A liraglutida foi aprovada pela ANVISA em 2025 para uso em adolescentes com obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) a partir dos 12 anos,
desde que associada a dieta e exercícios. Estima-se que cerca de 12% dos brasileiros adultos já utilizaram ou utilizarão análogos do GLP-1 até 2026,
tornando o conhecimento sobre efeitos colaterais e formas de evitá-los essencial para a adesão ao tratamento.
Seu médico acabou de prescrever liraglutida e a primeira preocupação que vem à mente é: “Quais os efeitos colaterais e como evitá-los?”
Náuseas, vômitos e diarreia são comuns no início do tratamento, mas com estratégias simples é possível minimizá-los e manter a adesão.
Neste artigo, você vai entender como funciona a liraglutida, quais os cuidados essenciais e as melhores práticas para usar o medicamento com segurança e conforto.
- Classe terapêutica: Análogo do GLP-1 (agonista do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1)
- Princípio ativo: Liraglutida
- Fabricante: Novo Nordisk (referência Victoza® e Saxenda®); genéricos por EMS, Biolab, Eurofarma (2025-2026)
- Apresentações: Solução injetável em canetas preenchidas (6 mg/mL, 3 mL ou 18 mg/caneta)
- Requer receita: Sim – receita médica (tipo B2, azul) para diabetes e obesidade
- Registro ANVISA: Sim – vigente e atualizado (consultar bulário ANVISA)
Maria, 45 anos, diagnosticada com diabetes tipo 2 e obesidade (IMC 33 kg/m²), iniciou liraglutida 0,6 mg/dia.
Nos primeiros dias, sentiu náusea intensa e cólicas. Com orientação médica, passou a administrar a injeção logo após o café da manhã,
aumentou a ingestão de água e fracionou as refeições. Em duas semanas, os sintomas gastrointestinais reduziram significativamente.
Após 6 meses, perdeu 8% do peso corporal e a hemoglobina glicada caiu de 8,5% para 6,9%. Maria continua o tratamento com 1,8 mg/dia sem efeitos adversos relevantes.
Há risco de transmissão de doenças infecciosas como hepatites virais. Além disso, não use o medicamento se houver
suspeita de pancreatite aguda (dor abdominal intensa e irradiada para as costas) – interrompa e procure atendimento de emergência.
Para que serve Liraglutida: indicações oficiais
A liraglutida é um análogo do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1), um hormônio incretínico que atua em múltiplos órgãos.
No pâncreas, estimula a secreção de insulina na presença de glicose elevada, suprime a liberação de glucagon e retarda o esvaziamento gástrico.
No cérebro, age no hipotálamo promovendo saciedade e redução da ingestão alimentar.
As indicações aprovadas pela ANVISA incluem:
- Diabetes mellitus tipo 2: para melhorar o controle glicêmico em adultos e adolescentes (≥10 anos), como monoterapia ou combinado com metformina, sulfonilureias, insulina basal, entre outros.
- Obesidade e sobrepeso com comorbidades: para adultos com IMC ≥30 kg/m² ou IMC ≥27 kg/m² com ao menos uma comorbidade relacionada ao peso (hipertensão, dislipidemia, apneia do sono).
- Adolescentes com obesidade (a partir de 12 anos): aprovado em 2025 pela ANVISA, desde que associado a intervenção de estilo de vida.
O mecanismo de ação envolve também benefícios cardiovasculares: redução de eventos cardiovasculares maiores em pacientes com diabetes e alto risco,
conforme demonstrado no estudo LEADER. Por isso, a liraglutida é considerada uma opção de primeira linha em pacientes com DCV estabelecida.
Importante: não é indicada para diabetes tipo 1, cetoacidose diabética ou como substituição à insulina em pacientes dependentes de insulina.
Como tomar Liraglutida: dosagem e administração
A liraglutida é administrada por via subcutânea, uma vez ao dia, independentemente das refeições. A dose inicial é de 0,6 mg/dia durante a primeira semana,
aumentando gradualmente para minimizar efeitos gastrointestinais. O esquema de titulação recomendado é:
- Semana 1: 0,6 mg/dia
- Semana 2: 1,2 mg/dia
- Semana 3: 1,8 mg/dia (dose máxima para diabetes)
- Para obesidade (Saxenda®): continua até 3,0 mg/dia, com aumentos semanais de 0,6 mg.
O local de aplicação pode ser abdômen, coxa ou braço. Sempre utilize agulhas novas e descarte a caneta 30 dias após o primeiro uso.
Não agite a caneta – apenas role suavemente entre as mãos para homogeneizar.
A aplicação deve ser feita em horário consistente (ex.: antes do café da manhã) para facilitar a rotina.
Em idosos (≥65 anos) não há ajuste de dose necessário, mas a titulação deve ser mais cautelosa.
Pacientes com insuficiência renal moderada a grave devem usar com monitorização; não há dados em doença renal terminal.
A duração do tratamento para obesidade é de até 1 ano; para diabetes, é contínuo, conforme resposta clínica.
Efeitos colaterais da Liraglutida
Os efeitos colaterais mais comuns (>10%) estão relacionados ao trato gastrointestinal: náusea, vômito, diarreia, constipação e dor abdominal.
Eles são mais intensos nas primeiras 2-4 semanas e tendem a diminuir com a continuidade do tratamento e a titulação gradual.
Outros efeitos comuns incluem cefaleia, dispepsia, fadiga e reações no local da injeção (vermelhidão, prurido).
Incomuns (1-10%): aumento de amilase/lipase (geralmente assintomático), colelitíase, taquicardia leve,
hipoglicemia (principalmente quando combinado com sulfonilureia ou insulina), e distúrbios do paladar.
Raros (<1%): pancreatite aguda, reações de hipersensibilidade (urticária, angioedema),
insuficiência renal aguda (desidratação por vômitos/diarreia), e carcinoma medular de tireoide (em estudos animais – contraindicação absoluta em pacientes com história familiar).
Sinais de alerta que exigem parar o uso e procurar emergência: dor abdominal persistente e intensa (suspeita de pancreatite),
icterícia, urina escura (suspeita de lesão hepática), inchaço facial ou dificuldade para respirar (angioedema).
Contraindicações e quem não deve usar
A liraglutida é contraindicada para:
- Pacientes com história pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide (CMT) ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN-2).
- Hipersensibilidade conhecida ao princípio ativo ou a qualquer excipiente.
- Gravidez e amamentação – não há segurança estabelecida; o tratamento deve ser interrompido antes da concepção.
- Pacientes com insuficiência renal terminal (TFG <15 mL/min) ou em diálise, por falta de dados de segurança.
- Doença inflamatória intestinal grave ou gastroparesia diabética grave – o retardo do esvaziamento gástrico pode agravar os sintomas.
- História de pancreatite aguda idiopática ou relacionada a medicamentos – o uso é desaconselhado.
Em adolescentes, as contraindicações são as mesmas, mas a segurança em menores de 12 anos não foi estabelecida.
Interações medicamentosas importantes
A liraglutida retarda o esvaziamento gástrico, podendo alterar a absorção de medicamentos orais.
Interações clinicamente relevantes:
- Medicamentos que dependem de absorção rápida: como antibióticos (amoxicilina, azitromicina), paracetamol e contraceptivos orais – a eficácia pode ser reduzida; recomenda-se tomar esses medicamentos pelo menos 1 hora antes da liraglutida.
- Sulfonilureias (glibenclamida, gliclazida) e insulina: risco aumentado de hipoglicemia – pode ser necessário reduzir a dose dos hipoglicemiantes.
- Anticoagulantes orais (varfarina): monitorar INR – o retardo do esvaziamento gástrico pode alterar a exposição ao fármaco.
- Álcool: potencializa o risco de hipoglicemia e aumenta os efeitos gastrointestinais – evitar consumo excessivo.
- Anti-hipertensivos: possível efeito aditivo na redução da pressão arterial – monitorar PA.
Sempre informe ao médico todos os medicamentos que utiliza, inclusive fitoterápicos e suplementos.
Preço e onde encontrar Liraglutida
No Brasil, a liraglutida de referência (Victoza® e Saxenda®) custa entre R$ 400 e R$ 650 por caneta (dependendo da apresentação).
As versões genéricas (EMS, Biolab, Eurofarma) estão disponíveis desde 2025 com preços de R$ 280 a R$ 450, representando uma economia de até 30%.
A apresentação mais comum é a caneta com 3 mL (18 mg), suficiente para 30 doses de 0,6 mg ou 15 doses de 1,2 mg.
Para obesidade (Saxenda®), a dose máxima é 3,0 mg/dia, o que exige cerca de 2 canetas por mês.
O medicamento não está disponível na lista de fornecimento do SUS para obesidade,
mas para diabetes tipo 2 ele pode ser dispensado em alguns estados por meio de programas especiais (ex.: Farmácia Popular em casos selecionados).
É recomendável pesquisar em farmácias online e físicas, além de verificar descontos em programas de fidelidade.
O que perguntar ao médico antes de usar
Antes de iniciar o tratamento com liraglutida, faça as seguintes perguntas ao seu médico:
- Preciso fazer algum exame antes de começar? (ex.: função pancreática, tireoidiana, renal)
- Como devo ajustar minha alimentação para minimizar os efeitos colaterais?
- Posso usar liraglutida junto com outros medicamentos que já tomo? (especialmente metformina, insulina, anti-hipertensivos)
- Qual a duração esperada do tratamento e como saber se está funcionando?
- O que fazer se eu esquecer uma dose? (geralmente: se esquecer, não dobre a dose – aplique assim que lembrar, a menos que esteja próximo da próxima dose)
- Há risco de hipoglicemia? Como reconhecer e tratar?
- Quando devo procurar o pronto-socorro? (sinais de pancreatite, reação alérgica, etc.)
- 01. Inicie com a dose mais baixa (0,6 mg/dia) e aumente gradualmente a cada semana – isso reduz náuseas e vômitos.
- 02. Aplique a injeção logo após a refeição principal (café da manhã ou almoço) para sincronizar o retardo do esvaziamento gástrico com a ingestão.
- 03. Mantenha-se bem hidratado: beba pelo menos 2 litros de água por dia para ajudar a reduzir a constipação e a desidratação por diarreia.
- 04. Evite alimentos gordurosos, frituras e grandes volumes em uma única refeição – prefira refeições leves e fracionadas (5-6 vezes ao dia).
- 05. Tenha sempre à mão fontes de carboidratos rápidos (balas, suco de laranja, açúcar) para tratar hipoglicemia, especialmente se usar sulfonilureia ou insulina.
- 06. Varie os locais de aplicação (abdômen, coxa, braço) para evitar lipodistrofia e reações locais.
- 07. Não pule doses nem dobre a dose se esquecer – a adesão consistente é importante, mas nunca compense um atraso com aplicação extra.
Perguntas frequentes sobre Liraglutida
Liraglutida engorda ou emagrece?
Emagrece. A liraglutida promove perda de peso significativa (em média 5-10% do peso corporal em 6-12 meses) por aumentar a saciedade e retardar o esvaziamento gástrico. Não causa ganho de peso.
Posso tomar Liraglutida na gravidez?
Não. É contraindicada na gravidez e amamentação. Se você planeja engravidar, o medicamento deve ser descontinuado pelo menos 2-3 meses antes da concepção, pois não há estudos de segurança em gestantes.
Quanto tempo leva para Liraglutida fazer efeito?
Os efeitos na glicemia começam na primeira semana, mas a perda de peso significativa geralmente aparece após 4-8 semanas. A redução máxima de peso ocorre entre 6 e 12 meses de tratamento.
Liraglutida causa pancreatite?
Em estudos clínicos, houve relatos raros de pancreatite aguda (incidência <0,3%). Se surgir dor abdominal intensa e persistente, interrompa o uso e procure emergência. Pacientes com história de pancreatite não devem usar.
Posso ingerir bebidas alcoólicas durante o tratamento?
Moderadamente. O álcool pode aumentar o risco de hipoglicemia e intensificar os efeitos gastrointestinais. Evite consumo excessivo e sempre faça uma refeição junto com a bebida.
Liraglutida interage com anticoncepcionais orais?
Sim. O retardo do esvaziamento gástrico pode reduzir a absorção da pílula anticoncepcional. Recomenda-se tomar o anticoncepcional pelo menos 1 hora antes da aplicação da liraglutida, ou usar método adicional (barreira).
Qual a diferença entre Victoza® e Saxenda®?
Ambos contêm liraglutida, mas Victoza® é aprovado para diabetes tipo 2 com dose máxima de 1,8 mg/dia, enquanto Saxenda® é aprovado para obesidade com dose máxima de 3,0 mg/dia. Saxenda® tem caneta com maior concentração (6 mg/mL) para permitir doses maiores.
Como descartar a caneta usada?
Após 30 dias do primeiro uso, a caneta deve ser descartada mesmo que contenha líquido restante. Descarte em recipiente perfurocortante (descarpack) ou conforme orientação da farmácia/coleta municipal. Nunca jogue no lixo comum.
Liraglutida pode ser usada em crianças?
Sim, a partir de 12 anos para obesidade (aprovado pela ANVISA em 2025) e a partir de 10 anos para diabetes tipo 2, sempre sob supervisão de endocrinologista pediátrico.
Posso tomar Liraglutida se tiver pedra na vesícula?
Com cautela. A liraglutida pode aumentar o risco de colelitíase (pedras na vesícula) devido ao retardo do esvaziamento da vesícula biliar. Se você tem histórico de cálculos biliares, converse com seu médico antes de iniciar.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base em bulas oficiais ANVISA, evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 29/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a bula do medicamento, orientação médica ou farmacêutica. Nunca use medicamentos sem prescrição ou orientação de um profissional de saúde habilitado.
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