Sangue escorrendo pelo nariz de repente — sem pancada, sem motivo aparente. É assustador, e é completamente compreensível ficar em dúvida sobre o que fazer. A epistaxe, nome técnico para o sangramento nasal, é um dos motivos mais comuns de consulta em pronto-socorros no Brasil, mas nem sempre recebe a atenção que merece.
Na maioria das vezes, o episódio passa sozinho em alguns minutos e não representa perigo. O problema está em achar que isso é sempre a regra. Quando a epistaxe se repete com frequência, dura mais do que 20 minutos ou vem acompanhada de outros sintomas, pode estar sinalizando algo que precisa de investigação — hipertensão arterial descontrolada, distúrbios de coagulação e até, em casos raros, lesões tumorais na cavidade nasal.
Uma leitora de 38 anos nos escreveu contando que havia tido epistaxe quase toda semana por um mês. Ela atribuiu ao clima seco do Ceará e não buscou atendimento. Quando finalmente foi ao médico, descobriu que sua pressão arterial estava em níveis perigosos. O sangramento nasal era um dos primeiros sinais visíveis do problema.
⚠️ Atenção: Sangramento nasal que dura mais de 20 minutos, que ocorre mais de uma vez por semana ou que vem acompanhado de tontura, fraqueza intensa ou dificuldade para respirar exige avaliação médica imediata. Não tente resolver em casa.
O que é epistaxe — além da definição de dicionário
Epistaxe é o termo médico para sangramento nasal. Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em crianças e idosos. O sangramento geralmente vem da parte anterior do nariz (epistaxe anterior) ou, menos frequentemente, da parte posterior (epistaxe posterior, mais grave). Na prática, muitos pacientes relatam que o sangramento começa sem aviso e pode ser volumoso, o que causa bastante preocupação.
Para entender melhor, vale conhecer a anatomia: o nariz possui muitos vasos sanguíneos superficiais, especialmente na região do septo nasal (a parede que divide as narinas). Esses vasos são frágeis e podem se romper com facilidade.
Epistaxe é normal ou preocupante?
Episódios isolados e de curta duração são considerados normais. O problema é quando o sangramento se repete com frequência ou é difícil de parar. É considerado preocupante quando:
- Dura mais de 20 minutos
- Ocorre mais de uma vez por semana
- Vem acompanhado de tontura, fraqueza ou palidez
- É muito volumoso (enche um copo, por exemplo)
- Ocorre após traumatismo craniano ou cirurgia nasal
Nesses casos, é fundamental procurar um médico.
Epistaxe pode indicar algo grave?
Sim, embora a maioria dos casos seja benigna, a epistaxe pode ser sinal de doenças como hipertensão arterial, distúrbios de coagulação (hemofilia, deficiência de vitamina K), uso de anticoagulantes, leucemia, tumores nasais ou sinusais. Por isso, não se deve ignorar sangramentos recorrentes. Na prática, muitos pacientes relatam que descobriram problemas de saúde após episódios frequentes de epistaxe.
Epistaxe pode ser câncer?
Em casos raros, sim. Tumores da cavidade nasal ou seios paranasais podem causar sangramento. Mas são condições incomuns. O importante é não entrar em pânico, mas buscar avaliação médica se o sangramento for persistente ou unilateral.
Causas mais comuns da epistaxe
Causas locais
- Traumatismo (catarro, assoar o nariz com força, coçar)
- Ressecamento da mucosa nasal (ar seco, ar condicionado)
- Desvio de septo
- Rinite alérgica ou sinusite
- Uso de sprays nasais
- Corpos estranhos (principalmente em crianças)
Causas sistêmicas
- Hipertensão arterial
- Distúrbios de coagulação (hemofilia, doença de Von Willebrand)
- Uso de anticoagulantes (aspirina, varfarina, clopidogrel)
- Doenças hepáticas (cirrose)
- Leucemia e outras neoplasias
- Gravidez (alterações hormonais)
Sintomas associados à epistaxe
Além do sangramento, podem ocorrer:
- Sensação de sangue escorrendo na garganta
- Tontura ou vertigem
- Fraqueza
- Palidez
- Náuseas (se engolir muito sangue)
Epistaxe x hemorragia nasal: qual a diferença?
Embora os termos sejam usados como sinônimos, na prática médica “epistaxe” é o termo técnico para sangramento nasal, enquanto “hemorragia nasal” pode ser usado para sangramentos mais intensos. Não há diferença clínica significativa.
Como é feito o diagnóstico da epistaxe
O médico vai perguntar sobre a frequência, duração, intensidade, fatores desencadeantes e histórico de saúde. Pode ser necessário um exame físico com otoscópio ou rinoscópio para visualizar a origem do sangramento. Em casos recorrentes, exames de sangue (coagulograma, hemograma) e até imagem (tomografia) podem ser solicitados.
Tratamentos disponíveis para epistaxe
O tratamento depende da causa. Medidas caseiras incluem compressão nasal e inclinação da cabeça para frente. Se não parar, pode ser necessário cauterização química ou elétrica, tamponamento nasal, ou cirurgia em casos graves. Para causas sistêmicas, o foco é controlar a doença de base.
O que NÃO fazer durante um sangramento nasal
- Não incline a cabeça para trás — o sangue pode escorrer para a garganta e causar engasgo ou vômito.
- Não coloque algodão ou papel dentro do nariz — pode piorar o sangramento ao remover.
- Não assoe o nariz durante o sangramento.
- Não use sprays nasais ou medicamentos sem orientação.
Como prevenir a epistaxe
- Umidificar o ambiente (especialmente em locais secos).
- Usar soro fisiológico nasal para hidratar a mucosa.
- Evitar assoar o nariz com muita força.
- Não coçar o nariz.
- Controlar a pressão arterial.
- Evitar traumatismos.
Complicações possíveis quando a epistaxe é ignorada
Anemia, choque hipovolêmico (em casos graves), aspiração de sangue para os pulmões, e atraso no diagnóstico de doenças subjacentes.
Perguntas frequentes sobre epistaxe
Epistaxe é o mesmo que sangramento nasal comum?
Sim, epistaxe é o termo médico para sangramento nasal.
Com que frequência a epistaxe pode ser considerada normal?
Episódios isolados, com intervalos de meses ou anos, são normais. Sangramentos semanais ou diários não são.
O sangramento nasal pode ser sinal de pressão alta?
Sim, principalmente se for recorrente e em pessoas com histórico de hipertensão.
Crianças com epistaxe frequente: é preocupante?
Na maioria das vezes, é devido a ressecamento ou trauma local, mas deve ser avaliado por um pediatra.
O que fazer quando o sangramento não para?
Comprimir o nariz por 10-15 minutos, inclinar a cabeça para frente e procurar atendimento médico se não parar.
Epistaxe na gravidez: é perigoso?
É comum devido a alterações hormonais, mas deve ser relatado ao obstetra.
Remédios caseiros para epistaxe funcionam?
Compressas frias podem ajudar, mas não substituem atendimento médico em casos graves.
Quando a epistaxe requer cirurgia?
Em casos de sangramento posterior, falha do tamponamento ou lesões estruturais.
Experiência clínica
Na Clínica Popular Fortaleza, já atendemos diversos pacientes com epistaxe recorrente. Um caso marcante foi o de um senhor de 62 anos que tinha sangramentos quase diários. Após investigação, descobrimos que ele estava com pressão arterial descontrolada e uso inadequado de anticoagulantes. Com o ajuste da medicação e acompanhamento, os episódios cessaram.
Revisão médica
Este artigo foi revisado pela Dra. Ana Beatriz Melo, editora-chefe e jornalista de saúde, e baseia-se em diretrizes da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e do Ministério da Saúde.
Aviso importante
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de epistaxe persistente ou sintomas de alerta, procure um profissional de saúde.
Agende uma consulta
Se você sofre com sangramentos nasais frequentes ou quer uma avaliação de rotina, agende sua consulta na Clínica Popular Fortaleza — atendimento acessível e humanizado.
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Fontes: FEBRASGO | Ministério da Saúde


