sexta-feira, maio 1, 2026

Pé diabético: quando correr ao médico? Sinais de alerta

Você ou alguém da sua família tem diabetes e já notou um calo, uma bolha ou um pequeno corte no pé que simplesmente não sara? É comum achar que é só uma “feridinha boba”, algo que vai melhorar com um pouco de cuidado caseiro. O que muitos não sabem é que, para quem convive com o diabetes, essa aparente simplicidade pode esconder um risco silencioso e sério.

Na prática, o diabetes pode, com o tempo, afetar a sensibilidade dos pés e a circulação sanguínea. Isso significa que uma lesão pode passar completamente despercebida, sem causar dor, enquanto evolui para uma infecção profunda. Uma leitora de 68 anos nos contou que só percebeu uma úlcera no calcanhar quando viu uma mancha na meia. Ela não sentia absolutamente nada. Essa perda de sensibilidade é um dos grandes perigos, conforme detalhado pela Organização Mundial da Saúde.

⚠️ Atenção: Se você tem diabetes e nota qualquer ferida, vermelhidão, inchaço ou calor no pé que não melhora em 2 ou 3 dias, procure avaliação médica imediatamente. A demora no tratamento é o principal fator que leva a complicações graves, incluindo a amputação.

O que é pé diabético — além do código CID

Muito mais do que apenas um código no prontuário (o CID E11.5), o pé diabético é uma complicação crônica do diabetes. Ele surge da combinação de dois problemas principais: a neuropatia diabética (danos aos nervos que causam perda de sensibilidade) e a doença arterial periférica (má circulação nos membros inferiores). Juntas, essas condições criam um cenário perfeito para o surgimento de úlceras e infecções de difícil cicatrização. O Ministério da Saúde alerta que o pé diabético é uma das principais causas de hospitalização e amputação não traumática no Brasil.

O controle rigoroso da glicemia é fundamental para prevenir ou retardar o aparecimento dessas complicações. Estudos indexados no PubMed mostram que a manutenção dos níveis de açúcar no sangue dentro das metas estabelecidas pelo médico reduz significativamente o risco de neuropatia e problemas vasculares.

Quais são os primeiros sinais do pé diabético?

Os primeiros sinais podem ser sutis e incluem: formigamento, dormência ou sensação de queimação nos pés; pele seca e rachada; calosidades que se formam com facilidade em pontos de pressão; e pequenas feridas ou bolhas que surgem sem uma causa aparente. A inspeção diária dos pés é a chave para identificar esses sinais precocemente.

Como é feito o diagnóstico do pé diabético?

O diagnóstico é clínico e multidisciplinar. O médico, geralmente um endocrinologista, angiologista ou cirurgião vascular, avalia a sensibilidade dos pés com testes simples (como o monofilamento de Semmes-Weinstein), verifica a pulsação arterial e examina qualquer lesão presente. Exames de imagem, como o Doppler vascular, podem ser solicitados para avaliar a circulação, conforme orientações da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).

Quais os tratamentos disponíveis para úlceras do pé diabético?

O tratamento é complexo e envolve múltiplas frentes: desbridamento (limpeza) da ferida para remover tecido morto; uso de curativos especiais que mantêm o ambiente úmido e limpo; controle rigoroso da glicemia e de possíveis infecções com antibióticos; e, em casos de má circulação, procedimentos para revascularização do membro. A abordagem deve ser sempre individualizada.

Como prevenir o pé diabético?

A prevenção é baseada em cuidados diários: lavar e secar bem os pés, especialmente entre os dedos; hidratar a pele (evitando os espaços entre os dedos); cortar as unhas retas; usar calçados adequados, confortáveis e que não causem atrito; e nunca andar descalço. Consultas regulares com um profissional de saúde para avaliação dos pés são indispensáveis.

Quem tem diabetes tipo 2 também está em risco?

Sim. Tanto o diabetes tipo 1 quanto o tipo 2, quando não controlados adequadamente, podem levar às complicações que resultam no pé diabético. O risco aumenta com o tempo de diagnóstico e a presença de outros fatores, como hipertensão arterial, colesterol elevado e tabagismo.

Com que frequência devo examinar meus pés?

A recomendação é para uma inspeção visual diária, de preferência à noite, com boa iluminação. Utilize um espelho para verificar a sola dos pés e os espaços entre os dedos. Qualquer alteração deve ser comunicada ao médico.

Quais profissionais devo procurar para cuidar dos meus pés?

Além do endocrinologista, que gerencia o diabetes, você pode precisar de um angiologista/cirurgião vascular para a circulação, um podólogo (especialmente um que atenda pacientes diabéticos) para os cuidados com as unhas e calos, e um enfermeiro estomaterapeuta para o tratamento de feridas complexas.

O pé diabético tem cura?

As lesões do pé diabético, como úlceras, podem cicatrizar completamente com o tratamento adequado e precoce. No entanto, a condição de base (a neuropatia e a doença vascular) é crônica e requer cuidados e monitoramento contínuos para evitar o reaparecimento de novas lesões. O foco principal é a prevenção e o controle rigoroso.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

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