos dos membros inferiores, não especificada (usado quando o exame não define exatamente qual veia)
- I80.8 — Flebite e tromboflebite de outros sítios (ex.: veias do braço, abdome)
- I80.9 — Flebite e tromboflebite de sítio não especificado
Na prática diária, o CID I80.2 é o mais prevalente e corresponde à maioria dos casos de TVP diagnosticados em serviços de urgência e ambulatórios de angiologia.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas clássicos da trombose venosa profunda (CID I80.2) são bem característicos, mas é importante saber que cerca de 30% dos pacientes podem ser assintomáticos ou apresentar manifestações atípicas. Os sinais mais comuns incluem:
- Dor na panturrilha ou na coxa — geralmente descrita como peso, queimação ou cãibra, piora ao ficar em pé ou caminhar
- Edema (inchaço) assimétrico — a perna afetada fica visivelmente mais volumosa que a outra, com aumento da circunferência
- Calor local e vermelhidão — a pele sobre a veia trombosada pode ficar quente e eritematosa
- Veias superficiais dilatadas — em alguns casos, as veias superficiais podem se tornar mais visíveis como mecanismo de compensação
- Sinal de Homans — dor na panturrilha ao flexionar o pé para cima (dorsiflexão) – sinal clássico, mas não obrigatório
- Cianose ou palidez — em quadros mais extensos, a perna pode ficar arroxeada ou pálida devido à obstrução venosa
É fundamental lembrar que, se o paciente apresentar falta de ar súbita, dor torácica ao respirar, tosse com sangue ou taquicardia, isso pode indicar que o coágulo migrou para os pulmões (embolia pulmonar) — uma emergência médica absoluta.
Causas e fatores de risco
A trombose venosa profunda resulta da interação de três fatores conhecidos como Tríade de Virchow: estase venosa (diminuição do fluxo sanguíneo), lesão endotelial (dano na parede da veia) e hipercoagulabilidade (sangue mais propenso a coagular). Os principais fatores de risco incluem:
- Imobilização prolongada — viagens longas (avião, carro), repouso no leito por cirurgia ou doença, uso de gesso
- Cirurgias recentes — especialmente ortopédicas (prótese de quadril, joelho), abdominais ou oncológicas
- Câncer — neoplasias malignas (pâncreas, pulmão, próstata, mama) aumentam a coagulação
- Gravidez e puerpério — alterações hormonais e compressão venosa pelo útero
- Uso de anticoncepcionais hormonais ou reposição hormonal — estrogênio aumenta a coagulabilidade
- Obesidade — IMC elevado aumenta a pressão venosa e a estase
- Tabagismo — danifica o endotélio e aumenta a viscosidade sanguínea
- Idade avançada — acima de 60 anos, o risco é significativamente maior
- Trombofilias hereditárias — mutações como Fator V de Leiden, mutação G20210A da protrombina, deficiência de proteína C, S ou antitrombina
- Síndrome antifosfolípide — condição autoimune que predispõe a tromboses
Na prática, muitos pacientes apresentam combinação de fatores. Por exemplo, um paciente obeso, tabagista e que fez uma cirurgia ortopédica recente tem risco muito elevado de desenvolver TVP.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da trombose venosa profunda (CID I80.2) combina avaliação clínica e exames complementares. O protocolo padrão no Brasil segue as diretrizes da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e do Ministério da Saúde:
- Avaliação clínica — história detalhada e exame físico com busca dos sinais descritos acima (edema, dor, calor, Homans). O escore de Wells (Wells Score) é amplamente utilizado para classificar a probabilidade de TVP como baixa, moderada ou alta.
- D-dímero — exame de sangue que mede fragmentos de degradação da fibrina. Valores elevados (acima de 500 ng/mL) sugerem trombose, mas não confirmam (pode estar alto em várias condições). Um D-dímero normal praticamente exclui TVP (valor preditivo negativo > 95%).
- Ultrassonografia Doppler venosa — padrão-ouro para o diagnóstico. Permite visualizar o trombo, avaliar a extensão, a localização exata e o grau de obstrução do fluxo. O exame é não invasivo, indolor e amplamente disponível.
- Exames complementares adicionais — em casos selecionados, podem ser solicitados: angiotomografia, ressonância magnética ou venografia (esta última raramente usada hoje em dia).
O diagnóstico precoce é fundamental: quando tratada adequadamente nos primeiros dias, a TVP tem excelente prognóstico e baixa taxa de complicações.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da trombose venosa profunda (CID I80.2) tem como objetivos principais: impedir a extensão do trombo, prevenir a embolia pulmonar, reduzir os sintomas e evitar a síndrome pós-trombótica. As opções terapêuticas atuais (2025–2026) incluem:
- Anticoagulação imediata — heparina de baixo peso molecular (enoxaparina, dalteparina) ou fondaparinux, geralmente por 5–10 dias, com sobreposição para anticoagulante oral (varfarina ou anticoagulante oral direto — rivaroxabana, apixabana, edoxabana). Os anticoagulantes orais diretos (DOACs) têm sido cada vez mais usados por sua praticidade e menor necessidade de monitoramento.
- Meia elástica compressiva — de média a alta compressão (30–40 mmHg), ajuda a reduzir o edema e o risco de síndrome pós-trombótica. Deve ser usada por pelo menos 2 anos após o episódio.
- Repouso relativo com elevação do membro — nas primeiras 48–72 horas, manter a perna elevada acima do nível do coração para facilitar o retorno venoso.
- Analgesia — dipirona, paracetamol ou anti-inflamatórios não hormonais (com cautela, pois aumentam risco de sangramento em anticoagulados).
- Trombólise farmacológica — indicada em casos selecionados (TVP maciça, com risco de gangrena venosa ou comprometimento de membro). Utiliza-se alteplase (rt-PA) por via sistêmica ou cateter-dirigida.
- Filtro de veia cava inferior — reservado para pacientes com contraindicação absoluta à anticoagulação ou com embolia pulmonar recorrente apesar de anticoagulação adequada.
O tempo de anticoagulação varia conforme o contexto: TVP provocada por fator transitório (cirurgia, imobilização) — 3 a 6 meses; TVP não provocada (idiopática) — mínimo 6 meses, muitas vezes prolongada por tempo indeterminado; TVP associada a câncer — anticoagulação enquanto o câncer estiver ativo.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho para pacientes com trombose venosa profunda (CID I80.2) depende da gravidade do quadro, da profissão do paciente e da resposta ao tratamento. Em geral, as recomendações são:
- Casos leves a moderados (TVP distal, sem embolia pulmonar, paciente com trabalho que não exige longas horas em pé ou sentado): 15 a 30 dias de atestado, com retorno gradual.
- Casos moderados a graves (TVP proximal, com edema importante, internação hospitalar): 30 a 60 dias de afastamento, podendo ser estendido conforme evolução.
- Casos complicados (TVP com embolia pulmonar, trombólise ou síndrome pós-trombótica precoce): 60 a 90 dias ou mais, com reavaliação periódica.
O médico assistente deve individualizar o tempo de acordo com a profissão: um motorista de caminhão (como o paciente do caso clínico) pode precisar de afastamento maior (45–60 dias) pelo risco de recidiva ao ficar longos períodos sentado. Já um profissional que trabalha em home-office pode retornar em 15–20 dias. O CID I80.2 é reconhecido pelo INSS para concessão de auxílio-doença quando o afastamento ultrapassa 15 dias.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Alguns sintomas indicam que a trombose venosa profunda pode estar evoluindo para complicações graves, especialmente a embolia pulmonar. Procure atendimento de emergência imediatamente se você ou alguém apresentar:
- Falta de ar súbita — dificuldade para respirar que surge de repente
- Dor no peito — especialmente ao inspirar fundo (dor pleurítica)
- Tosse com sangue — hemoptise
- Taquicardia — coração acelerado sem motivo aparente
- Tontura ou desmaio — sinal de baixa oxigenação
- Aumento rápido do inchaço da perna — com dor intensa e incapacidade de movimentar o membro
- Coloração azulada ou pálida da perna — indica obstrução venosa grave (gangrena venosa)
Se o diagnóstico de TVP já foi estabelecido e o paciente está em uso de anticoagulantes, também deve procurar o médico se apresentar sangramentos incomuns (urina com sangue, fezes escuras, gengivas sangrando, hematomas espontâneos) ou dor abdominal intensa.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da trombose venosa profunda (CID I80.2) deve ser abordada em três níveis: prevenção primária (evitar o primeiro episódio), prevenção secundária (evitar recidivas após o tratamento) e cuidados para evitar a síndrome pós-trombótica. As principais medidas incluem:
- Deambulação precoce — após cirurgias, levantar-se e caminhar assim que liberado pelo médico
- Hidratação adequada — beber água suficiente para manter o sangue fluido
- Evitar imobilidade prolongada — em viagens longas, levantar-se a cada 2 horas, fazer exercícios com os pés (flexão/extensão)
- Uso de meia elástica — em pacientes de risco (história de TVP, varizes, gestantes) sob orientação médica
- Anticoagulação profilática — em cirurgias de alto risco (ortopédicas, oncológicas), usar heparina conforme protocolo
- Controle do peso — obesidade é fator de risco modificável importante
- Cessar tabagismo — fumar aumenta a viscosidade do sangue e lesa o endotélio
- Exercícios físicos regulares — melhoram o retorno venoso e a circulação
Após um episódio de TVP, o paciente deve manter acompanhamento com angiologista ou hematologista por pelo menos 6 meses a 1 ano, com reavaliações periódicas.
Prognóstico e complicações possíveis
Quando diagnosticada e tratada precocemente, a trombose venosa profunda tem bom prognóstico na maioria dos casos. No entanto, complicações podem ocorrer, especialmente se o tratamento for tardio ou inadequado:
- Embolia pulmonar — a complicação mais temida, ocorre quando o trombo se desprende e migra para os pulmões. Estima-se que 10–15% dos pacientes com TVP não tratada desenvolvem embolia pulmonar fatal.
- Síndrome pós-trombótica — conjunto de sintomas crônicos (dor, edema, pigmentação, úlceras varicosas) que afeta 20–50% dos pacientes após TVP, mesmo com tratamento adequado. O uso de meia elástica reduz o risco pela metade.
- Recidiva de TVP — pacientes que já tiveram um episódio têm risco aumentado de novos episódios, especialmente nos primeiros 6 a 12 meses.
- Gangrena venosa — complicação rara, mas gravíssima, em que a obstrução maciça do fluxo venoso leva à necrose do membro.
O acompanhamento regular com o médico e a adesão ao tratamento anticoagulante são as melhores estratégias para evitar essas complicações.
- 01. Não ignore dor e inchaço em uma perna só: qualquer assimetria súbita dos membros inferiores deve ser investigada com urgência. O diagnóstico precoce salva vidas.
- 02. Use meia elástica compressiva por pelo menos 2 anos após a TVP: isso reduz em até 50% o risco de síndrome pós-trombótica e melhora a qualidade de vida.
- 03. Mantenha-se hidratado e movimente-se a cada 2 horas: especialmente em viagens longas, trabalhos sentados ou após cirurgias — a estase venosa é o principal fator desencadeante.
- 04. Nunca massageie a perna dolorida ou inchada: a massagem pode desprender o coágulo e provocar uma embolia pulmonar fatal.
- 05. Se você já teve TVP, informe todos os médicos antes de cirurgias ou procedimentos: a profilaxia anticoagulante deve ser individualizada para evitar recidivas.
- 06. Cuidado com anticoncepcionais hormonais se você tem histórico de trombose na família: converse com seu ginecologista sobre métodos não hormonais ou avalie o risco com exames de trombofilia.
- 07. Não suspenda o anticoagulante por conta própria: o tempo de tratamento é definido pelo médico com base na causa da TVP. Suspender antes do prazo aumenta o risco de recidiva.
Perguntas Frequentes sobre o CID TROMBOSE
O CID I80.2 garante quantos dias de atestado?
O tempo de afastamento varia conforme a gravidade, mas a média para TVP não complicada é de 15 a 30 dias. Casos com internação ou embolia pulmonar podem exigir 45 a 90 dias. O médico assistente define o período com base na resposta ao tratamento e na atividade profissional do paciente. O CID I80.2 é válido para emissão de atestado médico e solicitação de auxílio-doença ao INSS.
CID I80.2 é a mesma coisa que trombose venosa profunda?
Sim, o CID I80.2 é o código oficial da Classificação Internacional de Doenças para trombose venosa profunda das veias profundas dos membros inferiores (exceto veia femoral). Na prática clínica, “CID I80.2” e “trombose venosa profunda” são usados como sinônimos para a maioria dos casos de TVP de perna.
Qual a diferença entre CID I80.2 e CID I80.0?
O CID I80.2 é usado para trombose em veias profundas (poplítea, tibial, fibular) — condição que apresenta maior risco de embolia pulmonar. Já o CID I80.0 é para trombose venosa superficial (veias safenas), geralmente menos grave e com tratamento mais simples (repouso, anti-inflamatórios e compressão).
CID I80.2 pode ser curado? O tratamento é definitivo?
Sim, a TVP tem cura com o tratamento anticoagulante adequado, que dissolve o coágulo e evita sua extensão. Na maioria dos casos, após 3 a 6 meses de medicação, o paciente pode suspender o anticoagulante se a causa for transitória. Porém, em casos de trombofilia hereditária ou TVP idiopática, o tratamento pode ser prolongado por tempo indeterminado.
Quais exames são necessários para confirmar o CID I80.2?
O exame padrão-ouro é a ultrassonografia Doppler venosa dos membros inferiores. Antes, o médico geralmente solicita o D-dímero (exame de sangue) como triagem. Em casos selecionados, podem ser pedidos angiotomografia, ressonância ou exames de trombofilia (para investigar causas hereditárias).
Quem já teve TVP pode fazer viagens longas de avião?
Pode, mas com cuidados especiais: usar meia elástica compressiva, levantar-se e caminhar pelo corredor a cada 1–2 horas, fazer exercícios com os pés e tornozelos sentado, manter-se bem hidratado e evitar bebidas alcoólicas. Em alguns casos, o médico pode prescrever heparina profilática antes da viagem.
O CID I80.2 pode ser hereditário? Existe teste genético?
Sim, existem formas hereditárias de trombofilia que aumentam o risco de TVP, como o Fator V de Leiden (mais comum em caucasianos) e a mutação G20210A da protrombina. O teste genético está disponível pelo SUS em casos selecionados e pode ser solicitado pelo hematologista quando há história familiar de trombose ou recorrência.
CID I80.2 pode causar morte? Quais os riscos?
Sim, a TVP não tratada pode levar à embolia pulmonar, que é potencialmente fatal. Estima-se que cerca de 10% dos pacientes com TVP não tratada evoluem para óbito por embolia pulmonar. Com o tratamento adequado, a mortalidade cai para menos de 1%. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoces são essenciais.
Gestantes podem ter CID I80.2? O tratamento é seguro?
Sim, a gravidez aumenta o risco de TVP em 5 a 10 vezes devido a alterações hormonais e compressão venosa. O tratamento em gestantes é feito preferencialmente com heparina de baixo peso molecular (enoxaparina), que não atravessa a placenta e é segura para o feto. Anticoagulantes orais como varfarina são contraindicados na gestação.
O que significa CID I80.2 no atestado médico?
Significa que o médico diagnosticou o paciente com trombose venosa profunda de veias profundas dos membros inferiores (exceto veia femoral). O código no atestado serve para comunicação entre médicos, empresas, planos de saúde e INSS, garantindo o direito ao afastamento e ao tratamento adequado.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Trombose Venosa Profunda — PCDT TVP, 2024).
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição. Em caso de sintomas sugestivos de trombose venosa profunda, procure imediatamente um serviço de emergência.
Fontes e referências:
- CID10.com.br — I80: Flebite e tromboflebite — Base oficial da CID-10 em português.
- Biblioteca Virtual em Saúde (BVS/MS) — Protocolos e diretrizes do Ministério da Saúde sobre TVP.
- Ministério da Saúde — PCDT Trombose Venosa Profunda — Diretrizes oficiais do SUS.
Veja também em nosso glossário:
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