quinta-feira, maio 28, 2026

O que é O que é Adenoma de tireoide

O que é O que é O que é Adenoma de tireoide?

O adenoma de tireoide é um tumor benigno (não canceroso) que se forma na glândula tireoide, aquela estrutura em formato de borboleta localizada na parte da frente do pescoço, logo abaixo do pomo de Adão. Em termos simples, é um “caroço” que cresce dentro da tireoide, mas que, ao contrário do câncer, não invade outros tecidos nem se espalha pelo corpo. No meu dia a dia como clínico geral no SUS e em clínicas populares, vejo muitos pacientes chegarem com um laudo de ultrassom mostrando um nódulo, e a primeira pergunta é sempre: “Doutor, isso é câncer?” — e na maioria das vezes a resposta é não, e o adenoma é o diagnóstico mais comum entre os nódulos benignos.

Dados epidemiológicos brasileiros mostram que nódulos tireoidianos são extremamente frequentes: estima-se que até 60% da população adulta apresente pelo menos um nódulo detectável em exames de imagem, como ultrassom. Destes, cerca de 90% a 95% são benignos, e o adenoma folicular é o principal representante. No Brasil, a incidência de nódulos tireoidianos aumenta com a idade, sendo mais comum em mulheres (proporção de 4:1 em relação aos homens). A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e o Ministério da Saúde recomendam o rastreamento apenas em grupos de risco, e não de forma generalizada, justamente para evitar sobrediagnóstico e procedimentos desnecessários. O SUS oferece acesso a ultrassom de tireoide e, quando indicado, à punção aspirativa por agulha fina (PAAF) para esclarecer a natureza do nódulo.

Na prática clínica, o adenoma é frequentemente descoberto de forma incidental — durante um check-up, exame admissional ou até mesmo em uma consulta por outro motivo, como dor no pescoço ou sensação de “bolo na garganta”. É um achado que gera ansiedade, mas que, com a orientação correta, pode ser acompanhado de forma tranquila. O importante é entender que adenoma não é sinônimo de câncer, e o tratamento costuma ser conservador, com monitoramento periódico.

Como funciona / Características

O adenoma de tireoide se origina das células foliculares da tireoide, que são as responsáveis pela produção dos hormônios T3 e T4. Ele cresce de forma lenta e geralmente é envolto por uma cápsula fibrosa, o que o mantém separado do tecido tireoidiano normal. Por dentro, pode ser sólido, cístico (cheio de líquido) ou misto — isso é visto claramente no ultrassom. Na minha experiência, muitos pacientes me perguntam se o nódulo dói, e a resposta é que, na maioria das vezes, é indolor e não causa sintomas, a menos que seja muito grande (acima de 3-4 cm) e comprima estruturas vizinhas, como a traqueia ou o esôfago, gerando desconforto, rouquidão ou dificuldade para engolir.

Uma característica importante é a capacidade de produzir hormônios. Cerca de 5% a 10% dos adenomas são chamados de “tóxicos” ou funcionantes, pois secretam hormônio tireoidiano em excesso, levando ao hipertireoidismo. Nesses casos, o paciente pode apresentar taquicardia, perda de peso inexplicada, tremor nas mãos, sudorese excessiva, ansiedade e intolerância ao calor. Já a maioria dos adenomas é não funcionante (silenciosa), sem alterar os níveis hormonais. É por isso que o exame de sangue (TSH e T4 livre) é sempre solicitado junto com o ultrassom — ele ajuda a identificar se o nódulo está ou não produzindo hormônio.

No cotidiano das clínicas populares, é comum o paciente chegar com o resultado de um exame de imagem dizendo “nódulo de 1,5 cm na tireoide, sugestivo de adenoma”. Aí eu explico que o ultrassom dá pistas (bordas regulares, forma oval, ecogenicidade mista, ausência de microcalcificações), mas o diagnóstico de certeza só é dado pela punção ou pela análise histológica após cirurgia. Na maioria dos casos, porém, a PAAF não é necessária se o nódulo for pequeno e tiver características claramente benignas. O SUS segue os protocolos do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da SBEM, que indicam a punção apenas para nódulos acima de 1 cm com suspeita ultrassonográfica ou para nódulos menores com fatores de risco.

Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, classificamos os adenomas de tireoide de acordo com sua histologia (microscopia) e seu comportamento funcional. Os principais tipos são:

  • Adenoma folicular: o tipo mais comum. É composto por células semelhantes às foliculares normais, mas dispostas de forma desorganizada. Pode ser micro ou macrofolicular. O risco de transformação maligna é muito baixo, mas a diferenciação com o carcinoma folicular (câncer) depende da análise da cápsula — se há invasão, é câncer; se não, é adenoma.
  • Adenoma de células de Hürthle (ou oncocítico): variante com células grandes, ricas em mitocôndrias. Costuma ter maior potencial de recorrência e requer acompanhamento mais rigoroso. Também chamado de adenoma oxifílico.
  • Adenoma tóxico (doença de Plummer): nódulo que produz hormônio em excesso, causando hipertireoidismo. No ultrassom, geralmente é hipoecogênico e com fluxo aumentado ao Doppler. O tratamento pode incluir medicamentos antitireoidianos, iodo radioativo ou cirurgia.
  • Adenoma papilífero (raro): variante com papilas verdadeiras, mas sem os núcleos característicos do carcinoma papilífero. É um diagnóstico de exclusão.

A classificação funcional divide os adenomas em não funcionantes (95%) e funcionantes (5%). Essa distinção é essencial para decidir a conduta: se o nódulo está causando hipertireoidismo, o tratamento é mais ativo; se é silencioso e com aspecto benigno, apenas acompanhamento. O Ministério da Saúde, por meio do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Nódulos Tireoidianos, padroniza o manejo no SUS, incluindo o uso do sistema TI-RADS (Thyroid Imaging Reporting and Data System) para classificar o risco pelo ultrassom, que vai de 1 (benigno) a 5 (alta suspeita).

Quando procurar um médico

Você deve procurar atendimento médico se perceber um caroço ou inchaço na parte da frente do pescoço, principalmente se ele for firme, crescer rapidamente ou estiver associado a sintomas como rouquidão persistente, dificuldade para engolir, sensação de aperto ou dor local. Na minha prática, muitos pacientes notam o nódulo ao fazer a barba, ao passar colar ou ao sentir o pescoço ao engolir — a tireoide se move para cima e para baixo durante a deglutição, o que ajuda a identificar alterações.

Além disso, fique atento a sintomas de alteração hormonal: hipertireoidismo (palpitações, perda de peso, agitação, mãos trêmulas, sudorese, intestino solto) ou hipotireoidismo (cansaço, ganho de peso, pele seca, constipação, sonolência, depressão). Esses sintomas podem estar presentes mesmo com um nódulo pequeno, se ele for funcionante. No SUS, a porta de entrada são as Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde o clínico geral ou médico de família fará a avaliação inicial, solicitará exames de sangue (TSH, T4 livre) e ultrassom, e, se necessário, encaminhará para o endocrinologista.

É importante lembrar que a maioria dos adenomas não precisa de cirurgia. O acompanhamento é feito com exames periódicos: ultrassom a cada 6-12 meses no início e depois anualmente se o nódulo estiver estável. Se houver crescimento ou surgirem características suspeitas, a punção ou a cirurgia são consideradas. Não ignore a presença de um nódulo, mas também não entre em pânico — o diagnóstico precoce permite um manejo tranquilo e evita complicações.

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