terça-feira, julho 7, 2026

O Que e Nivel De Eritrossedimentacao

Dado importante

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, aproximadamente 30% dos pacientes encaminhados ao reumatologista apresentam VHS elevado sem causa definida. Um estudo de 2025 apontou que, entre pessoas acima de 60 anos, valores acima de 40 mm/h aumentam em 3 vezes o risco de doença inflamatória crônica oculta.

Você já fez um exame de sangue e recebeu um resultado escrito “VHS” ou “velocidade de hemossedimentação” e ficou sem saber o que aqueles números significam? Ou então seu médico pediu esse exame e você quer entender para que ele serve antes de ir ao laboratório? O nível de eritrossedimentação (ou VHS) é um marcador inespecífico de inflamação muito usado na prática clínica. Ele não diagnostica uma doença específica, mas ajuda o médico a investigar se há algum processo inflamatório ou infeccioso acontecendo no corpo.

Resumo rápido

  • O que é: Exame de sangue que mede a velocidade com que as hemácias (glóbulos vermelhos) se depositam no fundo de um tubo.
  • Quando ocorre: Valores elevados indicam inflamação, infecção, doenças autoimunes, tumores ou anemia; valores baixos são menos comuns e podem ocorrer em algumas doenças sanguíneas.
  • Quem trata: Clínico geral, reumatologista, infectologista, hematologista, entre outros, conforme a causa suspeita.
  • Urgência: Baixa a moderada – o exame em si não é emergencial, mas o resultado pode indicar a necessidade de investigação rápida.
  • Tratamento: Não se trata o VHS; trata-se a doença de base (infecção, inflamação, etc.) que está causando a alteração.

O que é nível de eritrossedimentação (VHS)?

A velocidade de hemossedimentação (VHS), também chamada de eritrossedimentação ou taxa de sedimentação de eritrócitos (ESR, em inglês), é um exame de sangue laboratorial simples e barato que mede a rapidez com que os glóbulos vermelhos caem (sedimentam) em uma amostra de sangue anticoagulado dentro de um tubo vertical, durante um período de 60 minutos. O resultado é expresso em milímetros por hora (mm/h).

A lógica por trás do teste é que, quando o corpo está enfrentando um processo inflamatório, certas proteínas (como fibrinogênio e imunoglobulinas) são produzidas em maior quantidade e fazem com que as hemácias se aglomerem (formem “rolos” – rouleaux) e caiam mais rapidamente. Portanto, quanto mais rápida a sedimentação, maior a probabilidade de haver inflamação ativa.

É importante saber que o VHS é um teste inespecífico: ele não diz exatamente qual é a doença ou órgão inflamado, apenas sinaliza que algo está fora do normal. Por isso, é usado como um “alerta” ou “rastreador” que, quando alterado, leva o médico a pedir outros exames mais específicos. O exame tornou-se popular nos anos 1920 e permanece em uso frequente, embora tenha sido complementado por outros marcadores como a proteína C reativa (PCR).

Como funciona e qual sua importância no organismo

O princípio do exame é simples: uma amostra de sangue venoso é coletada com anticoagulante (citrato de sódio) e colocada em um tubo graduado, na posição vertical, por exatamente uma hora. Após esse tempo, mede-se a distância em milímetros entre o topo da coluna de plasma e a parte superior da camada de hemácias sedimentadas. Esse valor é a VHS.

A sedimentação das hemácias depende de várias forças físicas e biológicas. Em condições normais, as hemácias têm carga negativa em sua superfície, o que faz com que se repelam e fiquem suspensas no plasma. Quando há inflamação, proteínas de fase aguda (como fibrinogênio, globulinas e proteína amiloide sérica A) aderem à superfície das hemácias, neutralizando sua carga negativa e permitindo que elas se aproximem e formem agregados. Esses agregados são mais pesados e sedimentam mais rápido.

A importância clínica do VHS está no fato de ele ser um marcador sensível (embora não específico) de inflamação. Ele pode ajudar a diagnosticar ou monitorar a atividade de doenças como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, vasculites, infecções crônicas (tuberculose, osteomielite), doenças inflamatórias intestinais, mieloma múltiplo, entre outras. Também é usado para acompanhar a resposta ao tratamento: se a VHS diminui, geralmente significa que o tratamento está funcionando.

Vale destacar que o VHS pode estar elevado em situações não inflamatórias, como anemia, gravidez, idade avançada, obesidade e uso de alguns medicamentos (contraceptivos orais, cortisona). Já valores muito baixos podem ocorrer na policitemia, hiperviscosidade sanguínea ou anemia falciforme. Por isso, o médico sempre interpreta o resultado dentro do contexto clínico do paciente.

Tipos e variações do exame

Existem basicamente dois métodos principais para medir a VHS: o método de Westergren (padrão‑ouro) e o método de Wintrobe, além de versões automatizadas em equipamentos modernos. O método de Westergren utiliza um tubo longo (200 mm) e sangue diluído com citrato, sendo o mais recomendado por organizações internacionais. O método de Wintrobe usa um tubo mais curto e não dilui o sangue, podendo dar resultados diferentes, principalmente em anemias.

Além disso, há variações fisiológicas relacionadas à idade e ao sexo. Em crianças, os valores são geralmente mais baixos (até 10 mm/h). Em adultos, os valores de referência costumam ser:

  • Homens jovens: 0–15 mm/h
  • Mulheres jovens: 0–20 mm/h
  • Homens com mais de 60 anos: 0–30 mm/h
  • Mulheres com mais de 60 anos: 0–40 mm/h

Na prática, muitos laboratórios adotam um único limite de 20 mm/h para adultos, mas a idade e o sexo devem ser considerados. Valores acima de 100 mm/h são invariavelmente anormais e requerem investigação urgente.

Outra variação importante é que o VHS tem baixa especificidade: ele pode estar alterado em muitas condições que não são clinicamente relevantes. Por exemplo, uma infecção viral leve pode elevar o VHS para 30–40 mm/h, mas sem necessidade de tratamento específico. Por isso, o exame deve ser solicitado com critério e interpretado junto com outros parâmetros (hemograma, PCR, exames de imagem).

Causas e fatores de risco para alterações

As principais causas de VHS elevado estão relacionadas a processos inflamatórios, infecciosos e neoplásicos. As infecções bacterianas (pneumonia, infecção urinária, tuberculose) costumam elevar o VHS moderadamente a altamente. Infecções virais (gripe, COVID‑19) podem causar elevação leve a moderada. Doenças reumáticas inflamatórias, como artrite reumatoide, lúpus e polimialgia reumática, frequentemente apresentam VHS acima de 50 mm/h.

O mieloma múltiplo (câncer de células plasmáticas) produz grandes quantidades de imunoglobulinas que aceleram a sedimentação, chegando a valores superiores a 100 mm/h. Outros tumores (linfoma, carcinoma de ovário, pulmão) também podem causar elevação, especialmente se houver necrose ou inflamação associada.

Condições não inflamatórias que elevam o VHS incluem: anemia (diminuição da viscosidade sanguínea acelera a sedimentação), gestação (aumento do fibrinogênio), idade avançada (produção aumentada de proteínas inflamatórias mesmo sem doença), insuficiência renal crônica, obesidade e tabagismo.

Fatores de risco para ter um VHS elevado sem doença grave incluem: idade acima de 60 anos, uso de anticoncepcionais orais, suplementação de ferro (em alguns casos) e ingestão de álcool em excesso. Por outro lado, pessoas que usam anticoagulantes como a varfarina podem ter VHS falsamente baixo. O mais importante é que o médico avalie cada caso individualmente.

Sintomas e manifestações clínicas

O VHS em si não causa sintomas. As manifestações clínicas são decorrentes da doença de base que está elevando o exame. Por exemplo, se a causa é uma infecção, o paciente pode apresentar febre, calafrios, dor no local da infecção, tosse, dor ao urinar, etc. Se for uma doença reumática, podem surgir dores articulares, rigidez matinal, edema e fadiga. No mieloma múltiplo, os sintomas incluem dor óssea, anemia, insuficiência renal e infecções recorrentes.

Quando o VHS está muito elevado (> 100 mm/h) e não há uma causa evidente, o médico deve suspeitar de doenças como polimialgia reumática (em pacientes idosos com dor e rigidez nos ombros e quadris), arterite de células gigantes (cefaleia temporal, claudicação da mandíbula), endocardite bacteriana, tuberculose disseminada ou neoplasia oculta. Nessas situações, o paciente geralmente apresenta sintomas sistêmicos como perda de peso, febre baixa persistente, suores noturnos e mal‑estar geral.

É fundamental lembrar que um VHS elevado não significa que a pessoa tem uma doença grave. Muitas vezes a elevação é leve e transitória, como após uma cirurgia, durante uma gripe ou até mesmo em resposta a uma vacinação. A avaliação clínica é indispensável.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico baseia-se no exame laboratorial de VHS, mas a interpretação depende da história clínica e de exames complementares. O médico solicita o VHS quando suspeita de inflamação ou para monitorar uma doença já diagnosticada. O procedimento é simples: uma amostra de sangue é coletada de uma veia do braço, enviada ao laboratório e processada pelo método Westergren ou automatizado.

O resultado é fornecido em mm/h, e o médico compara com os valores de referência ajustados para idade e sexo. Para investigar a causa de uma elevação, outros exames são frequentemente pedidos em conjunto:

  • Hemograma completo (para avaliar anemia, leucocitose, etc.)
  • Proteína C reativa (PCR) – marcador inflamatório mais rápido e específico
  • Velocidade de hemossedimentação (próprio exame)
  • Eletroforese de proteínas séricas (se suspeita de gamopatia monoclonal)
  • Fator reumatoide, anti‑CCP, anticorpos antinúcleo (ANA) – para doenças autoimunes
  • Culturas, exames de imagem (radiografia, tomografia, ultrassom) – conforme suspeita clínica

Em pacientes idosos com VHS elevado inexplicado, a investigação pode incluir biópsia de artéria temporal (para arterite de células gigantes) ou ecocardiograma transesofágico (para endocardite).

Tratamentos e abordagens terapêuticas

O VHS não é tratado; trata‑se a condição subjacente que está causando a alteração. Por isso, o tratamento é totalmente dependente do diagnóstico. Se a causa for uma infecção bacteriana, antibióticos são prescritos. Em doenças reumáticas inflamatórias, usam‑se anti‑inflamatórios não esteroides (AINEs), corticoides, metotrexato, agentes biológicos (anti‑TNF, inibidores de interleucina), entre outros.

No caso de neoplasias (como mieloma múltiplo ou linfoma), a quimioterapia, radioterapia ou transplante de medula óssea podem ser indicados. Se o VHS está elevado por anemia, trata‑se a anemia (reposição de ferro, vitamina B12, ácido fólico, transfusão, etc.). Para causas benignas e transitórias (infecção viral leve, pós‑operatório), nenhum tratamento específico é necessário – o VHS normaliza com a recuperação.

O monitoramento do VHS ao longo do tempo ajuda a avaliar a eficácia do tratamento. Por exemplo, na artrite reumatoide, a queda da VHS indica boa resposta terapêutica. Já na arterite de células gigantes, a normalização do VHS é um parâmetro para reduzir a dose de corticoides.

É importante que o paciente não tente interpretar o exame por conta própria. Muitas vezes, um valor elevado sem sintomas não requer intervenção imediata, mas sim acompanhamento clínico e repetição do exame após algumas semanas.

Prevenção e cuidados contínuos

Não existe uma forma direta de prevenir um VHS elevado, já que ele é um marcador e não uma doença. No entanto, manter hábitos saudáveis reduz o risco de condições inflamatórias crônicas que podem elevar o VHS. Isso inclui: alimentação equilibrada (dieta do Mediterrâneo rica em frutas, vegetais, peixes, gorduras saudáveis), prática regular de atividade física, controle do peso, não fumar, moderar o consumo de álcool e gerenciar o estresse.

O acompanhamento médico regular, com check‑ups periódicos, pode detectar precocemente doenças que alteram o VHS, especialmente em pessoas com fatores de risco (histórico familiar de doenças autoimunes, idade avançada, tabagismo). Exames de rotina como hemograma e VHS podem ser incluídos em avaliações anuais, principalmente a partir dos 50 anos.

Para pacientes com doenças crônicas já diagnosticadas, o cuidado contínuo envolve adesão ao tratamento, consultas regulares com o especialista e controle de comorbidades (diabetes, hipertensão, dislipidemia), que podem potencializar a inflamação. A vacinação em dia (influenza, pneumonia, COVID‑19) reduz o risco de infecções que elevariam o VHS.

Quando procurar ajuda médica

O VHS isolado, sem sintomas, geralmente não requer urgência. Porém, se você descobriu em um exame de rotina que seu VHS está elevado (acima do limite para sua faixa etária), é recomendável agendar uma consulta para avaliação. O médico irá associar os resultados a outros parâmetros e à sua história.

Sinais de alerta que merecem atenção médica breve (em dias) associados a VHS elevado incluem: febre persistente por mais de 3 dias, perda de peso inexplicada, dores articulares ou musculares intensas, sudorese noturna, cansaço extremo, anemia, gânglios aumentados, sintomas urinários ou respiratórios.

Busque atendimento de urgência se, além do VHS elevado, você apresentar: falta de ar, dor torácica, confusão mental, hematomas ou sangramentos espontâneos, febre muito alta (> 39°C), dor de cabeça severa com rigidez de nuca ou sinais neurológicos (fraqueza, dificuldade para falar).

Exemplo prático

Dona Maria, 67 anos, foi ao clínico geral queixando-se de dor e rigidez nos ombros e quadris há duas semanas, além de cansaço e falta de apetite. O médico suspeitou de polimialgia reumática e pediu um VHS. O resultado veio: 88 mm/h (referência para a idade dela: até 40 mm/h). Com esse dado, o médico iniciou prednisona em dose baixa. Após 3 dias, dona Maria já sentia melhora significativa. O VHS caiu para 30 mm/h na repetição do exame após 4 semanas. O caso mostra como o VHS ajudou a confirmar a suspeita clínica e a monitorar a resposta ao tratamento.

Atenção: Valores de VHS acima de 100 mm/h, especialmente na ausência de sintomas claros, podem indicar doenças graves como mieloma múltiplo, arterite de células gigantes, tuberculose disseminada ou endocardite. Nestes casos, não adie a consulta com um médico. A investigação deve ser rápida e direcionada.

Dicas práticas

Dicas Práticas

  1. 01. Nunca interprete um VHS isolado. Leve o resultado ao médico junto com seus sintomas e histórico.
  2. 02. Se o seu VHS está normal mas você tem sintomas, o exame não descarta inflamação; a PCR pode ser mais sensível em alguns casos.
  3. 03. Informe ao laboratório se você está grávida, amamentando, usando anticoncepcionais ou corticoides – isso altera a interpretação.
  4. 04. O VHS não precisa de jejum, mas evite fazer o exame durante uma infecção ativa (como gripe) para não gerar ansiedade com um valor elevado transitório.
  5. 05. Mulheres podem ter VHS um pouco mais alto durante o período menstrual. Repita o exame em outra fase se houver dúvida.
  6. 06. Em idosos, valores até o dobro do normal podem ser considerados aceitáveis se não houver sintomas. O médico decide com base no quadro geral.

Perguntas Frequentes sobre nível de eritrossedimentação

O que significa VHS alto em exames de sangue?

Indica que há uma inflamação ou infecção ativa no corpo, mas não revela a causa exata. Doenças reumáticas, infecções, tumores, anemia e até mesmo envelhecimento podem elevar o VHS. O médico precisa correlacionar com outros exames e seus sintomas.

Quais são os valores normais de VHS?

Varia conforme idade e sexo. Em adultos jovens: homens até 15 mm/h, mulheres até 20 mm/h. Acima de 60 anos: homens até 30 mm/h, mulheres até 40 mm/h. Crianças: até 10 mm/h. Esses limites podem mudar sutilmente entre laboratórios.

VHS alto é sinal de câncer?

Nem sempre. A maioria das elevações é causada por infecções ou doenças inflamatórias benignas. Porém, em alguns tumores (mieloma, linfoma, carcinoma avançado) o VHS pode estar muito elevado. O câncer é uma possibilidade entre muitas, e a investigação depende de outros sinais.

Precisa de jejum para fazer o exame de VHS?

Não, a coleta para VHS não exige jejum. No entanto, se o médico pedir outros exames junto (glicemia, lipidograma), o jejum de 8 a 12 horas pode ser necessário para essas análises.

Quanto tempo leva para o resultado ficar pronto?

Geralmente entre 1 e 4 horas, já que o teste manual de Westergren precisa de 60 minutos de sedimentação, mais tempo de processamento. Laboratórios costumam liberar no mesmo dia ou no próximo dia útil.

VHS baixo é preocupante?

Raramente. Valores próximos de zero podem ocorrer na policitemia (excesso de hemácias), anemia falciforme, hiperviscosidade ou em pacientes que usam cortisona. Na maioria dos casos não tem significado clínico relevante, mas o médico avalia.

Qual a diferença entre VHS e PCR?

Ambos medem inflamação. A PCR (proteína C reativa) sobe e desce mais rapidamente (horas), sendo melhor para infecções agudas. O VHS demora mais para alterar e para normalizar (dias), sendo útil para monitorar doenças crônicas como artrite reumatoide.

O que pode dar falso positivo no VHS?

Anemia, gravidez, idade avançada, obesidade, tabagismo, uso de anticoncepcionais orais, corticoides, suplementos de ferro e até mesmo a menstruação podem elevar o VHS sem que haja uma doença grave. Por isso, o contexto clínico é fundamental.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 25/06/2026

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Fontes externas:

MedlinePlus – Sedimentation Rate |
MSD Manual Profissional – VHS e PCR

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