Você já olhou para as pernas do seu filho e ficou preocupado com a curvatura? Ou sente um desconforto no joelho que parece vir de um desalinhamento antigo? É mais comum do que parece, e saber diferenciar o que é normal do que merece atenção faz toda a diferença.
Uma leitora de 34 anos nos contou que desde a adolescência andava “torto” e só foi investigar quando a dor no joelho a impediu de correr. O diagnóstico? Genu varum não tratado, que já havia desgastado a cartilagem. Histórias assim mostram por que entender essa condição vai além da estética.
Na prática, o genu varum é um desvio no eixo das pernas que pode passar despercebido por anos. Mas quando os sinais aparecem, eles pedem ação rápida.
O que é genu varum – explicação real, não de dicionário
O genu varum é uma alteração no alinhamento dos membros inferiores em que os joelhos se afastam um do outro, enquanto os tornozelos permanecem juntos. Visualmente, as pernas formam um “arco” ou “parêntese” aberto para fora. No dia a dia, as pessoas chamam de “perna de pato” ou “perna em arco”.
Essa curvatura sobrecarrega a parte interna dos joelhos e pode acelerar o desgaste articular. O que muitos não sabem é que existe o genu varum fisiológico (comum em bebês) e o patológico (que precisa de intervenção). A diferença está na idade, na progressão e nos sintomas. Em alguns casos, o quadro pode ser unilateral e ainda mais preocupante.
Genu varum é normal ou preocupante?
Depende da faixa etária. Em recém-nascidos e crianças até os 2 anos, o genu varum é considerado fisiológico — ou seja, faz parte do desenvolvimento normal. O que acontece é que o útero deixa as perninhas dobradas, e com o tempo elas se alinham.
O ponto de virada é por volta dos 3 anos. Se a curvatura não desaparece ou até piora, aí o sinal de alerta acende. Em adultos, o genu varum nunca é fisiológico; sempre indica uma condição que merece investigação, como sequela de trauma, obesidade ou doenças metabólicas.
Genu varum pode indicar algo grave?
Sim, especialmente quando aparece ou se acentua depois da infância. As principais preocupações são:
- Osteoartrite precoce: o desalinhamento força a cartilagem do joelho, levando a desgaste e dor crônica.
- Raquitismo: deficiência de vitamina D que amolece os ossos e pode causar deformidades permanentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o raquitismo uma causa tratável de genu varum.
- Doença de Blount: um distúrbio do crescimento da tíbia que leva a uma curvatura progressiva e geralmente exige cirurgia.
- Fraturas mal consolidadas: traumas antigos que cicatrizaram com desvio podem deixar o joelho torto, como explicamos em nosso artigo sobre sequelas de ferimento na perna.
Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), o tratamento precoce do genu varum reduz significativamente o risco de artrose e melhora a qualidade de vida.
Causas mais comuns
Causas em crianças
- Raquitismo carencial (falta de vitamina D)
- Doença de Blount (alteração na placa de crescimento da tíbia)
- Displasias ósseas congênitas
- Fatores genéticos (histórico familiar de pernas arqueadas) — em alguns casos, a causa permanece idiopática
Causas em adolescentes e adultos
- Obesidade (o peso excessivo deforma a articulação)
- Traumas ou fraturas mal curadas
- Artrose avançada no compartimento medial do joelho
- Doenças metabólicas (como osteomalácia)
- Uso prolongado de torniquetes ou posturas inadequadas
Sintomas associados
Nem todo mundo com genu varum sente dor. Muitos convivem com a curvatura por anos sem incômodo. Mas quando os sintomas aparecem, eles costumam incluir:
- Dor na parte interna do joelho, que piora ao caminhar ou subir escadas
- Estalo ou rangido na articulação (crepitação)
- Instabilidade ao andar — sensação de que o joelho “vai ceder”
- Cansaço nas pernas após esforços leves
- Desgaste assimétrico do calçado (sola mais gasta no lado de dentro)
- Dificuldade para praticar esportes ou ficar muito tempo em pé
É mais comum do que parece que a dor seja confundida com “mal jeito” ou “canseira”. Se você percebe que o desconforto é recorrente, vale a pena investigar. Em alguns casos, a dor pode estar relacionada a problemas circulatórios, como tromboflebite, mas o ortopedista saberá diferenciar.
Como é feito o diagnóstico
O ortopedista começa com uma avaliação clínica: mede a distância entre os joelhos com o paciente deitado, observa a marcha e testa a amplitude de movimento. Para confirmar e quantificar a deformidade, solicita-se radiografia panorâmica dos membros inferiores com o paciente em pé.
Exames complementares como a ressonância magnética podem ser pedidos se houver suspeita de lesão nos meniscos ou cartilagem. O National Center for Biotechnology Information (NCBI) descreve que o diagnóstico precoce do genu varum é essencial para prevenir complicações. O Ministério da Saúde recomenda que qualquer deformidade progressiva em crianças seja avaliada por um especialista.
Tratamentos disponíveis
Para crianças com genu varum fisiológico
Na maioria dos casos, apenas o acompanhamento regular é suficiente. A curvatura tende a se corrigir sozinha até os 3 anos.
Para raquitismo
Reposição de vitamina D e cálcio, sob orientação médica, pode reverter a deformidade se iniciada cedo.
Fisioterapia e reabilitação
Fortalece a musculatura ao redor do joelho e melhora a mecânica da marcha. Útil em casos leves a moderados.
Órteses e palmilhas
Indicadas para crianças com doença de Blount inicial ou adultos com desalinhamento leve. Ajudam a redistribuir a carga.
Cirurgia
Reservada para casos graves, progressivos ou que não respondem ao tratamento conservador. Pode ser uma osteotomia (corte e realinhamento ósseo) ou, em adultos com artrose avançada, prótese de joelho.
O que NÃO fazer
- Ignorar a curvatura achando que vai passar sozinha após os 3 anos.
- Forçar a criança a dormir com as pernas amarradas ou usar calçados “corretivos” sem prescrição.
- Atrasar a consulta com o ortopedista quando houver dor ou assimetria.
- Automedicar com anti-inflamatórios sem saber a causa.
- Praticar esportes de alto impacto sem avaliação, pois pode acelerar o desgaste.
Se os sintomas persistem ou estão piorando, você pode estar ignorando um problema mais sério. Uma avaliação médica rápida pode evitar complicações.
Perguntas frequentes sobre genu varum
Genu varum tem cura?
Depende da causa. O fisiológico se resolve sozinho. O patológico, quando tratado precocemente, tem bom prognóstico. Em adultos, o tratamento controla os sintomas e evita progressão.
Qual a diferença entre genu varum e genu valgum?
No genu varum os joelhos se afastam (pernas em arco); no genu valgum eles se aproximam (joelhos batem um no outro). São desvios opostos. O genu varum também é diferente do genu recurvatum, que é a hiperextensão do joelho.
Existe algum exercício para endireitar as pernas?
Em crianças, alongamentos e fortalecimento podem ajudar, mas não “endireitam” ossos. Em adultos, a fisioterapia melhora a mecânica, mas a curvatura óssea permanece.
Genu varum em bebê é motivo de preocupação?
Não, até os 2 anos é normal. A preocupação surge se a curvatura for muito acentuada, unilateral ou persistir após os 3 anos.
Pode precisar de cirurgia?
Sim, em casos de doença de Blount grave, raquitismo tardio ou deformidade que cause dor e limitação funcional. A cirurgia é bem-sucedida na maioria dos casos.
Como saber se meu genu varum está piorando?
Se a distância entre os joelhos aumenta, surge dor ou dificuldade para andar, é sinal de progressão. Medidas periódicas com o ortopedista ajudam a monitorar.
O que é doença de Blount?
É uma alteração no crescimento da parte interna da tíbia, que provoca curvatura progressiva e geralmente requer tratamento cirúrgico. É mais comum em crianças com obesidade.
Genu varum pode causar dor no quadril ou nas costas?
Sim, o desalinhamento dos joelhos altera a marcha e pode sobrecarregar o quadril e a coluna lombar, gerando dor secundária.
Qual médico trata genu varum?
O ortopedista especializado em joelho ou em deformidades ósseas é o profissional indicado. Em crianças, o ortopedista pediátrico.
Existe prevenção?
Em crianças, garantir ingestão adequada de vitamina D e evitar obesidade são medidas preventivas. Emadultos, manter peso saudável e tratar precocemente lesões no joelho ajudam.
Revisão médica: Conteúdo revisado por profissional de saúde (CRM ativo).
Última atualização: Abril de 2026
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Entenda seus sintomas, conheça os tratamentos e saiba quando buscar ajuda médica.
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