sexta-feira, abril 24, 2026

Fundoplicatura: quando correr ao médico para refluxo

Você já acordou no meio da noite com aquela queimação no peito que sobe até a garganta, mesmo tomando os remédios direitinho? Ou sente que a azia virou uma companheira constante, limitando o que você pode comer e até atrapalhando seu sono? Para muitas pessoas, o refluxo gastroesofágico deixa de ser um incômodo ocasional e se torna um problema crônico e debilitante.

Quando as mudanças no estilo de vida e os medicamentos não são mais suficientes para controlar os sintomas, a conversa com o médico pode levar a um caminho que assusta: a cirurgia. É nesse momento que a fundoplicatura entra em cena. O que muitos não sabem é que essa não é uma decisão a ser tomada de forma leviana. Trata-se de um procedimento que modifica a anatomia do seu sistema digestivo, e seus resultados, embora muito positivos para os candidatos certos, são permanentes. A avaliação criteriosa é essencial e segue diretrizes estabelecidas por sociedades especializadas, como a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) em suas orientações sobre saúde digestiva. O Ministério da Saúde também reconhece a cirurgia como uma opção válida para casos refratários.

⚠️ Atenção: A fundoplicatura é uma cirurgia de última linha para refluxo. Fazer esse procedimento sem uma avaliação completa (com exames como a manometria esofágica) pode resultar em complicações graves, como a incapacidade de engolir alimentos sólidos.

O que é fundoplicatura — explicação real, não de dicionário

Em termos simples, a fundoplicatura é uma cirurgia que “aperta a tampa” do estômago. Imagine que a junção entre seu esôfago e estômago é uma válvula que ficou frouxa, permitindo que o ácido escape. O cirurgião pega a parte superior do estômago (chamada fundo gástrico) e a envolve ao redor da extremidade inferior do esôfago, criando uma nova “válvula” mais firme. Na prática, isso reforça a barreira natural e impede o retorno do conteúdo ácido.

Uma leitora de 58 anos nos perguntou: “Mas doutora, não é perigoso ‘amarrar’ o estômago?”. É uma dúvida comum. O procedimento não “amarra” no sentido de estrangular, mas cria um manguito que se contrai quando o estômago se distende, fechando a passagem. É uma solução mecânica para um problema mecânico, quando os remédios, que apenas reduzem a acidez, já não dão conta.

Fundoplicatura é normal ou preocupante?

É fundamental entender: a fundoplicatura não é um tratamento de primeira linha, mas uma opção cirúrgica bem estabelecida para casos específicos. A indicação deve ser precisa, baseada em exames objetivos que confirmem a ineficácia do tratamento clínico máximo. Quando realizada no paciente correto e por uma equipe experiente, a taxa de sucesso é alta, conforme documentado em estudos do PubMed. A preocupação surge quando o procedimento é indicado sem critérios rigorosos, o que pode levar a resultados insatisfatórios.

Quais são os tipos de fundoplicatura disponíveis?

Existem principalmente duas técnicas: a fundoplicatura total (de Nissen) e a parcial (como a de Toupet). A total envolve 360 graus ao redor do esôfago, enquanto a parcial envolve apenas parte da circunferência. A escolha depende de fatores como a força da musculatura esofágica do paciente, avaliada pela manometria.

Como é a recuperação pós-operatória?

Nos primeiros dias, é necessária uma dieta líquida e pastosa para evitar sobrecarga na região operada. A dor é controlada com medicação, e a alta hospitalar costuma ocorrer em 1 a 3 dias. A recuperação completa e o retorno às atividades normais podem levar algumas semanas.

Quais são os riscos e complicações da cirurgia?

Como qualquer cirurgia, há riscos de infecção, sangramento e reações à anestesia. Complicações específicas incluem dificuldade para engolir (disfagia), síndrome do “gás preso” (inabilidade de arrotar), recorrência do refluxo ou afrouxamento da fundoplicatura ao longo do tempo.

A fundoplicatura tem cura definitiva para o refluxo?

Para a grande maioria dos pacientes bem selecionados, sim. A cirurgia corrige o defeito anatômico da válvula, resolvendo a causa mecânica do problema. No entanto, um pequeno percentual pode precisar de reintervenção ou continuar usando medicação em baixa dose.

Quem NÃO deve fazer a fundoplicatura?

Pacientes com motilidade esofágica muito comprometida (como na esclerodermia), com obesidade mórbida não tratada, ou aqueles cujos sintomas não são claramente relacionados ao refluxo ácido (refluxo não ácido ou hipersensibilidade esofágica) geralmente não são bons candidatos.

É possível reverter uma fundoplicatura?

Sim, é possível desfazer a cirurgia, mas a reoperação é tecnicamente mais complexa e arriscada do que o procedimento inicial. Por isso, a decisão pela primeira cirurgia deve ser muito bem fundamentada.

Quais exames são obrigatórios antes da cirurgia?

A tríade básica inclui a endoscopia digestiva alta, a pHmetria esofágica de 24h (para confirmar o excesso de ácido) e a manometria esofágica (para avaliar a função motora do esôfago). Tomografias ou outros exames de imagem podem ser solicitados conforme a necessidade.

Como a cirurgia é feita? É sempre por laparoscopia?

Atualmente, a via laparoscópica (minimamente invasiva) é o padrão-ouro, associada a menos dor e recuperação mais rápida. A cirurgia aberta é reservada para casos de reconversão ou quando há contraindicações para a laparoscopia.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

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