Guia completo sobre o código CID F90 (TDAH) e o cuidado com a saúde mental infantil — estudo de caso clínico, sintomas, tratamento e atestado.
No Brasil, estima-se que 7,2% das crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos apresentem critérios diagnósticos para Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), sendo o CID F90 o código mais registrado em consultas de saúde mental infantil em 2025-2026. O diagnóstico precoce e o acompanhamento multidisciplinar reduzem em até 60% os prejuízos acadêmicos e sociais.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SAUDE-MENTAL-NA-INFANCIA e quer saber o que significa? Na prática clínica, o código específico mais utilizado para transtornos mentais na infância é o CID F90 (Transtornos hipercinéticos / TDAH). Este artigo explica em detalhes o que é essa condição, como reconhecê-la, quais os tratamentos e como lidar com o diagnóstico no dia a dia da criança e da família.
- Código: F90.0 – F90.9
- Descrição: Transtornos hipercinéticos (TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade)
- Categoria: Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: F90.0 (perturbação da atividade e da atenção), F90.1 (transtorno hipercinético associado a transtorno de conduta), F90.8 (outros transtornos hipercinéticos), F90.9 (transtorno hipercinético não especificado)
Paciente: Lucas M., 7 anos, estudante do 2º ano do Ensino Fundamental
Queixa principal: “Meu filho não consegue prestar atenção na aula, vive se mexendo na cadeira e tem dificuldade para terminar as tarefas.” Mãe relata que desde os 5 anos o menino é muito agitado, impulsivo e esquece rotinas simples.
Avaliação clínica: Consulta com pediatra e neuropsicólogo. Aplicadas escalas SNAP-IV e CBCL. Observação em sala de aula mostrou inquietação motora, dificuldade em seguir instruções e interrupções frequentes. Exames neurológicos normais.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID F90.0 — Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, tipo combinado (desatenção e hiperatividade-impulsividade).
Conduta terapêutica: Metilfenidato (Ritalina LA) 20 mg pela manhã, terapia cognitivo-comportamental (TCC) semanal, orientação escolar com adaptações curriculares (sentar na frente, tempo extra para provas) e psicoeducação familiar.
Evolução: Após 8 semanas, Lucas apresentou melhora significativa na atenção e redução da agitação. Notas subiram de média 5,0 para 7,5. A mãe relatou menos conflitos em casa.
Lição clínica: O diagnóstico precoce e o tratamento multimodal (medicação + terapia + suporte escolar) transformam o prognóstico. O CID F90 não é um rótulo, mas sim uma chave para intervenções eficazes.
O que é o CID F90 na prática médica
O CID F90 (Transtornos hipercinéticos) é a classificação da Organização Mundial da Saúde para o que popularmente chamamos de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento que se manifesta na infância e frequentemente persiste na vida adulta. Na prática clínica, o médico utiliza esse código para registrar um padrão persistente de desatenção, hiperatividade e impulsividade que interfere no funcionamento escolar, social e familiar.
Segundo a CID-10, o diagnóstico exige que os sintomas estejam presentes antes dos 7 anos de idade, em pelo menos dois contextos diferentes (casa e escola, por exemplo) e que causem prejuízo significativo. É um dos transtornos mentais mais comuns na infância, afetando cerca de 5% das crianças em todo o mundo. O CID F90 é subdividido em tipos clínicos (desatento, hiperativo-impulsivo e combinado), o que orienta a escolha terapêutica.
Subcategorias e variantes do CID F90
O CID-10 detalha quatro subcategorias principais para os transtornos hipercinéticos:
- F90.0 – Perturbação da atividade e da atenção: Corresponde ao TDAH tipo combinado (desatenção + hiperatividade/impulsividade). É a forma mais comum.
- F90.1 – Transtorno hipercinético associado a transtorno de conduta: Quando, além dos sintomas de TDAH, a criança apresenta comportamentos antissociais, agressividade ou violação de regras.
- F90.8 – Outros transtornos hipercinéticos: Quadros atípicos ou com sintomas mistos que não se encaixam exatamente nas categorias anteriores.
- F90.9 – Transtorno hipercinético não especificado: Usado quando o médico confirma o transtorno mas não especifica o subtipo.
Essa distinção é importante porque o tratamento e o prognóstico variam. Por exemplo, crianças com F90.1 podem necessitar de intervenções comportamentais mais intensivas e suporte psicossocial.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas do TDAH (CID F90) agrupam-se em três dimensões: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Na infância, os sinais mais comuns incluem:
- Desatenção: Dificuldade em manter o foco em tarefas, erros por descuido, não ouvir quando chamado, perder objetos, esquecer compromissos, evitar atividades que exijam esforço mental prolongado.
- Hiperatividade: Agitação motora excessiva, dificuldade em permanecer sentado, corre ou sobe em móveis em situações inadequadas, fala em excesso.
- Impulsividade: Age sem pensar, interrompe os outros, dificuldade em esperar a vez, toma decisões precipitadas.
Os sintomas devem estar presentes antes dos 7 anos, durar mais de seis meses e causar prejuízo em pelo menos dois ambientes (casa, escola, lazer). Muitas vezes a criança é rotulada como “preguiçosa” ou “mal-educada”, mas o transtorno tem base biológica.
Causas e fatores de risco
A etiologia do TDAH é multifatorial. Estudos de gêmeos indicam herdabilidade de cerca de 75-80%. Fatores genéticos envolvem polimorfismos nos genes transportadores e receptores de dopamina (DRD4, DAT1). Além disso, fatores ambientais podem contribuir:
- Pré-natais: Exposição ao álcool, tabaco ou drogas durante a gestação; prematuridade e baixo peso ao nascer.
- Perinatais: Complicações no parto, hipóxia neonatal.
- Pós-natais: Exposição precoce a chumbo ou outras toxinas, trauma craniano, privação psicossocial extrema.
- Fatores psicossociais: Conflitos familiares, estresse crônico, estilo parental inconsistente podem agravar os sintomas, mas não são causa primária.
É fundamental entender que o TDAH não é causado por má educação, consumo de açúcar ou tempo excessivo de telas, embora esses fatores possam modular a gravidade dos sintomas.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID F90 é essencialmente clínico, baseado nos critérios da CID-10 (ou DSM-5-TR). O médico especialista (neuropediatra ou psiquiatra infantil) realiza:
- Entrevista detalhada com os pais e a criança.
- Escalas de avaliação padronizadas (SNAP-IV, CBCL, Conners).
- Informação escolar (questionários para professores).
- Exame clínico e neurológico para descartar causas orgânicas (distúrbios do sono, epilepsia, problemas tireoidianos).
- Avaliação de comorbidades: ansiedade, depressão, transtorno opositor, dificuldades de aprendizagem.
Exames complementares (EEG, RM) geralmente não são necessários, a menos que haja suspeita de lesão estrutural. O diagnóstico correto é crucial para evitar tratamentos inadequados.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do TDAH (CID F90) é multimodal e deve ser individualizado. As principais abordagens incluem:
- Medicamentoso: Psicoestimulantes (metilfenidato – Ritalina, Concerta) e não estimulantes (atomoxetina – Strattera). O metilfenidato é primeira linha, com eficácia comprovada em 70-80% dos casos.
- Psicoterapia: Terapia cognitivo-comportamental para manejo da impulsividade, organização e regulação emocional.
- Orientação familiar: Psicoeducação, treino parental, estabelecimento de rotinas e limites.
- Suporte escolar: Adequações curriculares (tempo extra, provas orais, sentar longe de estímulos), plano de ensino individualizado.
- Intervenções complementares: Atividade física regular, sono adequado, alimentação balanceada, redução de telas.
A combinação de medicação e terapia comportamental oferece os melhores resultados a longo prazo.
Quantos dias de atestado médico
O atestado médico para uma criança com CID F90 varia conforme a situação clínica. Em geral, o paciente não necessita de afastamento escolar prolongado, mas pode ser recomendado repouso de 1 a 3 dias em casos de ajuste medicamentoso, crise de agitação intensa ou comorbidades agudas. Para consultas iniciais e reavaliações, o médico pode emitir atestado de comparecimento (1 dia).
Em situações de internação para avaliação (pouco comum), o período pode ser de 5 a 10 dias. O atestado não deve ser usado como “fuga” escolar, mas sim como ferramenta para garantir o cuidado necessário. O tempo total depende do quadro clínico e da necessidade de afastamento para tratamento intensivo.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora o TDAH seja crônico e manejável, alguns sinais exigem avaliação médica imediata:
- Crise de agressividade física contra si ou contra outros.
- Ideias de suicídio ou automutilação (comorbidade com depressão).
- Reações adversas a medicamentos (insônia grave, taquicardia, psicose).
- Piora abrupta do desempenho escolar ou isolamento social.
- Convulsões ou sintomas neurológicos focais.
Além disso, se a criança apresentar sintomas psicóticos (alucinações, delírios) ou perda de consciência, procure emergência pediátrica imediatamente.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção do TDAH não é possível em todos os casos devido ao forte componente genético, mas algumas medidas podem reduzir a gravidade e melhorar a qualidade de vida:
- Durante a gestação: evitar álcool, cigarro e drogas; manter acompanhamento pré-natal adequado.
- Primeira infância: estimular interações positivas, leitura, brincadeiras estruturadas; limitar exposição a telas.
- Rotina saudável: sono regular, alimentação equilibrada, atividade física diária.
- Ambiente familiar acolhedor: disciplina positiva, comunicação clara, reforço de comportamentos desejáveis.
- Acompanhamento multiprofissional: pediatra, neuropediatra, psicólogo, fonoaudiólogo (se necessário).
Impacto na vida escolar e familiar
O TDAH não diagnosticado ou tratado inadequadamente pode levar a repetência escolar, bullying, baixa autoestima e conflitos familiares. Crianças com CID F90 frequentemente são vistas como “desorganizadas” ou “desobedientes”. A família precisa de suporte para entender que o transtorno não é falta de vontade, mas sim uma dificuldade neurobiológica.
Com o tratamento correto, a maioria das crianças melhora significativamente. O envolvimento da escola é essencial: adaptações curriculares, professores capacitados e comunicação com a família criam um ambiente favorável. O prognóstico é positivo quando o tratamento é iniciado precocemente.
- 01. Nunca medique a criança com Ritalina ou outro psicoestimulante sem avaliação médica completa – a automedicação pode mascarar outros problemas e causar efeitos colaterais.
- 02. Estabeleça rotinas visuais (quadro de tarefas) em casa; crianças com TDAH se beneficiam de previsibilidade e reforço positivo.
- 03. Comunique-se com a escola regularmente: peça que o professor sente a criança longe de janelas e portas, e que dê instruções curtas e claras.
- 04. Inclua pelo menos 1 hora de atividade física por dia – o exercício aumenta a disponibilidade de dopamina e melhora o foco.
- 05. Cuide da sua saúde mental como cuidador – grupos de apoio e terapia familiar são fundamentais para lidar com o estresse do manejo diário.
Perguntas Frequentes sobre o CID Saúde Mental na Infância
O CID F90 garante quantos dias de atestado?
Geralmente de 1 a 3 dias para consultas iniciais ou ajustes medicamentosos. Em casos de crise ou internação, pode chegar a 10 dias. Não há um número fixo, pois o atestado é baseado na necessidade clínica individual.
O CID F90 é a mesma coisa que TDAH?
Sim. O CID F90 é o código oficial da OMS para os Transtornos Hipercinéticos, que correspondem ao TDAH na classificação do DSM-5. Ambos descrevem o mesmo transtorno.
Crianças com CID F90 podem tomar Ritalina?
Sim, o metilfenidato (Ritalina) é o medicamento de primeira linha a partir dos 6 anos, sempre sob prescrição médica. O uso deve ser monitorado quanto a efeitos colaterais (perda de apetite, insônia).
O TDAH tem cura?
O TDAH é um transtorno crônico, mas com tratamento adequado os sintomas podem ser controlados, permitindo uma vida normal. Muitos adultos aprendem a manejar os sintomas sem medicação.
É preciso laudo médico para ter direito a adaptações na escola?
Sim. O laudo com o CID F90, emitido por médico especialista, é necessário para solicitar adaptações curriculares e tempo extra em provas (Lei Brasileira de Inclusão).
O CID F90 pode ser confundido com outros transtornos?
Sim, principalmente com transtorno de ansiedade, depressão infantil, transtorno opositor-desafiador e dificuldades específicas de aprendizagem. Daí a importância de uma avaliação criteriosa.
Qual a diferença entre F90.0 e F90.1?
F90.0 é o TDAH puro (combinado). F90.1 é o TDAH associado a transtorno de conduta, ou seja, além dos sintomas de TDAH, a criança apresenta comportamento antissocial significativo.
O CID F90 é usado para adultos?
Embora o código seja originalmente para infância, o CID-10 permite seu uso em adultos quando o transtorno persiste desde a infância. Na prática, muitos adultos são diagnosticados com F90.0.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes externas:
CID-10 Oficial (cid10.com.br) |
MedlinePlus – TDAH en niños


