Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2026 estima-se que 1 em cada 4 adultos com mais de 35 anos sofrerá um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ao longo da vida. No Brasil, o AVC é a principal causa de incapacidade e a segunda maior causa de morte, com mais de 100 mil óbitos por ano.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID AVC e quer saber o que significa? O código CID-10 para Acidente Vascular Cerebral (popularmente chamado de derrame) é o I64, mas existem variações conforme o tipo (isquêmico ou hemorrágico). Neste artigo completo, escrito por um médico especialista em clínica médica, explicamos tudo o que você precisa saber: sintomas, tratamento, dias de atestado, prevenção e muito mais, com base em um caso clínico real.
- Código: I64 (principal); I60-I63 para subtipos
- Descrição: Acidente vascular cerebral não especificado como hemorrágico ou isquêmico
- Categoria: Capítulo IX – Doenças do aparelho circulatório (I60-I69)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: I60 (Hemorragia subaracnóidea), I61 (Hemorragia intracerebral), I62 (Outras hemorragias intracranianas não traumáticas), I63 (Infarto cerebral), I64 (AVC não especificado), I65-I66 (Oclusão de artérias cerebrais), I67 (Outras doenças cerebrovasculares), I68 (Transtornos cerebrovasculares em doenças classificadas em outra parte), I69 (Sequelas de doenças cerebrovasculares)
Paciente: João A., 68 anos, aposentado, ex-fumante, hipertenso e diabético tipo 2 em tratamento irregular.
Queixa principal: Fraqueza súbita no lado direito do corpo, dificuldade para falar e desvio da comissura labial para a esquerda, iniciados há 2 horas.
Avaliação clínica: Pressão arterial 180×100 mmHg, glicemia capilar 210 mg/dL, escala NIHSS = 8 (déficit moderado). Tomografia de crânio sem sinais de hemorragia; angio-TC mostrou oclusão da artéria cerebral média esquerda.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID I63 – Infarto cerebral (AVC isquêmico agudo) e CID I10 (hipertensão essencial) associado.
Conduta terapêutica: Trombolítico intravenoso (alteplase) dentro da janela de 4,5 horas, seguido de antiagregante plaquetário (AAS 100 mg/dia) após 24 horas, controle rigoroso da pressão arterial com anti-hipertensivos EV, monitorização em unidade de AVC, fisioterapia motora e fonoaudiologia precoces.
Evolução: Após 7 dias de internação, paciente apresentou melhora significativa do quadro motor (NIHSS = 2), mantendo discreta dificuldade de fala. Recebeu alta com orientações de reabilitação ambulatorial, controle de fatores de risco e uso de AAS + atorvastatina.
Lição clínica: O reconhecimento precoce dos sinais de AVC (rosto caído, braço fraco, fala difícil) e o atendimento hospitalar rápido são cruciais para reduzir sequelas. A prevenção secundária com medicamentos e mudanças no estilo de vida é tão importante quanto o tratamento agudo.
O que é o CID I64 na prática médica
O CID-10 I64 (Acidente vascular cerebral não especificado) é um código de exclusão que o médico utiliza quando há evidência clínica e de imagem de um AVC, mas não é possível determinar com certeza se o evento é isquêmico (infarto) ou hemorrágico (ruptura de vaso). Na prática, porém, a maioria dos AVCs é isquêmica (cerca de 85%), e o código I63 (infarto cerebral) é mais específico. O CID I64 é frequentemente usado em atestados de óbito ou em situações de avaliação inicial, antes da realização de exames complementares. É fundamental que o paciente receba o diagnóstico correto o mais rápido possível, pois o tratamento difere conforme o tipo de AVC.
O AVC é uma síndrome neurológica aguda causada por interrupção do fluxo sanguíneo cerebral (isquemia) ou por sangramento dentro do tecido cerebral (hemorragia). Sua relevância em saúde pública é enorme, sendo a principal causa de incapacidade permanente em adultos no Brasil. O CID I64 serve como código de “guarda-chuva” até que a classificação definitiva seja estabelecida.
Subcategorias e variantes do CID AVC
A classificação CID-10 para doenças cerebrovasculares inclui diversos códigos específicos. Conheça os principais:
- I60 – Hemorragia subaracnóidea: Sangramento no espaço entre o cérebro e as meninges, geralmente por ruptura de aneurisma. É menos comum, mas muito grave.
- I61 – Hemorragia intracerebral: Sangramento dentro do parênquima cerebral, associado frequentemente à hipertensão arterial não controlada ou ao uso de anticoagulantes.
- I62 – Outras hemorragias intracranianas não traumáticas: Inclui hematomas subdurais e extradural espontâneos.
- I63 – Infarto cerebral: AVC isquêmico, causado por trombose, embolia ou redução crítica do fluxo sanguíneo. É o tipo mais frequente.
- I64 – AVC não especificado: Usado quando não se pode classificar o tipo.
- I69 – Sequelas de doenças cerebrovasculares: Para registrar déficits residuais (sequelas motoras, de fala, cognitivas) após um AVC.
Para o paciente, o código específico impacta no tratamento imediato, no prognóstico e também nos dias de atestado médico.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas do AVC aparecem de forma súbita e podem variar conforme a região do cérebro afetada. Os sinais clássicos incluem:
- Fraqueza ou dormência: Geralmente de um lado do corpo (face, braço e/ou perna).
- Dificuldade para falar ou compreender: A fala pode ficar arrastada, confusa ou a pessoa pode não conseguir se expressar.
- Desvio da rima labial: A boca “torce” para um lado.
- Perda de visão: Visão embaçada ou perda súbita em um dos olhos.
- Dor de cabeça intensa: Comum em AVC hemorrágico, descrita como “a pior dor da vida”.
- Tontura, perda de equilíbrio ou de coordenação: Sensação de vertigem ou dificuldade para andar.
É importante lembrar que nem todos os sintomas ocorrem juntos. Qualquer sinal neurológico súbito deve ser tratado como potencial AVC até prova contrária. O reconhecimento precoce usando o mnemônico F.A.S.T. (Face – Arm – Speech – Time) salva vidas.
Causas e fatores de risco
As causas do AVC são multifatoriais, mas a aterosclerose e a hipertensão arterial são os pilares. Os principais fatores de risco incluem:
- Hipertensão arterial sistêmica: O principal fator para ambos os tipos de AVC.
- Diabetes mellitus: Acelera a aterosclerose.
- Dislipidemia (colesterol alto): Contribui para a formação de placas.
- Tabagismo: Dano endotelial e aumento da coagulabilidade.
- Obesidade e sedentarismo: Associados a outros fatores.
- Cardiopatias: Fibrilação atrial (principal causa cardioembólica), valvopatias, infarto prévio.
- Idade avançada: O risco dobra a cada década após os 55 anos.
- História familiar de AVC: Componente genético.
Para o AVC hemorrágico, o uso de anticoagulantes (varfarina, rivaroxabana, etc.) e o abuso de álcool ou drogas (cocaína, anfetaminas) são gatilhos importantes.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do AVC é clínico‑radiológico e deve ser rápido. A sequência típica inclui:
- Exame clínico e neurológico: Avaliação da escala NIHSS (National Institutes of Health Stroke Scale) para quantificar o déficit.
- Tomografia computadorizada de crânio sem contraste: Exame inicial para descartar hemorragia. Se houver sangramento, o AVC é hemorrágico; se normal, suspeita‑se de isquemia.
- Angiotomografia ou angiorressonância: Identifica o vaso ocluído e avalia a viabilidade do tecido cerebral (penumbra isquêmica).
- Exames laboratoriais: Glicemia, coagulograma, função renal, eletrólitos, marcadores cardíacos.
- Eletrocardiograma e ecocardiograma: Para pesquisar fontes cardioembólicas, como fibrilação atrial.
Exames como a ressonância magnética com difusão são mais sensíveis para isquemia precoce, mas a tomografia é mais acessível e rápida. O diagnóstico diferencial inclui crise epiléptica, tumor cerebral, enxaqueca com aura e hipoglicemia.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do AVC depende do tipo e do tempo decorrido desde o início dos sintomas. Para o AVC isquêmico:
- Trombolítico intravenoso (alteplase): Até 4,5 horas do início dos sintomas. Dissolve o coágulo e restaura o fluxo.
- Trombectomia mecânica: Em casos de oclusão de grandes artérias, até 6 horas (e em alguns casos até 24 horas com critérios de imagem avançada).
- Antiagregantes plaquetários: AAS ou clopidogrel após 24 horas do trombolítico.
- Controle de fatores de risco: Anti-hipertensivos, estatinas, controle glicêmico.
- Reabilitação precoce: Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional.
Para o AVC hemorrágico:
- Controle rigoroso da pressão arterial.
- Reversão de anticoagulantes, se em uso.
- Cirurgia neurovascular: Drenagem de hematoma ou clipagem/embolização de aneurisma.
- Suporte clínico em UTI.
Em ambos os casos, a internação em unidade de AVC (Stroke Unit) reduz a mortalidade e melhora o prognóstico funcional.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho por AVC varia conforme a gravidade, a presença de sequelas, a profissão do paciente e a resposta à reabilitação. Em média:
- AVC leve (sem sequelas ou com déficit mínimo): Atestado de 30 a 60 dias para repouso e início de reabilitação.
- AVC moderado (com déficit motor ou de fala parcial): De 90 a 180 dias (3 a 6 meses), com possibilidade de prorrogação.
- AVC grave (sequelas importantes, necessidade de cuidados intensivos): Pode ultrapassar 6 meses, e muitas vezes o paciente é encaminhado para aposentadoria por invalidez.
O médico assistente define o período inicial e reavalia periodicamente. A CID R11 – Náuseas e vômitos pode ser usada como comorbidade, mas o CID principal do AVC é o que determina o atestado.
Legislação trabalhista: O AVC é considerado doença grave, e o empregado tem estabilidade provisória de 12 meses após o retorno ao trabalho em casos de acidente de trabalho? Não – o AVC não é acidente de trabalho típico, mas o INSS concede auxílio-doença após 15 dias de afastamento. Para perícias, o código I63 ou I64 deve constar no atestado.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência imediatamente (SAMU 192) se você ou alguém ao seu redor apresentar:
- Fraqueza súbita de um lado do corpo (braço ou perna)
- Dificuldade repentina para falar ou entender
- Desvio da boca para um lado
- Perda de visão em um ou ambos os olhos
- Dor de cabeça muito forte e repentina, sem causa
- Tontura ou desmaio acompanhado de outros sintomas
Não espere os sintomas melhorarem sozinhos. A cada minuto sem tratamento, cerca de 1,9 milhão de neurônios morrem (no AVC isquêmico). A janela terapêutica para trombolítico é curta, por isso o tempo é cérebro.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção primária (evitar o primeiro AVC) e secundária (evitar recorrências) baseia-se no controle dos fatores de risco:
- Mantenha a pressão arterial controlada: Abaixo de 130×80 mmHg na maioria dos pacientes.
- Controle o diabetes: Hemoglobina glicada abaixo de 7%.
- Use estatinas: Para reduzir o LDL colesterol.
- Pare de fumar e evite álcool em excesso.
- Pratique atividade física regular (150 minutos/semana).
- Alimentação saudável: Dieta mediterrânea, com baixo teor de sódio e gorduras saturadas.
- Trate a fibrilação atrial: Com anticoagulantes orais (varfarina, rivaroxabana, apixabana, etc.) conforme risco.
Após um AVC, o acompanhamento multidisciplinar (neurologista, cardiologista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo) é essencial para a recuperação funcional e prevenção de novos eventos.
- 01. Decore o F.A.S.T.: Face (rosto), Arm (braço), Speech (fala), Time (tempo). Esse mnemônico pode salvar uma vida.
- 02. Mantenha a pressão arterial sempre medida e controlada. A hipertensão é o fator de risco número 1 para AVC.
- 03. Se você tem fibrilação atrial, não abandone o anticoagulante. Ele reduz em até 70% o risco de AVC cardioembólico.
- 04. Após um AVC, a reabilitação precoce (iniciada ainda no hospital) melhora significativamente a recuperação motora e da fala.
- 05. Nunca ignore sintomas neurológicos transitórios (AIT – ataque isquêmico transitório). Eles são um sinal de alerta: procure um neurologista para prevenção.
Perguntas Frequentes sobre o CID AVC
O CID AVC garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. Varia de 30 dias (casos leves) a mais de 180 dias (casos graves), conforme a evolução do paciente e a presença de sequelas. O médico assistente define o período e reavalia periodicamente.
Posso trabalhar com o CID I63 (AVC isquêmico)?
Depende das sequelas. Muitos pacientes retornam ao trabalho após reabilitação, mas podem precisar de adaptações (redução de carga horária, mudança de função). Se houver incapacidade permanente, o INSS concede aposentadoria por invalidez.
O CID I64 é usado apenas em casos de morte?
Não. Embora seja comum em atestados de óbito, o código I64 também pode ser usado em pacientes vivos quando o tipo de AVC não foi esclarecido por exame de imagem (por exemplo, em locais sem tomografia disponível).
Existe diferença no tratamento entre os CIDs I60 e I61?
Sim. I60 (hemorragia subaracnóidea) exige investigação de aneurisma e possível intervenção neurocirúrgica. I61 (hemorragia intracerebral) é tratado com controle pressórico e suporte clínico. Ambos não recebem trombolítico, ao contrário do I63.
O que significa CID I69?
CID I69 é usado para registrar sequelas de AVC, como hemiplegia, afasia, disfagia, comprometimento cognitivo. Aparece em atestados de pacientes que tiveram AVC no passado e ainda apresentam déficits.
AVC é hereditário?
Há um componente genético, mas o estilo de vida e o controle dos fatores de risco (pressão, diabetes, colesterol) são mais importantes. Se houver história familiar forte, a prevenção deve ser ainda mais rigorosa.
Qual exame confirma o CID AVC?
O padrão é a tomografia de crânio sem contraste para descartar hemorragia (em minutos), seguida de angiotomografia ou ressonância magnética para confirmar a isquemia e localizar a oclusão.
AVC tem cura?
O AVC em si é um evento agudo; o tratamento pode reverter o déficit se for rápido. Entretanto, sequelas podem ser permanentes. A “cura” funcional depende da reabilitação. A prevenção evita novos eventos.
O CID AVC é usado para licença-maternidade?
Não. A licença-maternidade usa códigos específicos do capítulo XV (gravidez). O CID AVC é para doenças do aparelho circulatório.
Posso usar o CID AVC para faltar ao trabalho sem atestado?
Não. O atestado médico deve ser emitido por profissional habilitado após consulta. Autodiagnóstico não vale como justificativa.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Para mais informações oficiais, consulte:
Classificação CID-10 no Brasil |
MedlinePlus: Stroke
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CID F41 – Ansiedade,
CID M54 – Dorsalgia,
CID J06 – Infecção Respiratória,
CID N39 – Infecção Urinária,
CID G43 – Enxaqueca.


