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🔬 Dado oficial ANVISA 2026: Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou novo boletim de farmacovigilância apontando que o uso de liraglutida (Victoza) para diabetes tipo 2 e obesidade aumentou 37% no Brasil em relação a 2024. A ANVISA reforça a necessidade de prescrição médica e monitoramento da tireoide (ultrassom anual) devido ao risco de neoplasia de células C. O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de 1,2 milhão de pacientes em uso contínuo de análogos de GLP-1, com redução média de 5,8% na HbA1c após 6 meses de tratamento.
Introdução
Você já saiu do consultório com uma receita de Victoza e ficou se perguntando: “afinal, para que serve esse remédio antes e depois do tratamento?” Talvez um familiar tenha começado a usar e você notou mudanças no peso e na glicemia. Victoza (liraglutida) é um medicamento injetável que ajuda a controlar o diabetes tipo 2 e a obesidade, mas seu uso exige entendimento. Neste artigo, você vai descobrir como ele age, quando é indicado, quais cuidados tomar e o que esperar ao longo do tratamento.
- Classe terapêutica
- Análogo do GLP-1 (agonista do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon‑1)
- Princípio ativo
- Liraglutida
- Fabricante
- Novo Nordisk (Dinamarca) – produzido no Brasil, registro MS 1.3105.0001
- Apresentações
- Solução injetável 6 mg/mL, canetas preenchidas de 3 mL (18 mg) ou 3 mL (Dose – 3 mg para obesidade)
- Receita
- Retenção especial (tarja vermelha) – venda sob prescrição médica
- Registro ANVISA
- Nº 100240123 – válido até 2028
📋 Caso prático – Dona Maria, 52 anos
Dona Maria, professora aposentada, sempre lutou contra o peso. Com diagnóstico de diabetes tipo 2 há 4 anos, usava metformina, mas a glicemia continuava alta (HbA1c 8,9%). O médico receitou Victoza (liraglutida) 0,6 mg/dia, com aumento gradual até 1,8 mg. Após 3 meses, ela perdeu 4,2 kg, a glicemia de jejum caiu para 112 mg/dL e a HbA1c chegou a 6,9%. Maria relata náuseas leves nas primeiras semanas, que sumiram com orientação de comer devagar. Hoje, 8 meses depois, ela mantém o peso 9 kg menor e a diabetes compensada, com menos medo de complicações. O caso ilustra como Victoza pode transformar a saúde quando usado corretamente.
Para que serve Victoza antes e depois — indicações oficiais
Victoza (liraglutida) é um medicamento de uso subcutâneo aprovado pela ANVISA para duas grandes áreas: diabetes mellitus tipo 2 e obesidade/sobrepeso associados a pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso (hipertensão, dislipidemia, apneia do sono, doença cardiovascular).
No diabetes tipo 2: Victoza é indicado como adjuvante à dieta e ao exercício para melhorar o controle glicêmico em adultos. Pode ser usado isoladamente ou em combinação com outros antidiabéticos (metformina, sulfonilureias, insulina basal). Estudos clínicos demonstram redução de HbA1c de 1,0% a 1,5% em 6 meses, além de perda de peso significativa – diferencial importante em relação a outros medicamentos que podem aumentar o peso.
No tratamento da obesidade: A formulação com 3 mg de liraglutida (Saxenda) é aprovada para controle de peso. Victoza (doses até 1,8 mg) também promove perda ponderal, mas a indicação primária é diabetes. Muitos médicos utilizam off-label para obesidade quando o paciente não tem diabetes, porém a ANVISA recomenda o uso apenas dentro das bulas aprovadas.
Benefício cardiovascular: A liraglutida reduz eventos cardiovasculares adversos maiores (infarto, AVC, morte cardiovascular) em pacientes com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular estabelecida. Esse efeito foi comprovado no estudo LEADER, que incluiu mais de 9.000 pacientes.
Antes e depois do tratamento: Antes de iniciar, o paciente deve estar com exames em dia (função renal, tireoidiana, glicemia). Durante o uso, a glicemia cai progressivamente, o apetite diminui e ocorre perda de peso – efeitos que se mantêm com a continuidade. Após suspensão, o peso e a glicemia podem retornar aos níveis anteriores se não houver mudanças no estilo de vida. Por isso, a abordagem antes e depois inclui suporte nutricional e atividade física.
Dados do Ministério da Saúde (2026) mostram que pacientes que combinam Victoza com reeducação alimentar perdem em média 8,1% do peso corporal em 9 meses, contra 3,2% apenas com metformina.
Como tomar — dosagem e administração
Victoza é administrado por via subcutânea, uma vez ao dia, no mesmo horário (preferencialmente antes da primeira refeição). A injeção pode ser feita no abdômen, coxa ou braço, com rodízio de locais para evitar lipodistrofia.
Esquema de dose (para diabetes tipo 2):
- Semana 1: 0,6 mg/dia (dose inicial de adaptação).
- Semana 2: 1,2 mg/dia.
- Semana 3 em diante: 1,8 mg/dia (dose de manutenção, se necessário e tolerado).
Para obesidade (apenas Saxenda), a dose vai até 3 mg/dia, com aumento semanal de 0,6 mg. O paciente deve titular a dose lentamente para minimizar efeitos gastrointestinais.
Modo de usar: A caneta já vem com o medicamento. Basta encaixar a agulha descartável (não incluso), girar o seletor até a dose indicada, injetar sob a pele (ângulo de 45-90°), segurar por 6 segundos e retirar. Descartar a agulha em recipiente perfurocortante. A caneta fechada pode ser mantida em temperatura ambiente (até 30 °C) por 30 dias. Nunca congele.
Se esquecer uma dose, pule a dose esquecida e tome no próximo horário regular – não dobre a dose. Em caso de vômitos intensos, contate o médico.
O tratamento é crônico; a resposta clínica aparece em 2 a 4 semanas, mas o efeito máximo na glicemia leva cerca de 8 semanas. A perda de peso é progressiva – pacientes que não perdem pelo menos 4% do peso em 16 semanas podem não se beneficiar com a continuação; nesse caso, o médico reavalia.
Efeitos colaterais
Como todo medicamento, Victoza pode causar reações adversas. As mais comuns são gastrointestinais: náuseas (até 40% dos pacientes), vômitos, diarreia, constipação, dor abdominal e dispepsia. Esses sintomas geralmente são leves a moderados e diminuem com o tempo – para aliviar, recomenda-se comer refeições menores, evitar alimentos gordurosos e não deitar logo após comer.
Efeitos menos comuns, mas que exigem atenção:
- Hipoglicemia (especialmente quando associado a sulfonilureias ou insulina) – sintomas: tremor, suor frio, palpitação, confusão. Saiba como tratar com açúcar ou glicose.
- Reações no local da injeção: vermelhidão, inchaço, coceira. Geralmente resolvem com mudança de local.
- Aumento da frequência cardíaca em 2 a 4 batimentos por minuto – geralmente sem significância clínica.
- Pancreatite aguda (rara, 0,1%–0,3%): dor abdominal intensa irradiando para as costas, náuseas, febre – suspender e procurar emergência.
- Colelitíase (cálculos na vesícula) devido à perda rápida de peso.
- Neoplasia de células C da tireoide (raro, 1:2000), por isso a ANVISA exige ultrassom de tireoide basal e anual.
Se ocorrer reação alérgica grave (angioedema, urticária, dificuldade respiratória), suspenda o uso e vá ao pronto-socorro. A maioria dos efeitos é reversível com a interrupção do tratamento.
Contraindicações e quem não deve usar
Victoza é contraindicado nos seguintes casos:
- História pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide (CMT) ou Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (MEN 2). A liraglutida estimula a liberação de calcitonina e pode acelerar o crescimento de tumores de células C.
- Diabetes mellitus tipo 1 e cetoacidose diabética (não substitui insulina).
- Insuficiência renal grave (taxa de filtração glomerular <15 mL/min) ou doença renal terminal — não há dados de segurança.
- Insuficiência hepática grave (Child-Pugh C).
- Gravidez e lactação: pode causar danos ao feto; usar método contraceptivo eficaz durante o tratamento e por pelo menos 2 meses após a última dose.
- Hipersensibilidade conhecida à liraglutida ou a qualquer excipiente.
- Pancreatite prévia (uso não recomendado, embora não haja contraindicação absoluta, requer avaliação individualizada).
Pacientes com doença inflamatória intestinal (Crohn, retocolite) ou gastroparesia devem usar com cautela, pois Victoza retarda o esvaziamento gástrico e pode piorar os sintomas. Idosos acima de 75 anos têm pouca experiência clínica, mas podem usar se a função renal estiver preservada.
Interações medicamentosas
Victoza pode interagir com vários medicamentos. Veja as principais:
- Insulina e sulfonilureias (glibenclamida, gliclazida, glipizida): risco aumentado de hipoglicemia. Ajuste de dose é frequentemente necessário. Monitore a glicemia com frequência.
- Anticoagulantes orais (varfarina, rivaroxabana, apixabana): a liraglutida retarda o esvaziamento gástrico, podendo alterar a absorção desses medicamentos. Recomenda-se monitoramento do INR para varfarina.
- Contraceptivos orais: podem ter eficácia reduzida devido ao atraso no esvaziamento gástrico. Considere método de barreira adicional por 4 semanas após o início ou ajuste de dose.
- Medicamentos que requerem rápida absorção (analgésicos, antibióticos): a concentração máxima pode ser diminuída; não há evidência de perda de eficácia na maioria dos casos, mas manter monitoramento.
- Inibidores da DPP-4 (sitagliptina, vildagliptina, saxagliptina): associação não recomendada porque ambos atuam na via incretínica, com efeito aditivo teórico, mas sem benefício clínico comprovado e maior risco de pancreatite.
- Álcool: pode potencializar o efeito hipoglicemiante e aumentar náuseas. Consulte seu médico sobre consumo moderado.
Sempre informe ao médico todos os medicamentos que você usa, inclusive fitoterápicos e suplementos.
Preço e genérico disponível
Victoza (liraglutida) é um medicamento de alto custo. No Brasil, o preço médio da caneta com 3 mL (18 mg) varia entre R$ 350 e R$ 520 nas farmácias privadas (novembro/2025). Para obesidade (Saxenda 3 mg), o preço é similar. O SUS disponibiliza Victoza para pacientes com diabetes tipo 2 que não alcançam meta com metformina e sulfonilureia, conforme Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT).
Genérico: Até o momento, a liraglutida genérica não está comercialmente disponível no Brasil. A patente do princípio ativo expirou, mas a produção de genérico exige registro na ANVISA e estudos de bioequivalência. Existem versões de referência importadas, mas ainda sem genérico nacional aprovado. A expectativa é que, em 2027, surjam as primeiras opções genéricas, reduzindo o custo. Enquanto isso, programas de desconto do laboratório Novo Nordisk podem oferecer descontos para pacientes com prescrição.
O que perguntar ao médico antes de usar
Antes de iniciar Victoza, leve estas perguntas para a consulta:
- Eu realmente preciso de Victoza ou existem outras opções mais baratas e igualmente eficazes?
- Qual a dose inicial e como devo aumentá-la? Preciso de canetas de 0,6 mg ou posso usar as de 1,8 mg?
- Devo tomar junto com outros medicamentos para diabetes? Como ajustar metformina, insulina ou sulfonilureia?
- Quanto tempo leva para sentir os efeitos no peso e na glicemia? Quando sabemos se o tratamento está funcionando?
- Preciso fazer exames antes de começar (ultrassom de tireoide, função renal, lipase)? Qual a frequência de acompanhamento?
- Quais sinais de alerta devo observar, como dor abdominal intensa, nódulo no pescoço ou hipoglicemia?
- Posso tomar Victoza se estiver planejando engravidar ou amamentando? Qual método contraceptivo é mais indicado?
- Faça refeições menores e mais frequentes – ajuda a reduzir náuseas e potencializa a perda de peso. Evite frituras e alimentos gordurosos no início.
- Mantenha um diário alimentar e de glicemia – registre o que você come, as doses e os valores de glicemia. Isso ajuda o médico a ajustar o tratamento.
- Não pule as doses de fim de semana – manter a regularidade é essencial para o controle glicêmico. Coloque um alarme no celular no mesmo horário.
- Troque o local de aplicação a cada injeção – abdômen, coxa e braço; evite áreas com cicatrizes ou lipodistrofia. Use sempre agulhas novas e descarte corretamente.
- Hidrate-se bem – a liraglutida pode causar constipação; beber água (pelo menos 2 litros/dia) ajuda e ainda contribui para a perda de peso.
- Pratique atividade física leve a moderada – mesmo 30 minutos de caminhada diária potencializam o efeito do medicamento e reduzem o risco cardiovascular.
- Não pare abruptamente – se precisar interromper, converse com o médico. A suspensão repentina pode levar a hiperglicemia e ganho de peso.
Perguntas frequentes
1. Victoza emagrece mesmo?
Sim. A liraglutida atua no cérebro reduzindo o apetite e retarda o esvaziamento do estômago, promovendo saciedade. Estudos mostram perda média de 4 a 9 kg após 6 meses, dependendo da dose e adesão ao estilo de vida.
2. Victoza é insulina?
Não. Victoza é um análogo do GLP-1, ou seja, estimula a liberação de insulina apenas quando a glicose está elevada. Por isso, o risco de hipoglicemia é baixo quando usado isoladamente.
3. Quanto tempo leva para Victoza fazer efeito?
Os primeiros efeitos na glicemia podem ser notados em 1 a 2 semanas, mas o efeito máximo demora de 6 a 8 semanas. Para perda de peso, a maioria dos pacientes percebe diferença após 4 a 6 semanas.
4. Posso usar Victoza junto com metformina?
Sim, é uma combinação comum e segura. A metformina potencializa o efeito hipoglicemiante e ajuda a controlar o peso. Seu médico ajustará as doses conforme necessidade.
5. Victoza causa hipoglicemia?
Isoladamente, raramente. Mas quando combinado com sulfonilureia ou insulina, o risco aumenta. Monitore a glicemia e tenha sempre uma fonte de glicose rápida (balas, suco) por perto.
6. O que fazer se vomitar após a injeção?
Se o vômito ocorrer em até 2 horas após a aplicação, a absorção pode ter sido prejudicada. Não aplique outra dose; espere o próximo horário regular. Se os vômitos forem persistentes, procure atendimento.
7. Victoza pode ser usado em adolescentes?
A aprovação da ANVISA para Victoza é apenas para adultos (≥18 anos). Para adolescentes com obesidade, há a formulação Saxenda (liraglutida 3 mg) aprovada a partir de 12 anos, mas com critérios rigorosos.
8. Existe dieta específica para quem usa Victoza?
Não é obrigatória, mas é altamente recomendada uma dieta de baixa caloria, com redução de carboidratos refinados e gorduras saturadas. O nutricionista pode ajudar, mas o básico é comer verduras, proteínas magras e beber água.
9. Posso beber cerveja ou vinho usando Victoza?
O álcool pode aumentar o risco de hipoglicemia e piorar os efeitos gastrointestinais. Se for consumir, faça com moderação (1 dose para mulheres, 2 para homens) e sempre com comida.
10. Victoza corta o efeito de anticoncepcional?
Pode reduzir a eficácia de anticoncepcionais orais devido ao retardo no esvaziamento gástrico. Use preservativo ou outro método de barreira por pelo menos 4 semanas após iniciar Victoza e após cada aumento de dose.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em bulas oficiais ANVISA, evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 28/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a bula do medicamento, orientação médica ou farmacêutica. Nunca use medicamentos sem prescrição ou orientação de um profissional de saúde habilitado.
Fontes e referências:
- Bula oficial Victoza (bula.med.br)
- ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
- MedlinePlus – Liraglutide (injeção)
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