Segundo o Ministério da Saúde, a cervicalgia (CID M54.2) é a terceira queixa musculoesquelética mais frequente nos ambulatórios públicos brasileiros, afetando cerca de 18% da população adulta ao menos uma vez no ano – com predomínio em mulheres e trabalhadores que utilizam computadores por longos períodos.
CID Cervicalgia: o que você precisa saber
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID CERVICALGIA e quer saber o que significa? A cervicalgia é um termo técnico que descreve a dor localizada na região do pescoço, podendo irradiar para ombros e cabeça. Este código pertence à Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e é amplamente utilizado por médicos para registrar queixas de dor cervical sem causa traumática aguda ou doença estrutural grave. Entender o significado desse diagnóstico ajuda você a compreender o tratamento indicado e os cuidados necessários para a sua recuperação.
- Código: M54.2
- Descrição: Cervicalgia (dor na região cervical)
- Categoria: Capítulo XIII – Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo (M00-M99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Não há subcategorias oficiais para M54.2; entretanto, variações clínicas podem ser codificadas como M54.1 (radiculopatia cervical), M54.3 (ciática) ou M54.5 (lombalgia) quando aplicável.
Paciente: Sra. Júlia Mendes, 34 anos, analista de sistemas (trabalha em home office há 3 anos)
Queixa principal: Dor no pescoço há 15 dias, pior ao final do expediente, com sensação de “travamento” ao virar a cabeça para a direita. Refere também cefaleia tensional ocasional.
Avaliação clínica: Exame físico revelou contratura muscular paravertebral cervical bilateral, pontos-gatilho nos trapézios superiores e limitação da rotação cervical à direita (cerca de 40°). Sem déficits motores ou sensitivos nos membros superiores. Exames complementares: radiografia cervical simples evidenciou retificação da lordose fisiológica, sem fraturas ou sinais de instabilidade.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID M54.2 (Cervicalgia) — o que significa dor na região cervical decorrente de má postura e tensão muscular crônica, sem comprometimento neurológico.
Conduta terapêutica: Prescrição de anti-inflamatório não hormonal (ibuprofeno 400mg 8/8h por 5 dias), relaxante muscular (ciclobenzaprina 5mg à noite por 7 dias), orientação ergonômica (ajuste da altura do monitor, cadeira com suporte lombar e pausas a cada 50 minutos) e encaminhamento para fisioterapia com técnicas de alongamento e fortalecimento da musculatura cervical.
Evolução: Após 2 semanas de tratamento, a paciente relatou melhora significativa da dor (de 8 para 2 na escala EVA). A amplitude de movimento cervical normalizou e ela retornou ao trabalho com as adaptações ergonômicas implementadas.
Lição clínica: A cervicalgia postural responde bem a medidas conservadoras precoces. A correção dos fatores ergonômicos e a abordagem multidisciplinar (medicamentosa + fisioterapia) são essenciais para prevenir a cronicidade e reduzir o risco de absenteísmo laboral.
O que é o CID M54.2 na prática médica?
Na prática da clínica médica, o código M54.2 (cervicalgia) representa um diagnóstico sindrômico, ou seja, descreve a dor na região cervical sem especificar a causa subjacente. Ele é utilizado quando o médico identifica dor localizada no pescoço, geralmente de origem musculoesquelética, mas ainda não há confirmação de uma doença estrutural específica (como hérnia ou artrose). O CID M54.2 pertence ao grupo das dorsopatias (M50-M54) e é um dos códigos mais comuns em pronto-atendimentos, clínicas de ortopedia e medicina do trabalho.
É importante diferenciar cervicalgia de outras condições como torcicolo (M43.6 – torcicolo congênito ou adquirido) ou radiculopatia cervical (M54.1 – dor com irradiação para braço devido a compressão nervosa). O uso correto do CID auxilia no planejamento terapêutico, na comunicação entre profissionais e na emissão de atestados médicos. Para aprofundar, veja também o CID M54 – Dorsalgia.
Subcategorias e variantes do CID M54.2
O CID-10 não prevê subcategorias oficiais para M54.2, mas na prática clínica os médicos podem utilizar códigos relacionados para especificar o quadro:
- M54.0 – Paniculite atingindo regiões do pescoço e dorso (raro)
- M54.1 – Radiculopatia (dor cervical com irradiação para membros superiores)
- M54.3 – Ciática (dor lombar com irradiação, não cervical)
- M54.4 – Lumbago com ciática
- M54.5 – Lombalgia (dor lombar baixa)
- M54.6 – Dor na coluna torácica
- M54.8 – Outras dorsopatias
- M54.9 – Dorsopatia não especificada
Para a cervicalgia pura, o código mais adequado é M54.2. Caso haja sinais neurológicos, o médico deve considerar M54.1 ou outros códigos de hérnia discal. Consulte também o CID R11 – Náuseas e Vômitos para entender outros códigos comuns.
Sintomas e como a doença se manifesta
A cervicalgia manifesta-se principalmente por dor na região posterior do pescoço, podendo ser em pontada, queimação ou sensação de peso. Os sintomas mais frequentes incluem:
- Dor localizada entre a base do crânio e o topo dos ombros;
- Rigidez cervical – dificuldade para movimentar a cabeça, especialmente ao acordar;
- Contratura muscular palpável nos trapézios e paravertebrais;
- Cefaleia tensional (dor de cabeça que começa na nuca e irradia para a testa);
- Irradiação para ombros e região interescapular (sem atingir os braços, o que diferenciaria de radiculopatia);
- Piora com movimentos do pescoço ou após longos períodos na mesma posição.
Em casos crônicos, podem surgir tonturas leves (cervicogênicas) e desconforto ao dirigir ou ler. É essencial distinguir a cervicalgia de quadros como a enxaqueca (CID G43), que cursa com dor pulsátil e náuseas.
Causas e fatores de risco
As causas da cervicalgia são multifatoriais. As principais incluem:
- Postura inadequada: uso prolongado de computadores, smartphones, posição de dormir inadequada;
- Estresse e tensão emocional: aumenta a contratura muscular;
- Traumas leves: como “chicote” cervical em acidentes de trânsito;
- Doenças degenerativas: osteoartrite cervical, discopatias (hérnia de disco);
- Sedentarismo e fraqueza muscular: diminui o suporte da coluna cervical;
- Obesidade: sobrecarga mecânica na coluna;
- Tabagismo: prejudica a nutrição dos discos intervertebrais.
Fatores de risco ocupacionais são especialmente relevantes: profissionais que passam mais de 6 horas sentados, motoristas, dentistas, cirurgiões e trabalhadores de linha de montagem apresentam maior prevalência. Para mais informações sobre problemas relacionados, veja o CID 083 – Significado e Cuidados.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da cervicalgia é essencialmente clínico, baseado na anamnese e no exame físico. O médico avalia:
- Localização, tipo e intensidade da dor (escala EVA);
- Fatores de melhora e piora;
- Presença de rigidez matinal ou piora noturna;
- Exame neurológico sumário (força, sensibilidade e reflexos nos membros superiores);
- Palpação de pontos-gatilho e contratura muscular.
Exames complementares são solicitados se houver suspeita de causas secundárias:
- Radiografia simples da coluna cervical (para avaliar alinhamento, degeneração ou fraturas);
- Ressonância magnética (se houver déficit neurológico, suspeita de hérnia de disco ou tumor);
- Eletroneuromiografia (para avaliar compressão nervosa).
O diagnóstico diferencial inclui meningite (febre, rigidez de nuca), fibromialgia (dor difusa) e doenças reumáticas como espondilite anquilosante. Leia também sobre o CID Z000 – Exame Médico Geral.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da cervicalgia é conservador na grande maioria dos casos. As opções incluem:
- Farmacológico: analgésicos (paracetamol, dipirona), anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno, naproxeno), relaxantes musculares (ciclobenzaprina, tizanidina) e, em casos crônicos, adjuvantes como amitriptilina em baixas doses.
- Fisioterapia: alongamentos, fortalecimento da musculatura cervical e escapular, técnicas de liberação miofascial, quiropraxia e osteopatia.
- Ergonomia: ajuste de estação de trabalho, uso de travesseiro adequado, pausas regulares.
- Acupuntura e massoterapia: complementares para alívio da dor e relaxamento muscular.
- Infiltrações: em casos refratários, podem ser utilizados corticosteroides locais ou bloqueios nervosos.
Medicamentos como ibuprofeno para que serve e dipirona para que serve são comuns, mas devem ser usados sob prescrição médica. A cirurgia é raramente indicada, apenas em casos de hérnia discal com compressão medular ou instabilidade grave.
Quantos dias de atestado médico?
O número de dias de afastamento para cervicalgia depende da intensidade dos sintomas, da ocupação do paciente e da resposta ao tratamento inicial. Em geral:
- Cervicalgia aguda leve/moderada: 2 a 5 dias de atestado, especialmente se houver limitação funcional importante para o trabalho. Após esse período, o paciente pode retornar com adaptações.
- Cervicalgia moderada a intensa (com contratura severa): 5 a 10 dias, com reavaliação médica.
- Cervicalgia crônica com exacerbação: pode ser necessário afastamento de 7 a 14 dias, associado a fisioterapia intensiva.
A decisão final cabe ao médico assistente, que deve avaliar cada caso individualmente. Para condições mais persistentes, pode ser necessário emissão de atestado complementar ou encaminhamento ao INSS (se afastamento superior a 15 dias).
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
A cervicalgia geralmente não é uma emergência, mas existem sinais de alarme que exigem avaliação imediata:
- Dor cervical após trauma (queda, acidente de carro) – suspeita de fratura ou lesão ligamentar grave;
- Dor intensa e súbita, com irradiação para braços, dormência ou formigamento;
- Fraqueza muscular nos membros superiores ou dificuldade para andar;
- Febre, calafrios, rigidez de nuca (suspeita de meningite);
- Perda de peso inexplicada, sudorese noturna (suspeita de neoplasia);
- Dor que não melhora com analgésicos comuns e piora progressivamente;
- Dificuldade para urinar ou incontinência urinária (sinais de compressão medular).
Nestes casos, procure um serviço de emergência ou consulte um neurologista/ortopedista com urgência.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da cervicalgia envolve mudanças no estilo de vida e no ambiente de trabalho:
- Manter postura correta ao sentar: pés apoiados, joelhos em 90°, monitor na altura dos olhos;
- Realizar pausas ativas a cada 1 hora – alongar o pescoço, ombros e pulsos;
- Fortalecer a musculatura do core e das costas com exercícios regulares (pilates, natação, musculação orientada);
- Usar travesseiro ortopédico que mantenha a coluna cervical alinhada;
- Gerenciar o estresse com técnicas de relaxamento, meditação ou ioga;
- Evitar carregar peso excessivo em uma das mãos (bolsas, mochilas assimétricas);
- Manter peso corporal adequado e não fumar.
Para cuidados adicionais, veja também CID J45 – Asma e outras condições crônicas que podem exigir cuidados integrados.
- 01. Aplique compressas mornas na região cervical por 15 minutos, 3 a 4 vezes ao dia, para aliviar a contratura muscular.
- 02. Evite movimentos bruscos de “esticar o pescoço” para aliviar a dor – isso pode piorar a inflamação. Prefira alongamentos suaves orientados por um fisioterapeuta.
- 03. Ajuste a altura do monitor do computador de modo que o topo da tela fique na altura dos olhos, evitando a flexão excessiva do pescoço.
- 04. Não durma de barriga para cima com travesseiro muito alto – o ideal é um travesseiro que preencha o espaço entre o ombro e a cabeça, mantendo a coluna neutra.
- 05. Se você utiliza medicação para dor, nunca exceda a dose recomendada e evite o uso contínuo por mais de 5 dias sem reavaliação médica.
- 06. Incorpore exercícios de fortalecimento da região cervical e escapular (como remadas e elevação lateral) em sua rotina semanal.
Perguntas Frequentes sobre o CID CERVICALGIA
O CID CERVICALGIA garante quantos dias de atestado?
Em geral, de 2 a 10 dias, dependendo da intensidade. Para quadros leves, costuma-se conceder 2 a 4 dias; para moderados, 5 a 7 dias; intensos ou com necessidade de fisioterapia, até 14 dias. O médico avaliará a funcionalidade e o tipo de trabalho do paciente.
O que significa exatamente “cervicalgia”?
Cervicalgia é o termo médico para dor localizada no pescoço (região cervical da coluna). Não indica a causa – pode ser por má postura, tensão muscular, artrose ou hérnia de disco. O CID M54.2 é o código oficial para essa condição.
O CID M54.2 é grave?
Na maioria dos casos, não. A cervicalgia aguda é autolimitada e responde bem a medidas conservadoras. No entanto, se persistir por mais de 4 semanas ou vier acompanhada de sintomas neurológicos, deve ser investigada mais a fundo.
Qual a diferença entre cervicalgia e torcicolo?
Torcicolo (CID M43.6) é um quadro agudo de contratura muscular que causa inclinação forçada da cabeça e dor intensa, geralmente ao acordar. Já a cervicalgia é um termo mais amplo que inclui qualquer dor cervical, inclusive o torcicolo.
Posso trabalhar com cervicalgia?
Depende da sua função e da intensidade da dor. Trabalhos leves (escritório) podem ser realizados com pausas e adaptações. Trabalhos que exigem esforço físico ou movimentos repetitivos do pescoço podem precisar de afastamento temporário.
O CID M54.2 pode ser usado para atestado de dor crônica?
Sim, para exacerbações agudas em pacientes com cervicalgia crônica. Mas para condições crônicas estáveis, outros códigos como M47 (espondilose) podem ser mais apropriados. O médico decidirá o código mais adequado.
Existe cura para a cervicalgia?
A maioria dos episódios agudos se resolve em dias ou semanas com tratamento adequado. A cervicalgia crônica pode ser controlada com fisioterapia e mudanças posturais, mas pode haver recorrências. Não há uma “cura” definitiva, mas sim manejo efetivo.
O estresse pode causar cervicalgia?
Sim, o estresse emocional é um dos principais fatores de risco. A tensão psíquica leva ao aumento do tônus muscular na região dos ombros e pescoço, gerando dor e rigidez. Técnicas de relaxamento são parte importante do tratamento.
Preciso de exame de imagem para diagnosticar cervicalgia?
Nem sempre. Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico. Exames como raio-X ou ressonância são solicitados quando há suspeita de fratura, hérnia de disco ou doença inflamatória, ou quando a dor é refratária ao tratamento inicial.
O CID M54.2 pode ser usado para dor cervical pós-acidente de trânsito?
Sim, para o chamado “chicote cervical” (lesão por aceleração/desaceleração). Nesse caso, pode-se usar M54.2 associado a S13 (luxação ou entorse de articulações e ligamentos do pescoço) ou outros códigos de trauma.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes de consulta: CID10.com.br | MedlinePlus – Neck Pain | BVS Saúde


