Em 2025, a semaglutida (principal alternativa à liraglutida) ultrapassou a marca de 3 milhões de unidades vendidas no Brasil, sendo o agonista GLP-1 mais prescrito para diabetes tipo 2 e obesidade. A ANVISA aprovou a indicação para perda de peso em janeiro de 2024, impulsionando seu uso.
Seu médico acabou de mencionar a liraglutida (Victoza® ou Saxenda®) como opção para tratar diabetes ou perder peso, mas você já ouviu falar de outros medicamentos parecidos e quer entender as alternativas disponíveis. Talvez você tenha efeitos colaterais com a liraglutida ou simplesmente busca uma opção mais moderna, com menos aplicações ou maior eficácia. Neste artigo, explicamos as principais alternativas à liraglutida, seus efeitos, recomendações e como escolher a melhor para o seu caso.
- Classe terapêutica: Agonistas do receptor GLP-1 (análogos do hormônio incretina)
- Princípio ativo: Semaglutida, Dulaglutida, Exenatida, Lixisenatida
- Fabricante principal: Novo Nordisk (semaglutida), Eli Lilly (dulaglutida), AstraZeneca (exenatida)
- Apresentações: Canetas injetáveis pré-preenchidas (doses de 0,25 mg, 0,5 mg, 1 mg, 1,5 mg, 3 mg, 4,5 mg conforme o fármaco)
- Requer receita: Sim — Receita de controle especial (retenção de receita)
- Registro ANVISA: Sim, todos possuem registro ativo para diabetes tipo 2; semaglutida e liraglutida também para obesidade
Carlos, 52 anos, portador de diabetes tipo 2 há 5 anos, usava liraglutida 1,8 mg/dia, mas apresentava náuseas intensas e vômitos frequentes. O endocrinologista decidiu trocar para semaglutida (Ozempic®) na dose inicial de 0,25 mg uma vez por semana. Carlos tolerou bem a medicação, os enjoos desapareceram e, após 3 meses, sua hemoglobina glicada caiu de 8,2% para 6,9%, com perda de 4,5 kg. Hoje ele mantém o tratamento com 1 mg semanal e relata melhora na qualidade de vida.
Alternativas à Liraglutida: o que são e como funcionam
As alternativas à liraglutida são medicamentos que atuam de forma semelhante, ou seja, como agonistas do receptor GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon). Eles imitam a ação do hormônio incretina natural, que estimula a liberação de insulina na presença de glicose, reduz a produção de glucagon, retarda o esvaziamento gástrico e promove saciedade. As principais opções aprovadas no Brasil incluem:
- Semaglutida (Ozempic® / Wegovy®): administração subcutânea semanal. Atualmente a mais potente para perda de peso e controle glicêmico.
- Dulaglutida (Trulicity®): caneta semanal, com eficácia similar à liraglutida, mas com menos efeitos gastrointestinais iniciais.
- Exenatida (Byetta® / Bydureon®): primeira geração, de curta duração (duas vezes ao dia na versão Byetta) ou semanal (Bydureon).
- Lixisenatida (Lyxumia®): administração diária, menos estudada para obesidade.
- Tirzepatida (Mounjaro®): agonista duplo GIP/GLP-1, aprovado recentemente no Brasil para diabetes tipo 2, com eficácia superior para perda de peso.
Além destes, inibidores SGLT2 (dapagliflozina, empagliflozina) e combinações com insulina também podem ser alternativas quando a liraglutida não é tolerada ou indicada. A escolha depende do perfil do paciente, comorbidades, custo e objetivos terapêuticos.
Para que servem as alternativas à liraglutida: indicações oficiais
As alternativas à liraglutida são indicadas principalmente para:
- Diabetes mellitus tipo 2: melhoram o controle glicêmico em adultos, geralmente em combinação com metformina e/ou outros antidiabéticos, quando a metformina isolada não é suficiente.
- Obesidade e sobrepeso: a semaglutida (Wegovy®) e a liraglutida (Saxenda®) são aprovadas para perda de peso em adultos com IMC ≥30 kg/m² ou IMC ≥27 kg/m² com pelo menos uma comorbidade (hipertensão, dislipidemia, apneia do sono). A tirzepatida também tem mostrado eficácia em estudos e deve receber aprovação para obesidade em 2026.
- Redução de risco cardiovascular: a semaglutida e a liraglutida demonstraram redução de eventos cardiovasculares maiores (IAM, AVC, morte cardiovascular) em pacientes com diabetes tipo 2 e alto risco.
O mecanismo de ação é semelhante: ativação dos receptores GLP-1 no pâncreas, no sistema nervoso central e no trato gastrointestinal. Isso resulta em aumento da secreção de insulina, supressão do glucagon, retardo do esvaziamento gástrico e aumento da saciedade. A tirzepatida, por sua vez, ativa também receptores GIP, potencializando a perda de peso.
Como tomar as alternativas: dosagem e administração
A administração é subcutânea, geralmente no abdômen, coxa ou braço. As doses e frequências variam conforme o fármaco:
- Semaglutida (Ozempic): dose inicial de 0,25 mg uma vez por semana por 4 semanas, depois 0,5 mg por mais 4 semanas, podendo chegar até 1 mg ou 2 mg semanais (para diabetes). Para obesidade (Wegovy), início com 0,25 mg e escalonamento até 2,4 mg semanais.
- Dulaglutida (Trulicity): dose inicial de 0,75 mg uma vez por semana; pode ser aumentada para 1,5 mg, 3 mg ou 4,5 mg conforme necessidade.
- Exenatida (Byetta): 5 µg duas vezes ao dia, 60 minutos antes das refeições; após 1 mês, aumentar para 10 µg duas vezes ao dia. Bydureon (semanal): 2 mg uma vez por semana.
- Lixisenatida (Lyxumia): 10 µg uma vez ao dia, 30–60 minutos antes da primeira refeição; após 2 semanas, 20 µg ao dia.
- Tirzepatida (Mounjaro): início com 2,5 mg semanais, escalonamento até 15 mg.
Recomendações gerais: administrar no mesmo dia da semana (para os semanais). Se esquecer uma dose, tomar assim que lembrar se faltarem mais de 3 dias para a próxima; caso contrário, pular a dose. Não tomar duas doses ao mesmo tempo. É importante ajustar a dose lentamente para minimizar náuseas e vômitos.
Efeitos colaterais das alternativas
Comuns (>10%): náuseas, vômitos, diarreia, constipação, dor abdominal, diminuição do apetite. Esses sintomas costumam ser transitórios e melhoram com o tempo.
Incomuns (1-10%): fadiga, tontura, dor de cabeça, dispepsia, flatulência, refluxo gastroesofágico, aumento de enzimas pancreáticas (amilase, lipase), hipoglicemia (especialmente quando combinado com insulina ou sulfonilureias), taquicardia leve.
Raros (<1%): pancreatite aguda (dor abdominal intensa que irradia para as costas), colecistite, doença da vesícula biliar, carcinoma medular de tireoide (em estudos com roedores, risco humano muito baixo), reações alérgicas graves (urticária, angioedema).
Sinais de alerta para interromper o uso: dor abdominal intensa e persistente, vômitos repetidos, icterícia, urina escura, febre, nódulo no pescoço, dificuldade para engolir.
Contraindicações e quem não deve usar
As alternativas à liraglutida são contraindicadas para:
- Pacientes com histórico de pancreatite aguda ou crônica.
- Pessoas com carcinoma medular de tireoide (CMT) ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM2), próprio ou em familiares de primeiro grau.
- Gravidez, amamentação ou intenção de engravidar – os agonistas GLP-1 podem causar danos ao feto em estudos animais.
- Insuficiência renal grave (taxa de filtração glomerular <30 mL/min/1,73 m²) para a maioria dos análogos, exceto dulaglutida que pode ser usado com cautela.
- Insuficiência hepática grave: sem estudos suficientes de segurança.
- Hipersensibilidade conhecida a qualquer componente da fórmula.
- Crianças e adolescentes: exceto semaglutida (Wegovy) aprovado para ≥12 anos com obesidade.
Interações medicamentosas importantes
Os análogos GLP-1 podem retardar o esvaziamento gástrico, afetando a absorção de outros medicamentos orais. As principais interações incluem:
- Insulina e sulfonilureias (glibenclamida, gliclazida, glimepirida): risco aumentado de hipoglicemia. Pode ser necessário reduzir a dose desses agentes.
- Medicamentos de liberação prolongada: podem ter sua absorção alterada. Monitorar efeitos clínicos.
- Anticoncepcionais orais: teoricamente, o retardo do esvaziamento pode reduzir a eficácia. Recomendar métodos de barreira adicionais.
- Anticoagulantes orais (varfarina): possível alteração do INR; monitorar.
- Álcool: pode aumentar o risco de hipoglicemia e piorar náuseas. Evitar álcool durante o tratamento.
- Inibidores da DPP-4 (sitagliptina, vildagliptina): não devem ser usados concomitantemente, pois ambos atuam na via da incretina, aumentando efeitos adversos sem benefício adicional.
Preço e onde encontrar as alternativas
Os preços no Brasil (2025-2026) variam conforme o fármaco e apresentação:
- Semaglutida (Ozempic) 1 mg: entre R$ 850 e R$ 1.200 por caneta (duração de 4 semanas na dose de 1 mg/semana). Wegovy (2,4 mg) custa de R$ 1.200 a R$ 1.800.
- Dulaglutida (Trulicity) 1,5 mg: de R$ 600 a R$ 900 por caneta (4 semanas).
- Exenatida (Byetta) 10 µg: cerca de R$ 300 a R$ 500 por caneta (30 dias, uso diário). Bydureon (2 mg) em torno de R$ 700 a R$ 900.
- Lixisenatida (Lyxumia) 20 µg: R$ 400 a R$ 600 por caneta (30 dias).
- Tirzepatida (Mounjaro) 5 mg: R$ 1.100 a R$ 1.600 por caneta (4 semanas).
Existem genéricos? Ainda não. Apenas a liraglutida possui genérico (Victoza® genérico de laboratórios como EMS e Biolab). Para os demais, apenas referência. É possível conseguir pelo SUS em casos específicos (diabetes tipo 2 descompensado) através de protocolos de medicamentos especializados. A Clínica Popular Fortaleza pode orientar sobre acesso.
O que perguntar ao médico antes de usar
Antes de iniciar o tratamento, converse com seu médico sobre:
- Qual alternativa é a melhor para o meu perfil? (diabetes, obesidade, risco cardiovascular)
- Como será a titulação da dose? (esquema de aumento gradual)
- Quais efeitos colaterais devo esperar e como minimizá-los?
- Preciso ajustar outros medicamentos que já tomo? (metformina, insulina, anti-hipertensivos)
- O plano de saúde cobre esse medicamento? (ou qual o custo mensal)
- Há necessidade de exames prévios? (função renal, pancreática)
- Por quanto tempo devo usar? (tratamento contínuo ou por período determinado)
- 01. Comece com a menor dose e aumente conforme orientação médica – isso reduz náuseas e vômitos.
- 02. Aplique a injeção no mesmo dia da semana (para os semanais) e sempre no mesmo horário, se for diário.
- 03. Mantenha a caneta na geladeira (2-8°C) antes do uso; após aberta, pode ficar em temperatura ambiente por até 28 dias.
- 04. Evite alimentos gordurosos e grandes refeições nas primeiras semanas; prefira refeições leves e fracionadas.
- 05. Monitore a glicemia capilar regularmente, especialmente se também usa insulina ou sulfonilureia, para evitar hipoglicemia.
- 06. Informe qualquer sintoma de pancreatite (dor abdominal forte, náuseas) imediatamente ao médico.
- 07. Não compartilhe a caneta com outra pessoa – risco de transmissão de doenças infecciosas.
Perguntas frequentes sobre alternativas à liraglutida
As alternativas à liraglutida engordam ou emagrecem?
Emagrecem. Todos os agonistas GLP-1 promovem perda de peso significativa, com média de 5-15% do peso corporal, dependendo do fármaco e da dose. A semaglutida (Wegovy) e a tirzepatida são as mais potentes para esse fim.
Posso usar essas alternativas na gravidez?
Não. Os agonistas GLP-1 são contraindicados na gravidez e amamentação. Se você planeja engravidar, suspenda o medicamento pelo menos 2 meses antes, pois pode causar danos ao feto. Use métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento.
Quanto tempo leva para fazer efeito?
Os efeitos na glicemia podem ser percebidos já na primeira semana, mas o benefício máximo ocorre após 4-8 semanas na dose de manutenção. A perda de peso é gradual, com resultados visíveis após 2-3 meses.
Qual a diferença entre semaglutida e liraglutida?
A semaglutida tem meia-vida mais longa (cerca de 1 semana) e é administrada uma vez por semana, enquanto a liraglutida precisa ser aplicada diariamente. Além disso, a semaglutida mostrou maior eficácia na perda de peso e na redução de eventos cardiovasculares.
Existe versão genérica desses medicamentos?
Apenas a liraglutida possui genérico no Brasil (Victoza® genérico). Semaglutida, dulaglutida, exenatida e tirzepatida ainda são de marca e têm preços elevados. Espera-se que semaglutida genérica comece a aparecer após 2028.
Posso tomar com metformina?
Sim, é a combinação mais comum. A metformina potencializa o efeito e reduz o risco de hipoglicemia. Não há interação adversa significativa.
Esses medicamentos podem causar hipoglicemia?
Sozinhos, raramente causam hipoglicemia grave. No entanto, quando combinados com insulina ou sulfonilureias, o risco aumenta. É necessário ajustar as doses desses outros medicamentos para evitar episódios.
Como armazenar a caneta injetável?
Conservar na geladeira (2-8°C) antes de usar. Após a primeira aplicação, pode ser mantida em temperatura ambiente até 28 dias, protegida da luz e do calor excessivo. Não congelar.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base em bulas oficiais ANVISA, diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2025) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 29/06/2026
Leia também em nosso site:
- Omeprazol: para que serve e como tomar
- Dipirona: para que serve, dosagem e efeitos
- Ibuprofeno: para que serve e cuidados
- Amoxicilina: para que serve e como usar
- Paracetamol: para que serve e dosagem
- Nimesulida: para que serve
- O que é hematoquezia
- O que é epistaxe (sangramento nasal)
- CID F41 — Ansiedade
- CID M54 — Dorsalgia (dor nas costas)
- CID J06 — Infecção Respiratória
- CID K21 — Refluxo Gastroesofágico
- CID N39 — Infecção Urinária
Fontes externas consultadas:
Na Clínica Popular Fortaleza você agenda uma consulta com especialistas que explicam seu tratamento, ajustam doses e orientam o uso correto dos medicamentos.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a bula do medicamento, orientação médica ou farmacêutica. Nunca use medicamentos sem prescrição ou orientação de um profissional de saúde habilitado.


