sexta-feira, julho 3, 2026

O Que e Tratamento De Varicocele

Dado importante

Estima-se que a varicocele afete cerca de 15% da população masculina adulta e até 40% dos homens com infertilidade primária. No Brasil, dados de 2024 indicam que aproximadamente 1 em cada 3 homens inférteis apresenta varicocele como fator contribuinte, sendo a condição mais comumente corrigível por cirurgia.

Você já sentiu um incômodo ou peso na região dos testículos, principalmente após ficar muito tempo em pé? Ou descobriu recentemente que tem varicocele e está se perguntando se precisa de tratamento? Entender o que é varicocele e quais as opções de tratamento disponíveis é o primeiro passo para cuidar da sua saúde masculina e, muitas vezes, preservar sua fertilidade. Neste guia completo e atualizado para 2026, explicamos tudo o que você precisa saber sobre o tratamento da varicocele, de forma clara e acessível.

Resumo rápido

  • O que é: Dilatação anormal das veias do plexo pampiniforme no escroto, similar às varizes nas pernas.
  • Quando ocorre: Mais comum em adolescentes e homens jovens (15-35 anos), frequentemente no lado esquerdo.
  • Quem trata: Urologista, especialista em saúde masculina e fertilidade.
  • Urgência: Baixa a moderada. Exige avaliação médica, mas raramente é emergencial. Casos com dor intensa ou atrofia testicular requerem atenção mais rápida.
  • Tratamento: Pode ser conservador (observação, suporte escrotal) ou cirúrgico (varicocelectomia, embolização), indicado quando há dor, infertilidade ou alterações testiculares.
Exemplo prático

João, 28 anos, professor, procurou o urologista porque sentia um “saco de minhocas” no testículo esquerdo após longos períodos em pé, além de desconforto que piorava com exercícios. Não tinha filhos e estava planejando engravidar a esposa. O exame físico confirmou varicocele grau III, e o espermograma mostrou baixa contagem e motilidade espermática. Após discutir as opções, João optou pela varicocelectomia microcirúrgica. Três meses depois, o desconforto desapareceu e o espermograma apresentou melhora significativa. A esposa engravidou naturalmente seis meses após a cirurgia.

Atenção: A presença de varicocele nem sempre requer tratamento. Porém, se você sentir dor testicular persistente, notar redução do tamanho do testículo, tiver dificuldade para engravidar ou observar mudanças na aparência das veias escrotais, procure um urologista. A varicocele é a causa mais comum de infertilidade masculina reversível, e o tratamento precoce pode evitar danos permanentes.

O que é tratamento varicocele guia

O tratamento da varicocele visa corrigir a dilatação anormal das veias que drenam o sangue dos testículos (veias do plexo pampiniforme). Essa condição, semelhante às varizes das pernas, ocorre quando as válvulas venosas não funcionam adequadamente, permitindo o acúmulo de sangue e o aumento da pressão na região escrotal. O tratamento pode ser indicado por diferentes motivos: alívio de dor ou desconforto, melhora da fertilidade, prevenção de atrofia testicular ou por razões estéticas. As abordagens variam desde medidas conservadoras (como uso de suporte escrotal e analgesia) até procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos. A escolha depende do grau da varicocele, dos sintomas, do desejo de fertilidade e das características individuais do paciente. Este guia aborda de forma completa todas as opções atuais, baseadas em evidências científicas de 2025-2026, incluindo a varicocelectomia microcirúrgica (padrão ouro) e a embolização percutânea.

Como funciona e qual sua importância no organismo

O sistema venoso testicular é responsável por drenar o sangue pobre em oxigênio dos testículos de volta ao coração. Na varicocele, as válvulas venosas falham, o sangue reflui e as veias se dilatam, formando um emaranhado vascular palpável. Esse acúmulo sanguíneo eleva a temperatura escrotal em 0,5 a 2°C, o que prejudica diretamente a espermatogênese (produção de espermatozoides). Além disso, o refluxo de metabólitos tóxicos das glândulas adrenais pode lesar as células testiculares. A importância do tratamento está em interromper esse ciclo: ao redirecionar o fluxo venoso por veias saudáveis, a temperatura volta ao normal, a função testicular é preservada ou recuperada, e a fertilidade pode melhorar em até 70% dos casos. Em adolescentes, o tratamento precoce previne a parada do crescimento testicular. Portanto, o tratamento da varicocele não é apenas estético – é uma intervenção funcional que protege a saúde reprodutiva e o bem-estar masculino.

Tipos e variações

A varicocele é classificada em três graus principais no exame físico: Grau I (palpável apenas com manobra de Valsalva, ou seja, quando o paciente faz força), Grau II (palpável em pé, sem manobra) e Grau III (visível a olho nu, descrito como “saco de minhocas”). Também existe a varicocele subclínica, detectada apenas por ultrassom Doppler. Quanto à localização, cerca de 85-90% ocorrem do lado esquerdo (devido à anatomia da veia testicular esquerda, que drena em ângulo reto na veia renal). Varicoceles bilaterais ocorrem em 10-20% dos casos, e a direita isolada é rara – quando presente, exige investigação de causas secundárias como tumores retroperitoneais. Outra variação é a varicocele recorrente, que aparece após tratamento cirúrgico prévio, geralmente por colaterais não ligados. A classificação correta influencia diretamente a abordagem terapêutica, assim como a presença de sintomas, infertilidade ou alterações no espermograma.

Causas e fatores de risco

A causa exata da varicocele primária (idiopática) é a incompetência das válvulas venosas, mas existem fatores de risco bem estabelecidos. O principal é a anatomia venosa: a veia testicular esquerda é mais longa e drena perpendicularmente na veia renal, o que favorece o refluxo. Fatores mecânicos, como aumento da pressão intra-abdominal (obesidade, constipação crônica, tosse persistente, levantamento de peso excessivo), podem agravar a dilatação. A adolescência é um período crítico, pois o rápido crescimento testicular e o aumento do fluxo sanguíneo favorecem o aparecimento. Histórico familiar de varicocele também eleva o risco, sugerindo predisposição genética. Varicoceles secundárias (mais raras) são causadas por obstrução ao fluxo venoso, como trombose da veia renal, tumores abdominais ou síndrome de compressão (como a síndrome de quebra-nozes, em que a artéria mesentérica comprime a veia renal). Identificar fatores de risco ajuda na prevenção e no diagnóstico precoce, especialmente em homens jovens com desejo de fertilidade futura.

Sintomas e manifestações clínicas

Muitos homens com varicocele são assintomáticos, descobrindo a condição em exames de rotina. Quando presentes, os sintomas mais comuns incluem: sensação de peso, dor ou desconforto no testículo (geralmente esquerdo), que piora com longos períodos em pé, esforço físico ou no final do dia, e melhora ao deitar; sensação de “saco de vermes” ou veias dilatadas palpáveis no escroto; inchaço visível do lado afetado. Em casos avançados, pode ocorrer atrofia testicular (redução do tamanho), visível na comparação entre os testículos. O principal impacto indesejado é a infertilidade: a varicocele está presente em 35-40% dos homens inférteis primários e em até 80% dos casos de infertilidade secundária. A alteração no espermograma mais comum é a diminuição da contagem, motilidade e morfologia espermática. Por isso, qualquer homem com dificuldade para engravidar deve ser avaliado quanto à presença de varicocele. Sintomas incomuns incluem dor irradiada para a região inguinal ou sensação de calor local.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da varicocele é essencialmente clínico, realizado pelo urologista durante o exame físico. O paciente fica em pé, em ambiente aquecido para relaxar a musculatura escrotal, e o médico palpa o cordão espermático com e sem manobra de Valsalva. A classificação em graus I, II ou III é feita nesse momento. Quando há dúvida ou para confirmação, o ultrassom Doppler colorido do escroto é o exame complementar padrão-ouro. Ele permite visualizar as veias dilatadas (diâmetro > 3 mm em repouso), medir o fluxo venoso reverso durante a manobra de Valsalva e avaliar o volume testicular. O espermograma é fundamental em homens com desejo de fertilidade, podendo mostrar oligospermia, astenospermia ou teratospermia. Em adolescentes ou casos de atrofia, a dosagem de hormônios (FSH, LH, testosterona) pode auxiliar na avaliação da função testicular. Exames como venografia ou ressonância magnética são reservados para suspeita de varicocele secundária ou recidiva. O diagnóstico precoce, especialmente em jovens, é crucial para evitar danos irreversíveis à fertilidade.

Tratamentos e abordagens terapêuticas

As opções de tratamento dependem dos sintomas, do grau da varicocele, da presença de infertilidade e do desejo do paciente. Existem três grandes grupos:

1. Tratamento conservador (observação): Indicado para varicoceles assintomáticas, grau I ou II, sem alterações no espermograma e sem atrofia testicular. Inclui uso de suporte escrotal (cueca mais justa), analgesia eventual (paracetamol, ibuprofeno) e mudanças de hábito (evitar ficar muito tempo em pé). Não reverte a dilatação, mas controla sintomas.

2. Tratamento cirúrgico – Varicocelectomia: É a abordagem mais eficaz e definitiva. A técnica atual padrão-ouro é a varicocelectomia microcirúrgica (subinguinal ou inguinal), realizada com microscópio cirúrgico. Permite identificar e ligar todas as veias dilatadas, poupando artérias, vasos linfáticos e ductos deferentes. As taxas de sucesso chegam a 95% com baixíssima recidiva (1-2%). Outras técnicas incluem a laparoscópica (útil em casos bilaterais) e a inguinal convencional (menos usada).

3. Embolização percutânea: Procedimento minimamente invasivo realizado por radiologista intervencionista. Um cateter é inserido pela veia femoral até a veia testicular, e a veia dilatada é ocluída com molas (coils) ou agentes esclerosantes. A recuperação é mais rápida que a cirurgia, mas a taxa de sucesso é um pouco menor (cerca de 85%) e a recidiva é maior. É uma opção para pacientes com contraindicações cirúrgicas ou que preferem evitar incisão.

A escolha entre as técnicas deve ser individualizada, discutida com o urologista, considerando a experiência do serviço, o grau da varicocele e as características do paciente. Em casos de varicocele bilateral, ambas as técnicas podem ser realizadas simultaneamente.

Prevenção e cuidados contínuos

A varicocele primária não tem prevenção específica, mas algumas medidas podem reduzir o risco de progressão ou aliviar sintomas: manter peso saudável (reduz pressão intra-abdominal), evitar esforços físicos extremos sem pausas, usar roupas íntimas que ofereçam suporte adequado, e tratar condições como constipação ou tosse crônica. Homens com diagnóstico de varicocele devem realizar acompanhamento urológico periódico, especialmente se desejam ter filhos. Após o tratamento, os cuidados incluem: repouso relativo por 7-14 dias (evitar levantamento de peso, corrida, bicicleta), uso de analgésicos conforme orientação, compressas de gelo nas primeiras 24-48h para reduzir inchaço, e retorno gradual às atividades. O espermograma de controle é realizado 3 a 6 meses após a cirurgia para avaliar melhora da fertilidade. A recidiva é possível, embora rara com técnica microcirúrgica adequada. Manter hábitos saudáveis (alimentação equilibrada, hidratação, não fumar) também contribui para a saúde testicular geral.

Quando procurar ajuda médica

Você deve consultar um urologista se apresentar um ou mais dos seguintes sinais: nódulo ou “bolsa de minhocas” palpável no escroto; dor ou desconforto testicular persistente, especialmente após ficar em pé; inchaço visível de um dos lados do escroto; dificuldade para engravidar após 12 meses de tentativas (ou 6 meses se a parceira tiver mais de 35 anos); redução do tamanho de um testículo comparado ao outro; histórico de varicocele na família e desejo de avaliação preventiva. Adolescentes com suspeita de varicocele (assimetria testicular) devem ser avaliados precocemente, pois o tratamento pode evitar danos ao desenvolvimento testicular. Em casos de dor súbita e intensa, vermelhidão ou febre, pode não ser varicocele (suspeitar de torção testicular ou epididimite) – nesse caso, procure emergência. Lembre-se: a varicocele é uma condição tratável, e o diagnóstico precoce é o melhor caminho para preservar sua saúde reprodutiva.

Dicas Práticas

Dicas Práticas

  1. 01. Ao sentir qualquer desconforto testicular, evite ficar muito tempo em pé e use uma cueca mais firme ou suporte escrotal – isso pode aliviar os sintomas enquanto você aguarda a consulta.
  2. 02. Se você está planejando ter filhos, faça um espermograma mesmo sem sintomas. A varicocele pode prejudicar a fertilidade silenciosamente.
  3. 03. Prefira a técnica microcirúrgica se houver indicação de cirurgia: é a que oferece menor recidiva e recuperação mais rápida.
  4. 04. Após o tratamento, espere pelo menos 3 meses antes de repetir o espermograma – o ciclo de produção espermática leva esse tempo para se restabelecer.
  5. 05. Não ignore a assimetria testicular em adolescentes: um testículo menor pode indicar varicocele com impacto no crescimento. A cirurgia precoce geralmente recupera o volume.
  6. 06. Mantenha o acompanhamento urológico anual mesmo após o tratamento, para detectar precocemente qualquer recidiva.

Perguntas Frequentes sobre tratamento varicocele guia

Varicocele tem cura?

Sim, a varicocele tem cura definitiva com a correção cirúrgica (varicocelectomia) ou embolização. Após o procedimento bem-sucedido, as veias dilatadas deixam de receber refluxo sanguíneo e a circulação testicular normaliza. No entanto, pacientes assintomáticos e sem alterações na fertilidade podem não precisar de tratamento – nesses casos, a varicocele não “cura” espontaneamente, mas também não causa problemas.

O tratamento da varicocele dói?

Durante a cirurgia, o paciente fica sob anestesia (geral, raquidiana ou local com sedação) e não sente dor. No pós-operatório, é comum haver desconforto leve a moderado, controlado com analgésicos comuns (paracetamol, ibuprofeno) por 2-5 dias. A embolização causa menos dor pós-procedimento, geralmente apenas um incômodo no local da punção femoral.

Quanto tempo leva a recuperação da varicocelectomia?

Com a técnica microcirúrgica, a recuperação é rápida. O paciente pode retomar atividades leves em 3-5 dias, trabalho de escritório em 7-10 dias e exercícios físicos moderados (caminhada) em 2 semanas. Esportes de alto impacto e levantamento de peso exigem 4-6 semanas de repouso. A recuperação completa costuma ocorrer em 1 mês.

Varicocele volta depois do tratamento?

A recidiva (voltar) é possível, mas baixa com a técnica microcirúrgica (cerca de 1-2%). Na embolização, a taxa de recidiva é um pouco maior (5-15%), principalmente se não forem ocluídas todas as colaterais. O acompanhamento com ultrassom Doppler após 6-12 meses é recomendado para verificar o resultado.

Varicocele pode causar impotência sexual?

Não diretamente. A varicocele não afeta a ereção nem a ejaculação. No entanto, a dor crônica ou a preocupação com a fertilidade podem causar ansiedade, que indiretamente interfere no desempenho sexual. O tratamento da varicocele costuma melhorar a qualidade de vida e a autoestima.

Quem tem varicocele pode engravidar?

Sim, muitos homens com varicocele engravidam naturalmente. A presença da varicocele não significa infertilidade absoluta – ela apenas reduz as chances. O espermograma mostra o real impacto. Após o tratamento, a melhora na qualidade espermática aumenta significativamente as taxas de gravidez, chegando a 50-70% em algumas séries.

Existe tratamento sem cirurgia?

Para varicoceles sintomáticas ou com impacto na fertilidade, a cirurgia ou embolização são os únicos tratamentos definitivos. Medidas conservadoras (suporte escrotal, analgésicos) apenas aliviam sintomas, sem corrigir a dilatação. Não existem medicamentos ou exercícios que revertam a varicocele.

Varicocele em adolescente precisa operar?

Nem sempre. A indicação em adolescentes é mais criteriosa: quando há assimetria testicular (diferença de volume > 20%), dor significativa, ou varicocele grau III. O objetivo é permitir o desenvolvimento testicular adequado e preservar a fertilidade futura. Acompanhamento urológico a cada 6-12 meses é essencial.

Varicocele atrapalha a produção de testosterona?

Em geral, a varicocele não causa queda significativa de testosterona. Estudos mostram que após o tratamento, os níveis hormonais podem se normalizar em casos de leve hipogonadismo, mas o principal impacto é mesmo na fertilidade. Homens com varicocele bilateral ou atrofia testicular grave podem ter níveis mais baixos de testosterona.

Qual o melhor médico para tratar varicocele?

O especialista indicado é o urologista, preferencialmente com experiência em andrologia (subespecialidade focada em saúde masculina e fertilidade). Para a embolização, o radiologista intervencionista realiza o procedimento, sempre indicado pelo urologista.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 25/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.

Links de referência:
MedlinePlus – Varicocele (em inglês)
MSD Manual – Varicocele
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