No Brasil, em 2025, mais de 40% da população adulta declarou ter feito uso de fitoterápicos no último ano, segundo dados da ANVISA e do Ministério da Saúde, com destaque para plantas como espinheira-santa, camomila e ginkgo biloba. A fitoterapia é aprovada como prática integrativa complementar (PIC) pelo SUS desde 2006.
Seu médico sugeriu um fitoterápico como parte do seu tratamento e você quer entender exatamente para que serve, como funciona e quais cuidados tomar? Você não está sozinho: a fitoterapia, uso terapêutico de plantas medicinais e seus derivados, vem ganhando cada vez mais espaço na medicina moderna, combinando saberes tradicionais com evidências científicas. Neste artigo, vamos esclarecer as indicações, formas de uso, efeitos colaterais, contraindicações e responder às principais dúvidas, sempre com base em bulas oficiais e literatura médica atualizada.
- Classe terapêutica: Fitoterápico / Medicamento à base de plantas medicinais
- Princípio ativo: Diversos extratos padronizados (ex.: extrato seco de Passiflora incarnata, Salix alba, Hypericum perforatum, etc.)
- Fabricante: Múltiplos laboratórios (ex.: Aché, EMS, Nature’s Bounty, Herbarium)
- Apresentações: Comprimidos, cápsulas, gotas, xaropes, chás, pomadas, tinturas
- Requer receita: Sim — para fitoterápicos tarjados (lista de medicamentos de venda sob prescrição)/ Não para isentos (MIP)
- Registro ANVISA: Sim, cada produto fitoterápico deve ter registro específico na ANVISA, conforme RDC 26/2014
Dona Maria, 52 anos, professora, procurou a Clínica Popular Fortaleza com queixa de insônia leve e irritabilidade há três meses. O médico clínico prescreveu um fitoterápico composto por extrato de Valeriana officinalis (valeriana) e Passiflora incarnata (maracujá), na forma de comprimidos, com uma dose ao deitar. Após duas semanas, Dona Maria relatou melhora significativa na qualidade do sono (passou a dormir 6 a 7 horas por noite) e redução da ansiedade diurna. O tratamento foi mantido por mais quatro semanas, com orientações de higiene do sono e, ao final, a paciente não apresentou efeitos adversos e conseguiu descontinuar o fitoterápico com auxílio gradual.
Para que serve Fitoterapia: indicações oficiais
A fitoterapia é uma abordagem terapêutica que utiliza plantas medicinais e seus extratos padronizados para tratar, prevenir ou aliviar sintomas de diversas condições de saúde. No Brasil, a ANVISA reconhece uma ampla gama de indicações para fitoterápicos registrados, que variam conforme a espécie vegetal e a concentração do princípio ativo. As indicações mais comuns incluem:
- Distúrbios do sistema nervoso: Ansiedade, insônia, nervosismo, irritabilidade — plantas como valeriana (Valeriana officinalis), maracujá (Passiflora incarnata) e kava-kava (Piper methysticum), esta última com restrições por hepatotoxicidade.
- Problemas digestivos: Má digestão, gases, azia, enjoos — espinheira-santa (Maytenus ilicifolia), alcachofra (Cynara scolymus), gengibre (Zingiber officinale).
- Inflamações e dores musculoesqueléticas: Artrite reumatoide, dor lombar, tendinite — unha-de-gato (Uncaria tomentosa), boswellia (Boswellia serrata), salgueiro-branco (Salix alba), este último com ação similar à aspirina.
- Condições respiratórias: Ajuda na expectoração e alívio da tosse — guaco (Mikania glomerata), eucalipto (Eucalyptus globulus), alho (Allium sativum).
- Saúde cardiovascular e circulatória: Ginkgo biloba é indicado para melhora da circulação cerebral e periférica, com estudos mostrando benefício em demência leve e claudicação intermitente (embora a evidência seja moderada).
O mecanismo de ação dos fitoterápicos é complexo e envolve múltiplos compostos químicos que atuam em sinergia. Por exemplo, os flavonoides da camomila (Matricaria chamomilla) modulam receptores GABA-A, promovendo efeito ansiolítico leve; os glicosídeos do salgueiro-branco inibem a produção de prostaglandinas, exercendo ação anti-inflamatória e analgésica. A padronização dos extratos é essencial para garantir eficácia e segurança.
Como tomar Fitoterapia: dosagem e administração
A dosagem e forma de administração dependem do fitoterápico específico, da idade, peso e condição clínica do paciente. De forma geral, siga sempre as orientações da bula e do seu médico. Abaixo, orientações comuns para os principais fitoterápicos:
- Adultos: Para insônia/ansiedade leve: extrato de valeriana 300 mg a 600 mg, 30 a 60 minutos antes de dormir. Para digestão: alcachofra 300 mg a 500 mg antes das principais refeições.
- Crianças: Fitoterápicos são geralmente contraindicados em menores de 12 anos sem avaliação médica; quando indicados, as doses são reduzidas (ex.: xarope de guaco 5 mL a 10 mL, 3x/dia, conforme orientação).
- Idosos: Iniciar com a menor dose eficaz, devido a possíveis interações medicamentosas e menor função hepática/renal.
- Formas de apresentação: Comprimidos e cápsulas devem ser ingeridos inteiros com água, geralmente com alimentos para reduzir irritação gástrica. Os xaropes infantis são administrados com o copo dosador. As tinturas e gotas podem ser diluídas em água ou suco.
- Duração do tratamento: Recomenda-se tratamento contínuo por 4 a 8 semanas, com reavaliação. Alguns fitoterápicos (como ginkgo) podem necessitar de uso por 12 semanas para atingir efeito pleno.
Evite tomar fitoterápicos com álcool ou bebidas estimulantes (café, chá preto) próximos ao horário, pois podem interferir na absorção e no efeito. Em caso de esquecimento, tome a dose assim que lembrar, mas não duplique a dose.
Efeitos colaterais de Fitoterapia
Embora considerados mais seguros que muitos medicamentos sintéticos, os fitoterápicos podem causar reações adversas. A frequência varia conforme a planta e a sensibilidade individual.
- Comuns (>10%): Leves distúrbios gastrointestinais (náusea, diarreia, flatulência) com extratos de valeriana, ginkgo ou alho. Sonolência diurna residual com valeriana em altas doses.
- Incomuns (1-10%): Cefaleia, tontura, boca seca, irritação gástrica — relatados com Hypericum perforatum (erva-de-são-joão) e Salix alba.
- Raros (<1%): Reações alérgicas cutâneas (urticária, coceira), hepatotoxicidade (kava-kava, sene em altas doses), fotossensibilidade (erva-de-são-joão).
- Sinais de alerta emergência: Icterícia, urina escura, dor abdominal intensa, sangramento incomum (sugestivo de interação com anticoagulantes). Interrompa o uso e procure atendimento médico.
É importante lembrar que a ocorrência de efeitos pode ser maior quando há associação com outros medicamentos ou uso em populações vulneráveis.
Contraindicações e quem não deve usar
Fitoterápicos não são indicados para todos os pacientes. As contraindicações dependem da planta, mas as mais gerais incluem:
- Gravidez e lactação: A maioria dos fitoterápicos não tem segurança estabelecida (exceção de alguns como gengibre para náusea gestacional, com moderação). Evitar especialmente arruda, babosa, alecrim em altas doses, sene e cascara sagrada.
- Crianças menores de 12 anos: Salvo orientação médica específica, muitos fitoterápicos não são recomendados pela falta de estudos nessa faixa etária.
- Doenças hepáticas ou renais graves: Plantas que dependem do metabolismo hepático (ex.: kava-kava, Hypericum) estão contraindicadas.
- Pacientes em uso de anticoagulantes: Plantas como ginkgo, alho, ginseng e salgueiro-branco aumentam o risco de sangramento.
- Alergia conhecida a alguma planta da família botânica (ex.: Asteraceae – camomila, arnica, mil-folhas).
Sempre informe seu médico sobre todas as plantas e suplementos que utiliza.
Interações medicamentosas importantes
Fitoterápicos podem interagir com medicamentos convencionais, aumentando ou reduzindo seus efeitos. As interações mais significativas são:
- Anticoagulantes (varfarina, rivaroxabana): Ginkgo, alho, gengibre, salgueiro-branco e dong quai potencializam a anticoagulação → risco de sangramento.
- Anticoncepcionais orais: Erva-de-são-joão (Hypericum perforatum) reduz a eficácia dos contraceptivos → risco de gravidez.
- Antidepressivos (ISRS, IMAO): Erva-de-são-joão pode causar síndrome serotoninérgica (agitação, hipertermia, tremor).
- Anti-hipertensivos: Alho, espinheira-santa e raiz de alcaçuz (Glycyrrhiza glabra) podem alterar a pressão arterial.
- Álcool: Pode potencializar a sedação de valeriana, kava-kava e passiflora, além de aumentar a hepatotoxicidade.
- Alimentos: Toranja (grapefruit) pode inibir o metabolismo de alguns fitoterápicos, aumentando a toxicidade.
Consulte sempre seu médico ou farmacêutico antes de combinar fitoterápicos com qualquer outra medicação.
Preço e onde encontrar Fitoterapia
No Brasil, os fitoterápicos são encontrados em farmácias, drogarias e lojas de produtos naturais, com preços que variam de acordo com a marca, tipo de extrato e local de compra.
- Faixa de preço: Comprimidos/cápsulas – de R$ 18 a R$ 80 (30 a 60 unidades). Xaropes – de R$ 25 a R$ 50 (150 mL). Gotas – de R$ 20 a R$ 45 (30 mL).
- Genérico disponível: Sim, existem fitoterápicos genéricos intercambiáveis (ex.: genérico do extrato de valeriana), com preço até 40% menor que o de referência.
- Diferença genérico vs. referência: O genérico é aprovado pelos mesmos padrões de qualidade e é equivalente terapêutico, mas pode apresentar diferenças nos excipientes.
- Como conseguir pelo SUS: O Ministério da Saúde oferece alguns fitoterápicos na atenção primária, como guaco e espinheira-santa, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Farmácias Vivas. Consulte a UBS mais próxima para verificar disponibilidade.
O que perguntar ao médico antes de usar
Antes de iniciar qualquer fitoterápico, converse com seu médico sobre os seguintes pontos:
- 1. Qual o nome científico e a parte da planta utilizada neste fitoterápico?
- 2. Este produto possui registro na ANVISA? Posso ver a bula ou certificado?
- 3. Existem interações com meus medicamentos atuais (incluindo anticoncepcionais, anticoagulantes, anti-hipertensivos)?
- 4. Por quanto tempo devo usar? Quando devo reavaliar a eficácia?
- 5. Quais sinais de alerta indicam que devo parar o uso e procurar ajuda?
- 6. Posso usar este fitoterápico se estiver grávida, amamentando ou planejando engravidar?
- 7. Existe risco de dependência ou efeito rebote ao parar?
Essas perguntas ajudam a garantir um uso seguro e eficaz, evitando riscos desnecessários.
- 01. Sempre opte por fitoterápicos com registro ANVISA e evite produtos de origem duvidosa ou vendidos como “chás milagrosos”.
- 02. Informe-se sobre a dose ideal para sua condição; “natural” não significa “inofensivo” – respeite as dosagens.
- 03. Mantenha um diário de sintomas e efeitos para discutir com seu médico no retorno.
- 04. Não associe vários fitoterápicos por conta própria, pois podem interagir entre si.
- 05. Armazene os produtos em local fresco, seco, ao abrigo da luz e fora do alcance de crianças.
- 06. Em caso de efeito adverso, suspenda o uso e procure orientação; não espere o problema se agravar.
Perguntas frequentes sobre Fitoterapia
Fitoterapia engorda ou emagrece?
Depende da planta. Fitoterápicos como camomila e valeriana geralmente não alteram o peso. Plantas diuréticas (ex.: cavalinha, hibisco) podem dar sensação de “emagrecimento” por perda de líquidos, mas não promovem perda de gordura. Evite fitoterápicos para emagrecer sem supervisão médica, pois muitos contêm efedra, cafeína ou laxantes, perigosos em excesso.
Posso tomar Fitoterapia na gravidez?
Em geral, é contraindicado devido à falta de estudos de segurança . Exceções isoladas como gengibre para náuseas (até 1g/dia, com orientação) e chá de camomila (em quantidades alimentares) podem ser aceitas, mas sempre consulte o obstetra antes.
Quanto tempo leva para Fitoterapia fazer efeito?
Depende da indicação e do fármaco. Para ansiedade e insônia, pode levar de 1 a 3 semanas; para problemas digestivos, alguns dias; para ação anti-inflamatória crônica, de 4 a 8 semanas. A consistência do uso é essencial.
Fitoterapia causa dependência?
Raramente, mas algumas plantas como valeriana em altas doses e uso prolongado podem causar dependência psicológica leve e sintomas de abstinência (insônia rebote) na retirada abrupta. O ideal é reduzir gradualmente sob orientação.
Posso tomar Fitoterapia junto com álcool?
Não é recomendado. O álcool pode potencializar a sonolência de sedativos (valeriana, passiflora) e aumentar o risco de danos ao fígado com plantas hepatotóxicas (kava-kava, sene). Prefira evitar.
Fitoterápicos interagem com anticoncepcionais?
Sim, principalmente a erva-de-são-joão (Hypericum), que reduz os níveis plasmáticos dos contraceptivos hormonais, podendo levar à falha contraceptiva. Outras plantas como ginseng e alho também podem interferir.
Crianças podem usar fitoterápicos?
Sim, mas com restrições e sempre sob supervisão médica. Guaco, camomila e funcho (para cólicas) têm aprovação para uso infantil desde que em doses adequadas e na forma de xaropes ou chás fracos. Evite plantas como aspérula, arruda e babosa.
Onde verificar se um fitoterápico é seguro?
Consulte o site da ANVISA (anvisa.gov.br), busque pelo nome do produto na seção de medicamentos. Além disso, a bula do produto deve conter o número de registro. Produtos sem registro são proibidos e perigosos.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base em bulas oficiais ANVISA, evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
Na Clínica Popular Fortaleza você agenda uma consulta com especialistas que explicam seu tratamento, ajustam doses e orientam o uso correto dos medicamentos.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a bula do medicamento, orientação médica ou farmacêutica. Nunca use medicamentos sem prescrição ou orientação de um profissional de saúde habilitado.
Fontes:
bula.med.br – Bulas e medicamentos
ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
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