Estima-se que mais de 41 milhões de adultos no Brasil apresentem obesidade (ABESO, 2025). As alternativas ao Ozempic, como liraglutida e semaglutida oral, já foram aprovadas pela ANVISA para tratamento da obesidade e diabetes tipo 2, mas exigem prescrição médica e acompanhamento rigoroso.
Seu médico acabou de mencionar que você pode se beneficiar de uma alternativa ao Ozempic para emagrecer ou controlar o diabetes, e você quer saber exatamente o que são esses medicamentos, como funcionam e se são seguros. Neste artigo, você encontrará informações completas e baseadas em evidências sobre as opções disponíveis no Brasil, seus mecanismos de ação, eficácia, perfil de segurança e como utilizá-las corretamente.
- Classe terapêutica: Análogos do GLP-1 (liraglutida, semaglutida) / Combinação de medicamentos (naltrexona+bupopriona)
- Princípio ativo: Liraglutida / Semaglutida oral / Cloridrato de naltrexona + cloridrato de bupropiona
- Fabricante principal: Novo Nordisk (liraglutida, semaglutida) / Outros (naltrexona+bupopriona: diversos)
- Apresentações: Caneta injetável (liraglutida, semaglutida) / Comprimidos (semaglutida oral, naltrexona+bupopriona)
- Requer receita: Sim — medicamento de uso controlado (receita B1 para análogos GLP-1; receita C1 para naltrexona+bupopriona)
- Registro ANVISA: Sim — todos os produtos listados possuem registro ativo
Marina, 38 anos, procurou a Clínica Popular com queixa de ganho de peso progressivo e dificuldade para perder medidas, mesmo com dieta e exercícios. Após avaliação, seu IMC era de 31,5 kg/m², glicemia de jejum alterada (110 mg/dL) e pré-diabetes diagnosticado. O médico prescreveu liraglutida (Saxenda) na dose de 0,6 mg/dia, com aumento gradual até 3,0 mg/dia. Após 16 semanas, Marina perdeu 9,5% do peso corporal, normalizou a glicemia e relatou melhora na saciedade. O tratamento foi mantido com monitoramento trimestral.
O que são alternativas ao Ozempic?
As alternativas ao Ozempic (semaglutida injetável) são medicamentos com mecanismos semelhantes ou complementares para controle de peso e glicemia. As principais opções aprovadas no Brasil incluem:
- Liraglutida (Saxenda®) – análogo do GLP-1, administrado por injeção subcutânea, aprovado para obesidade e diabetes.
- Semaglutida oral (Rybelsus®) – mesma molécula do Ozempic, mas em comprimido, aprovada para diabetes tipo 2 e frequentemente usada para perda de peso (off-label).
- Naltrexona + Bupropiona (Contrave®) – combinação oral que age no sistema nervoso central, reduzindo apetite e aumentando o gasto energético.
- Dulaglutida (Trulicity®) – outro análogo GLP-1, aprovado para diabetes, com efeito modesto na perda de peso (uso off-label para obesidade).
Cada alternativa possui perfil de eficácia e segurança próprio, e a escolha deve ser individualizada pelo médico.
Mecanismo de ação
Os análogos do GLP-1 (liraglutida, semaglutida) imitam o hormônio incretina GLP-1, que aumenta a secreção de insulina, reduz o glucagon, retarda o esvaziamento gástrico e promove saciedade. Isso leva à diminuição da ingestão calórica e melhora do controle glicêmico.
A combinação naltrexona + bupropiona atua em receptores opióides e dopaminérgicos no hipotálamo, reduzindo o apetite e aumentando o gasto energético. A bupropiona é um inibidor da recaptação de dopamina e noradrenalina, enquanto a naltrexona bloqueia receptores opióides, potencializando seus efeitos anorexígenos.
Independentemente do mecanismo, todos exigem mudanças no estilo de vida para alcançar resultados duradouros.
Para que servem as alternativas ao Ozempic: indicações oficiais
As alternativas ao Ozempic são indicadas principalmente para duas condições:
- Controle de peso em obesidade ou sobrepeso com comorbidades (IMC ≥ 30 kg/m² ou ≥ 27 kg/m² com pelo menos uma condição associada, como diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemia).
- Tratamento de diabetes mellitus tipo 2 quando a metformina e outras medidas não são suficientes para controle glicêmico.
Liraglutida (Saxenda) é aprovada especificamente para obesidade. Já semaglutida oral (Rybelsus) e dulaglutida (Trulicity) têm aprovação primária para diabetes, mas são prescritos off-label para perda de peso com base em robustas evidências. A naltrexona+bupopriona (Contrave) é aprovada para obesidade desde que associada a dieta e exercício.
O uso deve ser parte de um programa multidisciplinar que inclui orientação nutricional, atividade física e suporte psicológico. O objetivo não é apenas a perda de peso, mas a manutenção a longo prazo e a melhora dos marcadores metabólicos.
Como tomar: dosagem e administração
A posologia varia conforme o medicamento:
- Liraglutida (Saxenda): Injeção subcutânea uma vez ao dia, em qualquer horário, independentemente das refeições. Inicia-se com 0,6 mg/dia por uma semana, aumentando gradualmente a cada semana até 3,0 mg/dia (dose alvo).
- Semaglutida oral (Rybelsus): Comprimido de 3 mg, 7 mg ou 14 mg uma vez ao dia, em jejum (pelo menos 30 minutos antes da primeira refeição, café ou outro medicamento oral), com um gole de água. Não mastigar.
- Naltrexona + Bupropiona (Contrave): 1 comprimido pela manhã e 1 à noite (8 mg de naltrexona + 90 mg de bupropiona cada). Iniciar com 1 comprimido pela manhã por 1 semana, depois 1 comprimido duas vezes ao dia.
É fundamental não pular doses e não exceder a dose prescrita. O tratamento geralmente é contínuo; a descontinuação pode levar à recuperação do peso perdido.
Efeitos colaterais
Os efeitos adversos mais comuns (>10%) incluem náuseas, vômitos, diarreia, constipação e dor abdominal, especialmente no início do tratamento. Efeitos incomuns (1-10%) são hipoglicemia (quando combinados com medicamentos para diabetes), anorexia, fadiga, tontura e queda de cabelo. Raros (<1%) incluem pancreatite aguda, colelitiase, colecistite, taquicardia (com bupropiona), e aumento do risco de tumores de tireoide em modelos animais (contraindicação para pessoas com histórico familiar de carcinoma medular de tireoide).
Sinais de alerta que exigem parar o uso imediatamente e procurar atendimento: dor abdominal intensa e persistente (suspeita de pancreatite), icterícia (suspeita de problemas biliares), alterações na voz ou nódulo no pescoço (suspeita de tumor de tireoide), batimentos cardíacos acelerados ou irregulares.
Contraindicações e quem não deve usar
Não devem utilizar essas alternativas:
- Pessoas com história de pancreatite aguda ou crônica.
- Pacientes com insuficiência renal grave (taxa de filtração glomerular < 30 mL/min).
- Gestantes, lactantes ou mulheres que planejam engravidar.
- Indivíduos com história de carcinoma medular de tireoide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2.
- Em uso de inibidores da MAO (para bupropiona) ou com epilepsia não controlada.
- Pessoas com hipersensibilidade a qualquer componente da fórmula.
- Adolescentes e crianças (exceto liraglutida aprovada a partir de 12 anos em alguns casos, mas sempre com criteriosa indicação).
Uma avaliação médica completa, incluindo exames laboratoriais, é indispensável antes do início do tratamento.
Interações medicamentosas importantes
As alternativas ao Ozempic podem interagir com:
- Medicamentos para diabetes: insulina ou sulfonilureias aumentam o risco de hipoglicemia. Ajuste de dose pode ser necessário.
- Inibidores da MAO, antidepressivos tricíclicos, IMAO-B (bupropiona): risco elevado de hipertensão e convulsões.
- Anticoncepcionais orais: a bupropiona pode reduzir sua eficácia (usar método de barreira adicional durante o tratamento e por um mês após parar).
- Álcool: aumenta o risco de hipoglicemia e pode potencializar efeitos adversos gastrointestinais; evitar o consumo excessivo.
- Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): podem interagir com a bupropiona e aumentar o risco de convulsões.
Informe ao seu médico todos os medicamentos que você utiliza, inclusive fitoterápicos e suplementos.
Preço e onde encontrar
Os preços no Brasil em 2025-2026 variam:
- Liraglutida (Saxenda): caneta com 18 mg (3 mL) – cerca de R$ 900 a R$ 1.200 por caneta (cada caneta dura aproximadamente 6 dias na dose de 3 mg).
- Semaglutida oral (Rybelsus): caixa com 30 comprimidos de 7 mg – cerca de R$ 600 a R$ 800; 14 mg – cerca de R$ 1.000 a R$ 1.400.
- Naltrexona + Bupropiona (Contrave): caixa com 60 comprimidos – cerca de R$ 350 a R$ 500.
- Dulaglutida (Trulicity): caneta pré-cheia (0,75 mg, 1,5 mg) – cerca de R$ 800 a R$ 1.100 por caneta.
Não existem genéricos para esses medicamentos atualmente. O acesso pelo SUS é limitado a situações específicas de diabetes tipo 2 com obesidade mórbida, mediante protocolos. A Clínica Popular Fortaleza pode auxiliar na prescrição e orientação sobre onde adquirir com menor custo.
O que perguntar ao médico antes de usar
Antes de iniciar qualquer alternativa ao Ozempic, converse com seu médico e tire as seguintes dúvidas:
- Qual das opções é mais adequada para o meu caso (liraglutida, semaglutida oral ou associação)?
- Preciso fazer algum exame antes de começar (glicemia, função renal, ultrassom de tireoide)?
- Quanto tempo levarei para perceber os efeitos no peso e na glicemia?
- Quais efeitos colaterais devo monitorar e quando devo procurar o serviço de emergência?
- Posso usar este medicamento junto com minha medicação habitual (anticoncepcional, anti-hipertensivo, etc.)?
- Quanto custará o tratamento por mês e há opção de programa de desconto?
- O tratamento precisará ser mantido por toda a vida ou posso parar após atingir o peso desejado?
- 01. Inicie sempre com a dose mínima e siga rigorosamente o esquema de titulação prescrito para minimizar náuseas e intolerância gastrointestinal.
- 02. Aplique as injeções (liraglutida) no mesmo horário todos os dias e rotacione os locais (abdômen, coxa, braço) para evitar lipodistrofia.
- 03. Mantenha um diário alimentar e de sintomas; anote qualquer sinal de dor abdominal persistente ou icterícia.
- 04. Não faça uso de medicamentos para emagrecer vendidos sem receita ou de suplementos que prometem efeito semelhante – podem interagir perigosamente.
- 05. Combine o tratamento com um plano alimentar equilibrado e pelo menos 150 minutos de atividade física por semana.
- 06. Não interrompa o tratamento abruptamente sem orientação médica; a retirada gradual evita efeito rebote.
- 07. Mantenha contato regular com seu médico para monitoramento de exames e ajuste de doses.
Perguntas frequentes sobre alternativas ao Ozempic
Alternativas ao Ozempic engordam ou emagrecem?
Estes medicamentos são aprovados para promover a perda de peso. Estudos mostram perda média de 5% a 15% do peso corporal inicial em 6 a 12 meses, dependendo do fármaco e da adesão ao estilo de vida. Não engordam – pelo contrário, seu propósito é reduzir o peso.
Posso usar alternativas ao Ozempic na gravidez?
Não. Todos os medicamentos são contraindicados durante a gestação e a amamentação devido a riscos conhecidos e potenciais para o feto. Mulheres em idade fértil devem usar método contraceptivo eficaz durante o tratamento e por pelo menos 2 meses após a interrupção.
Quanto tempo leva para fazer efeito?
Os efeitos na glicemia podem ser percebidos em 1 a 2 semanas. Já a perda de peso significativa geralmente ocorre a partir da 4ª a 8ª semana, com progressão ao longo dos meses. O máximo de perda é observado entre 6 e 12 meses.
É necessário tomar por toda a vida?
O tratamento crônico é comum para manter os resultados, pois o metabólico tende a retornar após a descontinuação. O médico pode reavaliar periodicamente a necessidade de continuidade ou redução de dose.
Interfere com anticoncepcionais?
A combinação naltrexona+bupopriona pode reduzir a eficácia de anticoncepcionais hormonais. Use um método de barreira (preservativo) adicional durante o tratamento e por um mês após parar. Análogos GLP-1 não apresentam essa interação significativa.
Posso tomar com outros medicamentos para diabetes?
Sim, mas com cautela. Quando combinados com insulina ou sulfonilureias, o risco de hipoglicemia aumenta. O médico deve ajustar as doses desses outros medicamentos.
Existe genérico ou similar mais barato?
Não existem genéricos para as alternativas ao Ozempic mencionadas. Programas de desconto do fabricante podem reduzir o custo para alguns pacientes. Consulte seu médico sobre opções de assistência.
Qual é a diferença entre liraglutida e semaglutida oral?
A semaglutida oral tem maior meia-vida e pode ser tomada uma vez ao dia por via oral (jejum). A liraglutida é injetável diário. Ambas são eficazes, mas a semaglutida oral pode causar menos desconforto gastrointestinal em alguns pacientes. A escolha depende da preferência e tolerância individual.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base em bulas oficiais ANVISA, evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 29/06/2026
Na Clínica Popular Fortaleza você agenda uma consulta com especialistas que explicam seu tratamento, ajustam doses e orientam o uso correto dos medicamentos.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a bula do medicamento, orientação médica ou farmacêutica. Nunca use medicamentos sem prescrição ou orientação de um profissional de saúde habilitado.
Fontes consultadas:
MedlinePlus em Português |
Bula Med |
ANVISA |
Hospital Einstein |
MSD Saúde
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