No Brasil, estima-se que 1 em cada 5 internações por diabetes mellitus seja decorrente do pé diabético. Dados de 2025 do DATASUS apontam que mais de 70 mil amputações de membros inferiores poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce e cuidados adequados. O CID E11.5 representa a principal causa de internação prolongada entre pacientes diabéticos acima de 60 anos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID PE-DIABETICO e quer saber o que significa? O pé diabético é uma complicação grave do diabetes mellitus caracterizada por alterações vasculares, neurológicas e infecciosas nos pés, podendo evoluir para úlceras, gangrena e até amputação. Neste artigo, você entenderá todos os aspectos da doença, os sinais que exigem atendimento urgente e como o tratamento pode salvar seu membro.
- Código: E11.5
- Descrição: Diabetes mellitus não-insulino-dependente (tipo 2) com complicações circulatórias periféricas
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: E11.50 (sem menção de não controlado), E11.51 (não controlado). Além disso, a CID permite especificar o pé diabético com códigos adicionais, como L98.4 (úlcera de pele por pressão) e I70.2 (aterosclerose de artérias dos membros).
Paciente: João A., 63 anos, aposentado (ex-motorista de caminhão), diabético tipo 2 há 12 anos, hipertenso e com dislipidemia. Relata má adesão ao tratamento e nunca havia feito exame preventivo dos pés.
Queixa principal: “Há duas semanas notei uma bolha no dedão do pé direito, mas não doía. Agora está preta e saiu pus. Não consigo andar direito.”
Avaliação clínica: Ausência de pulsos pediosos e tibiais posteriores à direita; monofilamento 10g não percebido abaixo do tornozelo; úlcera perfurante plantar com 3 cm, fundo necrótico, exsudato purulento, odor fétido. Glicemia capilar: 290 mg/dL; HbA1c: 9,6%. Radiografia revelou osteomielite na falange distal do hálux. Doppler arterial mostrou ITB de 0,45.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID E11.5 + I70.2 + L98.4 — pé diabético neuroisquêmico com úlcera infectada e osteomielite.
Conduta terapêutica: Internação hospitalar, antibioticoterapia venosa (piperacilina-tazobactam por 14 dias), desbridamento cirúrgico da úlcera, revascularização por angioplastia da artéria tibial anterior, uso de calcâneo de alívio e curativos com hidrogel. Iniciou insulina basal para controle glicêmico rigoroso.
Evolução: Após 6 semanas, a ferida apresentou tecido de granulação, cultura negativa, e o paciente recebeu alta com sapato ortopédico e orientações para prevenção. A amputação do hálux foi evitada.
Lição clínica: A neuropatia diabética elimina a dor, fazendo com que úlceras passem despercebidas. Todo diabético precisa inspecionar os pés diariamente e buscar atendimento ao menor sinal de lesão. O diagnóstico tardio multiplica o risco de amputação.
O que é o CID E11.5 na prática médica?
O código CID-10 E11.5 designa o diabetes mellitus tipo 2 com complicações circulatórias periféricas. Na prática, ele é utilizado quando o paciente desenvolve alterações vasculares nos membros inferiores decorrentes do diabetes, como a doença arterial periférica. No caso do pé diabético, essa codificação é frequentemente combinada com outros códigos que especificam a lesão (úlcera, gangrena, infecção). O CID E11.5 não é um diagnóstico único, mas sim um marcador da relação causal entre o diabetes e a complicação vascular.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o pé diabético é a principal causa de amputações não traumáticas no país. O CID E11.5 permite que médicos, hospitais e seguradoras identifiquem a origem da complicação e direcionem o tratamento adequado. O código também é usado para registro de morbidade e mortalidade, auxiliando em políticas públicas de saúde.
Subcategorias e variantes do CID E11.5
A CID-10 oferece duas subcategorias principais para E11.5:
- E11.50 – Diabetes mellitus não-insulino-dependente com complicações circulatórias periféricas, sem menção de não controlado.
- E11.51 – Diabetes mellitus não-insulino-dependente com complicações circulatórias periféricas, não controlado.
Além disso, é comum associar códigos de outros capítulos para detalhar a condição local:
- L98.4 – Úlcera de pele por pressão ou isquêmica (úlcera plantar).
- I70.2 – Aterosclerose de artérias dos membros.
- R02 – Gangrena, não classificada em outra parte (para casos avançados).
- M86.9 – Osteomielite, não especificada (se houver infecção óssea).
Essa combinação permite um registro fidedigno que guia o tratamento e o cálculo de gravidade do caso.
Sintomas e manifestações do pé diabético
O pé diabético pode se apresentar de três formas principais:
- Neuropático – sensação de dormência, formigamento, queimação, perda da sensibilidade dolorosa e térmica. A pele é seca e rachada. Úlceras plantares indolores são comuns.
- Isquêmico – dor em repouso (principalmente à noite), claudicação intermitente, pele fria, cianótica, ausência de pulsos, unhas espessas e queda de pelos.
- Neuroisquêmico (misto) – combinação dos sintomas acima, com maior risco de infecção e gangrena.
Sinais de alerta incluem: vermelhidão súbita, inchaço, aumento da temperatura local secreção purulenta, odor fétido, bolhas com sangue, áreas enegrecidas e febre.
Causas e fatores de risco
A causa básica é o diabetes mellitus mal controlado, que ao longo dos anos provoca duas alterações fundamentais:
- Neuropatia periférica – danos aos nervos devido à hiperglicemia crônica, levando à perda de sensibilidade e a deformidades (pé de Charcot).
- Doença arterial periférica – aterosclerose acelerada que reduz o fluxo sanguíneo para os membros, prejudicando a cicatrização e favorecendo infecções.
Principais fatores de risco:
- Diabetes por mais de 10 anos
- Controle glicêmico inadequado (HbA1c > 8%)
- Tabagismo
- Hipertensão e dislipidemia
- História de úlcera prévia ou amputação
- Calosidades, deformidades ósseas, uso de calçados inadequados
- Sedentarismo e obesidade
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do pé diabético é clínico e complementado por exames:
- Exame físico: inspeção da pele, palpação de pulsos, teste de sensibilidade com monofilamento de 10g e diapasão de 128 Hz.
- Doppler vascular: mensura o Índice Tornozelo-Braço (ITB). Valores abaixo de 0,9 indicam doença arterial periférica.
- Radiografia: para avaliar deformidades ósseas, osteomielite ou presença de gás nos tecidos.
- Ressonância magnética: padrão-ouro para osteomielite e abscessos profundos.
- Exames laboratoriais: hemograma, PCR, glicemia, HbA1c, culturas de secreção.
O diagnóstico é confirmado quando há uma lesão em pé de paciente diabético associada a neuropatia e/ou isquemia, com exclusão de outras causas.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do pé diabético é multidisciplinar e envolve:
- Controle glicêmico intensivo – insulinoterapia para manter glicemia entre 100-180 mg/dL.
- Tratamento da infecção – antibioticoterapia guiada por cultura (agentes como cefalosporinas, carbapenêmicos, metronidazol).
- Desbridamento cirúrgico – remoção de tecido necrótico e descompressão de abscessos.
- Revascularização – angioplastia ou cirurgia de bypass para restaurar fluxo sanguíneo.
- Curativos especiais – hidrogel, alginato, prata, pressão negativa (VAC).
- Órteses e calçados terapêuticos – para alívio de pressão e prevenção de novas úlceras.
- Amputação – quando há gangrena extensa, infecção refratária ou isquemia irreversível.
O tratamento pode ser ambulatorial para úlceras superficiais sem infecção, mas a maioria dos casos requer internação hospitalar.
Quantos dias de atestado médico?
O número de dias de afastamento depende da gravidade e do tipo de tratamento. Para úlceras superficiais tratadas ambulatorialmente, recomendam-se de 3 a 7 dias para repouso e curativos. Casos que exigem desbridamento e antibioticoterapia endovenosa geralmente necessitam de 7 a 14 dias de atestado. Já pacientes submetidos a revascularização ou amputação podem precisar de 30 a 90 dias, seguidos de reabilitação. É importante lembrar que o médico avaliará individualmente e pode emitir atestados sucessivos. O código CID E11.5 justifica plenamente o afastamento do trabalho.
Quando procurar médico urgente – sinais de alerta
Procure atendimento imediato (pronto-socorro ou UPA) se apresentar:
- Febre alta ou calafrios
- Vermelhidão que se espalha rapidamente pela perna
- Inchaço intenso no pé ou tornozelo
- Presença de pus ou secreção com mau cheiro
- Área enegrecida (necrose) em qualquer parte do pé
- Dor súbita e intensa mesmo em repouso
- Sensação de dormência que piora em horas
- Ferida que não cicatriza há mais de 2 semanas
Em pacientes diabéticos, toda lesão no pé deve ser considerada potencialmente grave. O atraso no atendimento pode levar à amputação em 24 a 48 horas.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção é a arma mais eficaz contra o pé diabético. Recomenda-se:
- Inspeção diária dos pés (inclusive entre os dedos) com espelho
- Hidratação da pele, evitando talco entre os dedos
- Corte reto das unhas, sem deixar pontas
- Uso de calçados fechados, macios, sem costuras internas
- Evitar andar descalço, mesmo dentro de casa
- Não usar bolsas de água quente ou compressas muito frias
- Controlar rigorosamente a glicemia (HbA1c < 7%)
- Consultar regularmente um podólogo ou angiologista
- Realizar exame de monofilamento anualmente
Complicações do pé diabético
Sem tratamento adequado, o pé diabético pode evoluir para:
- Infecção profunda dos tecidos moles (celulite, abscessos)
- Osteomielite (infecção óssea) de difícil tratamento
- Gangrena (morte tecidual) que exige amputação
- Sepse (infecção generalizada) com risco de morte
- Amputação de dedos, antepé, perna ou coxa
- Deformidades irreversíveis como o pé de Charcot
Estima-se que a taxa de amputação maior em diabéticos seja de 2% ao ano, mas cai para menos de 0,5% quando há seguimento em centros especializados.
Prognóstico e acompanhamento
O prognóstico do pé diabético depende do estágio no diagnóstico. Úlceras superficiais (Wagner 1 e 2) têm mais de 90% de chance de cicatrização em 12 semanas com tratamento adequado. Já úlceras profundas com osteomielite (Wagner 3) exigem meses de tratamento e podem deixar sequelas. Casos com gangrena (Wagner 4 e 5) frequentemente levam à amputação. O acompanhamento deve ser vitalício, com consultas periódicas a cada 3-6 meses, mesmo após a cura da lesão.
- 01. Inspecione seus pés todos os dias com uma lupa e boa iluminação. Qualquer calo, fissura ou bolha merece atenção.
- 02. Nunca remova calos ou cutículas com lâminas ou objetos cortantes. Procure um podólogo especializado em diabetes.
- 03. Use meias de algodão sem costura e sapatos confortáveis com sola antiderrapante, comprados no final do dia.
- 04. Mantenha a glicemia controlada com a ajuda do endocrinologista – o controle metabólico é o pilar da prevenção.
- 05. Ao notar qualquer ferida, mesmo que pequena, lave com soro fisiológico, cubra com gaze estéril e vá ao médico imediatamente. Não use pomadas com antibiótico sem prescrição.
Perguntas Frequentes sobre o CID PE
O CID PE garante quantos dias de atestado?
Conforme explicado na seção sobre atestado, o número de dias depende da gravidade. Para lesões leves tratadas em ambulatório, geralmente de 3 a 7 dias. Para casos moderados que exigem internação, de 7 a 14 dias. Para cirurgias de revascularização ou amputação, podem ser 30, 60 ou até 90 dias, com reavaliação periódica.
O que significa exatamente CID E11.5?
É o código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) que designa diabetes mellitus tipo 2 com complicações circulatórias periféricas. No contexto do pé diabético, ele é o código principal, frequentemente combinado com outros para descrever a lesão local.
Pé diabético tem cura?
Sim, a úlcera pode cicatrizar com tratamento adequado. No entanto, o diabetes é uma doença crônica, e o paciente permanece em risco de novas lesões. A cura da ferida não significa cura da condição de base. Prevenção contínua é essencial.
É verdade que úlcera no pé diabético não dói?
Sim, por causa da neuropatia periférica, a maioria das úlceras neuropáticas é indolor. Esse é um perigo, pois a falta de dor retarda a procura por ajuda. Já nas formas isquêmicas, pode haver dor, especialmente à noite.
Posso tratar uma ferida pequena em casa?
Não. Qualquer lesão em um pé diabético deve ser avaliada por um profissional. O que parece uma bolha inofensiva pode esconder uma infecção profunda. O autotratamento é uma das principais causas de amputação.
Quem tem pé diabético precisa usar sapatos especiais?
Sim, após a cicatrização da úlcera, é fundamental usar calçados terapêuticos ou ortopédicos que redistribuam a pressão e evitem recidivas. Sapatos comuns, mesmo que largos, podem não ser suficientes.
Pé diabético pode matar?
Indiretamente, sim. As infecções graves podem evoluir para sepse, que é uma condição potencialmente fatal. O risco de óbito por sepse de origem podal em diabéticos é significativo se não houver tratamento rápido.
Qual médico trata o pé diabético?
O tratamento é multidisciplinar: clínico geral, endocrinologista, angiologista ou cirurgião vascular, infectologista, ortopedista, podólogo e enfermeiro estomaterapeuta. O primeiro atendimento pode ser feito em unidades de emergência ou postos de saúde.
O CID E11.5 é o mesmo para diabetes tipo 1?
Não. Para diabetes tipo 1, o código correspondente é E10.5. A diferença está na causa base (autoimune no tipo 1). Na prática, as complicações periféricas são semelhantes, mas o tratamento insulinico é diferente.
Preciso de encaminhamento para especialista?
Na rede pública, o médico da atenção básica pode solicitar exames e iniciar o tratamento. Casos complexos são encaminhados para centros de referência em pé diabético. Na rede privada, você pode agendar diretamente com um angiologista.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Leia mais sobre o CID E11.5 em fontes oficiais:
- CID10.com.br – E11.5 Diabetes com complicações circulatórias periféricas
- BVS – Biblioteca Virtual em Saúde – guias de conduta em pé diabético
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