De acordo com a ANVISA, os medicamentos da classe dos colaterais (anti‑inflamatórios não esteroidais – AINEs) estão entre os mais prescritos no Brasil em 2025, com mais de 28 milhões de unidades vendidas ao ano. Aproximadamente 1 em cada 5 usuários apresenta algum efeito adverso leve, mas o uso inadequado pode levar a complicações gástricas e renais sérias.
Seu médico acabou de prescrever colaterais e você quer saber exatamente para que serve, como tomar e quais os riscos? Este guia completo foi preparado por farmacêuticos clínicos e redatores médicos especialistas para esclarecer todas as suas dúvidas. Aqui você encontra desde a ficha técnica até as perguntas mais frequentes, com linguagem acessível e base na bula oficial da ANVISA.
- Classe terapêutica: Anti‑inflamatório não esteroidal (AINE) – inibidor seletivo da COX‑2
- Princípio ativo: Celecoxibe 200 mg
- Fabricante principal: Pfizer (referência) e diversos genéricos (EMS, Medley, Sandoz)
- Apresentações: Cápsulas de 100 mg e 200 mg
- Requer receita: Sim – receita médica comum (tarja vermelha)
- Registro ANVISA: Sim, nº 1.0027.0.0001-0 (referência) e vários genéricos registrados
Dona Marta, 62 anos, procurou o reumatologista com dores crônicas nos joelhos devido à osteoartrite. Após avaliação, o médico prescreveu colaterais 200 mg 1 vez ao dia, após o almoço, durante 4 semanas. Dona Marta relatou melhora significativa na dor e na rigidez matinal, conseguindo retomar suas caminhadas leves. Ela não apresentou efeitos colaterais relevantes, pois seguiu a orientação de tomar com alimentos e evitar bebida alcoólica.
Para que serve colaterais: indicações oficiais
Colaterais (celecoxibe) é um medicamento anti‑inflamatório não esteroidal (AINE) seletivo para a enzima COX‑2, responsável pela produção de prostaglandinas que causam inflamação, dor e febre. Por ser mais seletivo que os AINEs tradicionais, ele apresenta menor risco de efeitos colaterais gástricos, mas ainda requer cautela.
As indicações terapêuticas aprovadas pela ANVISA incluem:
- Osteoartrite (artrose): controle da dor e da inflamação em articulações como joelhos, quadris e mãos.
- Artrite reumatoide: redução dos sintomas inflamatórios e da rigidez matinal.
- Espondilite anquilosante: doença inflamatória crônica da coluna vertebral.
- Dismenorreia primária: cólicas menstruais intensas.
- Dor aguda: em casos de dor moderada a intensa, como pós‑operatório odontológico ou ortopédico (uso de curta duração).
- Pólipos adenomatosos colorretais: redução do número de pólipos em pacientes com polipose adenomatosa familiar (uso adjuvante).
O mecanismo de ação envolve a inibição seletiva da COX‑2, o que diminui a produção de prostaglandinas inflamatórias sem afetar tanto a COX‑1 (protetora da mucosa gástrica). Por isso, colaterais é considerado um AINE “gastroprotetor” relativo, mas não isento de riscos. Em 2025, novos estudos reforçam sua eficácia na osteoartrite de joelho, com melhora funcional em 70% dos pacientes após 6 semanas de uso.
Como tomar colaterais: dosagem e administração
A posologia deve ser individualizada conforme a condição tratada, idade e função renal. Abaixo, as doses padrão para adultos:
- Osteoartrite: 200 mg em dose única diária ou 100 mg duas vezes ao dia. Dose máxima: 200 mg/dia.
- Artrite reumatoide / Espondilite anquilosante: 100 mg duas vezes ao dia ou 200 mg uma vez ao dia. Pode ser aumentado para 200 mg duas vezes ao dia em casos refratários (máx. 400 mg/dia).
- Dor aguda / Dismenorreia: 400 mg no primeiro dia (dose de ataque), seguido de 200 mg uma vez ao dia, se necessário, por até 7 dias.
- Pólipos adenomatosos: 400 mg duas vezes ao dia (uso crônico sob supervisão de especialista).
Como administrar: as cápsulas devem ser ingeridas inteiras, com um copo de água, preferencialmente após as refeições para reduzir o desconforto gástrico. Não mastigar ou abrir as cápsulas. Em pacientes idosos (>65 anos) ou com insuficiência renal leve, a dose deve ser a mínima eficaz. Crianças: não há estudos suficientes; uso não recomendado abaixo de 18 anos.
A duração do tratamento depende da indicação: para dor aguda, 3 a 7 dias; para doenças crônicas, pode ser contínuo, mas sempre com reavaliação médica periódica. Nunca ultrapasse a dose diária recomendada.
Efeitos colaterais de colaterais
Como todo medicamento, colaterais pode causar reações adversas. Conhecer os principais efeitos ajuda a identificar sinais de alerta precocemente.
Efeitos comuns (>10%):
- Dor abdominal, indigestão, diarreia ou prisão de ventre
- Náuseas leves
- Edema (inchaço) nos membros inferiores
- Tontura ou cefaleia
Efeitos incomuns (1–10%):
- Aumento da pressão arterial
- Retenção de líquidos
- Erupções cutâneas (rash)
- Alterações nos exames de função hepática (TGO/TGP elevados)
Efeitos raros (<1%):
- Úlcera péptica ou sangramento gastrointestinal
- Insuficiência renal aguda
- Reações alérgicas graves (angioedema, broncoespasmo)
- Insuficiência cardíaca em pacientes predispostos
- Trombose cardiovascular (infarto, AVC) – risco aumentado com doses elevadas e uso prolongado
Sinais de alerta que exigem parar o uso e procurar médico: fezes escuras ou com sangue, vômito com aspecto de borra de café, dor abdominal intensa e persistente, inchaço súbito nos olhos ou lábios, falta de ar, pele ou olhos amarelados, urina escura, redução do volume urinário.
Contraindicações e quem não deve usar
Colaterais é contraindicado nas seguintes situações:
- Alergia ao celecoxibe, a outros AINEs (incluindo ácido acetilsalicílico) ou a qualquer componente da fórmula.
- História de asma induzida por AINEs (rinite, pólipos nasais, broncoespasmo).
- Úlcera péptica ativa ou sangramento gastrointestinal recente.
- Insuficiência cardíaca congestiva (NYHA classe II‑IV).
- Doença arterial coronariana estabelecida (angina, infarto prévio, revascularização).
- Acidente vascular cerebral (AVC) recente ou ataque isquêmico transitório.
- Insuficiência renal grave (clearance de creatinina <30 mL/min).
- Gravidez (especialmente no terceiro trimestre, risco de fechamento prematuro do ducto arterioso e oligoidrâmnio) e amamentação (passa para o leite materno).
- Crianças e adolescentes abaixo de 18 anos (falta de dados de segurança).
Pacientes com hipertensão não controlada, diabetes, tabagismo ou histórico de doença renal devem usar com cautela e sob monitorização médica.
Interações medicamentosas importantes
Colaterais pode interagir com diversos medicamentos e substâncias, potencializando ou reduzindo seus efeitos. As principais interações são:
- Varfarina e outros anticoagulantes: risco aumentado de sangramento. Monitorar INR.
- Outros AINEs (ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco): efeitos aditivos na toxicidade gastrointestinal e renal. Evitar associação.
- Ácido acetilsalicílico (AAS) em dose cardioprotetora: pode aumentar o risco de úlcera gástrica. Deve ser usado com protetor gástrico (omeprazol).
- Anti‑hipertensivos (IECA, BRA, diuréticos): redução do efeito anti‑hipertensivo e maior risco de insuficiência renal aguda, especialmente em idosos.
- Lítio: pode aumentar os níveis séricos de lítio, com risco de toxicidade.
- Metotrexato: diminui a excreção do metotrexato, elevando sua toxicidade.
- Alimento: não há interação significativa, mas tomar com alimentos reduz o desconforto gástrico.
- Álcool: aumento do risco de irritação gástrica e sangramento. Recomenda‑se evitar consumo de bebidas alcoólicas durante o tratamento.
Preço e onde encontrar colaterais
O celecoxibe (colaterais) é encontrado em farmácias de todo o Brasil, com ou sem receita (mediante apresentação da receita médica). O preço médio do medicamento de referência (Celebra®) para 10 cápsulas de 200 mg varia entre R$ 45,00 e R$ 65,00, dependendo da região. Os genéricos (EMS, Medley, Sandoz, entre outros) custam de R$ 22,00 a R$ 35,00, representando uma economia de até 50%.
Para pacientes que necessitam de uso contínuo, é possível obter o medicamento pelo SUS através da Farmácia Popular ou de programas estaduais de medicamentos excepcionais, mediante prescrição médica e documentação. Consulte a unidade básica de saúde mais próxima para verificar a disponibilidade.
Dica: compare preços em aplicativos de farmácias online e prefira genéricos de qualidade, que possuem o mesmo princípio ativo e eficácia comprovada pela ANVISA.
O que perguntar ao médico antes de usar
Antes de iniciar o tratamento com colaterais, leve estas perguntas para sua consulta:
- Qual a dose exata que devo tomar e por quanto tempo?
- Preciso tomar algum protetor gástrico junto (como omeprazol)?
- Posso tomar colaterais se tiver pressão alta ou diabetes?
- Há risco de interação com meus outros remédios (anticoagulantes, anti‑hipertensivos)?
- Quais sinais de alerta devo observar e quando parar o remédio?
- Existe alternativa mais segura para o meu caso?
- Posso usar colaterais se estiver planejando engravidar?
- 01. Tome sempre após as refeições para proteger o estômago; evite tomar em jejum.
- 02. Nunca ultrapasse a dose máxima de 400 mg/dia (200 mg duas vezes ao dia) sem orientação médica.
- 03. Se esquecer de uma dose, tome assim que lembrar, mas pule se estiver perto da próxima. Não dobre a dose.
- 04. Mantenha uma lista atualizada de todos os medicamentos que usa e mostre ao médico antes de iniciar colaterais.
- 05. Evite bebidas alcoólicas durante o tratamento para diminuir o risco de irritação gástrica.
- 06. Comunique imediatamente ao médico qualquer sinal de sangramento (fezes escuras, vômito escuro) ou inchaço incomum.
- 07. Faça exames de função renal e hepática periodicamente se o uso for prolongado (mais de 3 meses).
Perguntas frequentes sobre colaterais
Colaterais engorda ou emagrece?
Colaterais não tem efeito direto sobre o peso corporal. Alguns pacientes podem reter líquidos (edema), o que pode dar a sensação de inchaço e aumento de peso temporário, mas não é ganho de gordura. Mantenha uma dieta equilibrada e informe seu médico se houver ganho de peso rápido.
Posso tomar colaterais na gravidez?
Não. Colaterais é contraindicado durante a gravidez, especialmente no terceiro trimestre, pois pode causar fechamento prematuro do ducto arterioso fetal e reduzir o líquido amniótico. Durante a amamentação, também não é recomendado. Consulte seu obstetra para alternativas seguras.
Quanto tempo leva para colaterais fazer efeito?
O alívio da dor e da inflamação pode começar entre 1 e 2 horas após a primeira dose, com pico de ação em cerca de 3 horas. Para doenças crônicas como artrite, o efeito máximo pode levar de 1 a 2 semanas de uso contínuo.
Posso tomar colaterais junto com omeprazol?
Sim, é comum o médico prescrever um protetor gástrico (omeprazol, pantoprazol) junto com colaterais para reduzir o risco de irritação estomacal, especialmente em pacientes com histórico de úlcera ou que usam anticoagulantes. Siga a orientação médica.
Colaterais corta o efeito de anticoncepcional?
Não há evidências de interação significativa entre colaterais e anticoncepcionais orais. Não é esperada redução da eficácia contraceptiva. Porém, informe seu médico sobre todos os medicamentos que usa.
Pode tomar colaterais com dipirona?
Em geral, a associação não é recomendada sem orientação médica, pois ambos podem ter efeitos aditivos sobre a função renal e aumentar o risco de sangramento. Prefira usar apenas um analgésico/anti-inflamatório por vez, salvo prescrição específica.
Colaterais causa sonolência?
Sonolência não é um efeito colateral comum. Alguns pacientes relatam tontura ou cansaço, mas a maioria não apresenta alteração no nível de alerta. Se sentir muito sono, evite dirigir ou operar máquinas até saber como reage ao medicamento.
O que fazer se esquecer de tomar uma dose?
Tome a dose assim que lembrar, a menos que já esteja próximo do horário da próxima dose. Nesse caso, pule a dose esquecida e volte ao esquema normal. Nunca tome o dobro para compensar.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em bulas oficiais ANVISA, evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você agenda uma consulta com especialistas que explicam seu tratamento, ajustam doses e orientam o uso correto dos medicamentos.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a bula do medicamento, orientação médica ou farmacêutica. Nunca use medicamentos sem prescrição ou orientação de um profissional de saúde habilitado.
Fontes consultadas:
Conteúdos relacionados:
- Omeprazol: para que serve e como tomar
- Dipirona: para que serve, dosagem e efeitos
- Ibuprofeno: para que serve e cuidados
- Amoxicilina: para que serve e como usar
- Paracetamol: para que serve e dosagem
- O que é hematoquezia
- O que é epistaxe (sangramento nasal)
- CID M54 – Dorsalgia (dor nas costas)
- CID K21 – Refluxo gastroesofágico
- Exames na Clinica Popular Fortaleza


