Estima-se que a varicocele afete cerca de 15% da população masculina adulta e até 40% dos homens com infertilidade primária. No Brasil, dados de 2024 indicam que aproximadamente 1 em cada 3 homens inférteis apresenta varicocele como fator contribuinte, sendo a condição mais comumente corrigível por cirurgia.
Você já sentiu um incômodo ou peso na região dos testículos, principalmente após ficar muito tempo em pé? Ou descobriu recentemente que tem varicocele e está se perguntando se precisa de tratamento? Entender o que é varicocele e quais as opções de tratamento disponíveis é o primeiro passo para cuidar da sua saúde masculina e, muitas vezes, preservar sua fertilidade. Neste guia completo e atualizado para 2026, explicamos tudo o que você precisa saber sobre o tratamento da varicocele, de forma clara e acessível.
- O que é: Dilatação anormal das veias do plexo pampiniforme no escroto, similar às varizes nas pernas.
- Quando ocorre: Mais comum em adolescentes e homens jovens (15-35 anos), frequentemente no lado esquerdo.
- Quem trata: Urologista, especialista em saúde masculina e fertilidade.
- Urgência: Baixa a moderada. Exige avaliação médica, mas raramente é emergencial. Casos com dor intensa ou atrofia testicular requerem atenção mais rápida.
- Tratamento: Pode ser conservador (observação, suporte escrotal) ou cirúrgico (varicocelectomia, embolização), indicado quando há dor, infertilidade ou alterações testiculares.
João, 28 anos, professor, procurou o urologista porque sentia um “saco de minhocas” no testículo esquerdo após longos períodos em pé, além de desconforto que piorava com exercícios. Não tinha filhos e estava planejando engravidar a esposa. O exame físico confirmou varicocele grau III, e o espermograma mostrou baixa contagem e motilidade espermática. Após discutir as opções, João optou pela varicocelectomia microcirúrgica. Três meses depois, o desconforto desapareceu e o espermograma apresentou melhora significativa. A esposa engravidou naturalmente seis meses após a cirurgia.
O que é tratamento varicocele guia
O tratamento da varicocele visa corrigir a dilatação anormal das veias que drenam o sangue dos testículos (veias do plexo pampiniforme). Essa condição, semelhante às varizes das pernas, ocorre quando as válvulas venosas não funcionam adequadamente, permitindo o acúmulo de sangue e o aumento da pressão na região escrotal. O tratamento pode ser indicado por diferentes motivos: alívio de dor ou desconforto, melhora da fertilidade, prevenção de atrofia testicular ou por razões estéticas. As abordagens variam desde medidas conservadoras (como uso de suporte escrotal e analgesia) até procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos. A escolha depende do grau da varicocele, dos sintomas, do desejo de fertilidade e das características individuais do paciente. Este guia aborda de forma completa todas as opções atuais, baseadas em evidências científicas de 2025-2026, incluindo a varicocelectomia microcirúrgica (padrão ouro) e a embolização percutânea.
Como funciona e qual sua importância no organismo
O sistema venoso testicular é responsável por drenar o sangue pobre em oxigênio dos testículos de volta ao coração. Na varicocele, as válvulas venosas falham, o sangue reflui e as veias se dilatam, formando um emaranhado vascular palpável. Esse acúmulo sanguíneo eleva a temperatura escrotal em 0,5 a 2°C, o que prejudica diretamente a espermatogênese (produção de espermatozoides). Além disso, o refluxo de metabólitos tóxicos das glândulas adrenais pode lesar as células testiculares. A importância do tratamento está em interromper esse ciclo: ao redirecionar o fluxo venoso por veias saudáveis, a temperatura volta ao normal, a função testicular é preservada ou recuperada, e a fertilidade pode melhorar em até 70% dos casos. Em adolescentes, o tratamento precoce previne a parada do crescimento testicular. Portanto, o tratamento da varicocele não é apenas estético – é uma intervenção funcional que protege a saúde reprodutiva e o bem-estar masculino.
Tipos e variações
A varicocele é classificada em três graus principais no exame físico: Grau I (palpável apenas com manobra de Valsalva, ou seja, quando o paciente faz força), Grau II (palpável em pé, sem manobra) e Grau III (visível a olho nu, descrito como “saco de minhocas”). Também existe a varicocele subclínica, detectada apenas por ultrassom Doppler. Quanto à localização, cerca de 85-90% ocorrem do lado esquerdo (devido à anatomia da veia testicular esquerda, que drena em ângulo reto na veia renal). Varicoceles bilaterais ocorrem em 10-20% dos casos, e a direita isolada é rara – quando presente, exige investigação de causas secundárias como tumores retroperitoneais. Outra variação é a varicocele recorrente, que aparece após tratamento cirúrgico prévio, geralmente por colaterais não ligados. A classificação correta influencia diretamente a abordagem terapêutica, assim como a presença de sintomas, infertilidade ou alterações no espermograma.
Causas e fatores de risco
A causa exata da varicocele primária (idiopática) é a incompetência das válvulas venosas, mas existem fatores de risco bem estabelecidos. O principal é a anatomia venosa: a veia testicular esquerda é mais longa e drena perpendicularmente na veia renal, o que favorece o refluxo. Fatores mecânicos, como aumento da pressão intra-abdominal (obesidade, constipação crônica, tosse persistente, levantamento de peso excessivo), podem agravar a dilatação. A adolescência é um período crítico, pois o rápido crescimento testicular e o aumento do fluxo sanguíneo favorecem o aparecimento. Histórico familiar de varicocele também eleva o risco, sugerindo predisposição genética. Varicoceles secundárias (mais raras) são causadas por obstrução ao fluxo venoso, como trombose da veia renal, tumores abdominais ou síndrome de compressão (como a síndrome de quebra-nozes, em que a artéria mesentérica comprime a veia renal). Identificar fatores de risco ajuda na prevenção e no diagnóstico precoce, especialmente em homens jovens com desejo de fertilidade futura.
Sintomas e manifestações clínicas
Muitos homens com varicocele são assintomáticos, descobrindo a condição em exames de rotina. Quando presentes, os sintomas mais comuns incluem: sensação de peso, dor ou desconforto no testículo (geralmente esquerdo), que piora com longos períodos em pé, esforço físico ou no final do dia, e melhora ao deitar; sensação de “saco de vermes” ou veias dilatadas palpáveis no escroto; inchaço visível do lado afetado. Em casos avançados, pode ocorrer atrofia testicular (redução do tamanho), visível na comparação entre os testículos. O principal impacto indesejado é a infertilidade: a varicocele está presente em 35-40% dos homens inférteis primários e em até 80% dos casos de infertilidade secundária. A alteração no espermograma mais comum é a diminuição da contagem, motilidade e morfologia espermática. Por isso, qualquer homem com dificuldade para engravidar deve ser avaliado quanto à presença de varicocele. Sintomas incomuns incluem dor irradiada para a região inguinal ou sensação de calor local.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da varicocele é essencialmente clínico, realizado pelo urologista durante o exame físico. O paciente fica em pé, em ambiente aquecido para relaxar a musculatura escrotal, e o médico palpa o cordão espermático com e sem manobra de Valsalva. A classificação em graus I, II ou III é feita nesse momento. Quando há dúvida ou para confirmação, o ultrassom Doppler colorido do escroto é o exame complementar padrão-ouro. Ele permite visualizar as veias dilatadas (diâmetro > 3 mm em repouso), medir o fluxo venoso reverso durante a manobra de Valsalva e avaliar o volume testicular. O espermograma é fundamental em homens com desejo de fertilidade, podendo mostrar oligospermia, astenospermia ou teratospermia. Em adolescentes ou casos de atrofia, a dosagem de hormônios (FSH, LH, testosterona) pode auxiliar na avaliação da função testicular. Exames como venografia ou ressonância magnética são reservados para suspeita de varicocele secundária ou recidiva. O diagnóstico precoce, especialmente em jovens, é crucial para evitar danos irreversíveis à fertilidade.
Tratamentos e abordagens terapêuticas
As opções de tratamento dependem dos sintomas, do grau da varicocele, da presença de infertilidade e do desejo do paciente. Existem três grandes grupos:
1. Tratamento conservador (observação): Indicado para varicoceles assintomáticas, grau I ou II, sem alterações no espermograma e sem atrofia testicular. Inclui uso de suporte escrotal (cueca mais justa), analgesia eventual (paracetamol, ibuprofeno) e mudanças de hábito (evitar ficar muito tempo em pé). Não reverte a dilatação, mas controla sintomas.
2. Tratamento cirúrgico – Varicocelectomia: É a abordagem mais eficaz e definitiva. A técnica atual padrão-ouro é a varicocelectomia microcirúrgica (subinguinal ou inguinal), realizada com microscópio cirúrgico. Permite identificar e ligar todas as veias dilatadas, poupando artérias, vasos linfáticos e ductos deferentes. As taxas de sucesso chegam a 95% com baixíssima recidiva (1-2%). Outras técnicas incluem a laparoscópica (útil em casos bilaterais) e a inguinal convencional (menos usada).
3. Embolização percutânea: Procedimento minimamente invasivo realizado por radiologista intervencionista. Um cateter é inserido pela veia femoral até a veia testicular, e a veia dilatada é ocluída com molas (coils) ou agentes esclerosantes. A recuperação é mais rápida que a cirurgia, mas a taxa de sucesso é um pouco menor (cerca de 85%) e a recidiva é maior. É uma opção para pacientes com contraindicações cirúrgicas ou que preferem evitar incisão.
A escolha entre as técnicas deve ser individualizada, discutida com o urologista, considerando a experiência do serviço, o grau da varicocele e as características do paciente. Em casos de varicocele bilateral, ambas as técnicas podem ser realizadas simultaneamente.
Prevenção e cuidados contínuos
A varicocele primária não tem prevenção específica, mas algumas medidas podem reduzir o risco de progressão ou aliviar sintomas: manter peso saudável (reduz pressão intra-abdominal), evitar esforços físicos extremos sem pausas, usar roupas íntimas que ofereçam suporte adequado, e tratar condições como constipação ou tosse crônica. Homens com diagnóstico de varicocele devem realizar acompanhamento urológico periódico, especialmente se desejam ter filhos. Após o tratamento, os cuidados incluem: repouso relativo por 7-14 dias (evitar levantamento de peso, corrida, bicicleta), uso de analgésicos conforme orientação, compressas de gelo nas primeiras 24-48h para reduzir inchaço, e retorno gradual às atividades. O espermograma de controle é realizado 3 a 6 meses após a cirurgia para avaliar melhora da fertilidade. A recidiva é possível, embora rara com técnica microcirúrgica adequada. Manter hábitos saudáveis (alimentação equilibrada, hidratação, não fumar) também contribui para a saúde testicular geral.
Quando procurar ajuda médica
Você deve consultar um urologista se apresentar um ou mais dos seguintes sinais: nódulo ou “bolsa de minhocas” palpável no escroto; dor ou desconforto testicular persistente, especialmente após ficar em pé; inchaço visível de um dos lados do escroto; dificuldade para engravidar após 12 meses de tentativas (ou 6 meses se a parceira tiver mais de 35 anos); redução do tamanho de um testículo comparado ao outro; histórico de varicocele na família e desejo de avaliação preventiva. Adolescentes com suspeita de varicocele (assimetria testicular) devem ser avaliados precocemente, pois o tratamento pode evitar danos ao desenvolvimento testicular. Em casos de dor súbita e intensa, vermelhidão ou febre, pode não ser varicocele (suspeitar de torção testicular ou epididimite) – nesse caso, procure emergência. Lembre-se: a varicocele é uma condição tratável, e o diagnóstico precoce é o melhor caminho para preservar sua saúde reprodutiva.
Dicas Práticas
- 01. Ao sentir qualquer desconforto testicular, evite ficar muito tempo em pé e use uma cueca mais firme ou suporte escrotal – isso pode aliviar os sintomas enquanto você aguarda a consulta.
- 02. Se você está planejando ter filhos, faça um espermograma mesmo sem sintomas. A varicocele pode prejudicar a fertilidade silenciosamente.
- 03. Prefira a técnica microcirúrgica se houver indicação de cirurgia: é a que oferece menor recidiva e recuperação mais rápida.
- 04. Após o tratamento, espere pelo menos 3 meses antes de repetir o espermograma – o ciclo de produção espermática leva esse tempo para se restabelecer.
- 05. Não ignore a assimetria testicular em adolescentes: um testículo menor pode indicar varicocele com impacto no crescimento. A cirurgia precoce geralmente recupera o volume.
- 06. Mantenha o acompanhamento urológico anual mesmo após o tratamento, para detectar precocemente qualquer recidiva.
Perguntas Frequentes sobre tratamento varicocele guia
Varicocele tem cura?
Sim, a varicocele tem cura definitiva com a correção cirúrgica (varicocelectomia) ou embolização. Após o procedimento bem-sucedido, as veias dilatadas deixam de receber refluxo sanguíneo e a circulação testicular normaliza. No entanto, pacientes assintomáticos e sem alterações na fertilidade podem não precisar de tratamento – nesses casos, a varicocele não “cura” espontaneamente, mas também não causa problemas.
O tratamento da varicocele dói?
Durante a cirurgia, o paciente fica sob anestesia (geral, raquidiana ou local com sedação) e não sente dor. No pós-operatório, é comum haver desconforto leve a moderado, controlado com analgésicos comuns (paracetamol, ibuprofeno) por 2-5 dias. A embolização causa menos dor pós-procedimento, geralmente apenas um incômodo no local da punção femoral.
Quanto tempo leva a recuperação da varicocelectomia?
Com a técnica microcirúrgica, a recuperação é rápida. O paciente pode retomar atividades leves em 3-5 dias, trabalho de escritório em 7-10 dias e exercícios físicos moderados (caminhada) em 2 semanas. Esportes de alto impacto e levantamento de peso exigem 4-6 semanas de repouso. A recuperação completa costuma ocorrer em 1 mês.
Varicocele volta depois do tratamento?
A recidiva (voltar) é possível, mas baixa com a técnica microcirúrgica (cerca de 1-2%). Na embolização, a taxa de recidiva é um pouco maior (5-15%), principalmente se não forem ocluídas todas as colaterais. O acompanhamento com ultrassom Doppler após 6-12 meses é recomendado para verificar o resultado.
Varicocele pode causar impotência sexual?
Não diretamente. A varicocele não afeta a ereção nem a ejaculação. No entanto, a dor crônica ou a preocupação com a fertilidade podem causar ansiedade, que indiretamente interfere no desempenho sexual. O tratamento da varicocele costuma melhorar a qualidade de vida e a autoestima.
Quem tem varicocele pode engravidar?
Sim, muitos homens com varicocele engravidam naturalmente. A presença da varicocele não significa infertilidade absoluta – ela apenas reduz as chances. O espermograma mostra o real impacto. Após o tratamento, a melhora na qualidade espermática aumenta significativamente as taxas de gravidez, chegando a 50-70% em algumas séries.
Existe tratamento sem cirurgia?
Para varicoceles sintomáticas ou com impacto na fertilidade, a cirurgia ou embolização são os únicos tratamentos definitivos. Medidas conservadoras (suporte escrotal, analgésicos) apenas aliviam sintomas, sem corrigir a dilatação. Não existem medicamentos ou exercícios que revertam a varicocele.
Varicocele em adolescente precisa operar?
Nem sempre. A indicação em adolescentes é mais criteriosa: quando há assimetria testicular (diferença de volume > 20%), dor significativa, ou varicocele grau III. O objetivo é permitir o desenvolvimento testicular adequado e preservar a fertilidade futura. Acompanhamento urológico a cada 6-12 meses é essencial.
Varicocele atrapalha a produção de testosterona?
Em geral, a varicocele não causa queda significativa de testosterona. Estudos mostram que após o tratamento, os níveis hormonais podem se normalizar em casos de leve hipogonadismo, mas o principal impacto é mesmo na fertilidade. Homens com varicocele bilateral ou atrofia testicular grave podem ter níveis mais baixos de testosterona.
Qual o melhor médico para tratar varicocele?
O especialista indicado é o urologista, preferencialmente com experiência em andrologia (subespecialidade focada em saúde masculina e fertilidade). Para a embolização, o radiologista intervencionista realiza o procedimento, sempre indicado pelo urologista.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com especialistas que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.
Links de referência:
MedlinePlus – Varicocele (em inglês)
MSD Manual – Varicocele
Clinica Popular Fortaleza — Consultas Médicas
Exames na Clinica Popular Fortaleza
CID N39 — Infecção do Trato Urinário
Ibuprofeno: para que serve
Paracetamol: para que serve
Saúde coletiva: conceitos e objetivos


