O que é O que é Alopecia?
Alopecia é o termo médico usado para descrever a queda de cabelo ou pelos em qualquer parte do corpo, mas que geralmente afeta o couro cabeludo. Na prática diária de uma clínica popular, é uma das queixas mais comuns — o paciente chega preocupado com o acúmulo de fios no travesseiro, no ralo do chuveiro ou com clareiras visíveis. Diferente da queda fisiológica (perda normal de 50 a 100 fios por dia), a alopecia representa uma perda anormal, que pode ter causas genéticas, hormonais, autoimunes ou até emocionais.
No Brasil, a alopecia androgenética — a famosa calvície hereditária — é a forma mais prevalente. Dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Dermatologia indicam que cerca de 50% dos homens acima dos 50 anos apresentam algum grau de calvície, e que aproximadamente 30% das mulheres brasileiras também sofrem com queda capilar ao longo da vida. Além disso, a alopecia areata (queda em placas) afeta em torno de 2% da população brasileira, sem distinção de idade ou sexo.
No contexto do SUS, muitas dessas condições são atendidas na Atenção Primária e encaminhadas ao dermatologista quando necessário. A ANVISA regula medicamentos tópicos como o minoxidil e a finasterida (para homens), e o CFM orienta sobre o uso seguro de terapias. Infelizmente, o acesso a tratamentos mais modernos, como o transplante capilar, ainda é limitado na rede pública, mas há protocolos para manejo clínico básico disponíveis.
Como funciona / Características
A alopecia não é uma doença única, mas um sintoma de diferentes condições. No consultório, o médico avalia três aspectos principais: o padrão da queda, a presença de inflamação e o tempo de evolução. Por exemplo, um paciente jovem que perde cabelo de forma difusa e gradual pode estar diante de uma alopecia androgenética — o cabelo vai afinando na região do topo e nas entradas. Já um paciente que apresenta falhas circulares bem delimitadas, com aspecto de “moeda”, provavelmente tem alopecia areata, uma condição autoimune que pode regredir sozinha ou necessitar de corticoides tópicos.
Outro cenário comum em clínicas populares brasileiras: a mulher que chega contando que o cabelo caiu muito após um período de estresse intenso (perda de emprego, luto, cirurgia). Nesse caso, podemos estar diante de um eflúvio telógeno, que é uma queda temporária e autolimitada — dura de 3 a 6 meses e melhora espontaneamente. Já em pacientes com histórico de infecções no couro cabeludo, uso de quimioterapia ou doenças crônicas como lúpus, a queda pode ser secundária a esses quadros.
No dia a dia, os médicos do SUS e das clínicas populares utilizam escalas simples para classificar o grau de alopecia, como a Escala de Hamilton-Norwood (para homens) e a Escala de Ludwig (para mulheres). Também é comum pedir exames laboratoriais básicos: ferro, ferritina, hormônios tireoidianos, vitamina D e, quando indicado, teste de androgênios. O tricograma (exame do fio) é mais raro na atenção primária, mas pode ser solicitado em casos duvidosos.
Tipos e Classificações
No Brasil, a classificação mais utilizada na prática clínica divide a alopecia em dois grandes grupos:
- Alopecias cicatriciais (irreversíveis): há destruição dos folículos capilares, deixando a pele lisa e sem abertura para o fio. Ex.: líquen plano pilar, lúpus discoide.
- Alopecias não cicatriciais (potencialmente reversíveis): o folículo está preservado, permitindo o crescimento do cabelo. É o grupo mais comum e inclui:
Os principais tipos dentro das alopecias não cicatriciais são:
- Alopecia androgenética (AGA) — genética + hormônios androgênicos. Afeta ambos os sexos, mas com padrão diferente. No homem, começa nas entradas e coroa; na mulher, afina no topo com preservação da linha frontal.
- Alopecia areata — autoimune, queda em placas arredondadas. Pode evoluir para perda total do cabelo (alopecia total) ou de todo o corpo (alopecia universal).
- Eflúvio telógeno — queda temporária após estresse físico ou emocional (pós-parto, febre alta, dieta, cirurgia). Normalmente autolimitado.
- Alopecia por tração — causada por penteados apertados (tranças, rabo de cavalo), comum em mulheres negras brasileiras. Pode se tornar cicatricial se não for corrigida.
- Tricotilomania — transtorno psicológico onde o paciente arranca os próprios cabelos. Muitas vezes o paciente nega, e o médico precisa observar a quebra irregular dos fios.
Quando procurar um médico
O paciente deve buscar atendimento médico sempre que perceber uma queda de cabelo que:
- Dura mais de 3 meses consecutivos
- Aparece em placas (áreas bem delimitadas sem cabelo)
- Vem acompanhada de coceira, ardor, vermelhidão ou descamação no couro cabeludo
- Provoca clareiras que aumentam de tamanho
- Está associada a outros sintomas como cansaço, unhas quebradiças, perda de peso, alterações menstruais ou queda de pelos corporais
- Acontece após uso de medicamentos (quimioterápicos, anticoagulantes, anticoncepcionais)
- Gera sofrimento emocional significativo (baixa autoestima, isolamento social)
Importante: no SUS, o primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS). O clínico geral ou médico de família pode solicitar exames iniciais e indicar tratamentos simples. Se houver necessidade de dermatologista, o encaminhamento é feito via regulação. Em clínicas populares particulares, o atendimento costuma ser mais ágil e incluir procedimentos como microagulhamento (com resultados variáveis).
Termos Relacionados
- Minoxidil — medicamento tópico que estimula o crescimento capilar, disponível no SUS em algumas regiões. Usado para alopecia androgenética e areata.
- Finasterida — comprimido que bloqueia a conversão de testosterona em dihidrotestosterona (DHT), responsável pela calvície masculina. Vendido sob prescrição e controlado pela ANVISA.
- Eflúvio telógeno — queda capilar reativa a um estresse fisiológico; cabelos entram em fase de repouso e caem de 2 a 4 meses após o evento desencadeante.
- Dermatoscopia (tricoscopia) — exame com aparelho de aumento que permite visualizar o couro cabeludo e os folículos; ajuda a diferenciar as causas.
- Transplante capilar — procedimento cirúrgico que transfere folículos da nuca (área doadora) para as áreas calvas. Disponível em clínicas privadas, raro no SUS.
- Corticosteroide tópico ou intralesional — tratamento anti-inflamatório para alopecia areata; aplicado pelo dermatologista diretamente nas placas.
- Placa de alopecia — área circular sem cabelo, típica da alopecia areata. Pode ser única ou múltipla.
- Tricotilomania — transtorno do controle dos impulsos; o paciente puxa cabelos e pelos de forma repetitiva, muitas vezes sem consciência.
Perguntas Frequentes sobre Alopecia
Alopecia tem cura?
Depende da causa. A alopecia androgenética não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com medicamentos (minoxidil, finasterida) e procedimentos, mantendo o cabelo por muitos anos. A alopecia areata pode regredir espontaneamente em meses, mas as recidivas são comuns. Os eflúvios telógenos geralmente se resolvem sozinhos. Já as alopecias cicatriciais são irreversíveis porque destroem o folículo.
O que causa a alopecia?
As causas são variadas: genética (alopecia androgenética), autoimunidade (alopecia areata), estresse físico ou emocional (eflúvio telógeno), doenças hormonais (tireoide, síndrome dos ovários policísticos), deficiências nutricionais (ferro, zinco, vitamina D), infecções no couro cabeludo (tinha), medicamentos (quimioterapia, anticonvulsivantes), e tração mecânica (penteados apertados).
Queda de cabelo é sempre alopecia?
Não. É normal perder de 50 a 100 fios por dia. A alopecia é caracterizada por perda acima desse limite ou por perda em áreas específicas. A queda fisiológica não forma clareiras e não provoca afinamento progressivo do cabelo. Se você notar uma mudança no volume ou no padrão de queda, vale a pena investigar.
Alopecia androgenética masculina e feminina são diferentes?
Sim. No homem, a calvície hereditária geralmente começa nas entradas (regiões temporais) e no topo (vértice), poupando a nuca. Na mulher, a perda é mais difusa no topo da cabeça, mantendo a linha frontal. A causa é a sensibilidade do folículo ao hormônio DHT, mas fatores genéticos e hormonais específicos diferem entre os sexos. O tratamento com finasterida, por exemplo, é contraindicado em mulheres em idade fértil.
O SUS oferece tratamento para alopecia?
O SUS disponibiliza atendimento na atenção primária e encaminhamento ao dermatologista para diagnóstico. Medicamentos como minoxidil tópico e corticoides intralesionais podem ser prescritos e, em algumas regiões, fornecidos pela farmácia básica. Já a finasterida e o transplante capilar não fazem parte da lista de medicamentos e procedimentos da rede pública, sendo acessíveis apenas via planos de saúde ou particulares.
Alopecia pode ser sinal de doença grave?
Em alguns casos, sim. A queda de cabelo pode ser o primeiro sinal de doenças autoimunes (lúpus, tireoidite), infecções (sífilis secundária) ou deficiências nutricionais severas. Por isso, é importante não ignorar o sintoma. Na clínica popular, já vi pacientes que descobriram anemia, hipotireoidismo e até câncer a partir de uma queixa de alopecia. O diagnóstico precoce faz toda a diferença.
Leia mais:
- Ministério da Saúde — Alopecia
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia — Alopecia Androgenética
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


