De acordo com a Global Asthma Network, cerca de 334 milhões de pessoas vivem com asma no mundo. No Brasil, estima-se que 6,4 milhões de adultos tenham diagnóstico médico de asma, sendo responsável por aproximadamente 350 mil internações anuais no SUS (dados 2025-2026). O CID J45 é o código mais utilizado para registrar essa condição.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SINTOMAS-DA-ASMA e quer saber o que significa? Na prática, a asma é codificada na CID-10 como J45 (Asma), e os sintomas que você sente — como falta de ar, chiado no peito e tosse — são a manifestação clínica dessa doença inflamatória crônica das vias aéreas. Este artigo explica em detalhes o que representa o CID da asma, como é feito o diagnóstico, quais os tratamentos e quantos dias de afastamento são indicados.
- Código: J45 (CID-10)
- Descrição: Asma
- Categoria: Capítulo X – Doenças do aparelho respiratório (J00-J99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias principais:
- J45.0 – Asma predominantemente alérgica
- J45.1 – Asma não alérgica
- J45.8 – Asma mista
- J45.9 – Asma não especificada
Paciente: Marisa Campos, 32 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: Falta de ar progressiva há 3 dias, chiado no peito e tosse seca, principalmente à noite e ao acordar. Relata que os sintomas pioram com exposição a poeira e cheiros fortes.
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava sibilos expiratórios difusos à ausculta pulmonar, frequência respiratória de 24 irpm, saturação de O₂ 94% em ar ambiente. Espirometria mostrou VEF1/CVF 68% com reversibilidade após broncodilatador (aumento de 14% no VEF1).
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID J45.9 – Asma não especificada, indicando asma persistente moderada com exacerbação aguda.
Conduta terapêutica: Iniciou-se budesonida 200 µg + formoterol 6 µg duas inalações ao dia, além de salbutamol spray 100 µg para alívio imediato, até 3 vezes ao dia se necessário. Orientação ambiental: evitar carpetes, usar capa antialérgica no colchão e manter janelas abertas.
Evolução: Após 2 semanas, Marisa relatou melhora significativa dos sintomas noturnos, redução do uso de salbutamol para 1–2 vezes por semana. A espirometria de controle mostrou VEF1 82% do previsto. Recebeu plano de ação por escrito.
Lição clínica: O diagnóstico correto e o tratamento de manutenção com corticóide inalatório + broncodilatador de longa duração são essenciais para o controle da asma e redução de exacerbações. A adesão ao tratamento e o controle ambiental são pilares do sucesso terapêutico.
O que é o CID J45 na prática médica
O código CID J45 (Asma) é utilizado por médicos de todo o mundo para classificar a doença inflamatória crônica das vias aéreas. Na prática clínica, ele serve para registrar diagnósticos, justificar exames, solicitar medicamentos pelo SUS ou planos de saúde e emitir atestados médicos. A asma é caracterizada por hiper-responsividade brônquica, inflamação e obstrução reversível ao fluxo aéreo, manifestada por episódios recorrentes de sibilância, dispneia, opressão torácica e tosse, especialmente à noite ou nas primeiras horas da manhã.
Subcategorias e variantes do CID J45
A CID-10 divide a asma em quatro subcategorias principais:
- J45.0 – Asma predominantemente alérgica: desencadeada por alérgenos como ácaros, pólen, fungos ou pelos de animais. Geralmente inicia na infância e está associada a rinite alérgica ou eczema.
- J45.1 – Asma não alérgica: sem evidência de sensibilização alérgica, podendo ser desencadeada por exercício, ar frio, infecções virais ou estresse. Mais comum em adultos.
- J45.8 – Asma mista: combinação de componentes alérgicos e não alérgicos.
- J45.9 – Asma não especificada: usada quando não é possível ou necessário definir o tipo, frequente em atendimentos de urgência ou quando a investigação alérgica ainda não foi concluída.
Além dessas, a CID-10 também inclui J46 – Estado asmático, que é uma exacerbação grave que não responde ao tratamento habitual e requer cuidados intensivos.
Sintomas e como a asma se manifesta
Os sintomas clássicos da asma incluem:
- Dispneia (falta de ar) – sensação de sufocamento, dificuldade para inspirar ou expirar.
- Sibilos – chiado audível ao respirar, especialmente na expiração.
- Tosse – geralmente seca, pior à noite, ao acordar ou após exercício.
- Opressão ou aperto no peito – sensação de peso ou constrição torácica.
Os sintomas variam ao longo do tempo, podem ser desencadeados por alérgenos, infecções respiratórias, mudanças climáticas, exercício físico ou emoções fortes. A asma bem controlada apresenta sintomas menos de duas vezes por semana, sem despertares noturnos, sem limitação de atividades e com uso mínimo de medicação de alívio.
Causas e fatores de risco
A asma é uma doença multifatorial. As principais causas e fatores de risco incluem:
- Predisposição genética: histórico familiar de asma, rinite ou eczema.
- Exposição a alérgenos: ácaros, poeira, mofo, pólen, pelos de animais.
- Infecções virais precoces: bronquiolite por VSR na infância aumenta o risco.
- Poluição do ar: exposição a fumaça de cigarro, poluentes industriais e queimadas.
- Ocupação: trabalhadores expostos a produtos químicos, poeira de madeira, farinha, isocianatos.
- Obesidade: associação com asma de difícil controle.
- Refluxo gastroesofágico e sinusite crônica: comorbidades que podem agravar a asma.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da asma é clínico e funcional. O médico avalia a história de sintomas recorrentes, desencadeantes, resposta a broncodilatadores e exclusão de outras causas. Exames fundamentais:
- Espirometria (prova de função pulmonar): demonstra obstrução ao fluxo aéreo (VEF1/CVF < 0,70) com reversibilidade após broncodilatador (aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL).
- Teste de provocação brônquica: com metacolina ou exercício, usado quando a espirometria é normal mas a suspeita é alta.
- Pico de fluxo expiratório (PFE): monitorização serial para avaliar variabilidade.
- Exames complementares: hemograma (eosinofilia), IgE total e específica, teste alérgico cutâneo ou RAST.
A classificação de gravidade (intermitente, persistente leve, moderada ou grave) orienta o tratamento de acordo com as diretrizes do GINA (Global Initiative for Asthma) e do Ministério da Saúde.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da asma é escalonado e individualizado. Os pilares são:
- Medicamentos de alívio (resgate): β2-agonistas de curta duração (salbutamol, fenoterol) — usados durante crises.
- Medicamentos de controle (manutenção):
- Corticosteroides inalatórios (budesonida, beclometasona, fluticasona) – reduzem a inflamação.
- β2-agonistas de longa duração (salmeterol, formoterol) – sempre combinados com CI.
- Antileucotrienos (montelucaste) – alternativa em asma leve.
- Teofilina e anticolinérgicos (tiotrópio) – em casos selecionados.
- Imunobiológicos: omalizumabe (anti-IgE), mepolizumabe (anti-IL5), benralizumabe, dupilumabe – para asma grave.
- Plano de ação por escrito: orienta o paciente sobre ajuste de doses conforme sintomas e pico de fluxo.
- Tratamento de comorbidades: rinite, sinusite, refluxo.
O SUS oferece medicamentos gratuitos através da Farmácia Popular e do Componente Básico da Assistência Farmacêutica.
Quantos dias de atestado médico?
O número de dias de atestado depende da gravidade da exacerbação e da resposta ao tratamento. Em geral:
- Crise leve a moderada: 3 a 5 dias de repouso relativo, com retorno gradual às atividades.
- Crise grave ou internação: 7 a 14 dias, com avaliação clínica antes do retorno.
- Asma persistente não controlada: o médico pode emitir atestado para investigação ou ajuste terapêutico (1 a 3 dias).
Pacientes com asma controlada não necessitam de afastamento rotineiro. O atestado deve ser justificado pelo estado clínico e pela atividade profissional (ex.: professores, operadores de caixa, profissionais expostos a poeira).
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de exacerbação grave que exigem atendimento de emergência:
- Falta de ar intensa que impede falar frases completas.
- Uso da musculatura acessória (retração supraclavicular ou intercostal).
- Batimento de asa do nariz.
- Confusão mental ou sonolência.
- Cianose (lábios ou extremidades arroxeadas).
- Frequência cardíaca > 120 bpm ou frequência respiratória > 30 irpm.
- SatO₂ < 90% em ar ambiente.
- Pico de fluxo expiratório inferior a 50% do valor previsto ou do melhor pessoal.
Mesmo sem sinais de gravidade, procure um médico se os sintomas piorarem progressivamente, não melhorarem com o uso de medicação de resgate após 20 minutos, ou se houver febre alta e expectoração purulenta.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção de crises e a promoção da qualidade de vida baseiam-se em:
- Controle ambiental: reduzir exposição a alérgenos (uso de capas antialérgicas, aspirador com filtro HEPA, evitar carpetes, manter umidade < 50%).
- Vacinação: vacina contra influenza anualmente e vacina pneumocócica (segundo calendário).
- Evitar tabagismo passivo e ativo.
- Atividade física regular: com pré-medicação se necessário (broncodilatador 15 min antes).
- Adesão ao tratamento de manutenção: uso diário de corticóide inalatório mesmo sem sintomas.
- Monitorização: manter diário de sintomas e pico de fluxo, revisar plano de ação com o médico a cada consulta.
- Identificar e tratar comorbidades: rinite, sinusite, refluxo gastroesofágico, apneia do sono.
- 01. Use o corticóide inalatório diariamente, mesmo quando estiver sem sintomas – ele controla a inflamação e previne crises.
- 02. Tenha sempre um broncodilatador de resgate por perto, mas não o utilize mais de 2 vezes por semana (se ocorrer, procure seu médico para ajustar o tratamento).
- 03. Anote seus sintomas e gatilhos – isso ajuda o médico a personalizar o plano de ação.
- 04. Higienize o inalador semanalmente e faça a lavagem bucal após o uso de corticóide inalatório para evitar candidíase oral.
- 05. Não compartilhe medicações nem mude doses sem orientação médica – o tratamento da asma é individualizado.
- 06. Em caso de viagem, leve medicação suficiente e saiba onde procurar atendimento no destino.
Perguntas Frequentes sobre o CID da Asma
O CID J45 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo de dias automático; o médico define baseado na gravidade. Em exacerbações leves a moderadas, o atestado costuma ser de 3 a 5 dias. Em crises graves, pode chegar a 14 dias ou mais.
Qual a diferença entre CID J45 e CID J46?
J45 é a asma crônica. J46 é o estado asmático, uma exacerbação grave que não responde ao tratamento inicial e requer intervenção de emergência, muitas vezes com internação em UTI.
O CID J45 pode ser usado para solicitar aposentadoria?
Em casos de asma grave persistente não controlada, com limitação funcional importante e documentação médica, pode ser base para pedido de benefício assistencial (BPC) ou aposentadoria por invalidez, conforme avaliação pericial do INSS.
É possível ter asma e o CID J45 mesmo com espirometria normal?
Sim. Em pacientes com asma intermitente ou bem controlada, a espirometria pode ser normal. O diagnóstico é baseado na história clínica e na reversibilidade documentada em exames anteriores ou em teste de provocação.
O CID J45 tem cura?
A asma não tem cura, mas tem controle. Com tratamento adequado e adesão, a maioria dos pacientes leva vida normal, sem sintomas significativos.
Posso praticar esportes tendo CID J45?
Sim, com controle adequado. Atividade física é benéfica. Em casos de asma induzida por exercício, o uso de broncodilatador 15 minutos antes da atividade previne os sintomas.
Plano de saúde cobre o tratamento para CID J45?
Sim, a ANS determina a cobertura obrigatória de consultas, exames (espirometria, testes alérgicos) e medicamentos (conforme rol de procedimentos). Medicamentos de uso domiciliar podem ter cobertura parcial, mas corticóides inalatórios e broncodilatadores estão incluídos.
O CID J45 é contagioso?
Absolutamente não. A asma é uma condição inflamatória crônica, não infecciosa. Não se transmite de pessoa para pessoa.
Posso usar remédio caseiro para tratar o CID J45?
Não. Nenhum remédio caseiro substitui o tratamento médico comprovado. A asma pode se agravar rapidamente. Sempre siga as orientações do seu médico.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Fontes e referências:
Leia também:
- CID J45 – Asma
- CID R11 – Náusea e Vômitos
- CID Z000 – Exame Médico Geral
- CID 010 – Tuberculose Pulmonar
- CID 083 – Significado e Cuidados
- CID M54 – Dorsalgia
- CID J06 – Infecção Respiratória
- CID J30 – Rinite Alérgica
- CID K21 – Refluxo
- CID N39 – Infecção Urinária
- Dipirona – para que serve
- Ibuprofeno – para que serve
- Paracetamol – para que serve
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.


