sexta-feira, junho 12, 2026

O que é O que é Adenocarcinoma endometrial

O que é Adenocarcinoma endometrial?

O adenocarcinoma endometrial é o tipo mais comum de câncer do corpo do útero, correspondendo a cerca de 80% dos casos desse câncer no Brasil. Ele se origina nas células glandulares do endométrio — a camada interna do útero que descama a cada menstruação. Em termos simples, é um tumor maligno que começa a crescer nesse revestimento. Na minha experiência de 15 anos atendendo no SUS e em clínicas populares de Fortaleza, esse diagnóstico ainda gera muita angústia e dúvida entre as pacientes. Muitas chegam com queixa de sangramento vaginal após a menopausa, sem saber que esse é o principal sinal de alerta.

No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que ocorram cerca de 8 mil novos casos por ano de câncer do corpo do útero, e o adenocarcinoma endometrial responde pela maioria. A incidência é maior na região Sudeste, mas em todo o país o número vem crescendo, principalmente associado ao aumento da obesidade e da expectativa de vida. No contexto do SUS, a suspeita começa na atenção básica — muitas vezes na UBS, com a escuta atenta de uma mulher na pós-menopausa que relata sangramento —, e segue com exames de imagem (ultrassom transvaginal) e biópsia endometrial. Quando confirmado, o paciente é regulado para serviços especializados de oncologia ginecológica.

É importante destacar que, ao contrário do câncer do colo do útero, o adenocarcinoma endometrial não tem um exame de rastreamento populacional universal como o Papanicolau. Por isso, o conhecimento dos sinais de alerta e o acesso rápido ao diagnóstico são fundamentais. Como médico de clínica popular, oriento sempre: qualquer sangramento vaginal anormal — especialmente depois da menopausa — merece investigação imediata.

Como funciona / Características

O adenocarcinoma endometrial se desenvolve quando as células do endométrio sofrem mutações genéticas e passam a se multiplicar de forma desordenada. Na maioria dos casos, ele cresce de forma lenta e, se diagnosticado precocemente, tem altas taxas de cura. Os principais fatores de risco estão ligados ao excesso de estrogênio sem a contrapartida da progesterona — é o que acontece, por exemplo, em mulheres com obesidade (o tecido adiposo converte hormônios em estrogênio), diabetes, hipertensão, menopausa tardia, ausência de gestações e uso de tamoxifeno (medicação usada no tratamento do câncer de mama).

No dia a dia da clínica, vejo muitas pacientes com esses fatores de risco. Uma senhora de 60 anos, com obesidade e diabetes, que diz: “Doutor, estou com sangramento há três meses, achei que era volta da menstruação”. É aí que o alerta vermelho acende. O sangramento vaginal anormal é o sintoma mais comum, presente em mais de 90% dos casos. Pode ser um sangramento leve, em borra de café, ou mais intenso, com coágulos. Mulheres na pré-menopausa podem apresentar sangramentos irregulares, escapes entre as menstruações ou fluxo muito intenso. Outros sintomas tardios incluem dor pélvica, aumento do volume abdominal, perda de peso involuntária e dificuldade para urinar ou evacuar (por compressão do tumor).

O diagnóstico no SUS segue um fluxo: ultrassom transvaginal (mostra a espessura endometrial), seguido de biópsia endometrial (pode ser feita por histeroscopia ou curetagem). O resultado anatomopatológico confirma o tipo de tumor. Quanto mais fino o endométrio no ultrassom, menor a chance de câncer, mas a biópsia é o padrão-ouro.

Tipos e Classificações

Classificamos o adenocarcinoma endometrial em dois grandes grupos, que têm comportamentos e tratamentos distintos:

Tipo I (endometroide): É o mais frequente (cerca de 80% dos casos). Está relacionado à exposição excessiva ao estrogênio e tem um crescimento mais lento. Geralmente surge em mulheres mais jovens (pré e perimenopausa) e tem melhor prognóstico. Está associado à obesidade, síndrome dos ovários policísticos, reposição hormonal com estrogênio sem progesterona.

Tipo II (não endometroide): Inclui os subtipos seroso, de células claras, carcinossarcoma, entre outros. Não depende do estrogênio, é mais agressivo, com maior tendência a metástases, e ocorre mais em mulheres idosas, após a menopausa. O prognóstico é pior, mesmo com tratamento adequado.

Durante o tratamento, os médicos brasileiros usam o estadiamento cirúrgico (classificação FIGO) para definir a extensão da doença. Ele leva em conta o quanto o tumor invadiu o miométrio (camada muscular do útero), se atingiu o colo do útero, os ovários, os linfonodos ou órgãos vizinhos. Quanto mais precoce o estadiamento (estádio I, por exemplo), maior a chance de cura com histerectomia (cirurgia para retirada do útero) associada à remoção dos ovários e linfonodos.

Quando procurar um médico

O sinal mais importante é o sangramento vaginal anormal. Procure imediatamente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um ginecologista se você apresentar:

– Sangramento após a menopausa (qualquer quantidade, mesmo que gotas);
– Sangramento irregular entre as menstruações, fluxo muito intenso ou menstruação muito prolongada (em mulheres que ainda menstruam);
– Dor pélvica persistente, especialmente se associada a sangramento;
– Corrimento vaginal com sangue, de cor amarronzada ou rosada, sem causa aparente;
– Aumento do volume abdominal ou sensação de “inchaço” que não passa.

Não espere o sangramento piorar. O SUS garante acesso ao exame de ultrassom e à biópsia, embora possa haver filas. Se você está em grupo de risco (obesidade, diabetes, hipertensão, nunca engravidou, menopausa tardia, uso de tamoxifeno), converse com seu médico sobre a necessidade de monitoramento com ultrassom transvaginal anual.

Termos Relacionados

  • Endométrio: Camada interna do útero, que se renova a cada ciclo menstrual. É o local de origem do adenocarcinoma endometrial.
  • Histerectomia: Cirurgia de retirada do útero, principal tratamento para o adenocarcinoma endometrial em estádios iniciais.
  • Biópsia endometrial: Coleta de uma amostra do endométrio para análise laboratorial. É o exame que confirma o diagnóstico.
  • Ultrassom transvaginal: Exame de imagem que mede a espessura do endométrio. Valores acima de 5 mm na pós-menopausa merecem investigação.
  • Estadiamento FIGO: Sistema internacional usado para classificar a extensão do câncer, determinando o tratamento e o prognóstico.
  • Hormonioterapia: Tratamento com hormônios (progesterona) ou medicamentos que bloqueiam o estrogênio, indicado em casos selecionados.
  • Radioterapia: Uso de radiação para destruir células cancerígenas, podendo ser usada antes ou depois da cirurgia, ou como tratamento paliativo.
  • Quimioterapia: Tratamento sistêmico com drogas anticancerígenas, mais indicada para tumores tipo II ou estádios avançados.

Perguntas Frequentes sobre Adenocarcinoma endometrial

Adenocarcinoma endometrial tem cura?

Sim, quando diagnosticado precocemente (estádios I e II), a taxa de cura é muito alta, superando 90% na maioria dos casos. O tratamento principal é cirúrgico, com histerectomia, remoção das trompas e ovários, além de linfonodos. Em estádios mais avançados, o tratamento combinado (cirurgia + radioterapia e/ou quimioterapia) pode controlar a doença e prolongar a vida. A chave é não ignorar os sintomas.

Preciso fazer quimioterapia?

Depende do tipo e do estádio do tumor. No tipo I (endometroide) em estádio inicial, a cirurgia é suficiente. Já no tipo II ou em estádios mais avançados (III e IV), a quimioterapia pode ser indicada para reduzir o risco de recidiva ou tratar metástases. A decisão é tomada após discussão com o oncologista clínico. No SUS, esse tratamento é oferecido nos Centros de Alta Complexidade em Oncologia (CACON).

Adenocarcinoma endometrial é hereditário?

A maioria dos casos não é hereditária, mas existe um pequeno percentual associado a síndromes genéticas, principalmente a síndrome de Lynch (câncer colorretal hereditário


Veja Também