sábado, julho 11, 2026

Glândulas de Skene e Bartholin: funções e sinais de alerta






Glândulas de Skene e Bartholin: funções e sinais de alerta

Dado importante

De acordo com a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), aproximadamente 2% das mulheres desenvolverão um cisto sintomático da glândula de Bartholin ao longo da vida; já as alterações nas glândulas de Skene são ainda mais subdiagnosticadas, afetando cerca de 1 a 3% da população feminina, muitas vezes confundidas com infecções urinárias de repetição.

Você já sentiu um incômodo na região íntima, como dor, inchaço ou sensação de pressão, e ficou sem saber a causa? Muitas mulheres desconhecem a existência das glândulas de Skene e de Bartholin, estruturas pequenas mas fundamentais para a saúde vulvar. Neste artigo, você vai entender o que são essas glândulas, onde ficam, quais funções exercem e, principalmente, quais sinais indicam que algo não vai bem. Conhecimento é o primeiro passo para cuidar da sua saúde íntima com confiança.

Resumo rápido

  • O que é: As glândulas de Skene (parauretrais) e de Bartholin (vestibulares) são estruturas anexas do trato genital feminino, responsáveis por produzir secreções lubrificantes e protetoras.
  • Quando ocorre: Alterações como cistos, infecções ou abscessos podem surgir em qualquer idade, mas são mais comuns entre 20 e 40 anos.
  • Quem trata: Ginecologista, urologista (especialista em saúde da mulher) ou clínico geral, dependendo do caso.
  • Urgência: Moderada a alta se houver dor intensa, febre ou drenagem de pus — requer avaliação médica imediata.
  • Tratamento: Varia de medidas caseiras (compressas mornas) para cistos pequenos até drenagem cirúrgica ou antibióticos para infecções mais graves.

Exemplo prático

Letícia, 29 anos, começou a sentir uma dor leve na região da vulva durante a relação sexual e ao andar de bicicleta. Achou que fosse uma simples irritação, mas após alguns dias notou um pequeno caroço próximo à abertura vaginal. Preocupada, procurou o ginecologista, que diagnosticou um cisto de Bartholin não infectado. Foi orientada a fazer compressas mornas três vezes ao dia e, em duas semanas, o cisto regrediu sem necessidade de intervenção. Letícia descobriu que a glândula de Bartholin existe exatamente para lubrificar a entrada da vagina, e que o entupimento de seu ducto pode levar à formação do cisto. Esse caso mostra a importância de conhecer a anatomia íntima e não ignorar sintomas aparentemente banais.

Atenção: Se você notar um nódulo doloroso na região vaginal com vermelhidão, calor local e febre, pode ser um abscesso das glândulas de Bartholin ou de Skene. Nesses casos, procure imediatamente um serviço de urgência ginecológica. A infecção pode evoluir rapidamente e necessitar de drenagem cirúrgica e antibioticoterapia intravenosa.

O que é a glândula de Skene? Função, localização e importância

As glândulas de Skene, também chamadas de glândulas parauretrais, são duas pequenas estruturas localizadas na parede anterior da vagina, próximas à uretra feminina. Elas são consideradas homólogas à próstata masculina, pois possuem tecido semelhante e secretam um fluido que contribui para a lubrificação e proteção do trato urinário inferior. A localização exata varia ligeiramente entre mulheres, mas geralmente seus ductos desembocam próximo ao meato uretral externo, na região do vestíbulo vaginal.

A função principal das glândulas de Skene é produzir uma secreção mucosa que ajuda a manter a umidade e a integridade da mucosa uretral e vaginal. Essa secreção contém substâncias antimicrobianas, como a lisozima e a lactoferrina, que atuam como barreira natural contra infecções ascendentes. Além disso, durante a excitação sexual, as glândulas de Skene contribuem para a lubrificação e podem estar envolvidas na ejaculação feminina, embora esse papel ainda seja alvo de estudos.

A importância dessas glândulas é muitas vezes subestimada. Quando funcionam adequadamente, passam despercebidas. Porém, o bloqueio de seus ductos pode levar à formação de cistos (cistos de Skene), que podem causar dor, desconforto e infecções urinárias recorrentes. O conhecimento sobre sua anatomia é essencial para que mulheres e profissionais de saúde identifiquem precocemente alterações e evitem complicações.

Como funciona e qual sua importância no organismo

As glândulas de Skene e Bartholin fazem parte do sistema de glândulas anexas do trato genital feminino. As glândulas de Skene estão posicionadas ao longo da uretra, enquanto as glândulas de Bartholin (glândulas vestibulares maiores) estão localizadas na parte posterior do vestíbulo vaginal, uma de cada lado da abertura vaginal. Ambas secretam fluidos que desempenham papéis complementares na saúde íntima.

As glândulas de Bartholin produzem uma secreção mucosa espessa que lubrifica o vestíbulo vaginal, facilitando a relação sexual e protegendo a mucosa contra atritos. Já as glândulas de Skene têm uma secreção mais fluida, que banha o meato uretral, ajudando a eliminar bactérias e agentes irritantes da uretra. Esse mecanismo de “lavagem natural” é um dos principais fatores de proteção contra infecções urinárias.

A importância dessas glândulas vai além da lubrificação. Elas participam do sistema imunológico local, liberando peptídeos antimicrobianos que inibem a proliferação de patógenos. Além disso, estudam-se suas possíveis funções na resposta sexual feminina. Disfunções nessas glândulas podem levar a quadros como cistos infecciosos (abscessos), dor crônica e dispareunia (dor durante a relação sexual). Portanto, compreender seu funcionamento é fundamental para cuidar da saúde pélvica como um todo.

Tipos e variações das glândulas de Skene e Bartholin

Embora existam apenas duas glândulas de Bartholin (direita e esquerda) e um conjunto de pequenas glândulas parauretrais ao redor da uretra (Skene), as variações anatômicas são comuns. O número e a profundidade das glândulas de Skene podem variar de mulher para mulher; algumas apresentam múltiplos dutos além dos principais. Já as glândulas de Bartholin possuem ductos de cerca de 2 cm de comprimento que podem sofrer obstrução por razões mecânicas ou infecciosas.

As alterações patológicas mais frequentes incluem:

  • Cisto de Bartholin: obstrução do ducto sem infecção, formando uma bolsa de líquido claro;
  • Abscesso de Bartholin: quando o cisto é infectado por bactérias (como Escherichia coli ou Gardnerella vaginalis), resultando em pus e inflamação aguda;
  • Cisto de Skene (ou cisto parauretral): geralmente decorrente de obstrução de um ducto das glândulas de Skene;
  • Abscesso de Skene: infecção secundária com formação de pus, podendo simular uma infecção urinária.

Cada tipo exige manejo clínico diferenciado. Enquanto cistos pequenos e assintomáticos podem ser apenas observados, abscessos necessitam de drenagem imediata. A variação anatômica também influencia a abordagem cirúrgica, quando necessária.

Causas e fatores de risco para alterações

As principais causas de problemas nas glândulas de Skene e Bartholin são a obstrução dos ductos e as infecções bacterianas. A obstrução pode ocorrer por espessamento do muco, traumas locais (como atrito durante relações sexuais ou uso de roupas apertadas), ou mesmo por alterações hormonais que modificam a composição da secreção. Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como gonorreia e clamídia, são fatores de risco importantes, especialmente para abscessos de Bartholin.

Outros fatores que aumentam a probabilidade de desenvolver essas condições incluem:

  • História prévia de cistos ou abscessos nas glândulas;
  • Diabetes mellitus, que compromete a imunidade local e favorece infecções;
  • Higiene íntima inadequada (uso de duchas vaginais ou produtos irritantes);
  • Relações sexuais desprotegidas com múltiplos parceiros;
  • Uso prolongado de antibióticos, que altera a flora vaginal;
  • Condições que aumentam a pressão na região, como gravidez ou parto vaginal.

A identificação dos fatores de risco permite que a mulher adote medidas preventivas e procure ajuda médica aos primeiros sinais de anormalidade.

Sintomas e manifestações clínicas

Os sintomas variam conforme a glândula afetada e a gravidade da condição. Nas glândulas de Bartholin, o sinal mais comum é um nódulo indolor na entrada da vagina, que pode crescer e se tornar doloroso se houver infecção. Dor ao caminhar, ao sentar ou durante a relação sexual é frequente. No abscesso, a região fica vermelha, quente, muito sensível e pode haver febre e calafrios.

Nas glândulas de Skene, os sintomas são mais sutis e muitas vezes confundidos com infecção urinária: dor ou ardor ao urinar, aumento da frequência urinária, sensação de pressão na uretra e, ocasionalmente, um pequeno caroço na parede anterior da vagina. Pode haver também secreção purulenta pela uretra. Diferentemente das cistites comuns, a dor é mais localizada na região do meato uretral.

É importante destacar que cistos pequenos podem ser assintomáticos e descobertos apenas em exames ginecológicos de rotina. Porém, qualquer nódulo persistente ou sintoma urinário novo merece avaliação profissional, especialmente se durar mais de uma semana ou piorar progressivamente.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico das alterações nas glândulas de Skene e Bartholin é essencialmente clínico, baseado na anamnese e no exame físico ginecológico. O médico inspeciona a região vulvar e, com toque vaginal, pode palpar nódulos ou áreas de dor. Para os cistos de Bartholin, a localização clássica (próximo à abertura vaginal) já sugere o diagnóstico.

Nos casos de suspeita de envolvimento das glândulas de Skene, exames complementares podem ser úteis:

  • Uretrocistoscopia: permite visualizar diretamente o interior da uretra e identificar cistos parauretrais;
  • Ultrassonografia pélvica ou endovaginal: ajuda a diferenciar cistos de outros tumores pélvicos;
  • Ressonância magnética: reservada para casos complexos ou para planejamento cirúrgico;
  • Cultura de secreção: indicada se houver suspeita de infecção, para identificar o agente e orientar antibioticoterapia.

O diagnóstico diferencial inclui outras condições como hérnia inguinal, tumores vulvares, endometriose ou infecções urinárias. Um erro comum é tratar sintomas de cisto de Skene como cistite de repetição. Por isso, a avaliação especializada é fundamental.

Tratamentos e abordagens terapêuticas

A conduta terapêutica depende do tipo e da gravidade da lesão. Para cistos pequenos e assintomáticos, a recomendação inicial é apenas observação e medidas de conforto, como compressas mornas e banhos de assento. Muitos cistos regridem espontaneamente. Nos casos sintomáticos ou com infecção, as opções incluem:

  • Antibióticos orais ou tópicos: para abscessos leves, geralmente com cobertura para Gram-negativos e anaeróbios;
  • Drenagem cirúrgica: realizada em ambiente ambulatorial ou hospitalar, com incisão e drenagem do pus, podendo ser deixado um dreno temporário;
  • Marsupialização: técnica cirúrgica que cria uma abertura permanente para evitar recidivas de cistos de Bartholin;
  • Cateter de Word: um cateter balão inserido no cisto para manter o ducto aberto por algumas semanas;
  • Excisão completa da glândula: indicada em casos recorrentes ou quando há suspeita de malignidade (raro).

Para cistos de Skene, a marsupialização também é eficaz. O tratamento deve ser individualizado, considerando os fatores de risco, a resposta prévia e o desejo da paciente. O acompanhamento pós-operatório inclui repouso, higiene local e abstinência sexual temporária.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção das afecções das glândulas de Skene e Bartholin está diretamente ligada a hábitos saudáveis de higiene íntima e sexual. Medidas simples podem reduzir significativamente o risco de obstrução e infecção:

  • Evitar duchas vaginais e produtos perfumados na região genital;
  • Usar roupas íntimas de algodão e evitar calças muito apertadas;
  • Manter uma boa hidratação e higiene após as relações sexuais;
  • Utilizar preservativo em todas as relações sexuais para prevenir ISTs;
  • Controlar doenças crônicas como diabetes, mantendo a glicemia em níveis adequados;
  • Realizar consultas ginecológicas de rotina, com exame físico completo.

A auto-observação é uma ferramenta poderosa. Conhecer a própria anatomia e perceber mudanças como caroços, dor ou secreção permite uma busca precoce por ajuda. Mulheres com histórico de cistos devem ficar atentas e informar o médico sobre recorrências.

Quando procurar ajuda médica

Embora nem todo cisto exija intervenção, alguns sinais de alerta não devem ser ignorados. Procure seu ginecologista ou um serviço de saúde se:

  • Notar um nódulo na região vulvar que não desaparece em 3 a 5 dias;
  • Sentir dor intensa, especialmente ao caminhar ou durante a relação sexual;
  • Observar vermelhidão, calor ou inchaço progressivo;
  • Apresentar febre, calafrios ou mal-estar geral associados ao nódulo;
  • Houver drenagem espontânea de pus ou secreção com odor fétido;
  • Você tem episódios recorrentes de infecção urinária que não melhoram com tratamento convencional.

Nessas situações, a avaliação médica é urgente para evitar complicações como celulite, abscessos mais profundos ou sepse. Lembre-se: a saúde íntima é parte essencial do bem-estar feminino, e o cuidado preventivo faz toda a diferença.

Dicas Práticas

  1. 01. Conheça sua anatomia: use um espelho para observar a vulva periodicamente e se familiarizar com a região.
  2. 02. Ao notar um pequeno caroço indolor, inicie compressas mornas por 15 a 20 minutos, três vezes ao dia, e monitore a evolução.
  3. 03. Evite espremer ou manipular qualquer nódulo na região íntima – isso pode piorar a infecção ou causar disseminação bacteriana.
  4. 04. Mantenha o calendário de consultas ginecológicas anuais, mesmo na ausência de sintomas.
  5. 05. Em caso de dor durante a relação sexual (dispareunia), não normalize o desconforto – converse com seu médico sobre possíveis causas.
  6. 06. Prefira sabonetes íntimos com pH adequado (em torno de 4,5-5,5) e evite produtos com fragrâncias ou corantes.
  7. 07. Se você tem diabetes, mantenha o controle rigoroso da glicemia, pois níveis elevados aumentam o risco de infecções vulvares.

Perguntas Frequentes sobre o que é glândula de Skene função localização importância

1. O que é exatamente a glândula de Skene?

A glândula de Skene é um conjunto de pequenas glândulas localizadas ao redor da uretra feminina, na parede anterior da vagina. Ela produz um muco que lubrifica e protege o trato urinário, sendo considerada uma estrutura homóloga à próstata masculina.

2. Qual a diferença entre glândula de Skene e glândula de Bartholin?

A glândula de Bartholin está localizada na entrada da vagina (uma de cada lado) e secreta muco para lubrificação vaginal, enquanto a glândula de Skene fica ao redor da uretra e sua secreção protege o trato urinário. Ambas podem formar cistos ou abscessos, mas em locais e com sintomas diferentes.

3. É normal ter uma das glândulas de Bartholin maior que a outra?

Sim, é comum haver pequenas assimetrias. No entanto, se um dos lados apresentar um nódulo perceptível ou dor, é necessário investigar.

4. Cisto de Skene pode causar infecção urinária de repetição?

Sim. O cisto pode obstruir parcialmente a uretra e servir como reservatório de bactérias, contribuindo para infecções urinárias recorrentes. Muitas mulheres com ITUs de repetição sem causa aparente têm cistos de Skene não diagnosticados.

5. O tratamento para abscesso de Bartholin requer cirurgia?

Na maioria dos casos, sim. O abscesso precisa ser drenado cirurgicamente, e muitas vezes é feita a marsupialização para evitar recorrências. Antibióticos são usados como complemento.

6. Glândulas de Skene têm relação com a ejaculação feminina?

Alguns estudos sugerem que a secreção das glândulas de Skene pode contribuir para o fenômeno conhecido como ejaculação feminina (squirt), embora o volume e a composição variem entre mulheres. O tema ainda é debatido.

7. É possível prevenir cistos nas glândulas de Skene e Bartholin?

Não é possível prevenir todos os casos, mas hábitos como higiene adequada, uso de preservativo, evitar duchas vaginais e manter consultas ginecológicas regulares ajudam a reduzir o risco.

8. Quando um cisto dessas glândulas pode ser câncer?

É extremamente raro. A maioria dos cistos é benigna. A suspeita de malignidade surge quando há crescimento rápido, irregularidades ao toque, ulceração ou sangramento. A biópsia pode ser necessária em casos selecionados.

9. Qual especialista trata problemas nessas glândulas?

O ginecologista é o profissional mais indicado. Em casos complexos ou com envolvimento urinário, o urologista também pode atuar.

10. Posso ter relação sexual durante o tratamento de um cisto?

Geralmente é recomendado evitar relações sexuais enquanto houver dor ou até a completa resolução do quadro, para não irritar a região e evitar infecções secundárias.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 25/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.

Fontes científicas:

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