O que é Adenose?
A adenose é uma alteração benigna (não cancerosa) que ocorre no tecido das mamas. Na prática clínica, ela aparece como um aumento no número e no tamanho das glândulas mamárias, os lóbulos. Em outras palavras, é como se o tecido que produz leite ficasse mais “crescido” ou “inchado”, mas sem formar um tumor propriamente dito. Essa condição é muito comum no dia a dia de clínicas populares e do SUS, principalmente entre mulheres entre 30 e 50 anos.
Quando atendo no ambulatório ou no posto de saúde, é frequente a paciente chegar com um laudo de ultrassom ou mamografia apontando “área de adenose”. Ela geralmente vem assustada, porque leu a palavra e já pensou em câncer. Por isso, a primeira coisa que faço é tranquilizar: a adenose é uma condição benigna, que não aumenta o risco de câncer de mama na maioria dos casos. Dados do Ministério da Saúde mostram que até 30% das mulheres na faixa dos 40 anos podem apresentar algum grau de adenose em exames de imagem, mas menos de 5% delas terão qualquer sintoma.
Na minha experiência no SUS, a adenose costuma ser descoberta de forma incidental — ou seja, em exames de rotina. Ela pode ser confundida com nódulos, mas, ao contrário destes, a adenose não tem bordas definidas e não forma uma massa palpável na maioria das vezes. A condição é regulada pela ANVISA no que diz respeito aos critérios de laudo de mamografia (classificação BI-RADS), e o CFM orienta que, na ausência de sintomas suspeitos, não há necessidade de tratamento cirúrgico.
Como funciona / Características
A adenose funciona como uma resposta do tecido mamário a estímulos hormonais, principalmente estrogênio e progesterona. No ciclo menstrual, é normal que as glândulas aumentem e diminuam. Na adenose, esse aumento é mais intenso e persistente, formando áreas mais densas na mama.
Exemplo prático do cotidiano: Maria, 38 anos, veio à clínica popular queixando-se de dor nas mamas antes da menstruação. O exame clínico não mostrou nódulos, mas no ultrassom apareceram áreas de ecotextura heterogênea — o laudo dizia “sugestivo de adenose“. Expliquei que era uma alteração benigna, comum na idade dela, e que a dor podia ser tratada com analgésicos simples e sutiã adequado. Ela saiu aliviada.
Na prática, as características da adenose incluem:
- Não forma uma massa palpável — na maioria das vezes, não se sente um caroço.
- Pode causar dor cíclica — piora na fase pré-menstrual, melhorando após a menstruação.
- Aparece em exames de imagem — na mamografia, como áreas de densidade assimétrica; no ultrassom, como áreas hipoecogênicas ou heterogêneas.
- É benigna — não vira câncer, mas pode dificultar a interpretação de exames, exigindo acompanhamento.
Tipos e Classificações
Na literatura médica brasileira, a adenose é classificada principalmente pela forma como se apresenta no microscópio (anatomia patológica). As classificações mais usadas nos laudos do SUS e de clínicas particulares são:
- Adenose esclerosante: É a forma mais comum. O tecido glandular fica “apertado” por um tecido fibroso (cicatricial). Pode ser confundida com câncer na mamografia, por isso exige cuidado. Não requer tratamento.
- Adenose apócrina: As células glandulares se transformam em células apócrinas (semelhantes às das glândulas sudoríparas). É benigna e rara.
- Adenose tubular: Pequenos túbulos se formam em excesso. Geralmente não causa sintomas.
- Adenose microglandular: Forma mais rara, com glândulas muito pequenas e espalhadas. Pode ser confundida com lesão maligna, mas é benigna.
No Brasil, a classificação BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) é usada nos laudos de mamografia. A adenose costuma receber categorias BI-RADS 2 (benigna) ou 3 (provavelmente benigna, com recomendação de seguimento em 6 meses). O CFM e a ANVISA recomendam que, em caso de BI-RADS 3, a paciente seja encaminhada para repetição do exame em curto prazo.
Quando procurar um médico
Você deve procurar um médico (clínico geral, ginecologista ou mastologista) nas seguintes situações:
- Aparecimento de nódulo ou caroço na mama — mesmo que a adenose não forme nódulos, qualquer massa deve ser investigada.
- Dor persistente localizada — se a dor não melhora com analgésicos comuns ou interfere no sono.
- Mudanças no formato ou textura da mama — como vermelhidão, retração da pele ou saída de secreção pelo mamilo.
- Histórico familiar de câncer de mama — pacientes com parentes de primeiro grau com câncer de mama devem ter acompanhamento mais rigoroso.
- Resultado de exame com BI-RADS 3 ou 4 — nesses casos, o médico pode solicitar novos exames ou biópsia.
- Mulheres acima de 50 anos — a mamografia anual é recomendada pelo Ministério da Saúde.
No SUS, o acesso ao mastologista pode ser feito pela Unidade Básica de Saúde (UBS). A paciente com laudo de adenose e sem sintomas geralmente é liberada com orientação de retorno em 1 ano. Já nas clínicas populares, o atendimento é mais ágil e o médico costuma explicar o resultado na mesma consulta.
Termos Relacionados
- Fibroadenoma: Tumor benigno sólido, mais comum em mulheres jovens, que forma um nódulo palpável e móvel. Diferente da adenose, ele é uma massa bem definida.
- Doença fibrocística da mama: Condição que inclui adenose, cistos e fibrose. É um termo guarda-chuva para alterações benignas da mama.
- Mastalgia: Dor nas mamas, que pode estar associada à adenose em alguns casos.
- BI-RADS: Sistema de classificação de exames de imagem da mama, usado para padronizar laudos. A adenose geralmente fica em categorias 2 ou 3.
- Mamografia: Exame de raio-X das mamas, usado para rastreamento e diagnóstico. A adenose aparece como densidade.
- Ultrassom mamário: Exame de imagem complementar, útil para diferenciar adenose de cistos ou nódulos.
- Nódulo benigno: Qualquer lesão não cancerosa na mama. A adenose não forma nódulo, mas pode ser confundida com um.
- Hiperplasia ductal atípica: Condição benigna, mas com risco aumentado de câncer. Diferente da adenose, que não tem esse risco.
Perguntas Frequentes sobre Adenose
Adenose pode virar câncer?
Não. A adenose simples (sem atipias) não se transforma em câncer de mama. Os estudos mostram que ela é uma variação normal do tecido mamário, sem potencial maligno. No entanto, ela pode dificultar a interpretação de exames, por isso o acompanhamento é importante.
Preciso operar a adenose?
Na grande maioria dos casos, não. A cirurgia só é indicada se houver dúvida no diagnóstico (por exemplo, quando a biópsia não é conclusiva) ou se a paciente tiver dor intensa que não melhora com tratamento clínico. No SUS, a cirurgia para adenose é raríssima.
A adenose causa sintomas?
Muitas mulheres com adenose não sentem nada. Quando há sintomas, o mais comum é a dor cíclica (antes da menstruação), sensação de peso ou desconforto local. Secreção pelo mamilo não é típica de adenose e deve ser investigada.
Como é feito o diagnóstico da adenose?
O diagnóstico é feito por exames de imagem (mamografia ou ultrassom). O médico radiologista identifica áreas de densidade ou ecotextura alterada. Em casos duvidosos, pode ser feita uma biópsia por agulha fina (PAAF) ou core biopsy, que confirmam a benignidade.
Qual o tratamento para adenose?
Não há tratamento específico para a adenose em si. Se houver dor, recomendamos analgésicos simples (como paracetamol ou ibuprofeno), uso de sutiã adequado (com sustentação) e, em alguns casos, anti-inflamatórios tópicos. Mudanças hormonais (como anticoncepcionais) podem piorar ou melhorar o quadro, dependendo da paciente.
A adenose aparece em homens?
É extremamente rara, mas possível, principalmente em homens com desequilíbrios hormonais (como ginecomastia). Quando aparece, a conduta é a mesma: acompanhamento e busca de causas hormonais subjacentes.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


