sexta-feira, junho 12, 2026

O que é O que é Alergia

O que é O que é O que é Alergia?

Eu costumo dizer aos meus pacientes, no consultório do SUS ou na clínica popular, que alergia é uma “briga” do próprio corpo com algo que, para a maioria das pessoas, é inofensivo. Imagine que o sistema de defesa do organismo – o sistema imunológico – resolve atacar poeira, pólen, camarão ou até um medicamento como se fossem invasores perigosos. Essa reação exagerada é o que chamamos de alergia. No dia a dia, vejo isso com muita frequência: a dona de casa que espirra sem parar ao varrer a sala, o menino que fica com os olhos vermelhos depois de brincar no quintal, a moça que tem coceira na pele após comer manga. São todos exemplos clássicos de uma reação alérgica.

No Brasil, as alergias são um problema de saúde pública relevante. Dados do Ministério da Saúde e da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) indicam que cerca de 30% da população brasileira sofre de rinite alérgica, e aproximadamente 20 milhões de pessoas têm asma – muitas vezes desencadeada por alérgenos como ácaros e fungos. Como médico que atende em clínicas populares, percebo que a procura por atendimento por queixas alérgicas é enorme, especialmente em épocas de seca ou de mudanças bruscas de temperatura. A falta de acesso a especialistas é uma realidade no SUS, mas o tratamento básico, com anti-histamínicos e corticoides inalatórios, está disponível na Atenção Primária, e faz toda a diferença quando bem orientado.

É importante deixar claro que alergia não é frescura nem “frescura”. É uma condição médica reconhecida, que pode variar de um simples espirro a uma reação grave chamada anafilaxia – que coloca a vida em risco. Por isso, entendo a importância de explicar direitinho o que é, como funciona e quando se preocupar. Vamos detalhar isso a seguir.

Como funciona / Características

Para entender como a alergia acontece, penso em duas etapas. A primeira é a “sensibilização”: a pessoa entra em contato com uma substância (chamada alérgeno) – como pólen, pelo de gato, poeira, amendoim ou dipirona – e o sistema imunológico, por algum motivo, a identifica como uma ameaça. Ele então produz anticorpos específicos, principalmente a imunoglobulina E (IgE), que ficam “armados” para um próximo encontro. Na segunda etapa, o “gatilho”, quando a pessoa tem novo contato com o mesmo alérgeno, esses anticorpos se ligam a células (como os mastócitos) e liberam uma série de substâncias inflamatórias, sendo a principal a histamina. É a histamina que causa os sintomas típicos: coceira, vermelhidão, inchaço, espirros, coriza, lacrimejamento, falta de ar ou diarreia.

No cotidiano da clínica popular, atendo muitos pacientes com rinite alérgica – o nariz entope, escorre, coça, e os olhos ficam irritados. Outro caso comum é a urticária, aquelas placas vermelhas que coçam muito, geralmente após comer algo ou tomar um remédio. Também vejo asma alérgica, principalmente em crianças: tosse seca, chiado no peito e falta de ar, piorando à noite ou após exposição a pelos de animais. Muita gente confunde alergia com intolerância alimentar, mas são diferentes: na alergia, o sistema imunológico entra em ação; na intolerância, o problema é a dificuldade de digerir um alimento (como a lactose).

Os alérgenos mais comuns no Brasil são os ácaros (presentes em colchões, tapetes e almofadas), fungos (mofo), pólen, pelos de cães e gatos, picadas de insetos (como abelha e formiga), alimentos (leite, ovo, amendoim, soja, trigo, frutos do mar) e medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios, dipirona). Ainda existem as alergias de contato, como a dermatite causada por níquel em bijuterias ou por plantas como a aroeira.

Tipos e Classificações

Na prática clínica, costumo classificar as alergias de acordo com o mecanismo imunológico (usamos a classificação de Gell e Coombs) e também com a via de exposição. Como o foco aqui é o paciente leigo, vou simplificar:

  • Alergia respiratória: atinge nariz, seios paranasais e pulmões. Exemplos: rinite alérgica e asma alérgica. É o tipo mais comum na população brasileira.
  • Alergia alimentar: reações após ingerir certos alimentos. Pode causar desde coceira na boca até anafilaxia. No Brasil, leite de vaca, ovo, amendoim e frutos do mar estão entre os principais.
  • Alergia medicamentosa: geralmente a antibióticos (penicilina, sulfa) e anti-inflamatórios. Muitos pacientes relatam reações como urticária ou inchaço nos lábios.
  • Alergia de contato: dermatite causada por contato direto com a pele. Exemplo: alergia a esmalte, níquel, látex.
  • Alergia a insetos: picadas de abelha, vespa, formiga ou mosquito. Pode causar reações locais ou sistêmicas.
  • Anafilaxia: é a forma mais grave, com risco de morte. Ocorre rapidamente, com queda da pressão, dificuldade respiratória, inchaço na garganta e urticária generalizada. Exige atendimento de emergência imediato.

É importante lembrar que nem toda reação adversa é alergia. Por isso, no SUS, muitas vezes encaminhamos para o alergologista quando o caso é complexo ou refratário ao tratamento básico.

Quando procurar um médico

Como médico que atende nas portas de entrada do SUS, oriento os pacientes a procurarem ajuda quando os sintomas alérgicos atrapalham a vida diária: espirros constantes que impedem o trabalho, coceira na pele que tira o sono, falta de ar recorrente, diarréia após comer certos alimentos. Mas existem sinais de ALERTA que exigem atendimento de emergência imediato:

  • Dificuldade para respirar, chiado no peito intenso ou sensação de garganta fechando
  • Inchaço repentino nos lábios, língua ou olhos (angioedema)
  • Queda de pressão com tontura, desmaio ou palidez
  • Urticária generalizada que aparece de repente, principalmente após comer, tomar remédio ou ser picado por inseto
  • Pulso rápido e fraco, náuseas, vômitos ou dor abdominal intensa

Nesses casos, não espere: vá a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou chame o SAMU (192). Anafilaxia é uma emergência tratável, mas o tempo é crucial. Para os casos crônicos, como rinite ou asma leve, o acompanhamento com clínico geral ou pediatra na UBS pode ser suficiente. Se não melhorar, o encaminhamento para o alergologista é indicado. O SUS oferece testes alérgicos (prick test) em alguns centros de referência, e medicamentos como anti-histamínicos, corticoides inalatórios e descongestionantes estão na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME).

Termos Relacionados

  • Alérgeno: substância que desencadeia a reação alérgica. Exemplos: ácaros, pólen, pelos de animais, alimentos, medicamentos.
  • Anafilaxia: reação alérgica grave, rápida e que pode levar à morte. Exige uso imediato de adrenalina e atendimento de emergência.
  • Histamina: substância liberada pelos mastócitos durante a reação alérgica, responsável por sintomas como coceira, vermelhidão e inchaço.
  • Anti-histamínico: medicamento usado para bloquear a ação da histamina e aliviar os sintomas alérgicos. Exemplos: loratadina, cetirizina, dexclorfeniramina.
  • Imunoglobulina E (IgE): anticorpo envolvido nas reações alérgicas. Exames de sangue podem medir os níveis de IgE total ou específica para alguns alérgenos.
  • Imunoterapia alérgeno-específica (vacina de alergia): tratamento que consiste em administrar doses crescentes do alérgeno para “dessensibilizar” o sistema imunológico. Disponível no SUS para alguns casos selecionados.
  • Rinite alérgica: inflamação da mucosa nasal causada por alérgenos respiratórios. Sintomas: espirros, coriza, coceira e entupimento nasal.
  • Urticária: erupção cutânea com placas elevadas, avermelhadas e coceira intensa, geralmente associada a alergia alimentar, medicamentosa ou física (frio, calor, pressão).

Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Alergia

Alergia tem cura?

Depende do tipo. Muitas alergias respiratórias e alimentares podem melhorar com o tempo, especialmente em crianças. A rinite alérgica e a asma podem ser controladas com tratamento adequado, mas não há uma “cura” definitiva. A imunoterapia (vacina de alergia) pode reduzir significativamente os sintomas e até promover tolerância duradoura. No geral, o objetivo é controlar os sintomas e evitar o alérgeno.

Qual a diferença entre alergia e intolerância alimentar?

Na alergia, o sistema imunológico reage contra o alimento, liberando histamina e outras substâncias – os sintomas são rápidos e podem ser graves (coceira, inchaço, dificuldade para respirar). Na intolerância, o corpo não consegue digerir ou metabolizar corretamente o alimento (exemplo: intolerância à lactose), gerando gases, cólicas e diarreia, mas sem envolvimento do sistema imunológico. É importante diferenciar para evitar dietas restritivas desnecessárias.

Alergia pode aparecer na vida adulta mesmo sem ter tido antes?

Sim, é muito comum. Conheço pacientes que nunca tiveram alergia e de repente passam a espirrar na presença de gatos ou a ter urticária ao comer camarão. Isso acontece porque o sistema imunológico pode se sensibilizar a novas substâncias em qualquer fase da vida. Fatores como estresse, infecções virais, mudanças hormonais e exposição prolongada a alérgenos podem desencadear esse processo.

O teste alérgico é doloroso? É confiável?

O teste mais comum, o prick test, é feito na pele do antebraço com uma gota do alérgeno e uma pequena puntura – parece uma picada de mosquito, mas não dói muito. Crianças costumam tolerar bem. O resultado sai em 15-20 minutos. É um exame confiável quando realizado por profissional treinado e interpretado com a história clínica. O SUS oferece em alguns serviços de referência. Exames de sangue (IgE específica) também são úteis, mas mais caros e com resultado demorado.

Grávida pode tomar anti-histamínico para alergia?

Depende do medicamento e do trimestre. Alguns anti-histamínicos mais antigos, como a dexclorfeniramina, têm mais risco de sonolência e são menos estudados na gestação. Os mais modernos, como loratadina e cetirizina, são considerados mais seguros, mas sempre devem ser usados sob orientação médica. O ideal é evitar ao máximo a exposição ao alérgeno. Converse com o obstetra e o clínico antes de usar qualquer remédio na gravidez.

É verdade que usar corticoides para alergia causa dependência ou engorda?

Depende da forma de uso. Corticoides inalatórios (para asma e rinite) agem localmente, com absorção mínima para o sangue, e são seguros quando usados nas doses recomendadas – não viciam e raramente causam ganho de peso significativo. Já corticoides orais ou injetáveis, usados por muito tempo, podem sim causar retenção de líquido, aumento de peso, elevação da pressão e outros efeitos. Por isso, o uso crônico


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